Roberto Carlos (álbum de 1971)

Roberto Carlos
Álbum de estúdio de Roberto Carlos
Lançamento26 de novembro de 1971
GravaçãoSetembro e outubro de 1971
Gênero(s)MPB, Música romântica, rock, soul, funk, blues
Duração43:15
Idioma(s)Português
Formato(s)LP/CD
Gravadora(s)Discos CBS
ProduçãoEvandro Ribeiro
Certificação630.000 cópias
Cronologia de Roberto Carlos

Roberto Carlos é o décimo primeiro álbum de estúdio do cantor e compositor Roberto Carlos, lançado em dezembro de 1971 pela gravadora CBS. Foi considerado pela Rolling Stone Brasil como o 28º maior disco brasileiro.[1] Em setembro de 2012, foi eleito pelo público da Rádio Eldorado FM, do portal Estadao.com e do Caderno C2+Música (estes dois últimos pertencentes ao jornal O Estado de S. Paulo) como o décimo melhor disco brasileiro da história.[2] Na época de seu lançamento, a crítica do jornal havia afirmado que Roberto "pode ser colocado, sem favor, entre os melhores intérpretes da música brasileira". Nesse álbum, em cuja capa vemos um desenho do artista efetuado pelo ilustrador Carlos E. Lacerda, por sinal a única capa de sua discografia onde não consta uma foto do artista, Roberto Carlos passa a cantar de maneira romântica e o disco também é responsável pela sua consagração como maior ídolo romântico da música brasileira, algo que se manteve até os dias de hoje.

O disco

"Roberto Carlos" (1971) é um álbum de transição, no qual o artista já consagrado pelo público como o maior ídolo do cancioneiro nacional, conquista definitivamente o reconhecimento da crítica como um dos maiores criadores (em parceria com Erasmo Carlos) da nossa música. Tendo atingido os 30 anos de idade, o balzaquiano Roberto Carlos adentrava numa fase de maturidade assumindo de vez a sua veia romântica com a genial "Detalhes", marco zero de sua consagração como o maior cantor romântico do país. Essa entrada no panteão dos grandes autores da MPB se deu tanto pelo seu estilo moderno de interpretar uma canção romântica, como pela ênfase temática de "Detalhes", que ao contrário do convencional destilar de ressentimento e dor-de-cotovelo das canções de desamor, apresenta o eu lírico provocando o objeto de seu sentimento com a lembrança de momentos marcantes da relação que terminou. Essa faceta do letrista preciso - uma das muitas no álbum - se repetirá em "Debaixo dos Caracóis dos Seus Cabelos" e "Amada Amante". A primeira foi cantada pelo público nada menos que 21 anos como uma balada romântica, até que em 1992 Caetano Veloso revelou publicamente que Roberto e Erasmo a compuseram para ele quando exilado em Londres. Já "Amada Amante", além da letra revela um Roberto sedutor e ousado para quem o verdadeiro amor faz as sua próprias leis. Mas como esse 11º álbum é um disco de transição, o soul music e o funk da fase anterior ainda se acham presentes no arranjo blues de "Como Dois e Dois" (Caetano Veloso), na levada soul-gospel de "Eu Só tenho Um Caminho" (Getúlio Cortes) e no funk "Todos Estão Surdos". O intérprete sensível e irresistível também pinta em "A Namorada" (Maurício Duboc-Carlos Colla), "Se Eu Partir" (Fred Jorge) e na autoral "De Tanto Amor", que em votação pública, em 2005, o Jornal do Brasil elegeu como uma das 10 mais belas canções brasileiras em todos os tempos. Temos nesse álbum ainda, o Roberto Carlos brincalhão e descontraído dos fox trotes "Você Não Sabe o Que Vai Perder" (Renato Barros) e "I Love You", na qual Roberto tanto homenageia os cantores da Velha Guarda romântica da MPB, cantando com a voz empostada, como parece satirizar a sua própria pieguice.Finalmente temos o Roberto Carlos autobiográfico presente na confessional "Traumas". Nesta, com certa reserva, o artista fala pela primeira vez do acidente na infância no verso em que canta "Falou dos anjos que eu conheci/no delírio da febre que ardia/no meu pequeno corpo que sofria/sem nada entender...". Enfim, o disco traz todos os Robertos num traduzindo-se como um dos melhores e mais importantes de sua carreira - para muitos o melhor.

