Djamila Ribeiro

Djamila Ribeiro
Djamila em São Paulo, 2016
Nome completoDjamila Taís Ribeiro dos Santos
Conhecido(a) porciberfeminismo e militância negra
Nascimento
1 de agosto de 1980 (45 anos)

ResidênciaSão Paulo
Nacionalidadebrasileira
Etnianegra
Alma materUniversidade Federal de São Paulo
Ocupaçãofilósofa, escritora
Prêmiosvencedora do Prêmio Jabuti na categoria de Ensaios - Ciências Humanas
Carreira científica
Orientador(es)(as)Edson Luís de Almeida Teles
Campo(s)filosofia, feminismo e negritude

Djamila Taís Ribeiro dos Santos (São Paulo, 1 de agosto de 1980) é uma professora, filósofa, escritora e ativista do movimento negro no Brasil e internacionalmente, com forte presença nas redes sociais. Escreve semanalmente no jornal Folha de S.Paulo[1] e já foi colunista da revista CartaCapital.[2] Em 2023, foi laureada com o Prêmio Franco-Alemão de Direitos Humanos[3] e, no mesmo ano, foi a primeira brasileira a falar no Dia em Memória da Abolição da Escravidão e o Comércio Transatlântico de Escravizados,[4] na Assembleia Geral das Nações Unidas. Ela também foi incluída na lista da BBC das 100 mulheres mais influentes e inspiradoras do mundo. Ainda, desde 2022, ocupa a cadeira número 28 da Academia Paulista de Letras.

Ribeiro tem presença ativa no mercado editorial, seus livros já venderam mais de 1 milhão de cópias e é criadora e coordenadora do Selo Sueli Carneiro da Editora Jandaia[5] e da Coleção Feminismos Plurais.[6] Seus livros foram traduzidos para diversos idiomas como o Italiano,[7] Francês[8] e Inglês.[9] É uma autora reconhecida para os temas de gênero e feminismo negro.

Em 2022, fundou o Espaço Feminismos Plurais, instituto sem fins lucrativos em São Paulo que oferece serviços gratuitos para mulheres. Em 2024, foi professora convidada para lecionar durante um semestre da New York University (NYU).[10]. Desde 2025, é professora convidada do Massachusetts Institute of Technology (MIT), sendo a primeira brasileira da história a integrar o programa Dr. Martin Luther King Jr. para professores convidados.[11]

Biografia

Djamila Ribeiro é a caçula das quatro crianças de Joaquim José Ribeiro dos Santos e Erani Benedita dos Santos Ribeiro. O pai era estivador, ativista do movimento negro e um dos fundadores do Partido Comunista (PC) na Baixada Santista.[12] Sua mãe trabalhava como empregada doméstica e foi quem a iniciou no Candomblé, quando tinha 8 anos.[13] O seu nome significa “beleza” em swahili, língua falada no leste da África.[12] Seu pai foi quem escolheu os nomes das filhas, Djamila e Dara, sendo inspirado por edições do Jornegro, um jornal pertencente à militância negra. Anos depois, ela escolheria do mesmo jornal o nome da sua filha, Thulane, que significa "a pacífica" em suaíli.[13]

Djamila conviveu muito de sua infância com a avó Antônia. Ela também era do Candomblé e atuava como benzedeira. É considerada pela filósofa como a figura responsável por seu caminho espiritual.[13] A avó faleceu em 1993, quando Djamila tinha 13 anos. O relacionamento de afeto inspirou a autora a direcionar seu livro mais autobiográfico a ela, em Cartas para minha avó.[14]

Iniciou o contato com a militância ainda na infância. Uma das grandes influências foi o pai, um homem que, mesmo com pouco estudo formal, era culto.[1] Aos 19 anos se envolveu com a Casa de Cultura da Mulher Negra,[15] uma organização não governamental santista, fundada por Alzira Rufino, que passou a ser referência feminista para Djamila.[16]

Joaquim e Erani se separaram durante a adolescência de Djamila. Durante esse período, enquanto a mãe lutava contra o câncer pela segunda vez, Djamila foi trabalhar numa barraca de pastel para ajudar nas despesas da casa, apesar da resistências do pais.[17] Logo em seguida, passou no curso de Jornalismo em uma universidade privada e passou a trabalhar como assistente de limpeza em uma empresa para pagar o curso.[18]

Em maio de 2001, sua mãe faleceu por decorrência do câncer no rim, quando Djamila tinha 20 anos. No ano seguinte, seu pai foi diagnosticado com mieloma múltiplo, uma espécie de câncer de medula que não tem cura, e faleceu quando ela tinha 21 anos.[19][20]

