Valerianoideae

Valerianoideae
ex-Valerianaceae
Valeriana sambucifolia (ilustração)
Valeriana sambucifolia (ilustração)
Classificação científica
Reino: Plantae
Clado: angiospérmicas
Clado: eudicotiledóneas
Clado: asterídeas
Ordem: Dipsacales
Família: Caprifoliaceae
Subfamília: Valerianoideae
Raf. (1820)[1]
Géneros
Ver texto.
Sinónimos
Valeriana officinalis.
Flores da valeriana-de-folha-estreita (Centranthus angustifolius).
Ilustração mostrando Valeriana tripteris (de Johann Wilhelm Sturm em Deutschlands Flora in Abbildungen nach der Natur mit beschreibungen, Nuremberg, 1817).
Inflorescência e folhas opostas de Fedia cornucopiae.
Patrinia scabiosifolia.
Patrinia triloba.
Valerianella radiata.

Valerianoideae é uma subfamília de plantas com flor da família Caprifoliaceae pertencente à ordem Dipsacales. O agrupamento contém cerca de 490 espécies repartidas por 6 géneros. São geralmente plantas herbáceas com um odor desagradável. Encontram-se em quase todas as regiões do mundo, exceto na Austrália. Até ao advento dos sistemas de classificação de base filogenética, este agrupamento estava classificado ao nível taxonómico de família como Valerianaceae Batsch.[2] Algumas espécies são cultivadas como plantas ornamentais e outras são utilizadas como medicamentos fitoterápicos.

Descrição

A ordem à qual pertence esta família está por sua vez incluida na classe Magnoliopsida (dicotiledóneas): desenvolvem portanto embriões com dois ou mais cotilédones.[3] Atualmente, esta família está incluída nas Caprifoliaceae s. l..

Não estão filogeneticamente próximas das Asteraceae, mas apresentam convergências evolutivas: ovário inferior, fruto em aquénio, presença de vilano e presença de pseudantos (inflorescência).

Morfologia

TOs membros da subfamília Valerianoideae são principalmente de plantas herbáceas perenes ou bienais, raramente anuais, e mais raramente arbustos, sendo que as formas de crescimento divergentes ocorrem principalmente nos Andes. No grupo é comum a formação de órgãos de sobrevivência, como raízes pivotantes ou rizomas. Nas partes aéreas da planta podem existir pelos brancos multicelulares (tricomas). Estas plantas apresentam geralmente um odor fétido característico, particularmente nas amostras secas. As plantas são hermafroditas, dioicas, ginodioicas ou poligamodioicas.[4]

As folhas são basais e opostas, decussadas, distribuídas ao longo do eixo do caule. As lâminas foliares são simples a pinatífidas ou pinaticompostas, com margens lisas ou dentadas de forma variada. Por vezes apresentam bainha na base, podendo ser pecioladas ou apecíoladas, mas as estípulas estão sempre ausentes.[4]

As flores agrupam-se em inflorescências simples ou compostas, com as flores individuais dispostas sobre brácteas e brácteas involucrais. As inflorescências são cimosas, geralmente um tirso compacto, ou um dicásio simples ou composto, com flores irregulares.

As flores, na sua maioria hermafroditas ou raramente unissexuais, são radialmente simétricas (zigomórficas) a ligeiramente assimétricas, com invólucro duplo.

O Cálice é composto por 5 sépalas folhosas (pentalobulado em Nardostachys), obsoleto ou variadamente modificado, geralmente dividido em numerosos segmentos plumosos que persistem quando em fruto. O cálice é indistintamente dentado em Patrinia e eriçado, pinado e semelhante a um papus em Valeriana.

A corola é simpétala, frequentemente gibosa ou espolonada, com 5 lóbulos imbricados. As pétalas, geralmente esbranquiçadas ou avermelhadas, são tubulares, por vezes bilabiadas, com raramente três e geralmente cinco pontas.

Estames 1–4. As flores dos géneros considerados centrais na subfamília possuem quatro estames; nos outros géneros, ocorre uma redução do número de estames até um único. Os estames são epipétalos, alternados com os lóbulos da corola. Os filamentos estão inseridos perto da base do tubo da corola. As anteras apresentam duas tecas, deiscentes longitudinalmente.

O ovário é ínfero, tri-carpelar, com dois lóculos estéreis e um fértil, este com um óvulo simples, pendente, anátropo. O gineceu com um único estilete que termina num estigma simples ou trilobado (com três etigmas).[4]


Na maioria das espécies, o cálice aumenta de tamanho e, durante a maturação do fruto, transforma-se em pelos, pelos emplumados, ganchos, asas, ou outras formas que ajudam na dispersão dos frutos. O fruto é uma cipsela semelhante a um aquénio. Nas flores esporadas (Centranthus) ocorrem diferentes tipos de frutos na mesma planta. Cada semente por fruto possui um grande embrião reto, mas nenhum endosperma.

Fitoquímica

Nesta subfamília, a partes da planta, com especial relevo para as folhas, possuem um odor característico, causado pela sua riqueza em óleos essenciais com elevadas concentrações de monoterpenoides e sesquiterpenoides.

