Teresa Cárdenas

Teresa Cárdenas
Teresa Cárdenas faz palestra no Festival Latinidades durante a mesa: Rotas e Roteiros - Produção Audiovisual e Literatura (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)
Nome completoTeresa Cárdenas Angulo
Nascimento
1970 (56 anos)

NacionalidadeCubana
OcupaçãoEscritora, roteirista, atriz, bailarina e ativista social
Principais trabalhosCachorro velho
PrémiosPrêmio Casa de las Américas (2005)

Teresa Cárdenas Angulo (Matanzas, 1970), é uma escritora, roteirista, atriz, bailarina e ativista social cubana. É integrante da UNEAC (União de Escritores e Artistas de Cuba).[1][2]

A autora escreve romances, contos e antologias que abordam principalmente temas afrodiaspóricos como ancestralidade, negritude e preconceito racial e resistência. É um grande nome da literatura infantojuvenil na América Latina. Publicado em 1997, Cartas al Cielo (Cartas para Minha Mãe, em português) foi seu livro de estreia. Sua motivação para tornar-se escritora veio na infância, com a frustração de perceber a ausência de representações de personagens negras nos livros infantis. Além de Cuba, seu país natal, Cárdenas já foi traduzida para vários idiomas e publicada em vários países, como por exemplo Canadá, Estados Unidos, Venezuela, Coreia do Sul, Suécia, Brasil, Alemanha, Espanha e República Dominicana.[3][4][2][5]

Teresa participou de diversos eventos e festivais literários no Brasil, como a FLIP, Bienais do Livro, Fliaraxá e Festival Latinidades.[6][7][8][9]

Biografia

Atualmente radicada no Rio de Janeiro, Teresa nasceu na província de Matanzas, local onde viveu até sua juventude com sua mãe e seu irmão. A infância da escritora foi humilde, porém também foi marcada pelo refúgio para o mundo dos livros. Ela, sua mãe e seu irmão moravam em um solar, uma espécie de corredor coletivo compartilhado por várias famílias em um único prédio, o que para ela foi uma experiência difícil mas ao mesmo tempo formativa. Cárdenas também é mãe de três filhos.[2][10][11]

Desde que aprendeu a ler e a escrever, a autora se apaixonou pela literatura e começou a escrever suas próprias histórias, inspirada principalmente pelos acontecimentos da vida cotidiana ao seu redor, histórias contadas oralmente e pelos livros de poetas cubanos como por exemplo Georgina Herrera, Rogelio Martínez Furé e Nancy Morejón.[12][13]

Em 2024 a autora recebeu bastante destaque na 14° edição da Festa Literária das Periferias que ocorre anualmente no Rio de Janeiro. A cubana participou de um debate junto da escritora brasileira Cidinha da Silva, no qual elas conversaram sobre a influência da religiosidade de matriz africana na literatura das duas. Cidinha abordou o candomblé, enquanto Teresa abordou a santeria. Esse debate foi mediado pela escritora e professora universitária Angélica Ferrarez.[15]

Obra

As obras de Teresa Cárdenas se destacam por trazer representatividade negra para a literatura infantojuvenil, com temas sempre relacionados a ancestralidade, o período escravocrata, valorização e a reivindicação dos direitos de negros e negras. Além disso, uma característica que se reflete na literatura da escritora é que ela acredita fortemente na importância de dialogar sobre temas delicados e controversos desde a infância, pois acredita que as crianças e adolescente são inteligentes e possuem mentes mais abertas do que os adultos.[2]

No território brasileiro, a autora tem livros publicados pela Pallas Editora, Editora de Cultura e Editora Lê. Em relação a crítica e recepção da obra de Cárdenas em português, há estudos que relacionam sua literatura com a de outras autoras brasileiras como Djamila Ribeiro e Conceição Evaristo, que possuem uma grande relevância para a luta racial no país e tratam de temas semelhantes em suas respectivas obras. A escritora já revelou que, além de escritores de língua hispânica, também lê e se inspira em obras de escritoras negras brasileiras, como Conceição Evaristo e Carolina Maria de Jesus. [13][17][18][19][20][21]

Também é possível notar grande influência religiosa da santeria e das mitologias africanas na obra de Teresa Cárdenas, que aprofundam o imaginário sobre a cultura negra caribenha retratada na obra da escritora cubana.[22]

Em entrevistas, Teresa Cárdenas já revelou que seu processo de escrita é lento e desorganizado. Desde julho de 2014, a autora está escrevendo lentamente um romance intitulado Casagrande, que ainda não possui previsão de lançamento.[3]

Obras originais

  • 1997 - Cartas al Cielo
  • 2005 - Perro Viejo
  • 2001 - Cuentos de Macucupé
  • 2006 - Tatanene Cimarrón
  • 2007 - Cuentos de Olofi
  • 2007 - Pedrito y el Bebé
  • 2007 - Ikú
  • 2008 - Oloyu
  • 2008 - Barakikeño y el Pavo Real
  • 2018 - Madre Sirena

Obras traduzidas para o português

  • 2010 - Cartas para Minha Mãe
  • 2010 - Cachorro Velho
  • 2017 - Contos de Olófi
  • 2018 - Mãe Sereia
  • 2022 - Awon Baba
  • 2023 - Meu Avô Tatanene