Nos anos que se seguiram, Djamila estudou jornalismo até engravidar de Thulane, aos 24 anos, quando abandonou a faculdade para se dedicar à família.[20] Retomou os estudos sob protestos do esposo e de outros familiares, pois ela deixava a filha de 3 anos em escolinha em período integral para fazer a faculdade em Guarulhos, a três horas de distância de Santos.[20] Graduou-se em Filosofia pela Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade Federal de São Paulo em 2012, e tornou-se mestra em Filosofia Política na mesma instituição, em 2015, com ênfase em teoria feminista.[1]

Djamila começou a escrever no Blogueiras Negras, portal que discute assuntos caros às feministas negras na internet. Em 2014, deu uma entrevista a respeito do projeto para o jornalista Pedro Bial, no programa Na Moral, e ganhou visibilidade nacional.[20] Passa a utilizar a internet como plataforma para discutir feminismo negro, racismo e filosofia com grande apelo ao público brasileiro. Foi colunista online da CartaCapital e Revista AzMina ao mesmo tempo que fortalecia sua presença no ambiente digital.[21] Acredita que é importante apropriar a internet como uma ferramenta na militância das mulheres negras, já que, segundo Djamila, a "mídia hegemônica" costuma invisibilizá-las.[22]

Escreveu o prefácio do livro Mulheres, Raça e Classe da filósofa negra e feminista Angela Davis, obra inédita no Brasil, e que foi traduzida e lançada em setembro de 2015.[1] Participa constantemente de eventos, documentários e outras ações que envolvam debates de raça e gênero.[23][24][25]

Em maio de 2016, foi nomeada secretária-adjunta de Direitos Humanos e Cidadania da cidade de São Paulo durante a gestão do prefeito Fernando Haddad.[26]

Em 2017, apresentou-se no programa de televisão Entrevista, no Canal Futura, e se tornou a mentora intelectual (junto com a filósofa Márcia Tiburi) de um grupo de atrizes, diretoras e roteiristas da TV Globo, interessadas em estudar as bases do feminismo. Neste ano, também termina seu relacionamento de 13 anos.[20]

Apresentação no TedX São Paulo

Publica seu primeiro livro de sucesso nacional O que é lugar de fala? pela editora Letramento, em 2017, estreando a coleção Feminismos Plurais, da qual é coordenadora.[27] A obra foi finalista do Prêmio Jabuti 2018 na categoria Humanidades.[28] Deu a palestra “Precisamos romper com os silêncios” no TEDX São Paulo em 2017 falando sobre inclusão social e justiça.[29]

Em 2018, torna-se membro do Conselho Deliberativo do Instituto Vladimir Herzog.[30] Entre 7 e 14 de outubro daquele ano, visitou a Noruega a convite do governo Norueguês para conhecer as políticas de equidade de gênero do país.[31]

Em 2018, a ensaísta prolífica Djamila Ribeiro foi um dos 51 autores, oriundos de 25 países, convidados para contribuir para Os papéis da liberdade ("The Freedom Papers").[32] Ao longo de sua trajetória, recebeu algumas premiações, como Trip Transformadores, em 2017,[33] Melhor Colunista no Troféu Mulher Imprensa, em 2018,[34] e Prêmio Dandara dos Palmares.[35]

Quem tem medo do feminismo negro? é seu segundo livro, que foi publicado pela Companhia das Letras.[36]

Foi escolhida como Personalidade do Amanhã pelo governo francês em 2019.[37] Djamila foi capa da Revista Gol, Revista Claudia, colunista da Carta Capital e Revista Elle Brasil.[38][39] Em 2019, publica Pequeno Manual Antirracista também pela editora Companhia das Letras, e Lugar de Fala pela Pólen, e faz 174 eventos pelo país falando sobre questões de gênero e raça.[40]

Ministrou aulas sobre feminismo para um grupo de atrizes e diretoras da TV Globo na residência de Camila Pitanga, no Rio de Janeiro. Além disso, prestou consultoria para programas da emissora, incluindo Amor & Sexo, apresentado por Fernanda Lima, e Saia Justa, do GNT.[41]. Fez consultoria de conteúdo para a marca Avon,[42] entre outras empresas e instituições. É idealizadora e coordenadora do Selo Sueli Carneiro.[41]

Foi capa da edição Mulheres de Sucesso da Forbes Brasil em fevereiro de 2021.[43] Em 2021, publica um livro com histórias de sua vida, intitulado Cartas para minha avó, pela Companhia das Letras.[14] Foi eleita para a Academia Paulista de Letras, em maio de 2022, por votação expressiva. Ocupa a cadeira de número 28, posto antes ocupado pela escritora Lygia Fagundes Telles, que faleceu em 3 abril de 2022 aos 98 anos.[44]

