Teoria do sistema-mundo

Mapa exibindo centro, semiperiferia e periferia globais entre 1975 e 2002 segundo um pesquisador do Journal of World-Systems Research.[1]

Teoria do Sistema-Mundo, ou Análises do Sistema Mundial[nota 1][nota 2] é um nome dado a um conjunto de abordagens interdisciplinares das relações entre Economia e Política, a nível regional e global, centradas no conceito de sistema-mundo ou sistema mundial. Desde sua origem, têm feito importantes contribuições às Relações Internacionais, à Sociologia, à Antropologia, à História, à Economia, e à Geografia.

Frequentemente associado à abordagem de Immanuel Wallerstein, o conceito de sistema-mundo foi definido distintamente por vários teóricos ao longo do tempo, mas pode-se dizer que ele é um desenvolvimento da noção de que parte dos aspectos das sociedades só pode ser compreendida analisando a sua inserção em um todo, em algo maior e além de suas fronteiras, como uma economia regional, um complexo de Estados ou o sistema capitalista mundial.

Além do estadunidense Immanuel Wallerstein, outros teóricos centrais ao desenvolvimento das Análises do Sistema-Mundo são o germano-estadunidense André Gunder Frank, o italiano Giovanni Arrighi, a estadunidense Janet Abu-Lughod e o egípcio Samir Amin. No Brasil, destacam-se as figuras de Theotônio dos Santos e José Luís Fiori.

O quadro teórico sistema-mundista tem significativas influências da Teoria da Dependência[4], com raízes em diferentes tradições, como o Marxismo clássico, a escola dos Annales, o Capital Monopólico,[5] e o Pós-Colonialismo,[6] variando de autor para autor. Em geral, é comum classificar o Sistema-Mundo como pós-marxista.

Paradigma

O conceito de sistema-mundo

Central à teoria, o conceito de sistema-mundo baseado no conceito braudeliano de economia-mundo[7] foi desenvolvido por Immanuel Wallerstein, Giovanni Arrighi e Samir Amin.

Pode-se dizer que o sistema-mundo se baseia na divisão interregional e transnacional do trabalho, e produz a divisão do mundo em países centrais, semiperiféricos e periféricos.[8] Os países centrais concentram a produção altamente especializada e capital-intensiva, enquanto o resto do mundo se dedica à produção trabalho-intensiva e não especializada e à extração de matérias-primas. Isso tende a reforçar a dominância dos países centrais. Não obstante, o sistema tem características dinâmicas, em parte como resultado das revoluções na tecnologia, com ênfase para os transportes, de modo que cada país pode ganhar ou perder seu status ao longo do tempo. Essa estrutura organizada com base na divisão do trabalho é uma economia-mundo capitalista.[9][10]

Para o paradigma sistema-mundista, o subdesenvolvimento dos países do Sul global se deve à sua posição na estrutura da ordem econômica internacional. Todos os países globalizados fazem parte do sistema-mundo. As grandes potências da OCDE, sobretudo os Estados Unidos, constituem o centro da economia-mundo, enquanto que os países em desenvolvimento constituem a periferia e a semiperiferia.

O sistema-mundo enquanto unidade de análise

Wallerstein propõe-se a explicar a formação do sistema-mundo do século XVI — início do sistema capitalista — e suas transformações até nossos dias, considerando o sistema capitalista como sistema mundial. A unidade de análise é, portanto, o sistema “mundo” (e não o Estado-nação), dentro do qual, as esferas econômicas, política e sociocultural são vistas como estreitamente conectadas - e não separadas, conforme a abordagem tradicional.[11]

A economia-mundo capitalista é um sistema que inclui uma desigualdade hierárquica de distribuição baseada na concentração de certos tipos de produção (produção relativamente monopolizada, e por tanto de alta rentabilidade), em certas zonas limitadas, de acordo a Wallerstein, e que ademais passam a ser sedes de maior acumulação de capital que permite em reforçamento das estruturas estatais, o que por sua vez buscam garantir a sobrevivência dos monopólios. O sistema mundo capitalista funciona e evoluí em função dos fatores econômicos.

Na Teoria do Sistema-Mundo capitalista se analisa a formação e a evolução do modo capitalista de produção como um sistema de relações econômico sociais, políticas e culturais, que nasce a fins da idade média europeia e que evoluí até converter-se em um sistema planetário de acordo a Theotonio dos Santos, e em cujo enfoque se distingue a existência de um centro, uma periferia e uma semiperiferia, ademais de distinguir entre economias centrais, uma economia hegemônica que articula ao conjunto do sistema.

A sua crítica do capitalismo global e o apoio aos movimentos antissistémicos espalharam a fama no mundo académico e tornaram os intelectuais ligados a essa abordagem em arautos do movimento anti-globalização e da crítica radical ao neoliberalismo.

