Dipsacoideae
Dipsacoideae
ex-Dipsacaceae | |||||||||||||||||||||
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![]() Scabiosa lucida. | |||||||||||||||||||||
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Dipsacoideae é uma subfamília de plantas com flor da família Caprifoliaceae da ordem Dipsacales,[1] que agrupa cerca de 290 espécies de plantas herbáceas e arbustos perenes ou bienais distribuídas por 14 géneros. A maioria das espécies é nativa dos climas temperados da Europa, Ásia e África. O agrupamento era tratado no sistema de Cronquist ao nível taxonómico de família como Dipsacaceae Juss..[1]
Descrição
Morfologia
Os membros da subfamília Dipsacoideae são plantas herbáceas anuais ou bienais, raramente perenes, ou, mais raramente, arbustos ou semi-arbustos. As folhas, com filotaxia sempre oposta, são na sua maioria inteiras. Não apresentam estípulas.
Uma característica particularmente marcante das Dipsacoideae é a inflorescência em forma de capítulo, muito semelhante à inflorescência das Asteraceae, as compostas, e, tal como naquelas, a inflorescência é rodeada por bractéolas formando um pseudanto (uma falsa flor).
No entanto, a estrutura das flores difere consideravelmente das Asteraceae: as flores hermafroditas têm quatro ou cinco pétalas, com perianto duplo. As flores de quatro ou cinco pétalas, frequentemente muito zigomorfas no bordo do disco do capítulo, são muitas vezes rodeadas por um cálice externo. O cálice externo é composto por duas brácteas fundidas. O cálice e o cálice externo são quase sempre secos e eriçados. As pétalas estão fundidas entre si. Os dois carpelos estão fundidos num ovário ínfero. As quatro (raramente duas a três) estames não estão fundidos num tubo, como ocorre nas Asteraceae.
Estas plantas produzem frutos de semente única, do tipo designado por aquénio. Os aquénios de algumas espécies, como a Knautia dipsacifolia, são disseminados pelas formigas (mirmecocoria).
Ecologia e distribuição
A maioria das espécies ocorre em áreas secas ou, pelo menos, periodicamente secas e abertas, como estepes ou prados secos, frequentemente em terrenos elevados, algumas também nas margens das florestas.[2][3] Algumas espécies também crescem em florestas (como a Knautia dipsacifolia, comum nas florestas europeias).
As espécies da subfamília Dipsacoideae estão distribuídas pelas regiões temperadas a subtropicais da Eurásia e África, bem como na África tropical e meridional. O seu principal centro de diversidade é a região mediterrânica e a Ásia Menor.
Taxonomia e sistemática
A subfamília Dipsacoideae foi criada em 1836 por Amos Eaton em A Botanical Dictionary, 4.ª edição, página 36, sob a designação «Dipsaceae». O género-tipo é Dipsacus L..[4] Um sinónimo para Dipsacoideae Eaton é Dipsacaceae Juss..
Géneros
Anteriormente classificada na sua própria família Dipsacaceae, esta subfamília contém cerca de 350 espécies de ervas e arbustos perenes ou bienais distribuídas por 11 géneros. É nativa dos climas temperados da Europa, Ásia e África, embora certas espécies se tenham naturalizado em outras regiões. O género tipo é Dipsacus L.[5]
- Bassecoia B.L.Burtt
- Cephalaria Schrad.
- Dipsacus L. (sin.: Simenia Szabó)
- Knautia L. (sin.: Trichera Schrad.)
- Lomelosia Raf. (sin.: Scabiosiopsis Rech. f.; Tremastelma Raf.)
- PseudoscabiosaDevesa
- Pterocephalidium G.López
- Pterocephalodes V.Mayer & Ehrend.
- Pterocephalus Adans.
- PycnocomonHoffmanns. & Link
- Scabiosa L.
- Sixalix Raf.
- Succisa Haller
- Succisella Beck
O género Morina foi transferido para a família Morinaceae, no sistema APG IV também integrada como subfamília Morinoideae. O género Acanthocalyx é considerado um sinónimo taxonómico de Morina e, por isso, foi transferido para Morinoideae.
O género Triplostegia Wall. ex DC. anteriormente classificado em Dipsacaceae encontra-se presentemente em incertae sedis nas Caprifoliaceae, mas poderá vir a ser considerado numa subfamília monotípica.[6]
Diversidade e distribuição
Na subfamília Dipsacoideae Eaton, existiam anteriormente 11 géneros,[7] mas desde 2013 existem 14 géneros,[8] com cerca de 290 espécies:
- Bassecoia B.L.Burtt (sin.: Pterocephalodes V.Mayer & Ehrend.): As três espécies[8] estão dispersas pela República Popular da China, Tailândia e região do Himalaia.[8]
- Cephalaria Schrad. ex Roem. & Schult.: Com cerca de 65 espécies, estão distribuídas principalmente na região do Mediterrâneo e na Ásia Menor, mas também ocorrem na Ásia Ocidental e Central, bem como no sul de África.