Vida acadêmica

Djamila Ribeiro concluiu sua graduação em Filosofia na Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Unifesp, em 2012, e obteve seu mestrado em Filosofia Política na mesma instituição em 2015, focando em teoria feminista.[1] Desde 2020, ela faz parte do corpo docente do curso de Jornalismo na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Antes de se dedicar à Filosofia, Djamila iniciou um curso de jornalismo, que interrompeu em 2005.[41] Atualmente (em 2025), ela também contribui como colunista para a Folha de S.Paulo e já escreveu para a CartaCapital, Blogueiras Negras e Revista AzMina, além de coordenar a coleção Feminismos Plurais.[20][45][27]

Fundou o Selo Sueli Carneiro, dedicado à publicação de livros de autores negros a preços acessíveis.[46] Como coordenadora da plataforma Feminismos Plurais, ela promove o ensino de temas críticos para a sociedade brasileira.[47] Em 2022, Djamila desenvolveu e ministrou o curso gratuito Jornalismo Contra-Hegemônico: reflexões para um novo presente no YouTube, uma iniciativa realizada em parceria com o YouTube Brasil, Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), Feminismos Plurais e a produção executiva da Casé Fala. O curso inclui dez episódios".[48]

Em 2024, Djamila Ribeiro foi convidada pela New York University (NYU) para ocupar, por um semestre, a Andrés Bello Chair para professores convidados. Durante esse período, residiu em Nova York e realizou uma turnê de lançamento da edição em língua inglesa de Lugar de Fala, publicada como Where We Stand pela Yale University Press.[49]

Antes da publicação em inglês, Ribeiro já tinha obras traduzidas e publicadas em francês, espanhol, italiano e alemão, além de ter participado de eventos literários em mais de uma dezena de países. Na França, por exemplo, suas obras ultrapassaram a marca de 15 mil exemplares vendidos. Em entrevistas e artigos, a autora destaca que apenas cerca de 3% do mercado editorial dos Estados Unidos corresponde a traduções, o que torna o ingresso de autoras estrangeiras de não ficção particularmente restrito. Esse dado também é analisado por Ribeiro em textos acadêmicos e jornalísticos, nos quais discute as assimetrias no mercado editorial internacional como expressão de relações coloniais persistentes.[50][51]

Segundo entrevistas concedidas por Ribeiro, o convite para a publicação pela Yale University Press ocorreu após a editora Abbie Storch tomar contato com uma reportagem do The New York Times que destacava Djamila Ribeiro como uma das autoras negras brasileiras que vinham transformando a cena literária do país.[52][53]

A edição em inglês inclui uma introdução voltada ao público estadunidense e prefácio da escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie. O texto de apresentação resultou de uma aproximação entre as autoras iniciada quando Ribeiro mediou, a convite de Adichie, uma mesa pública da escritora no Maracanãzinho. Após o encontro, Adichie manifestou interesse em acompanhar o trabalho de Ribeiro e aceitou escrever o prefácio da obra.[54]

A turnê contou com o acompanhamento de uma equipe documentarista dirigida por Nicole Gullane e incluiu eventos em universidades como Yale,[55] Harvard, Rutgers, University of Georgia,[56] Spelman College, San Diego State University (SDSU) e UCLA além de atividades em livrarias, como a Politics and Prose, em Washington, cujo lançamento contou com a presença e abertura da embaixadora brasileira Maria Luiza Ribeiro Viotti,[57] e na Feira Literária do Brooklyn.

Em 2025, Ribeiro retornou aos Estados Unidos como a primeira pessoa brasileira a integrar o programa Dr. Martin Luther King Jr. Visiting Professors do Massachusetts Institute of Technology (MIT). Sua candidatura foi apresentada por Joaquín Terrones e contou com o apoio de três departamentos distintos da instituição.[58][59] O semestre letivo teve início em 2026, quando passou a ministrar a disciplina Feminismos do Sul Global.[60]

Djamila Ribeiro participa de assinatura de pacto antirracista pela candidata Manuela D´Ávila, na Praça do Tambor, em Porto Alegre

Vida política

Djamila Ribeiro pode ser considerada como uma intelectual negra, feminista[61] e antirracista.[62][63] Em maio de 2016, foi nomeada secretária-adjunta de Direitos Humanos e Cidadania da cidade de São Paulo durante a gestão do prefeito Fernando Haddad.[26] Além disso, foi convidada, em 2020, para ser vice na chapa de Jilmar Tatto (PT) à Prefeitura de São Paulo, tendo, contudo, recusado o convite.[64] Declarou apoio à candidata do PCdoB à Prefeitura de Porto Alegre, Manuela d’Ávila, em 2020.[65] Em 2022, na abertura da temporada do programa Provoca, da TV Cultura, apresentado por Marcelo Tas, a escritora verbalizou que não sentaria para conversar com pessoas ligadas ao bolsonarismo, tendo em vista a representação dessa administração.[66]