Sistemática e distribuição

A família Valerianaceae foi criada por August Johann Georg Carl Batsch. A família Valerianaceae era geralmente considerada uma família de transição entre as Caprifoliaceae e as Dipsacaceae. Alguns autores colocavam-na no nível de subfamília Valerianoideae na família das Caprifoliaceae. Com a aplicação das técnicas da filogenética, o Angiosperm Phylogeny Group colocou o agrupamento ao nível da subfamília com o sistema APG III, de 2009, o que foi reconfirmado com o sistema APG IV, de 2016, que o integrou numa família Caprifoliaceae sensu lato.[5][6]

Na classificação da família Valerianaceae Batsch, subfamília Valerianoideae Raf. ou tribo Valerianeae Dumort., o agrupamento taxonómico contém oito géneros com cerca de 350 espécies.

Géneros e sua distribuição

A maioria das espécies da família Valerianaceae ocorre nas regiões temperadas do hemisfério norte e nos Andes. Na África tropical, em Madagáscar, no Sudeste Asiático e na Austrália, o grupo está completamente ausentes. As áreas de distribuição natural, quase cosmopolitas, exceto na Austrália e na Nova Zelândia, estão localizadas principalmente em altitudes mais elevadas e, muitas vezes, em regiões montanhosas.

Géneros

Referências

  1. Rafinesque-Schmaltz, C.S. 1820: Ann. Gén. Sci. Phys. Bruxelles 6: 88.
  2. The Angiosperm Phylogeny Group III ("APG III", en orden alfabético: Brigitta Bremer, Kåre Bremer, Mark W. Chase, Michael F. Fay, James L. Reveal, Douglas E. Soltis, Pamela S. Soltis y Peter F. Stevens, además colaboraron Arne A. Anderberg, Michael J. Moore, Richard G. Olmstead, Paula J. Rudall, Kenneth J. Sytsma, David C. Tank, Kenneth Wurdack, Jenny Q.-Y. Xiang y Sue Zmarzty) (2009). «An update of the Angiosperm Phylogeny Group classification for the orders and families of flowering plants: APG III.» (pdf). Botanical Journal of the Linnean Society (161): 105-121. Cópia arquivada em 25 de maio de 2017 
  3. EH Jung, CE Lim, BY Lee, SP Hong, Complete chloroplast genome sequence of Patrinia saniculifolia Hemsl. (Disacales: Caprifoliaceae), an endemic plant in Korea. Mitochondrial DNA Part B, 2018.
  4. a b c «Valerianaceae». Tropicos.org. Missouri Botanical Garden: Flora de Nicaragua. Consultado em 22 de fevereiro de 2010 
  5. Angiosperm Phylogeny Group: An update of the Angiosperm Phylogeny Group classification for the orders and families of flowering plants: APG III Botanical Journal of the Linnean Society, Band 161, 2009, S. 105–121.
  6. The Angiosperm Phylogeny Group: An update of the Angiosperm Phylogeny Group classification for the orders and families of flowering plants: APG IV. Botanical Journal of the Linnean Society, 2016, Band 181, S. 1–20. doi:10.1111/boj.12385
  7. Nereida Xena de Enrech, Joël Mathez (1998). Genetic control of fruit polymorphism in the Genus Fedia (Valerianaceae) in the light of dimorphic and trimorphic populations of F. pallescens. Plant Systematics and Evolution (em inglês). 210. [S.l.: s.n.] pp. 199–210. ISSN 1615-6110. doi:10.1007/BF00985668 
  8. Deyuan Hong, Fred R. Barrie, Charles D. Bell: Valerianaceae. Patrinia.. In Wu Zheng-yi, Peter H. Raven, Deyuan Hong (Hrsg.): Flora of China. Volume 19: Cucurbitaceae through Valerianaceae, with Annonaceae and Berberidaceae. Science Press / Missouri Botanical Garden Press, Beijing / St. Louis 2011, ISBN 978-1-935641-04-9, pp. 662 ( on line: em pdf).
  9. «Nardostachys DC.». Plants of the World Online. Royal Botanic Garden, Kew. Consultado em 18 agosto 2023 
  10. «Patrinia Juss.». Plants of the World Online. Royal Botanic Garden, Kew. Consultado em 18 agosto 2023 
  11. «Valeriana L.». Plants of the World Online. Royal Botanic Gardens, Kew. Consultado em 18 agosto 2023 
  12. «Valerianella Mill.». Plants of the World Online. Royal Botanic Garden, Kew. Consultado em 18 agosto 2023 

Bibliografia

  • Deyuan Hong, Fred R. Barrie, Charles D. Bell: Valerianaceae. In: Wu Zheng-yi, Peter H. Raven, Deyuan Hong (Hrsg.): Flora of China. Volume 19: Cucurbitaceae through Valerianaceae, with Annonaceae and Berberidaceae. Science Press / Missouri Botanical Garden Press, Beijing / St. Louis 2011, ISBN 978-1-935641-04-9, pp. 661–671 ( on line: em pdf).
  • Yasin J. Nasir (1976). Flora of West Pakistan 101: Valerianaceae (em inglês). Rawalpindi: Stewart Herbarium. p. 1–21 
  • Charles D.Bell, Michael J.Donoghue (2005). Phylogeny and biogeography of Valerianaceae (Dipsacales) with special reference to the South American valerians. Organisms, Diversity & Evolution. 5. [S.l.: s.n.] p. 147–159. doi:10.1016/j.ode.2004.10.014 

Ver também

Ligações externas