Simbolismo fascista

O simbolismo fascista é o uso de certas imagens e símbolos que são designados para representar aspetos do fascismo. Estes incluem símbolos de importância histórica, objetivos, políticas.[1] Os símbolos mais conhecidos são os fasces, que era o símbolo original do fascismo, e a suástica do Nazismo.

Símbolos comuns de movimentos fascistas

Os fasces e a suástica, dois símbolos fascistas comuns

Os movimentos fascistas organizados têm uniformes de aparência militarista para os seus membros; usam símbolos nacionais históricos como símbolos para o seu movimento; e usam comícios orquestrados como propaganda. Os movimentos fascistas são liderados por um "Líder" (e.g. Duce, Führer, Caudillo) que é publicamente idolatrado na propaganda como o salvador da nação. Um número de movimentos fascistas usam a saudação romana.

O uso de símbolos, gráficos, e outros artefactos criados por governos fascistas, autoritários, e totalitários tem sido denotado como um aspeto chave da sua propaganda.[2] A maioria dos movimentos fascistas adotaram símbolos de origem romana ou grega antiga, por exemplo, o uso alemão dos padrões romanos durante comícios e a adoção italiana do símbolo de fasces. A Falange espanhola tomou o seu nome da palavra espanhola para a falange grega.

Uniformes militaristas com insígnias nacionalistas

Os movimentos fascistas organizados tipicamente usam uniformes com aparência militar com o símbolo do seu movimento.

Em Itália, o movimento italiano fascista em 1919 usava uniformes pretos e tinham a alcunha de Camisas-negras. No poder, os uniformes durante a era Fascista estendiam-se tanto ao partido como ao exército que tipicamente exibiam fasces ou uma águia a segurar fasces nas suas boinas ou numa secção do braço esquerdo do uniforme.

Na Alemanha, o movimento fascista Nazi era similar ao movimento italiano no que toca ao uso inicial de um uniforme com cores específicas para o seu movimento, o uniforme de cor castanha do grupo paramilitar SA ganhou ao grupo e aos Nazis a alcunha de Camisas-castanhas. Os Nazis usaram a suástica para os seus uniformes e copiaram os uniformes dos italianos, com uma águia a segurar uma suástica adornada na vez de fasces, e uma faixa de braço com a bandeira Nazi na secção do braço esquerdo do uniforme para os membros do partido.

Outros países fascistas largamente copiaram o simbolismo dos Fascistas italianos e dos Nazis alemães para os seus movimentos. Como eles, os seus uniformes pareciam tipicamente como os uniformes militares com a insígnia tipo-Nacionalista do movimento. A Falange espanhola adotou as camisas azul escuro para os membros do seu partido, simbolizando os trabalhadores espanhóis, muitos dos quais usavam camisas azuis. Boinas foram também usadas, representando os seus apoiados Carlistas. Os voluntários expedicionários da Divisão Azul espanhola enviados para a Frente Leste da II Guerra Mundial em (relativamente indireto) apoio dos alemães também usavam camisas, boinas, e calças azuis.

Uso fascista de heráldica

Brasão da era Nazi de Coburgo
Brasão da era Nazi de Turíngia

Os governos fascistas frequentemente viam a necessidade de mudar a heráldica das suas nações na Alemanha, o brasão de Coburgo, com a cabeça de Maurício de Tebas, era desprezado pela sua natureza religiosa e não-Ariana. Foi trocado em 1934 com um brasão com uma espada e uma suástica. Turíngia também viu a necessidade de apoiar o regime Nazi ao adicionar uma suástica ás patas do leão no seu brasão.[3] Em Itália, o chefe de um brasão é frequentemente usada para indicar aliança política. Sob o governo de Mussolini, muitas famílias e locais adotaram o chefe vermelho carregado de fasces para indicar aliança com o Partido Nacional Fascista; este chefe era chamado capo del littorio.[4] Francisco Franco, Chefe de Estado da Espanha Franquista, usava um brasão pessoal com a Banda Real de Castela, um símbolo heráldico usado pela Coroa de Castela.[5][6]

Itália

O símbolo original do fascismo na Itália sob Benito Mussolini era o fasces. Este era um símbolo de poder do antigo Império Romano carregado por lictores em frente de magistrados; um feixe de ramos com um machado, indicando poder sobre a vida e a morte. Antes dos Fascistas italianos adotarem o fasces, o símbolo havia sido usado por organizações políticas italianas de várias políticas ideológicas, chamadas Fasci ("ligas") como um símbolo de força pela unidade.