Obra e pensamento

  • O que é lugar de fala? Lançado em 2017, o livro tem como objetivo desmistificar o conceito de lugar de fala[67] e contextualiza o indivíduo tido como universal numa sociedade cis-heteropatriarcal eurocentrada, para que seja possível identificarmos as diversas vivências específicas e, assim, diferenciar os discursos de acordo com a posição social de onde se fala.[68] Discorre sobre o lugar de fala da mulher negra que foi muito silenciada, especialmente diante de pautas feministas (universalizantes).[69] Desmistifica o conceito de lugar de fala, identificando as diversas vivências que permitem diferenciar os discursos de acordo com a posição social de onde se fala.[70][71]Lugar de fala foi publicado inicialmente pela Editora Letramento entre 2017 e 2019. A partir de 2019, passou a integrar o catálogo da Editora Jandaíra, onde permaneceu até 2025.[72]
  • Quem tem medo do feminismo negro? (Companhia das Letras, 2018) O livro reúne um ensaio autobiográfico da autora, além de artigos publicados no blog da revista Carta Capital. Inicialmente, a autora narra o processo de silenciamento[73] e apagamento[74] pelos quais passou durante sua infância e adolescência até conhecer autoras que a fizeram ter orgulho de suas raízes. A obra traça diálogos com autoras como Chiamanda Ngozi Adichie, bell hooks, Sueli Carneiro, Alice Walker, Toni Morrison e Conceição Evaristo. A partir da interlocução com tais autoras, apresenta conceitos como empoderamento feminino e interseccionalidade,[75] além de abordar temas como políticas de cotas raciais, e as origens do feminismo negro no Brasil e nos Estados Unidos.[36]
  • Pequeno manual antirracista. (Companhia das Letras, 2019) A obra trata de temas que servem para o aprofundamento da percepção acerca de discriminações racistas estruturais e enraizadas,[76] possibilitando sua contribuição para a transformação da sociedade, a partir do privilégio conferido a cada um. Em onze capítulos, apresenta, de maneira didática, estratégias para buscar a eliminação o racismo contra pessoas negras, além de outras formas de opressão.[77][78]
  • Dialogue transatlantique (Éditions Anacaona, 2020) é uma obra publicada exclusivamente em francês que reúne diálogos entre Djamila Ribeiro e Nadia Yala Kisukidi, filósofa de origem congolesa e professora na Universidade Paris 8. Nos encontros, as autoras discutem colonialismo, feminismo e racismo, a partir das convergências e diferenças entre os contextos francês e brasileiro. Os diálogos foram colhidos e transcritos por Paula Anacaona e Ana Cecilia Impellizieri, e posteriormente revistos pelas autoras, que mais tarde se tornariam colegas na New York University.[79]
  • Cartas para minha avó (Companhia das Letras, 2021). A obra Cartas para minha avó é a mais pessoal e revive momentos de sua infância e adolescência para discutir a ancestralidade negra e os desafios de criar filhos numa sociedade racista. Djamila aborda também temas como relacionamentos amorosos e experiências profissionais, que contribuíram para sua construção pessoal, além da percepção da importância das lutas e conquistas das pessoas negras que vieram antes para o incentivo a lutas atuais.[80]
  • Travessias (Caminho, 2026) foi publicada originalmente em Portugal pela Editorial Caminho. O livro reúne uma seleção de escritos de Djamila Ribeiro que dialogam com sua trajetória intelectual e pública, incluindo reflexões sobre sua formação, percurso acadêmico e os debates que marcaram seus primeiros anos como colunista semanal do jornal Folha de S.Paulo. Na introdução, a autora contextualiza esse percurso, relacionando suas experiências pessoais e profissionais ao lugar que passou a ocupar no pensamento crítico contemporâneo. A obra é composta por textos selecionados por Zeferino Coelho, editor da casa, e posteriormente revistos pela própria autora. Os artigos abordam temas como existencialismo, feminismo, identidade negra e as tensões entre tradição e vanguarda no pensamento filosófico, conectando essas discussões a questões sociais mais amplas no Brasil e na Europa.[81]

Coleção Feminismos Plurais

Djamila Ribeiro é a coordenadora da Coleção Feminismos Plurais, projeto editorial idealizado por ela e lançado em 2017 pela Editora Letramento, em parceria com o então existente portal Justificando. A coleção teve início com a publicação de "O que é lugar de fala?, obra inaugural de Ribeiro, e prosseguiu com a publicação de autorias negras, com predominância de mulheres negras, convidando o público a refletir sobre temas complexos a linguagem e preço acessíveis.