Produção

Foi o disco que marcou a consolidação da figura de Roberto Carlos como o "rei" da música brasileira. Na década de 1960, o cantor era o ícone da Jovem Guarda e referência da juventude. A partir de 1968, Roberto Carlos começou a amadurecer o seu repertório, o que culminaria nos discos lançados em 1968 e 1969, com fortes influências na música negra norte-americana. De 1971 em diante, Roberto passou a reforçar sua faceta romântica.[3]

Foi o primeiro álbum de Roberto Carlos gravado nos Estados Unidos – o trabalho foi feito em outubro de 1971, no estúdio da gravadora CBS, em Nova York. Já a pré-produção do álbum foi feita no Rio de Janeiro.[3] Os arranjos ficaram a cargo do pianista e maestro norte-americano Jimmy Wisner – o músico só não assina os arranjos de Amada Amante e Eu Só Tenho Um Caminho.[3]

Recepção

Ao falar sobre o aniversário de 50 anos do álbum, o jornalista Mauro Ferreira destacou que o disco é um dos poucos que "conservam o encanto e, de certa forma, a atualidade por tocar em temas atemporais" e que não surpreende o fato de Roberto Carlos ter "se entronizado de forma vitalícia como um dos cantores mais populares do Brasil em todos os tempos".[3]

Faixas - Composição e Duração

Título Composição Duração
1. "Detalhes" Roberto Carlos-Erasmo Carlos 5:03
2. "Como Dois e Dois" Caetano Veloso 3:23
3. "A Namorada" Maurício Duboc-Carlos Colla 3:13
4. "Você Não Sabe o Que Vai Perder" Renato Barros 2:57
5. "Traumas" Roberto Carlos-Erasmo Carlos 4:08
6. "Eu Só Tenho Um Caminho" Getúlio Côrtes 2:39
7. "Todos Estão Surdos" Roberto Carlos-Erasmo Carlos 4:17
8. "Debaixo dos Caracóis dos Seus Cabelos Roberto Carlos-Erasmo Carlos 3:47
9. "Se Eu Partir" Fred Jorge 3:41
10. "I Love You" Roberto Carlos-Erasmo Carlos 2:39
11. "De Tanto Amor" Roberto Carlos-Erasmo Carlos 3:24
12. "Amada Amante" Roberto Carlos-Erasmo Carlos 3:58

Ficha Técnica:[4]

Faixas - Arranjo, Estúdio e Data de Gravação

Título Arranjo Estúdio Data de Gravação
1. "Detalhes" Jimmy Wisner CBS - Nova Iorque Set/Out de 1971
2. "Como Dois e Dois" Jimmy Wisner CBS - Nova Iorque Set/Out de 1971
3. "A Namorada" Jimmy Wisner CBS - Nova Iorque Set/Out de 1971
4. "Você Não Sabe o Que Vai Perder" Jimmy Wisner CBS - Nova Iorque 20/09/1971
5. "Traumas" Jimmy Wisner CBS - Nova Iorque Set/Out de 1971
6. "Eu Só Tenho Um Caminho" Chiquinho de Moraes CBS - R.J. 16/06 e 02/07/1971
7. "Todos Estão Surdos" Jimmy Wisner CBS - Nova Iorque Set/Out de 1971
8. "Debaixo dos Caracóis dos Seus Cabelos Jimmy Wisner CBS - Nova Iorque Set/Out de 1971
9. "Se Eu Partir" Jimmy Wisner CBS - Nova Iorque Set/Out de 1971
10. "I Love You" Jimmy Wisner CBS - Nova Iorque Set/Out de 1971
11. "De Tanto Amor" Jimmy Wisner CBS - Nova Iorque Set/Out de 1971
12. "Amada Amante" Chiquinho de Moraes CBS - R.J. 01/05/1971

Produção:

Evandro Ribeiro

Técnicos de Gravação:

Eugênio e Dilmar

Foto Contra-Capa:

Armando Canuto

Músicos

Certificações e vendas

Região Certificação Unidades/vendas
Brasil Brasil (PMB)[5] Diamante 1,000,000‡
vendas+valores de streaming baseados apenas na certificação

Ver também

Referências

  1. Spessoto, Toninho (Outubro de 2007). «Os 100 Maiores Discos da Música Brasileira - Roberto Carlos - Roberto Carlos (1971, CBS)». Rolling Stone Brasil. Spring. Consultado em 28 de janeiro de 2016. Arquivado do original em 22 de janeiro de 2016 
  2. Bomfim, Emanuel (7 de setembro de 2012). «'Ventura' é eleito o melhor disco brasileiro de todos os tempos». Combate Rock. Grupo Estado. Consultado em 28 de janeiro de 2016 
  3. a b c d «Álbum de 1971 que consolidou reinado de Roberto Carlos faz 50 anos com relevância e atualidade». G1. 3 de janeiro de 2021. Consultado em 4 de novembro de 2025 
  4. «RobertoCarlos27_DiscBox Pra Sempre2-Anos70». edimilsonmendes.com. Consultado em 20 de agosto de 2020 
  5. «Certificados de Roberto Carlos». Pro-Música Brasil. Consultado em 3 de julho de 2025