Obras traduzidas para o inglês

Prêmios

  • 1997 - Prêmio David[23]
  • 1997 - Premio de la Crítica[24]
  • 1997 - Prêmio da Asociación Hermanos Saíz[24]
  • 2000 - Prêmio Nacional da Crítica Literária[24]
  • 2001 - Prêmio La Edad de Oro[25]
  • 2003 - Prêmio do Concurso Hermanos Loynaz[25]
  • 2005 - Prêmio Casa de las Américas[24]
  • 2005 - Premio de la Crítica[24]
  • 2008 - Crítica Literaria en Literatura Infantil La Rosa Blanca al Libro Integral[25]
  • 2008 - Internacional Latino Book Award a la Mejor Novela de Ficción Histórica[25]

Menções Honrosas

Referências

  1. Teresa Cárdenas Angulo y sus fábulas afrocubanas para niños. Cubaliteraria, 16 de maio de 2011 (em espanhol)
  2. a b c d «Escritora defende que pais falem com filhos sobre tudo: 'mentes deles são mais abertas que as nossas'». GQ. 21 de agosto de 2022. Consultado em 9 de novembro de 2024 
  3. a b Pasko, Priscila (2 de abril de 2018). «Teresa Cárdenas: griot dos princípios e finais». Nonada Jornalismo. Consultado em 7 de novembro de 2024 
  4. Latinidades debate literatura, produção audiovisual e estética da periferia. EBC, 24 de julho de 2015
  5. «Mafuá » "Memória, identidade e resistência na literatura latino-americana", entrevista com Teresa Cárdenas». mafua.ufsc.br. Consultado em 7 de novembro de 2024 
  6. Preta, Notícia (12 de novembro de 2023). «Livro de Teresa Cárdenas sobre ancestralidade aborda relação de afeto entre avô quilombola e sua neta». Noticia Preta - NP. Consultado em 9 de novembro de 2024 
  7. «Teresa Cárdenas». Flip. Consultado em 9 de novembro de 2024 
  8. «Teresa Cárdenas». 12º. Fliaraxá. Consultado em 9 de novembro de 2024 
  9. «Consciência Negra - Teresa Cárdenas e Elisa Lucinda - TV Câmara». Portal da Câmara dos Deputados. Consultado em 9 de novembro de 2024 
  10. Pereira, Marina (31 de dezembro de 2022). «AOS QUE VIRÃO | Entrevista com a escritora cubana Teresa Cárdenas». Sesc São Paulo. Consultado em 8 de novembro de 2024 
  11. Behling, Romar (14 de abril de 2024). «Teresa Cárdenas: "Senti que aqui me sentiria em família"». GAZ - Notícias de Santa Cruz do Sul e Região. Consultado em 9 de novembro de 2024 
  12. Geral, Admin (1 de novembro de 2022). «A África dentro de mim». Quatro cinco um. Consultado em 8 de novembro de 2024 
  13. a b Pereira, Marina (31 de dezembro de 2022). «AOS QUE VIRÃO | Entrevista com a escritora cubana Teresa Cárdenas». Sesc São Paulo. Consultado em 20 de março de 2025 
  14. O Globo (8 de novembro de 2024). «Tereza Cárdenas, escritora: 'No princípio, o universo era todo branco'». O Globo. Consultado em 8 de novembro de 2024 
  15. Palavras! (11 de novembro de 2024). «Confira a programação da 14ª edição da Flup». Palavras!. Consultado em 23 de março de 2025 
  16. Notícia Preta (11 de dezembro de 2023). Notícia Preta https://noticiapreta.com.br/livro-de-teresa-cardenas-aborda-relacao-entre-avo-quilombola-e-sua-neta/. Consultado em 9 de novembro de 2024  Em falta ou vazio |título= (ajuda)
  17. Peloso, Franciele Clara; Marquezi, Rosangela Aparecida (16 de dezembro de 2024). «Cartas para minha avó, de Djamila Ribeiro, e Cartas para a minha mãe, de Teresa Cárdenas: Escrevivências insurgentes». Línguas & Letras (59). ISSN 1981-4755. doi:10.5935/1981-4755.20230049. Consultado em 20 de março de 2025 
  18. Silva, Carla Araújo Lima da (1 de janeiro de 2022). «Um céu onde ninguém me chame de beiçuda nem de feia: uma análise da personagem criança negra e feminina em Cartas para mi mamá de Teresa Cárdenas e Becos da Memória de Conceição Evaristo». III Conferência Internacional sobre Literaturas e Culturas Caribenhas, Iberoamericanas e Africanas: encontros, trocas e desvios na diferença. Livro de resumos. Consultado em 20 de março de 2025 
  19. «Meu avô Tatanene, de Teresa Cárdenas é a nova aposta da Editora de Cultura». Consultado em 23 de março de 2025 
  20. «Teresa Cárdenas». Pallas Editora. Consultado em 23 de março de 2025 
  21. «Tereza Cárdenas Angulo – Grupo Lê – Editora Lê, Abacatte, Compor e Abacateiro». Consultado em 23 de março de 2025 
  22. Geral, Admin (1 de novembro de 2022). «A África dentro de mim». Quatro cinco um. Consultado em 8 de novembro de 2024 
  23. «Conversa com a escritora cubana Teresa Cárdenas – Instituto de Letras». 9 de outubro de 2018. Consultado em 8 de novembro de 2024 
  24. a b c d e «Vamos Ler Ed. 14». Comunicação, Cultura e Eventos - Campus GV. Consultado em 8 de novembro de 2024 
  25. a b c d e f g «Teresa Cárdenas». www.claustrofobias.com (em espanhol). Consultado em 8 de novembro de 2024 

Ligações externas