Mesmo sem ampla repercussão inicial na imprensa paulista, desde o primeiro evento de lançamento, realizado em novembro de 2017 na Casa do Baixo Augusta, em São Paulo, as atividades chamaram a atenção do público. Uma das ações dos eventos de lançamento foi a distribuição de cem exemplares do livro para as primeiras cem pessoas que chegassem, em parceria com Dione Vasconcelos, então proprietária da marca Lola Cosmetics. Os eventos também incluíam oferta gratuita de comida, bebida e música.[82]

No segundo evento de lançamento, mais de três mil pessoas ocuparam a rua Morais e Vale, no bairro da Lapa, em São Paulo, em uma atividade que ganhou destaque pela dimensão da mobilização. Na ocasião, foram arrecadados cerca de 370 quilos de alimentos destinados a uma casa de acolhimento para pessoas trans e travestis, além de mais de cinco mil absorventes doados a mulheres em situação de encarceramento. O evento foi encerrado com uma apresentação de maracatu.[83]

Até maio de 2019, a Coleção já havia ultrapassado a marca de 100 mil livros vendidos no Brasil, sobretudo pelo sucesso inicial de vendas de O que é lugar de fala?, e já havia sido publicados os livros O que é Encarceramento em Massa?, de Juliana Borges, O que é empoderamento?, de Joice Berth; O que é racismo estrutural?, de Silvio Almeida; O que é Interseccionalidade?, de Carla Akotirene; e O que é racismo recreativo?, de Adilson Moreira.[46]

A partir de junho desse ano, a Coleção passa a ser publicada na Editora Jandaíra, a partir de uma parceria inédita no mercado editorial com Lizandra Magon, em 2019, os seis primeiros livros foram relançados pela Editora Pólen, que, posteriormente passou a se chamar Editora Jandaíra.[46][84][85] Na Jandaíra, os livros passaram a ter o título do tema discutido na obra, sem formato de pergunta. Logo, as obras foram republicadas como "Lugar de Fala", "Encarceramento em Massa", "Empoderamento" e assim por diante.

A parceria entre Djamila Ribeiro e Lizandra Magon foi considerada pioneira no mercado editorial brasileiro por estabelecer, desde sua concepção, um modelo de divisão de custos e de trabalho entre editora e coordenação da coleção, com repartição proporcional dos lucros. Embora a Coleção Feminismos Plurais tenha alcançado expressivo sucesso de vendas, o projeto priorizou a manutenção de preços tabelados e acessíveis, independentemente do volume de páginas, o que limitou sua rentabilidade financeira.

Esse mesmo modelo editorial, entretanto, contribuiu para a ampla popularização da coleção. No lançamento da nova fase pela Editora Jandaíra, em 2019, no Centro Cultural Vergueiro, em São Paulo, mais de três mil pessoas compareceram ao evento.[86] Até 2025, ano em que a parceria editorial foi encerrada, a coleção publicou, entre outros títulos, Apropriação cultural, de Rodney William; Intolerância religiosa, de Sidnei Nogueira; Colorismo, de Alessandra Devulsky; Transfeminismo, de Letícia Nascimento; Trabalho doméstico, de Juliana Teixeira; Discurso de ódio nas redes sociais, de Luiz Valério Trindade; Cotas raciais, de Lívia Sant’Anna; e Lesbiandade, de Deise Fatumma.[87]

A parceria também inovou ao atribuir à coordenação da coleção a negociação dos direitos de tradução das obras. Esse modelo resultou em uma colaboração entre Djamila Ribeiro e Paula Anacaona, da Éditions Anacaona, na França. Dos catorze títulos então publicados, a editora francesa lançou oito obras, acompanhadas de mais de seis turnês de lançamento, realizadas sob um modelo de divisão de custos, produção e lucros entre a editora e Ribeiro, na condição de coordenadora.[88][89] Além do mercado francês, obras da coleção também foram traduzidas por editoras da Itália, como a Editorial Capovolte, e publicadas em língua espanhola por editoras de diferentes países.

Espaço Feminismos Plurais

Em 2022, Djamila Ribeiro lançou o Espaço Feminismos Plurais, organização sem fins lucrativos voltada à oferta gratuita de atendimento psicológico, odontológico e jurídico para mulheres em situação de vulnerabilidade social na cidade de São Paulo.[90][91] O espaço foi fundado a partir de uma parceria entre Ribeiro e o empresário Maurício Rocha, que cedeu o imóvel localizado na Alameda dos Tupiniquins, 343, no bairro de Moema. Na placa de fundação, o espaço é dedicado à orixá Iansã.

