Terra Indígena Zoé
A Terra Indígena Zoé é uma terra indígena habitada por indígenas da etnia zo'é/poturu[1] com área de 669 mil hectares,[2][3][4] localizada no município brasileiro de Óbidos (estado do Pará),[2][1][5] com uma população aproximada de 330 pessoas (IEPE 2022).[2]
Em 2007, os povos tradicionais, incluindo os indígenas, foram reconhecidas pelo Governo do Brasil, através da Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais (PNPCT),[6][7][8][9][10] por terem o modo de vida ligado aos recursos naturais e ao meio ambiente de forma harmônica e o uso comunitário da terra.[6][11] Reafirmando aos indígenas o direito a sua terra tradicional e a proteção do governo do Brasil.[12] Assim a Fundação Nacional dos Povos Indígenas atua nesta TI através da Coordenação Regional "Centro Leste do Pará"[2] e através da "Frente de Proteção Etnoambiental Cuminapanema",[3] e o Ministério da Saúde do Brasil atua através do Distrito Sanitário Indígena/SUS "Parintins".[2]
A área do Zoé está registrada no CRI e na Secretaria de Patrimônio da União (SPU) via decreto de dezembro de 2009.[2][4]
Geografia
A TI faz parte da bacia hidrográfica dos rios Paru e Trombetas, e possui o bioma Amazônico formado por mata ombrófila (ou sempre verde).[2]
Ameaças
A TI sofre com a ação ilegal de madeireiros;[2] de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e o Projeto Monitoramento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (PRODES), no período de 2000 a 2022 o desmatamento aumentou de 144 hectares para 527 hectares.[2]
As Tis são constantemente invadidas ilegalmente por missionários e[13] pela ação de madeireiros.[14][13] Devido isto, foi criada em 2014 pela Funai o Sistema de Proteção e Promoção de Direitos juntado as doze Frentes de Proteção Etnoambiental,[3][15] com objetivo de realizar a vigilância ostensiva e em tempo integral dos territórios indígenas.[16][15] São sete as etnias indígenas recém-contactados no Brasil pela Funai, que estão sobre proteção deste Sistema: korubo, zo'é, kunt'su, tupi-kawahiv, kanoe, uruwahá e awa-guajá.[3]
A etnia zo'é é um dos grandes desafios da política indigenista da Funai, pois tiveram recente contato com a sociedade das redondezas na década de 1980, e foi preciso este órgão governamental intervir em 1989 devido uma epidemia de gripe causada por missionários que matou um quarto dos indígenas.[17][18] Desde a década de 2010, a Frente de Proteção Etnoambiental do Cuminapanema realiza a mediação oficial com os zo’é, através de reuniões regulares e intercâmbios com os vizinhos, visando esclarecer os problemas da gestão territorial e invasão de garimpeiros, madeireiros e, missionários.[19] E assim estão mantendo a cultura e as tradições.[18]
A dificuldade atual é, como preparar estes indígenas para o um contato inevitável com a sociedade fora das aldeias.[18] A Funai tenta proteger ao máximo a etnia zo'é, mas os indígenas estão ansiosos pelo contato exterior, além da pressão de missionários querendo evangelizar na TI.[18] Mas a Funai analisa que a mediação deste contato deve levar uns dez anos, buscando fortalecer a cultura dos zo'é e mostrando a realidade de outras etnias após fazerem contato; muitas foram dizimadas ou abandonaram suas tradições.[18]
Demarcação
Grupo de identificação e delimitação da Terra Indígena zo’é, habitada tradicional pela respectiva etnia zo’é, coordenados pela antropóloga Domtnique T. Gallois, conforme o processo Processo FUNAI/BSB/0217/99.[1] As fases da Regularização Fundiária da TI são aprovados por três instâncias do poder executivo: Presidente da Funai, Ministro da Justiça e pelo Presidente da República (Fundamentação Legal Decreto nº 1775/96).[1]
Em 1987, a Funai interditou a Área Indígena Cuminapanema/Urucuriana[4] situado no interflúvio das bacias Erepecuru e Cuminapanema[17][20][21] (com 2 059.700 hectares) no sul do Parque do Tumucumaque, nos municípios paraenses de Alenquer e Óbidos, para dar condições de trabalho às equipes de contato e identificação de indígenas.[4] Assim o Departamento de Índios Isolados (DEII/FUNAI) verificou a presença de numerosas etnias de índios isolados.[4] Funai já tinha conhecimento da presença dos zo'é na área repassadas pelos missionários norte-americana da Missão Novas Tribos,[17][4] que fizeram contato com o povo em 1982.[4]
A equipe de identificação da TI Zo'é trabalharam no período de 1996 à 1998.[4] O primeiro trabalho sobre estudos antropológicos, foi a preparação dos zo'é para participar dos procedimentos da regularização de seu território ancestral.[4] Este Grupo de Trabalho fez o relatório de identificação/delimitação da TI, que foi enviado em novembro de 1998 ao Departamento de Identificação e Delimitação (DID/Funai).[4]