O Fascismo italiano utilizava a cor preta como um símbolo do seu movimento, preto sendo a cor dos uniformes dos seus paramilitares, conhecidos como Camisas-negras. A camisa negra derivava das tropas de choque de elite temerária conhecidas como Arditi, soldados que eram especialmente treinados para uma vida de violência e usavam uniformes de camisa negra únicos.[7] A cor preta, como usada pelos Arditi, simbolizava a morte.[8]

Outros símbolos usados pelos fascistas italianos incluíam a aquila, a Lupa Capitolina, e o lema SPQR, cada um relacionado com a história cultural da Roma Antiga, que os fascistas tentavam ressuscitar.

Alemanha

A natureza do fascismo alemão, como encapsulado no Nazismo, era semelhante ideologicamente ao Fascismo italiano e tirou simbolismo dos Fascistas italianos como o uso de comícios em massa, a saudação romana com o braço reto, e o uso de ostentação. O Nazismo era diferente do Fascismo italiano pois era oficialmente racista. O seu símbolo era a suástica, na altura um símbolo comummente visto no mundo que tinha vivenciado um renascimento do uso no mundo ocidental no início do século XX. Os Nacionalistas völkisch alemães alegavam que a suástica era um símbolo da raça ariana, que alegavam que eram a base da civilização germânica e eram superiores às outras raças.

Como os Fascistas italianos adaptaram elementos da sua herança étnica para alimentar um senso de Nacionalismo pelo uso do simbolismo, a Alemanha Nazi fez o mesmo. Na volta do século, o místico e autor germano-austríaco Guido von List era uma grande influência no Reichsführer-SS Heinrich Himmler, que introduziu vários símbolos germânicos antigos (filtrados pela escrita de von List) mais profundamente na SS, incluindo o duplo Siegrune estilizado (a então contemporânea versão runa Armanen de von List da antiga runa sowilo) para a organização.

A tricolor 'preto-branco-vermelho' do Império alemão foi utilizada como o esquema de cores da bandeira Nazi. A cor castanha era a cor identificante do Nazismo (e fascismo em geral), devido a ser a cor dos paramilitares da SA (também conhecidos como Camisas-castanhas).

Outros símbolos históricos que já estavam em uso pelo Exército alemão em graus diferentes antes da Alemanha Nazi, tais como o Wolfsangel e Totenkopf, foram também usados numa maneira nova e mais industrializada em uniformes e insígnias.

Embora a suástica fosse um símbolo popular na arte antes do uso regimental pela Alemanha Nazi e tendo um longo património em muitas outras culturas durante a história – e embora muitos dos símbolos usados pelos Nazis serem antigos ou comummente usados antes do advento da Alemanha Nazi – pela associação com o uso Nazi, a suástica é frequentemente considerada sinónimo com o Nazismo e alguns outros símbolos ainda carregam um estigma negativo pós-II Guerra Mundial nos países ocidentais, ao ponto de alguns dos símbolos serem proibidos de serem expostos.[9]

Espanha

A Falange fascista na Espanha utilizava um jugo e flechas como o seu símbolo. Historicamente serviu como o símbolo do escudo da monarquia de Fernando e Isabela e os subsequentes monarcas católicos, representando uma Espanha unida e o "símbolo das virtudes heroicas da raça".[10] O uniforme original dos Falangistas era a camisa azul – derivado dos macacões azuis dos trabalhadores industriais – que foi mais tarde combinado com a boina vermelha dos Carlistas para representar a sua junção com Franco.

