Revolução tecnológica

Revolução tecnológica é um conceito das Ciências Sociais que designa mudanças notáveis no uso de tecnologias e conhecimentos por parte de populações humanas, causativas de inúmeras consequências que afetam seus modos de ver o mundo, de se relacionar e de produzir, sendo de especial interesse à Antropologia, à História, à Arqueologia, à Linguística e à Sociologia.[1][2] Segundo o antropólogo Darcy Ribeiro:

A maioria dos estudiosos concorda com a classificação de Gordon Childe, que distingue três revoluções culturais […] a revolução agrícola que, introduzindo o cultivo de plantas e a domesticação de animais no sistema produtivo, transfigura a condição humana, fazendo-a saltar da condição de apropriadora do que a natureza provê espontaneamente à condição de organizadora ativa da produção; a revolução urbana fundada em novos progressos produtivos como a agricultura de regadio, a metalurgia e a escrita, que conduziu à dicotomização interna das sociedades numa condição rural e numa condição urbana, e à sua estratificação em classes sociais, além de outras profundas mudanças na vida social e no patrimônio cultural das sociedades que atingiu; e a revolução industrial que emergiu na Europa Ocidental com a descoberta e a generalização de conversores de energia inanimada para mover dispositivos mecânicos, responsável também por novas alterações fundamentais na estratificação social, na organização política e na visão de mundo de todos os povos.

— Darcy Ribeiro, 1972.[1]

Revolução Agrícola

Ruínas de Göbekli Tepe, na atual Turquia, cujas estruturas datam de c. 10 000 a.C., sendo os megalitos mais antigos já encontrados.[3]
Reconstrução de uma casa de Çatalhüyük, um assentamento neolítico na Anatólia que data de cerca de 7 000 a.C.

A revolução neolítica ou revolução agrícola foi a transição em grande escala de muitas culturas humanas do estilo de vida de caçador-coletor e nômade para um estilo agrícola e sedentário, tornando possível sustentar uma maior população.[4] Essas comunidades estabelecidas permitiram que os seres humanos observassem plantas para aprender como crescem e se desenvolvem. Esse novo conhecimento levou à domesticação das plantas.[5]

Dados arqueológicos indicam que a domesticação de vários tipos de plantas e animais evoluiu em locais separados em todo o mundo, começando na época geológica do Holoceno,[6] cerca de 12.500 anos atrás.

Revolução Urbana

Situada na região onde atualmente está a Síria, a cidade de Dura Europo foi de grande importância para o comércio fluvial dos primeiros agricultores mesopotâmicos.

A revolução urbana abrange o surgimento das primeiras cidades, em especial na região do Crescente Fértil, no Oriente Médio, a partir do Quinto milénio a.C. O termo foi cunhado pelo antropólogo Gordon Childe na década de 1930 e se popularizou como o pré-requisito para o surgimento da civilização humana.

Embora a Arqueologia tenha confirmado o surgimento das primeiras na região do Crescente Fértil, como Ur, Uruque e o recentemente escavado sítio de Telel Hamucar, a revolução urbana também se deu em outras regiões e períodos e não necessariamente da mesma forma, como é o caso do vale do rio Indo, com cidades antigas como Moenjodaro, e da Mesoamérica.

Revolução Industrial

A revolução industrial foi a transição para novos processos de produção na Grã-Bretanha, na Europa continental e nos Estados Unidos, a partir de c. 1760 até algum momento entre 1820 e 1840.[7]

Essa transição incluiu a passagem de métodos de produção manual para a produção mecânica, novos processos de fabricação de produtos químicos e metalúrgicos, o uso de energia a vapor e hidráulica, o desenvolvimento de máquinas-ferramentas e a ascensão do sistema fabril mecanizado.

Além do aumento da produção, houve também, nesse período, um crescimento populacional sem precedentes. A indústria têxtil foi dominante da Revolução Industrial, em termos de geração de emprego, valor da produção e volume de capital, além de também ter sido a primeira a usar os novos métodos e técnicas.[8]:40

Referências

  1. a b RIBEIRO, Darcy [1968] (1972). O processo civilizatório: etapas da evolução sociocultural. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. p. 36. 265 páginas 
  2. PEREIRA, Rafael Gomes Nogueira (2019). Darcy Ribeiro: uma interpretação evolucionista da América Latina. Temporalidades: Revista de História. 11 30 ed. Brasil: Universidade Federal de Goiás (UFG). p. 470, 473. ISSN 1984-6150 
  3. Sagona, Claudia. The Archaeology of Malta (em inglês). [S.l.]: Cambridge University Press. p. 47. ISBN 9781107006690. Consultado em 25 de novembro de 2016 
  4. Jean-Pierre Bocquet-Appel (29 de julho de 2011). «When the World's Population Took Off: The Springboard of the Neolithic Demographic Transition». Science. 333 (6042): 560–561. Bibcode:2011Sci...333..560B. PMID 21798934. doi:10.1126/science.1208880. Consultado em 10 de junho de 2012 
  5. Pollard, Rosenberg, and Tigor (2015). Worlds together, worlds apart concise edition vol.1. New York: W.W. Norton & Company. 23 páginas. ISBN 9780393250930 
  6. «International Stratigraphic Chart». International Commission on Stratigraphy. Consultado em 6 de dezembro de 2012. Arquivado do original em 12 de fevereiro de 2013 
  7. «Industrial History of European Countries». European Route of Industrial Heritage. Council of Europe. Consultado em 2 de junho de 2021 
  8. Landes, David S. (1969). The Unbound Prometheus. [S.l.]: Press Syndicate of the University of Cambridge. ISBN 978-0-521-09418-4