Nível de serviço (transporte)

Nível de serviço (NS) é uma medida qualitativa das condições operacionais de uma via ou interseção, considerando fatores como velocidade média, densidade, razão volume/capacidade, tempo de percurso, interrupções de trânsito e tempos de espera. Essa medida é usada no planejamento e operação de vias urbanas e rodovias rurais, além de sistemas de resgate e emergência.[1][2][3]

Brasil

Critério para atribuir o nível de serviço a rodovias classe I

No Brasil, são definidos os seguintes níveis de serviço para rodovias rurais, equivalentes aos definidos nos Estados Unidos:[4][5]

A
Fluxo livre. Velocidade elevada conforme a vontade dos motoristas e alta liberdade de manobra. Eventuais interferências do fluxo são absorvidas facilmente.
B
Fluxo razoavelmente livre. Velocidade ligeiramente reduzida e liberdade de manobra um pouco menor.
C
Fluxo estável. Velocidade satisfatória e manobras na corrente de tráfego mais restritas por outros veículos. Pequenas interferências podem provocar a formação de filas.
D
Fluxo próximo à instabilidade. Velocidade reduzida conforme as flutuações do volume de tráfego e pouca liberdade de manobra. Pequenos distúrbios causam ondas de choque na corrente de tráfego.
E
Fluxo instável. A velocidade média varia de forma imprevisível e quase não há manobras de ultrapassagem. Eventuais distúrbios resultam em formação de filas. Operação próxima à capacidade.
F
Fluxo forçado ou em colapso. A demanda excede a capacidade da via, resultando em congestionamentos. A operação nas filas é altamente instável, com paradas frequentes de curta duração.

O nível de serviço D é considerado aceitável, embora seja aconselhável o nível C ou superior.[2][1] Também é importante que o nível de serviço nos entrecruzamentos[a] seja compatível com o da rodovia, onde ele depende do comprimento, número de faixas e volumes das correntes que se entrecruzam.[6]

Em vias arteriais urbanas, o nível de serviço é instável e tende a se deteriorar inesperadamente. Por isso, o nível de serviço em cada trecho dessas vias é definido pela velocidade média de viagem observada nele.[1]

Para rotatórias, os níveis de serviço são determinados principalmente pelos tempos médios de espera da seguinte forma:[6]

NS Tempo médio de espera (segundos)
A ≤ 10
B ≤ 20
C ≤ 30
D ≤ 45
E > 45
F Além da capacidade

A medida de nível de serviço também pode ser aplicada a pedestres e ciclistas.[1][5] Essa prática é compreendida pelo conceito de nível de serviço multimodal.[7]

Condições ideais

O nível de serviço é medido com base em condições ideais de fluxo ininterrupto que desconsideram condições climáticas e qualidade dos pavimentos, vistas como adequadas por não apresentarem impedimento ao tráfego. Essas condições são consideradas ideais porque, sob elas, nenhum melhoramento aumentaria a capacidade da rodovia.[2] Elas podem ser ajustadas a condições locais. As condições ideais são as seguintes: terreno plano, largura das faixas de tráfego de 3,6 m, somente veículos de passeio na corrente de tráfego, e ainda:[1]

  • Em rodovias: ausência de impedimentos ao tráfego de passagem nas interseções, ausência de trechos com ultrapassagem proibida em rodovias de pista simples, afastamento lateral de 1,8 m de obstáculos fixos das bordas das faixas de tráfego, e velocidade de fluxo livre de 90 km/h em rodovias de pista simples com duas faixas e 100 km/h em rodovias multifaixas.
  • Em interseções: ausência de pedestres, localização fora de uma área comercial, proibição de estacionamento nas aproximações, ausência de pontos de ônibus sem faixa exclusiva.

Reino Unido

Embora a metodologia americana seja usada e citada esporadicamente nos manuais do Reino Unido, a medida do nível de serviço é mais adequada às rodovias americanas do que às europeias e britânicas. As vias urbanas e rurais no Reino Unido geralmente são mais movimentadas que nos Estados Unidos, e é aceitável que operem a 85% da capacidade, o que corresponde aos níveis de serviço C e D. Assim, os níveis de serviço tendem a ser mais elevados. Às vezes, adota-se informalmente uma escala reduzida de A a D.[carece de fontes?]

Notas e referências

Notas

  1. Entrelaçamento com convergência e divergência gradual de correntes de trânsito se movendo no mesmo sentido.

Referências

  1. a b c d e DNIT (2010). Manual de projeto geométrico de travessias urbanas (PDF). Col: IPR, 740. Rio de Janeiro: DNIT. pp. 77–80, 85–89. 390 páginas. Consultado em 15 de abril de 2025. Cópia arquivada (PDF) em 7 de abril de 2025 
  2. a b c DNER (1999). Manual de projeto geométrico de rodovias rurais (PDF). Col: IPR, 706. Rio de Janeiro: DNER. pp. 35–39. 195 páginas. Consultado em 15 de abril de 2025. Cópia arquivada (PDF) em 5 de julho de 2021 
  3. DNER (1997). Manual de resgate de acidentados (PDF). Col: IPR, 702. Rio de Janeiro: DNER. pp. 17, 18, 42. 163 páginas. Consultado em 15 de abril de 2025. Cópia arquivada (PDF) em 5 de julho de 2021 
  4. DNIT (2006). Manual de estudos de tráfego (PDF). Col: IPR, 723. Rio de Janeiro: DNIT. pp. 266–268, 296, 297. 384 páginas. Consultado em 15 de abril de 2025. Cópia arquivada (PDF) em 5 de julho de 2021 
  5. a b Transportation Research Board (2000). «Highway Concepts» [Conceitos de Rodovias]. Highway Capacity Manual [Manual de Capacidade Rodoviária] (em inglês) 2000 ed. Washington, D.C.: Transportation Research Board. 1207 páginas. ISBN 0-309-06681-6 
  6. a b DNIT (2005). Manual de projeto de interseções (PDF). Col: IPR, 718. Rio de Janeiro: DNIT. pp. 156, 200. 528 páginas. Consultado em 15 de abril de 2025. Cópia arquivada (PDF) em 5 de julho de 2021 
  7. Ryus, Paul (9 de maio de 2011). «Highway Capacity Manual 2010» [Manual de Capacidade Rodoviária 2010] (PDF). TR News March–April 2011 [TR News Março–Abril 2011]. Rebuilding Urban Interstates, Oklahoma and Missouri Initiatives (em inglês). [S.l.]: National Academies Press. pp. 45–48. 58 páginas. ISBN 978-0-309-43530-7. doi:10.17226/22885. Consultado em 15 de abril de 2025. Cópia arquivada (PDF) em 10 de julho de 2012