Em 2023, o Espaço Feminismos Plurais transferiu sua sede para um edifício também cedido por Maurício Rocha, localizado na Avenida dos Chibarás, 666, no mesmo bairro.[92] O novo imóvel abriga a Biblioteca Toni Morrison, com mais de mil livros disponíveis para consulta, além de computadores com acesso gratuito à internet.[93]

Entre as iniciativas promovidas pelo espaço, destaca-se a parceria com a Casa de Acolhimento Rosângela Rigo, primeiro equipamento público da cidade de São Paulo destinado ao acolhimento de mulheres vítimas de violência. A atuação do Espaço Feminismos Plurais inclui atendimento psicológico às mulheres acolhidas e às trabalhadoras da instituição, no âmbito do projeto Cuidando de quem cuida.[94]

Em 2024, Djamila Ribeiro e Rosilene Pimentel, diretora da Casa Rosângela Rigo, lançaram a cartilha Será que é amor? – Cartilha de enfrentamento à violência contra a mulher, publicação gratuita voltada à orientação sobre os diferentes tipos de violência contra a mulher e os caminhos para a busca de apoio e proteção.[95] Milhares de exemplares foram distribuídos a centros de saúde e serviços de atendimento jurídico.

Em 2023, o espaço recebeu a visita da ministra francesa das Relações Exteriores, Catherine Colonna, além de chefes de missão diplomática da França e da Alemanha em São Paulo.[96] Em 2025, o Movimento Autoral do espaço contou com o apoio do Consulado Geral da França em São Paulo para a criação de um clube do livro e a realização de debates sobre obras de autoras francesas. Em novembro do mesmo ano, o espaço recebeu Nadia Yala Kisukidi para o lançamento do livro A Dissociação, além de atividades relacionadas à obra Diálogos Transatlânticos, coassinada com Ribeiro.[97]

Em 2023, foi publicado o edital do Fundo Johnnie Walker, voltado ao apoio e à profissionalização de iniciativas empreendedoras lideradas por mulheres negras.[98] Entre 2024 e 2025, o Espaço Feminismos Plurais estabeleceu parceria com o Grande Prêmio de Fórmula 1 de São Paulo e a Escola do Mecânico para a formação de mulheres em cursos de mecânica, funilaria e operação de empilhadeiras. As duas edições reuniram centenas de participantes, que celebraram a conclusão da formação durante o GP de Interlagos.[99]

Notoriedade e prêmios

Ao longo de sua trajetória, Djamila Ribeiro recebeu diversas premiações e reconhecimentos por seu trabalho como escritora, ativista e pensadora. A obra de Djamila Ribeiro é relevante e notória por sua contribuição significativa para o debate público sobre questões de gênero, raça e desigualdade social no Brasil e questões correlatas. Como escritora, ativista e pensadora, suas obras têm sido fundamentais para promover a conscientização sobre o racismo, o sexismo e outras formas de opressão, além de oferecer ferramentas práticas para a luta por justiça social e equidade.[100][101][102]

Alguns dos prêmios e indicações incluem:

  • Prêmio Trip Transformadores, em 2017.[33]
  • Prêmio Dandara dos Palmares, em 2017.[35]
  • Melhor colunista no Troféu Mulher Imprensa, em 2018.[34]
  • Indicação ao Prêmio Jabuti, em 2018, na categoria Humanidades, pelo livro "O que é Lugar de fala?".[28]
  • Prêmio Prince Claus, em 2019, na categoria Filosofia, concedido pelo Ministério das Relações Exteriores da Holanda.[103]
  • Reconhecimento como "Personalidade do Amanhã" pelo governo francês, em 2019.[37]
  • Prêmio Jabuti, em 2020, na categoria Ensaios, pelo livro "Pequeno Manual Antirracista".[104]
  • Premiação Sim à Igualdade Racial, em 2020, na categoria Raça em Pauta.[105]
  • Laureada no BET Awards, em 2021, na categoria Global Good, tornando-se a primeira pessoa brasileira a receber este reconhecimento.[106]
  • Inclusão na lista da BBC das 100 mulheres mais influentes e inspiradoras do mundo.[107]
  • Eleição para a Academia Paulista de Letras, em maio de 2022, ocupando a 28ª cadeira.[108]
  • Reconhecimento com o Prêmio Franco-Alemão de Direitos Humanos e do Estado de Direito, em 2022, atribuído pelos Ministros das Relações Exteriores da França e da Alemanha.[109]