O sistema-mundo capitalista é muito heterogéneo em termos culturais, políticos e económicos, abarcando grandes diferenças de desenvolvimento civilizacional, acumulação de capital e poder político. Ao contrário de teorias positivistas da modernização e desenvolvimento capitalista, Wallerstein não atribui estas diferenças a um atraso de certas regiões face a outras, que a própria dinâmica do sistema tenderia a apagar, mas à própria natureza do sistema-mundo. Ao sistema-mundo é inerente uma divisão entre centro, periferia e semiperiferia, em função da divisão do trabalho entre as regiões.

O centro é a área de grande desenvolvimento tecnológico que produz produtos complexos; a periferia é a área que fornece matérias-primas, produtos agrícolas e força de trabalho barata para o centro. A troca económica entre periferia e centro é desigual: a periferia tem de vender barato os seus produtos enquanto compra caro os produtos do centro, e essa situação tende a reproduzir-se de forma automática, quase determinista, embora seja também dinâmica e mude historicamente. A semiperiferia é uma região de desenvolvimento intermédio que funciona como um centro para a periferia e uma periferia para o centro. Em finais do século XX incluiria regiões como o a Europa Oriental, o Brasil ou a China. Regiões centrais e periféricas podem coexistir em espaços muito próximos.

Uma consequência da expansão do sistema-mundo é a contínua "mercadização" das coisas, incluindo o trabalho humano. Recursos naturais, terra, trabalho, relações sociais são gradualmente espoliados do seu valor intrínseco e transformadas em mercadorias cujo valor de troca é determinado no mercado.

O sistema-mundo moderno

Immanuel Wallerstein especializou-se inicialmente em assuntos da África pós-colonial, aos quais dedicou quase exclusivamente a sua produção até início da década de 1970, altura em que começou a destacar-se enquanto historiador e teórico da economia capitalista mundial. Durante esse período de produção trabalhou importando elementos da abordagem em termos de teoria da dependência, similarmente aos intelectuais latino-americanos.

A sua obra fundamental, e de certa maneira fundacional, é O sistema-mundo moderno de Immanuel Wallerstein, publicada originalmente em três volumes em 1974, 1980 e 1989. Esta obra parte de quatro referências teóricas fundamentais:

  • Karl Marx, que Wallerstein segue em teses como a predominância dos factores económicos sobre os políticos e ideológicos na história mundial, a dicotomia entre capital e trabalho, a concepção do desenvolvimento da economia mundial segundo fases históricas como o feudalismo ou capitalismo, a acumulação de capital, a dialéctica, entre outros;
  • a Escola dos Annales, nomeadamente o historiador Fernand Braudel, que registara o desenvolvimento e implicações políticas das redes económicas europeias dos séculos XV-XIX;
  • Max Weber, no que se refere a questão da preocupação com a dimensão institucional e política na dinâmica histórica do capitalismo;
  • presumivelmente, a sua própria experiência enquanto estudioso da África pós-colonial e das várias teorias relativas às "sociedades em desenvolvimento", utilizando amplos.

Wallerstein recusou a noção de Terceiro Mundo, argumentando que existia apenas um mundo articulado por uma complexo sistema de trocas económicas — uma economia mundial ou sistema-mundo — caracterizado pela dicotomia entre capital e trabalho e a acumulação de capital entre agentes em concorrência (nomeadamente os estados-nação), num equilíbrio sempre ameaçado por fricções internas. Esta abordagem constitui a teoria do sistema-mundo.

O autor identifica a origem do sistema-mundo moderno na Europa e América do século XVI. Uma ligeira superioridade de acumulação de capital no Reino Unido e França, devida a circunstâncias políticas internas no final do feudalismo, desencadeou um processo de expansão que culminou no sistema global de trocas económicas actualmente existente. No século XIX, praticamente todos os territórios do planeta haviam sido incorporados na economia mundial capitalista.

É com base nisso que desenvolve a moderna teoria de sistemas-mundo, que olha para a interação do Núcleo Tecnológico Industrial e a Periferia menos desenvolvida, e com os intermediários, os países da chamada "Semiperiferia", que corresponde aos novos países industrializados. A partir daí 'centro' e 'periferia' tornaram-se elementos integrantes do vocabulário da teoria das relações internacionais.

Outros pensadores

As principais vertentes da abordagem em termos de sistema-mundo são desenvolvidas no pensamento de Immanuel Wallerstein, André Gunder Frank, Giovanni Arrighi e Samir Amin.

André Gunder Frank, um dos principais autores do que se convenciona chamar de "teoria do subdesenvolvimento". Para ele, o capitalismo produz um 'tipo distinto' de desenvolvimento econômico nos países do Sul ao longo da mesma experiência histórica do Norte. Pelo contrário que se possa argumentar, o subdesenvolvimento é produzido em uma situação em que as estruturas de tecnologia e a indústria não alcançam uma existência independente, mas sim permanecem subservientes ao Norte.