- Dipsacus L. (sin.: Simenia Szabó): A área de distribuição das cerca de 20 espécies situa-se na Europa Ocidental, na região mediterrânica e no sul e leste da Ásia.
- Knautia L. (sin.: Trichera Schrad. ex Roem. & Schult.): A área de distribuição das cerca de 60 espécies situa-se na Europa e em torno da região mediterrânica, na África Ocidental e no sudoeste da Ásia.
- Lomelosia Raf. (sin.: Scabiosiopsis Rech. f., Tremastelma Raf.): Das quase 40 espécies, cerca de metade está presente na Europa.[9] Aqui está uma seleção:
- Lomelosia albocincta (Greuter) Greuter & Burdet
- Lomelosia graminifolia (L.) Greuter & Burdet: Ela ocorre em Marrocos, Espanha, França, Itália, Suíça, Croácia, Eslovénia, Sérvia, Albânia e Grécia.[10]
- Lomelosia minoana (P.H.Davis) Greuter & Burdet
- Lomelosia sphaciotica (Roem. & Schult.) Greuter & Burdet: Ela ocorre em Creta e na Grécia.[10]
- Pseudoscabiosa Devesa[8] (sin.: Scabiosa sect. Asterothrix Font Quer): As cerca de três espécies estão distribuídas na região do Mediterrâneo.[11]
- Pterocephalidium G.López:[8] Contém apenas uma espécie:
- Pterocephalidium diandrum (Lag.) G.López: Ocorre apenas na Península Ibérica.[12]
- Pterocephalus Adans.: As cerca de 25 espécies estão distribuídas na região do Mediterrâneo até à África tropical e pela Ásia Central até à China (apenas duas espécies).[13]
- Pterothamnus V.Mayer & Ehrend.: Contém apenas uma espécie:
- Pterothamnus centennii (M.J.Cannon) V.Mayer & Ehrend.: Esta espécie endémica é conhecida apenas no local onde foi descoberta, a uma altitude de cerca de 2000 metros, na Serra Zuira de Manica e Sofala, em Moçambique.[8]
- Scabiosa L. (sin.: Asterocephalus Zinn, às vezes como Sixalix Raf.): A área de distribuição das cerca de 100 espécies situa-se preferencialmente na região mediterrânica da Europa, Ásia e África.
- Pycnocomon Hoffmanns. & Link[8] Segundo G. Domina, o género é sinónimo de Lomelosia Raf.[10]
- Sixalix Raf.[8] (por vezes em Scabiosa L.): Inclui várias espécies, entre as quais:
- Sixalix atropurpurea] (L.) Greuter & Burdet (sin.: Scabiosa atropurpurea L.): Ocorre nas ilhas Canárias e na Madeira, no Norte de África, no Sul da Europa e no Próximo Oriente, sendo uma espécie neófita nos Açores.[10]
- Sixalix daucoides (Desf.) Raf.: Ocorre apenas na Argélia e na Tunísia.[10]
- Succisa Haller:[8] Existem cerca de três espécies:[14]
- Succisa pinnatifida Lange: Ela ocorre no noroeste de Espanha e em Portugal.[10]
- Succisa pratensis Moench): Está presente desde a Europa até à Sibéria ocidental e ao Norte de África.
- Succisa trichotocephala Baksay: É uma espécie endémica das montanhas dos Camarões.
- Succisella Beck:[8] As cerca de cinco espécies estão distribuídas pela Europa.[14]
Referências
- ↑ a b Angiosperm Phylogeny Group: An update of the Angiosperm Phylogeny Group classification for the orders and families of flowering plants: APG III. In: Botanical Journal of the Linnean Society. Band 161, Nr. 2, 2009, S. 105–121, doi:10.1111/j.1095-8339.2009.00996.x.
- ↑ Sara E. Carlson, H. Peter Linder, Michael J. Donoghue: The historical biogeography of Scabiosa (Dipsacaceae): implications for Old World plant disjunctions, In: Journal of Biogeography, Band 39, Nr. 6, 2012, S. 1086–1100 (PDF).
- ↑ Filip Kolář, Milan Štech, Pavel Trávníček, Jana Rauchová, Tomáš Urfus, Petr Vít, Magdalena Kubešová, Jan Suda: Towards resolving the Knautia arvensis agg.(Dipsacaceae) puzzle: primary and secondary contact zones and ploidy segregation at landscape and microgeographic scales. In: Annals of Botany, Band 103, Nr. 6, April 2009, S. 963–974, doi:10.1093/aob/mcp016 (PDF).