Ver também

Referências

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  3. «Djamila Ribeiro é condecorada com o Prêmio Franco-Alemão dos Direitos Humanos». La France au Brésil. Consultado em 2 de abril de 2025. Cópia arquivada em 11 de novembro de 2023 
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  6. «Coleção Feminismos Plurais é relançada e está ainda mais relevante – Cultura». CartaCapital. 30 de abril de 2019. Consultado em 2 de abril de 2025 
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  67. "Lugar de fala" é um conceito originado na teoria social, especialmente na sociologia e nos estudos culturais, que enfatiza a importância da posição social e das experiências pessoais na formação das perspectivas individuais e na produção de conhecimento. Esse termo é frequentemente utilizado em discussões sobre poder, identidade e representação. Basicamente, "lugar de fala" reconhece que as pessoas têm diferentes experiências de vida e pertencem a grupos sociais diversos, o que influencia profundamente sua compreensão do mundo e sua capacidade de se expressar sobre determinados assuntos. Por exemplo, a perspectiva de uma mulher negra sobre questões de gênero e raça pode ser radicalmente diferente da perspectiva de um homem branco. O conceito sugere que certas pessoas têm mais autoridade para falar sobre certos assuntos com base em suas experiências vividas e sua posição na sociedade. Por exemplo, em debates sobre políticas públicas voltadas para minorias étnicas, é considerado mais relevante e legítimo ouvir a voz das próprias minorias étnicas, que vivenciam diretamente as questões em pauta.
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  69. As pautas feministas universalizantes são aquelas que buscam promover a igualdade de gênero e os direitos das mulheres de forma abrangente, independentemente de sua raça, etnia, classe social, orientação sexual ou outras características individuais. Em outras palavras, essas pautas visam criar mudanças sociais e políticas que beneficiem todas as mulheres, sem deixar nenhuma para trás. Essas pautas reconhecem que as mulheres enfrentam diversas formas de opressão e discriminação em todo o mundo, mas também reconhecem que essas experiências podem variar significativamente com base em outros aspectos de suas identidades. No entanto, em vez de segmentar as questões feministas em diferentes categorias ou grupos específicos, as pautas feministas universalizantes buscam encontrar pontos em comum entre as experiências das mulheres e promover a solidariedade entre elas. Um exemplo de pauta feminista universalizante é a luta pela igualdade salarial entre homens e mulheres em todos os setores da sociedade. Embora as disparidades salariais possam ser mais acentuadas para algumas mulheres, como mulheres negras ou mulheres trans, a demanda por igualdade salarial beneficia todas as mulheres, independentemente de sua origem ou identidade. Essas pautas também podem incluir demandas por direitos reprodutivos, combate à violência de gênero, acesso igualitário à educação e oportunidades econômicas, entre outras questões que afetam mulheres de todas as origens. O objetivo é criar uma sociedade mais justa e igualitária para todas as mulheres, reconhecendo ao mesmo tempo as interseções entre diferentes formas de opressão e discriminação.
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  71. Esta obra foi reeditada em 2019 pela Pólen Livros, com novo projeto gráfico e atualizações. In: «Lugar de Fala - Coleção Feminismos Plurais». Editora Jandaíra. Consultado em 19 de outubro de 2022 
  72. «Djamila Ribeiro estreia na Rosa dos Tempos». Grupo Editorial Record 
  73. O processo de silenciamento e apagamento refere-se à maneira como certas vozes, experiências ou perspectivas são ignoradas, minimizadas ou suprimidas na sociedade. Esse processo pode ocorrer em diversos contextos, incluindo político, social, cultural e acadêmico, e pode afetar grupos inteiros de pessoas com base em sua identidade, como gênero, raça, etnia, classe social, orientação sexual, entre outros. O silenciamento pode ocorrer de várias formas.  Pode acontecer quando indivíduos são desencorajados ou ignorados ao expressarem suas opiniões, sentimentos ou experiências, especialmente se forem consideradas "fora do padrão" ou desafiadoras para a norma dominante. Silenciamento Institucional, refere-se às políticas, práticas ou estruturas sociais que limitam ou excluem certas vozes ou perspectivas. Isso pode incluir políticas que marginalizam grupos minoritários, práticas discriminatórias em ambientes de trabalho ou barreiras de acesso a recursos e oportunidades. Silenciamento Cultural, refere-se à maneira como certas narrativas, histórias ou representações são privilegiadas em detrimento de outras, perpetuando assim estereótipos e preconceitos. Isso pode acontecer na mídia, na literatura, nas artes e em outras formas de expressão cultural.