Theotônio dos Santos, cuja maioria das ideias é frequentemente associada à Teoria da Dependência, analisa a teia de relações Norte-Sul (isto é, países centrais e periféricos ou "dependentes") e destaca os elementos que mantêm a dependência do Sul sobre o Norte, uma vantagem para o norte sistematicamente. No momento trabalho com vários grupos de estudo e projetos de pesquisa sobre a possibilidade de uma teoria de conjuntura que articule um amplo conjunto de variáveis económicas, sociais, políticas e culturais, dentro de uma concepção metodológica que assimile as ideias de complexidade, historicidade, dialéctica, longa duração, ciclos longos e vários outros fenómenos descuidados pelo “mainstream” das várias Ciências Sociais, encapsuladas na especificidades da departamentalização científica e na restrição dos objetos de estudo.

Os dois autores passam tratar a ideia de desenvolvimento de longa duração do sistema-mundo capitalista, combinando a perspectiva dos ciclos de longo prazo ou ondas longa de Nikolai Kondratiev com os ciclos históricos de Fernand Braudel, aproximando-se das abordagens de Giovanni Arrighi, Samir Amin e Immanuel Wallerstein.

Recepção

Em língua portuguesa

Os trabalhos ligados à Teoria do Sistema-Mundo suscitaram críticas não só do terreno conservador e neoliberal, mas também de historiadores não alinhados nessas correntes que consideram incorretas algumas das suas teses. Todavia, a sua abordagem analítica teve um impacto social, como se vê no movimento antiglobalização, e uma implantação académica consideráveis.

Em Portugal, por exemplo, a escola ligada ao sociólogo Boaventura de Sousa Santos baseou a sua caracterização da sociedade portuguesa na teoria da semiperiferia, a partir da Teoria do Sistema-Mundo (Santos, Boaventura de Sousa (org.) (1993) Portugal: um retrato singular. Porto: Afrontamento).

No Brasil há um importante núcleo de pesquisa especialmente dedicado a essa abordagem científica, o Grupo de Pesquisa em Economia Política dos Sistemas-Mundo, sediado no Departamento de Economia da Universidade Federal de Santa Catarina.

O professor José Luis Fiori, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, também pode ser considerado um seguidor das Teorias do Sistema-Mundo, embora se diferencie de Wallerstein e Arrighi em alguns aspectos. Em primeiro lugar, Arrighi e Wallerestein estudam o capitalismo a partir de uma sucessão de expansões materiais e financeiras enquanto o ponto de partida de Fiori é a expansão do capital e do poder, e a convergência desses dois fenômenos. Outro ponto de divergência é que, enquanto para os dois primeiros, o sistema-mundo é o ponto de partida e pré-existe ao capitalismo e à modernidade, para Fiori, ele é mais um produto da conquista europeia que um ponto de partida dado.

Para os seguidores do Sistema-Mundo, a necessidade de troca ou a compulsão teria levado os povos ao capitalismo, enquanto para Fiori, esta explicação que passa apenas pelo mercado é insuficiente. Ele ressalta, relembrando Steuart, que sem indução não há produção de excedente (basta verificar que as trocas não conduziram os asiáticos ao capitalismo no início do sistema internacional).

A Teoria do Sistema-Mundo como continuação da Teoria da Dependência

A partir do final da década de 1970 e no decorrer da década de 1980 vários intelectuais ligados à teoria da dependência transitam para a teoria do sistema mundo, tendo em vista o período de crise do desenvolvimentismo dos países latino-americanos, das transformações do capitalismo global e do aparecimento de novas contribuições analíticas.

Theotônio dos Santos faz um trânsito sem rupturas para a Teoria do Sistema-Mundo. O mesmo fará André Gunder Frank, que, em Reflections on the World Economic Crisis (1981), explica: "embora a teoria da dependência esteja morta, na realidade está viva, porque não há como substituí-la por uma teoria ou ideologia que negue a dependência; seria necessário substituí-la por uma teoria que fosse além dos limites da teoria da dependência, incorporando esta, juntamente com a dependência em si, numa análise global da acumulação." Nessa nova fase, a partir das bases estabelecidas pela Teoria da Dependência, esses estudiosos dedicam-se à elaboração de uma da teoria dos ciclos sistêmicos de acumulação que vislumbram como uma fase superior da teoria da dependência, retomando o trabalhos já iniciado no Centro de Estudios Sócio-Económicos da Universidade do Chile (CESO) no fim da década de 1960 e início da década de 1970.