- ↑ «Dipsacaceae». Tropicos. Missouri Botanical Garden. 100385822
- ↑ USDA, ARS, National Genetic Resources Program. Germplasm Resources Information Network - (GRIN) [Online Database]. National Germplasm Resources Laboratory, Beltsville, Maryland. URL: http://www.ars-grin.gov/cgi-bin/npgs/html/gnlist.pl?2955 Arquivado em 24 de setembro de 2015, no Wayback Machine. (22 outubro 2013)
- ↑ Yanting Niu et al., Taxonomic revision of Triplostegia (Caprifoliaceae: Dipsacales). Phytotaxa 392(1):19. February 2019 (DOI:10.11646/phytotaxa.392.1.2).
- ↑ Sara E. Carlson, Veronika Mayer, Michael J. Donoghue (novembro de 2009). Phylogenetic relationships, taxonomy, and morphological evolution in Dipsacaceae (Dipsacales) inferred by DNA sequence data. Taxon (em inglês). 58. [S.l.: s.n.] p. 1074–1091. ISSN 0040-0262 Abstract (Memento vom 5. outubro 2013 im Internet Archive)
- ↑ a b c d e f g h i j Veronika Mayer, Friedrich Ehrendorfer: The phylogenetic position of Pterocephalidium and the new African genus Pterothamnus within an improved classification of Dipsacaceae. In: Taxon, Volume 62, Issue 1, 20. Februar 2013, S. 112–126. Volltext-PDF.
- ↑ Manfred A. Fischer, Karl Oswald, Wolfgang Adler: Exkursionsflora für Österreich, Liechtenstein und Südtirol. 3., verbesserte Auflage. Land Oberösterreich, Biologiezentrum der Oberösterreichischen Landesmuseen, Linz 2008, ISBN 978-3-85474-187-9, p. 814.
- ↑ a b c d e f G. Domina (2017): Dipsacaceae.: Datenblatt Dipsacaceae, In: Euro+Med Plantbase - the information resource for Euro-Mediterranean plant diversity.
- ↑ J. A. Devesa (1984). Pseudoscabiosa, Genera Nuevo de Dipsacaceae (PDF). Lagascalia (em espanhol). 12. [S.l.: s.n.] p. 213–221. ISSN 0210-7708
- ↑ Ginés López González (1986). "Pterocephalidium" un nuevo género ibérico de la familia "Dipsacaceae" (PDF). Anales del Jardín Botánico de Madrid (em espanhol). 43. [S.l.: s.n.] p. 245–252. ISSN 0211-1322
- ↑ Deyuan Hong, Liming Ma, Fred R. Barrie: S. 654: Dipsacaceae. - textgleich online wie gedrucktes Werk, In: Wu Zheng-yi, Peter H. Raven, Deyuan Hong (Hrsg.): Flora of China. Volume 19: Cucurbitaceae through Valerianaceae, with Annonaceae and Berberidaceae, Science Press und Missouri Botanical Garden Press, Beijing und St. Louis, 2011, ISBN 978-1-935641-04-9.
- ↑ a b Sara E. Carlson, Dianella G. Howarth, Michael J. Donoghue (novembro de 2011). «Background». Diversification of CYCLOIDEA-like genes in Dipsacaceae (Dipsacales): implications for the evolution of capitulum inflorescences. BMC Evolutionary Biology (em inglês). 11. [S.l.: s.n.] ISSN 1471-2148. doi:10.1186/1471-2148-11-325
Bibliografia
- Eintrag zur Familie Dipsacaceae no APWebsite.
- Beschreibung der Familie Dipsacaceae bei DELTA. (Abschnitt Beschreibung)
- Veronika Mayer, Friedrich Ehrendorfer: The phylogenetic position of Pterocephalidium and the new African genus Pterothamnus within an improved classification of Dipsacaceae. In: Taxon, Volume 62, Issue 1, 20. Februar 2013, S. 112–126. Volltext-PDF.
- Yasin J. Nasir (1975). Flora of West Pakistan 94: Dipsacaceae (em inglês). Rawalpindi: Stewart Herbarium. p. 1–12. OCLC 311348861
- Die Kardengewächse in der Flora Emslandia - Pflanzen im Emsland.
- «Dipsacoideae». Agricultural Research Service (ARS), United States Department of Agriculture (USDA). Germplasm Resources Information Network (GRIN)
- Deyuan Hong, Liming Ma, Fred R. Barrie Dipsacaceae, S. 654 - textgleich online wie gedrucktes Werk, In: Wu Zheng-yi, Peter H. Raven, Deyuan Hong (Hrsg.): Flora of China. Volume 19: Cucurbitaceae through Valerianaceae, with Annonaceae and Berberidaceae, Science Press und Missouri Botanical Garden Press, Beijing und St. Louis, 2011, ISBN 978-1-935641-04-9.
