Torres em um parque

A cooperativa Penn South (1962) em Manhattan .
Cabrini-Green (1957-2011) em Chicago, EUA.
St. James Town em Toronto, Canadá (1964-1971)
Debney Meadows (Flemington Estate) (1962–1965) em Melbourne, Austrália.
Waterloo Estate (1968) em Sydney, Austrália.
Brownlee Towers (demolido em 1969) em Perth, Austrália.

Torres em um parque é um conceito arquitetônico que define edifícios residenciais de estilo modernista, nos quais blocos de apartamentos são implantados em meio a amplas áreas verdes. Diferente da construção tradicional alinhada à via, essa tipologia posiciona a torre afastada da rua, envolvida por um cinturão de paisagismo, criando uma transição entre o espaço urbano e o privado.

É inspirado em um conceito popularizado por Le Corbusier com o Plan Voisin, uma expansão do movimento das cidades-jardim que visa reduzir o problema do congestionamento urbano. Foi introduzido em várias grandes cidades em todo o mundo, nomeadamente na América do Norte,[1] Europa[2] e Austrália[3] como uma solução para habitação, especialmente para habitação social, atingindo o auge da popularidade na década de 1960 com a introdução da tecnologia de pré-fabricação. As torres em si são tipicamente edifícios altos simples, revestidos de tijolo ou concreto, com pouca ornamentação. A planta foi concebida com geometria simples para minimizar os custos de construção, maximizando a luz, o ar e as vistas do espaço aberto circundante para os ocupantes, por vezes incluindo varandas para os apartamentos.

Atualmente, é geralmente visto como um fracasso no planejamento urbano ocidental, devido aos muitos problemas que introduziu na sociologia urbana, incluindo isolamento e segregação da comunidade em geral, falta de privacidade e ineficiência no planejamento do uso do solo. Embora seja cada vez mais popular na Ásia, tem declinado no mundo ocidental. Muitos complexos existentes, especialmente os de propriedade governamental, estão planejados para demolição e reconstrução. A reconstrução dos complexos geralmente favorece a antítese da ideologia das torres no parque, o desenvolvimento de uso misto, que supostamente traz resultados sociais mais positivos, incluindo fazer com que as pessoas se sintam mais seguras e integradas à sua comunidade.[4]

História

Layout para Bijlmermeer, Amsterdã, 1965. As grades de torres hexagonais e os acessos foram uma tentativa de melhorar o acesso do modelo ao transporte.

Le Corbusier foi pioneiro na morfologia "torre em um parque" na sua proposta não realizada Ville Contemporaine, de 1923, não realizada. Respondendo às condições precárias das cidades na década de 1920, Le Corbusier propôs a demolição das cidades antigas e sua substituição por novos projetos urbanos, limpos e hiper-racionalistas, empregando a morfologia "torre em um parque".[5] Os edifícios foram projetados para abrigar os três milhões de habitantes da nova cidade em apenas 5% do terreno.[6] Ao posicionar os edifícios próximos ao centro do quarteirão, há espaço para estacionamento, gramados, árvores e outros elementos paisagísticos. Le Corbusier empregou ainda mais a morfologia em seu plano de 1930 para Paris, o Plano Voisin (também não realizada). Devido à ampla difusão e influência desses dois planos e de suas ideias após a Segunda Guerra Mundial, especialmente a última, a morfologia "torre em um parque" se espalhou pela Europa e América do Norte.

Crítica e estado atual

No início da década de 1970, a oposição a esse estilo de torres aumentou, com muitos, incluindo planejadores urbanos, agora se referindo a elas como "guetos".[7] Bairros como St. James Town foram originalmente projetados para abrigar jovens moradores solteiros de classe média, mas os apartamentos não tinham apelo e a área rapidamente se tornou muito mais pobre.

Desde os primeiros dias de implementação, o conceito foi criticado por causar insegurança aos moradores, incluindo grandes áreas comuns vazias dominadas pela cultura de gangues e pela criminalidade. O projeto foi criticado por normalizar o comportamento antissocial e prejudicar os esforços de serviços essenciais, especialmente os de segurança pública e aplicação da lei.[8] Em menos de uma década, os conjuntos habitacionais públicos de Sydney, construídos na década de 1960 em Surry Hills, Redfern e Waterloo, foram apelidados de "torres suicidas" devido aos seus altos índices de criminalidade.[9]

O Conjunto Habitacional Pruitt-Igoe, em St. Louis, Missouri, foi demolido em 1972, apenas algumas décadas após sua construção, devido à deterioração das condições sociais. A demolição de Pruitt-Igoe tornou-se um importante ponto de virada na popularidade do que era cada vez mais visto como um experimento social fracassado.