Notas

  1. Sobre os termos teoria e análise, eles costumam ser intercambiados livremente pelos teóricos. Em Teoria da Dependência: balanço e perspectivas, por exemplo, Theotônio dos Santos utiliza tanto Teoria do Sistema Mundial (p.43), quanto Análises do Sistema Mundial (p.47).[2]
  2. Sobre os termos sistema-mundo ou sistema mundial, e sobre o uso do singular ou do plural, há uma grande polêmica sobre se a unidade de análise precede ou não a expansão europeia e a gênese do capitalismo. Usualmente, os termos são intercambiados livremente. Isso é especialmente verdadeiro para traduções, dado que a distinção entre sistema-mundo e sistema mundial em língua inglesa é feita apenas por um hífen (world-system e world system) que costuma passar desapercebido, sobretudo em contextos em que a distinção não é relevante ao quadro teórico.[3]

Referências

  1. Countries depicted are those consistently classified in a particular zone throughout the 27-year period. Salvatore J. Babones, "The country-level income structure of the world-economy," Journal of World-Systems Research 11, no. 1 (2005): 29–55
  2. SANTOS, Theotônio dos (1998). A Teoria da Dependência: balanço e perspectivas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira 
  3. WALLERSTEIN, Immanuel (1992). World System Versus World-Systems: a critique. (em FRANK e GILLS (1993) World System: Five hundred years or five thousand?). Nova Iorque, Londres: Routledge. pp. 292–5 
  4. SANTOS, Theotônio dos (1998). Da Teoria da Dependência à Teoria do Sistema Mundial (em A Teoria da Dependência: balanço e perspectivas). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. p. 44. Vários autores reconhecem a relação estreita da Teoria do Sistema-Mundo com a Teoria da Dependência. Bjorn Hettne traça mesmo um quadro da evolução do debate sobre desenvolvimento e dependência no qual a Teoria da Dependência tem como resultado de sua evolução a Teoria do Sistema-Mundo, enquanto a tendência estruturalista marcha para a Teoria das Necessidades Básicas encampada pelo Banco Mundial nos anos 70 sob a direção de McNamara. Enquanto isto, a tendência endogenista (que se pretende “marxista” e que ele chama de análise dos modos de produção) se origina, segundo ele, dos modelos marxistas de acumulação de capital e representaria uma terceira vertente teórica. 
  5. SANTOS, Theotônio dos (1998). Da Teoria da Dependência à Teoria do Sistema Mundial (em A Teoria da Dependência: balanço e perspectivas). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. p. 57. Autores norte-americanos relacionam a Teoria do Capital Monopólico de Sweezy e Baran e a escola da Teoria da Dependência como duas bases importantes da Teoria do Sistema-Mundo. Frank aceita esta relação em sua autobiografia. Deve-se destacar sobretudo a influência de Paul Baran, com sua Economia Política do Crescimento. 
  6. SANTOS, Theotônio dos (1998). Da Teoria da Dependência à Teoria do Sistema Mundial (em A Teoria da Dependência: balanço e perspectivas). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. pp. 37–38. Na África, a Teoria da Dependência encontrou uma elaboração teórica em curso sobre o desenvolvimento e produziu-se uma fusão bastante profícua. Samir Amin (1974), convocou uma reunião em Dakar, em 1970, para produzir um encontro entre o pensamento social latino-americano e africano. Anos mais tarde, Abelatif Benachenou chamará à realização de um Congresso de Economistas do Terceiro Mundo em Argel que dará origem a uma Associação Internacional de Economistas do Terceiro Mundo. 
  7. SANTOS, Theotônio dos (1998). A Teoria da Dependência: balanço e perspectivas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. p. 57. Fernand Braudel desenvolveu seus conceitos de économie-monde no terceiro volume de Civilisation Matérielle, Économie et Capitalisme, sob o título Le Temps du Monde, Armand Colin, Paris, 1979. Immanuel Wallerstein apresentou suas idéias sobre sistema-mundo em The Capitalist World Economy e The Politics of the World Economy, ambos publicados pela Maison des Sciences de l’Homme, 1979 e 1984. Ele também publicou a síntese de seus conceitos em Le Capitalisme Historique. Sua perspectiva histórica da formação de um sistema-mundo está sendo publicada em vários volumes do seu Modern World System, Academic, New York, 1974, 1980 e 1989. 
  8. Thomas Barfield, The dictionary of anthropology, Wiley-Blackwell, 1997, ISBN 1-57718-057-7, Google Print, p.498-499
  9. Wallerstein, Immanuel Maurice (2004). World-systems analysis: An introduction. [S.l.]: Duke University Press. pp. 23–24 
  10. Frank Lechner, Globalization theories: World-System Theory, 2001
  11. A ruína do capitalismo. Entrevista com Immanuel Wallerstein, por Gustavo Ioschpe. Folha de S. Paulo, 17 de Outubro de 1999.

Ligações externas