  74. O apagamento envolve a exclusão ou distorção sistemática das contribuições, histórias ou realizações de certos grupos ou indivíduos. Isso pode acontecer de várias maneiras.  O Apagamento Histórico refere-se à omissão ou minimização dos feitos de certos grupos na história oficial, contribuindo para uma visão distorcida do passado. Por exemplo, a história oficial de um país pode negligenciar ou minimizar a contribuição de mulheres, povos indígenas ou minorias étnicas. Apagamento Cultural, refere-se à marginalização ou cooptação da cultura de certos grupos por outros dominantes. Isso pode acontecer quando elementos culturais de grupos minoritários são apropriados sem reconhecimento ou respeito à sua origem. Apagamento Acadêmico, refere-se à exclusão ou sub-representação de certos temas, autores ou perspectivas nos currículos escolares, na pesquisa acadêmica ou na literatura científica. Isso pode perpetuar o domínio de certas visões do mundo em detrimento de outras.
  75. A interseccionalidade é um conceito desenvolvido na teoria social, particularmente nos estudos feministas e críticos da raça, que reconhece as interconexões entre diferentes formas de opressão, discriminação e desvantagem social. O termo foi cunhado pela professora de direito Kimberlé Crenshaw na década de 1980 e desde então tem sido amplamente utilizado para entender e abordar as complexidades das identidades e das experiências vividas pelas pessoas. Na sua essência, a interseccionalidade argumenta que as pessoas têm múltiplas identidades que se entrelaçam e se sobrepõem, como raça, gênero, classe social, orientação sexual, capacidade física, entre outras. Essas identidades não existem isoladamente, mas interagem de maneiras complexas, influenciando as experiências individuais e as oportunidades de vida. Por exemplo, uma mulher negra pode enfrentar formas específicas de discriminação que não são experimentadas por mulheres brancas ou homens negros. Sua experiência é moldada não apenas pela sua identidade de gênero, mas também pela sua raça. Da mesma forma, uma pessoa LGBT+ com deficiência pode enfrentar desafios únicos que não são compartilhados por pessoas LGBT+ sem deficiência ou por pessoas com deficiência que não são LGBT+. A interseccionalidade destaca a importância de considerar essas interseções de identidade ao analisar questões sociais, políticas e culturais, e ao desenvolver estratégias para promover a igualdade e a justiça social. Isso significa reconhecer que as formas de opressão são interligadas e que as soluções para enfrentá-las devem ser igualmente interligadas e inclusivas.
  76. As discriminações racistas estruturais e enraizadas referem-se aos padrões sistêmicos de desigualdade e injustiça que permeiam as instituições e as práticas sociais, perpetuando a marginalização e o tratamento desigual de pessoas com base em sua raça ou etnia. Essas formas de discriminação são enraizadas profundamente nas estruturas políticas, econômicas e culturais da sociedade e podem ser manifestadas de várias maneiras. Uma delas é a Desigualdade Institucionalizada, pela qual as políticas, práticas e normas de instituições como o governo, o sistema judicial, as forças policiais, as escolas e o mercado de trabalho podem perpetuar a discriminação racial de maneira sistemática. Isso pode incluir padrões de policiamento racialmente tendenciosos, disparidades raciais em sentenças judiciais, acesso desigual à educação e oportunidades de emprego, entre outros. Outra é o Privilegiamento Racial, no qual certos grupos raciais são sistematicamente privilegiados em relação a outros, beneficiando-se de oportunidades, recursos e tratamento preferencial simplesmente por causa de sua raça. Isso pode se manifestar em formas de acesso privilegiado a moradia, serviços de saúde de qualidade, oportunidades de emprego e representação nos meios de comunicação. Uma terceira espécie são os Estereótipos e Preconceitos Arraigados, ou seja, Ideias preconcebidas e estereótipos racistas podem se infiltrar nas percepções individuais e coletivas, levando à discriminação cotidiana e à marginalização de pessoas com base em sua raça. Isso pode incluir a associação de certos grupos raciais com características negativas, o que pode resultar em tratamento injusto ou exclusão social. Uma quarta são as Disparidades Socioeconômicas, pelas quais as comunidades racialmente minoritárias frequentemente enfrentam disparidades significativas em termos de renda, riqueza, acesso a serviços básicos e outras dimensões socioeconômicas. Essas disparidades são frequentemente enraizadas em sistemas históricos de opressão racial, como a escravidão, o colonialismo e o racismo institucionalizado. Combater as discriminações racistas estruturais e enraizadas requer uma abordagem multifacetada que envolva mudanças tanto nas políticas públicas quanto nas atitudes sociais. Isso inclui a implementação de políticas antidiscriminatórias, a promoção da diversidade e da representação equitativa em todas as esferas da sociedade, a educação sobre questões raciais e a conscientização sobre os privilégios e preconceitos arraigados.
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Ligações externas