Então em 1999/2000, foi feita a demarcação física da Terra Indígena em aproximadamente 669 mil hectares.[4]
Em 2008, o Ministério Público Federal solicitou a criação da zona intangível (zona de amortecimento) em volta da TI Zoé, devido a presença das Florestas Estaduais Trombetas e Paru (FLOTA), que não podem ter atividades de exploração econômica, para evitar a contaminação dos índios em situação de recente contato.[4] Assim o Conselho Estadual de Meio Ambiente do Pará aprovou o Plano de Manejo desta FLOTA com incorporação da zona intangível.[4]
Em 22 de dezembro de 2009, a TI foi registrada no Serviço de Patrimônio da União (SPU) via Decreto s/n publicado no Diário Oficial da União.[4]
Referências
- ↑ a b c d Coletânea de Documentos da Terra Índigena Zo’é, Processo FUNAI/BSB/0217/99 (PDF). [S.l.]: Projeto Integrado de Proteção às Populações e Terras Indígenas da Amazônia Legal (PPTAL/FUNAI), Fundação Nacional dos Povos Indígenas (FUNAI). 29 de novembro de 1999
- ↑ a b c d e f g h i «Terra Indígena Zo´é». terrasindigenas.org.br. Consultado em 19 de novembro de 2024
- ↑ a b c d Vaz, Antenor (2011). Isolados no Brasil: política de estado: da tutela para a política de direitos - uma questão resolvida? (PDF). Col: Informe IWGIA 10. Copenhagen: Instituto de Promoção Estudos Sociais, Editora (International Work Group for Indigenous Affairs, IWGIA). ISBN 978-87-91563-94-2. OCLC 1090089165. Resumo divulgativo
- ↑ a b c d e f g h i j k l m n «Zo'é - Povos Indígenas no Brasil». socioambiental.org. Consultado em 19 de novembro de 2024
- ↑ Cadastro Único para Programas Sociais: Qual é a realidade dos povos indígenas no Brasil? (PDF). [S.l.]: Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome do Brasil
- ↑ a b «Comunidades dos Povos Tradicionais se manifestam após pedido de ruralistas pela suspensão dos processos de demarcação de territórios tradicionais». Instituto Memorial Chico Mendes. Consultado em 5 de novembro de 2024
- ↑ «DECRETO Nº 6.040: Institui a Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais.». Câmara dos Deputados do Brasil. Consultado em 5 de novembro de 2024. Resumo divulgativo
- ↑ «Decreto nº 6.040, de 7 de fevereiro de 2007». Observatório de Educação. Consultado em 5 de novembro de 2024
- ↑ «Comissão de Agroecologia reafirma direitos dos povos e comunidades tradicionais e defende Decreto 6040». Comissão Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (CNAPO). 24 de agosto de 2018. Consultado em 5 de novembro de 2024
- ↑ «Descubra quais são os 28 povos e comunidades tradicionais do Brasil». Centro de Documentação Eloy Ferreira da Silva (Cedefes). Consultado em 12 de agosto de 2022
- ↑ «Os Faxinalenses são grupos sociais que compõe territórios específicos da região Centro e Centro-Sul do Estado do Paraná». Instituto Arvoredo Brasil. Consultado em 23 de janeiro de 2016. Arquivado do original em 29 de janeiro de 2016
- ↑ «Funai repudia declarações equivocadas e reafirma compromisso com a proteção dos direitos indígenas e a segurança de seus servidores». Ministério dos Povos Indígenas do Brasil. 2 de novembro de 2024. Consultado em 6 de novembro de 2024
- ↑ a b Ricardo, Fany; Fávero Gongora, Majoí, eds. (2019). Cercos e resistências: povos indígenas isolados na Amazônia brasileira (PDF). C3L00002 1a edição ed. São Paulo: Instituto Socioambiental. ISBN 978-85-8226-073-9. OCLC 1124955605. Resumo divulgativo
- ↑ «Terra Indígena Hi-Merimã». Instituto Terras Indigenas do Brasil. Consultado em 14 de novembro de 2024
- ↑ a b «MPF investiga entrada ilegal de missionários em terras indígenas do Amazonas | Terras Indígenas no Brasil». terrasindigenas.org.br. Consultado em 30 de outubro de 2024
- ↑ «Missionário dos EUA é interrogado pela Funai após entrar ilegalmente em terra de índios isolados | Terras Indígenas no Brasil». terrasindigenas.org.br. Consultado em 30 de outubro de 2024
- ↑ a b c «Zo'é, emergindo lentamente do isolamento». Organização Survival International. Consultado em 21 de novembro de 2024
- ↑ a b c d e «Isolados, índios da etnia zoé são desafio para a Funai». terrasindigenas.org.br. Consultado em 21 de novembro de 2024
- ↑ Paulo, Comissão Pró-Índio de São. «Zo'é». Comissão Pró-Índio de São Paulo. Consultado em 21 de novembro de 2024
- ↑ «Zo'é - Povos Indígenas no Brasil». socioambiental.org. Consultado em 19 de novembro de 2024
- ↑ Paulo, Comissão Pró-Índio de São. «Zo'é». Comissão Pró-Índio de São Paulo. Consultado em 21 de novembro de 2024