O historiador da arquitetura pós-moderna Charles Jencks descreveu sua demolição de "o dia em que a arquitetura moderna morreu" e a considerou uma denúncia direta das aspirações de transformação social da Escola Internacional de Arquitetura e um exemplo das intenções dos modernistas contrárias ao desenvolvimento social do mundo real.[10]

Em meados dos anos 2000, tornou-se popular recuperar o espaço verde ao redor das torres com edifícios mais baixos, em um esforço para aumentar a densidade em vez de segregar o uso do solo.[11]

Exemplos

Alguns exemplos da morfologia da torre em um parque estão abaixo:

Nome Ano de construção Localização Observações
Cooperative Village 1930–1959 Lower East Side, Nova Iorque, EUA
Castle Village 1938–1939 Hudson Heights, Manhattan, Nova Iorque
Vladeck Houses 1939–1940 Nova Iorque, EUA
Parkchester 1939–1942 Nova Iorque, EUA
Stuyvesant Town–Peter Cooper Village 1942–1947 Nova Iorque, EUA
Riverton Houses 1947 Nova Iorque, EUA
Unité d'habitation 1947–1952 Marselha, França
Morrisania, Bronx 1950–1980 Bronx, Nova Iorque, EUA
Pruitt–Igoe 1950–1955 St. Louis, Missouri, EUA Demolido
Greenway Flats 1954 Milsons Point, Sydney, Austrália
Wandana 1956 Subiaco, Perth, Austrália
Cabrini–Green Homes 1957 Chicago, Illinois, EUA Demolido
Park Hill, Sheffield 1957–1961 Sheffield, Inglaterra
John Northcott Place 1961–1963 Surry Hills, Sydney, Austrália
Rochdale Village 1961–1963 Queens, Nova Iorque, EUA
Debney Estate 1962–1965 Flemington, Melbourne, Austrália 2 torres demolidas (2025–2026)
LeFrak City 1962–1971 Queens, Nova Iorque, EUA
Holland Estate 1963 Kensington, Melbourne, Austrália 1 torre demolida, resto até 2051
Hotham Estate 1963 North Melbourne, Austrália 1 demolida (2025–2026)
Horace Petty Estate 1963 South Yarra, Melbourne, Austrália 1 prevista p/ demolição (até 2032)
Aylesbury Estate 1963–1977 Sul de Londres, Inglaterra Em processo de demolição
Red Road Flats 1964–1968 Glasgow, Escócia Demolido
Bijlmermeer 1965–1968 Amsterdã, Países Baixos
Co-op City 1966–1973 Bronx, Nova Iorque, EUA
Chalkhill Estate 1966–1970 Norte de Londres, Inglaterra Demolido
Ballymun Flats 1966–1969 Dublin, Irlanda Demolido
Redfern Estate 1966 Redfern, Sydney, Austrália Conhecido como "Três Irmãs"
Rosebery Estate 1967 Rosebery, Sydney, Austrália
Stonebridge 1967 Londres, Inglaterra Demolido
Broadwater Farm 1967–1972 Londres, Inglaterra
Collingwood Estate 1968 & 1971 Collingwood, Melbourne, Austrália Demolição prevista até 2051
Waterloo Estate 1968–1976 Waterloo, Sydney, Austrália
Ferrier Estate 1968–1972 Sul de Londres, Inglaterra Demolido
Richmond Estate 1969–1970 Richmond, Melbourne, Austrália 1 prevista p/ demolição (2032)
Brownlie Towers 1969–1970 Bentley, Perth, Austrália Demolido
Atherton Gardens 1970–1971 Fitzroy, Melbourne, Austrália Demolição prevista até 2051
Heygate Estate 1971–1974 Sul de Londres, Inglaterra Demolido
Sandburg Halls 1971–2001 Milwaukee, Wisconsin, EUA
Robin Hood Gardens 1972 Londres, Inglaterra Demolido
Trellick Tower 1972 Londres, Inglaterra
Starrett City 1974 Brooklyn, Nova Iorque, EUA
Alterlaa 1975–1986 Viena, Áustria
Sirius Building 1979–1980 The Rocks, Sydney, Austrália Convertido em moradia privada
Bishan-Ang Mo Kio Park 1986–1988 Singapura

Referências

  1. How to rejuvenate urban 'towers in the park', Globe and Mail, John Bentley Mays, May 12, 2011
  2. «Your Broadwater Farm | Tottenham Regeneration». tottenham.london. Consultado em 28 de dezembro de 2021. Cópia arquivada em September 22, 2020  Verifique data em: |arquivodata= (ajuda)
  3. Frykholm, H. (2023). ‘A Village Stood on End’: Anthropology and the Interior of the Modernist Tower. Fabrications, 33(2), 359–377.
  4. Trench, Sylvia; Oc, Taner; Tiesdell, Steven (1992). «Safer Cities for Women: Perceived Risks and Planning Measures». The Town Planning Review. 63 (3): 279–296. ISSN 0041-0020. JSTOR 40113842. doi:10.3828/tpr.63.3.r16862416261h337 
  5. Kashef, Mohamad (2008). «The Race for the Sky: Unbuilt Skyscrapers». CTBUH Journal (1): 9–15. ISSN 1946-1186 
  6. Kashef, Mohamad (2008). «The Race for the Sky: Unbuilt Skyscrapers». CTBUH Journal (1): 9–15. ISSN 1946-1186 
  7. Tall Buildings, Toronto Star, August 27, 1973, C3
  8. OPERATION SMOKE AND MIRRORS by Jamie Kalven 6 October 2016
  9. LEARNING FROM THE NORTHCOTT GOVERNMENT HOUSING ESTATE, SURRY HILLS, SYDNEY.
  10. Jencks, Charles (1984). The Language of Post-Modern Architecture. [S.l.]: Rizzoli. ISBN 978-0-8478-0571-6 
  11. How to rejuvenate urban 'towers in the park', Globe and Mail, John Bentley Mays, May 12, 2011