Finlândia

O Movimento de Lapua usava o logótipo de um cavaleiro num urso com um taco, referenciando o brasão de Lapua e a revolta camponesa da Guerra de Cudgel. O líder do movimento Vihtori Kosola alegou até ser um descendente de Klas Fleming, uma das figuras principais da guerra. Depois do Movimento Lapua ser banido por uma revolta falhada, o seu sucessor Movimento Patriótico Popular reusou o símbolo com alterações mínimas.[11]

Várias organizações neo-fascistas como o Movimento Azul-e-Preto usaram o Kalevalaico pagão "Mãos dos assinantes de runas" como o seu símbolo.[12][13]

Polónia

Outras organizações de extrema-direita mais antigas na Polónia, como o Partido Nacional e o Campo da Grande Polónia usavam o símbolo Mieczyk Chrobrego. Uma interpretação moderna do símbolo é usada pelo partido Juventude Toda-Polaca.

Organizações defendendo Radicalismo-Nacional (Acampamento Radical Nacional, Partido Nacional) usaram o símbolo Falanga para se identificarem. Uma interpretação moderna do símbolo é usada pelo Renascimento Nacional da Polónia[14][15] e a encarnação moderna do Acampamento Radical Nacional.

Organizações como Zadruga e Niklot também usaram o símbolo Toporzeł. Uma variante deste símbolo existe, Topokrzyż, que existia para identificar igrejas que "não fossem pertencentes a Judeus".[16]

Outros locais

Símbolo da União Britânica de Fascistas
Símbolo do Partido da Cruz Flechada húngaro
Símbolo do Ustaše croata
Bandeira da Legião de Prata da América
Símbolo do Nasjonal Samling norueguês
Bandeira da Aurora Dourada
Cruz celta numa bandeira neo-Nazi
Bandeira do Movimento de Resistência Africâner

Muitos outros movimentos fascistas não ganharam poder ou foram relativamente regimes menores em comparação e o seu simbolismo não é bem lembrado atualmente em muitas partes do mundo, embora o Relâmpago e Círculo da União Britânica de Fascistas foi mais tarde usado pelo Partido de Ação Popular não-fascista da Singapura.

Em ordem alfabética por nação:

Uso contemporâneo

Algumas organizações neo-nazi continuam a usar a suástica, mas muitas afastaram-se de tais símbolos inflamatórios do fascismo posterior. Alguns grupos neo-fascistas usam símbolos que lembra a suástica ou outros símbolos culturais ou ancestrais que podem invocar o sentimento nacionalista mas não carregam as mesmas conotações racistas. O uso de símbolos fascistas está sujeito a restrições legais em muitos países.

Referências

  1. «Hate on Display™ Hate Symbols Database». Anti-Defamation League (em inglês). Consultado em 5 de julho de 2025. Cópia arquivada em 2 de fevereiro de 2019 
  2. Heller, Steven (2008). Iron fists: branding the 20th century totalitarian state. London New York [Lagny-sur-Marne]: Phaidon [diff. SODIS]. p. 240 
  3. Slater, Stephen (2003). The Complete Book of Heraldry: An International History of Heraldry and Its Contemporary Uses. Londres: Anness Publishing. p. 212. ISBN 0754810623 
  4. Slater, Stephen (2003). The Complete Book of Heraldry: An International History Of Heraldry And Its Contemporary Uses. Londres: Anness Publishing. p. 201. ISBN 0754810623 
  5. «Standard of the Head of State 1940-1975 (Spain)». www.crwflags.com. Consultado em 5 de julho de 2025 
  6. «Fotos Generalísimo Francisco Franco.». www.generalisimofranco.com. Consultado em 5 de julho de 2025 
  7. Griffin, Roger; Feldman, Matthew (2004). Fascism: Fascism and culture (em inglês). [S.l.]: Taylor & Francis. Consultado em 5 de julho de 2025 
  8. Payne, Stanley G. (2005). A history of fascism, 1914-1945. Oxon, Reino Unido: [s.n.] 90 páginas 
  9. Keating, Joshua (24 de junho de 2015). «Germany Banned Its Ugly Historic Symbols. Should We Do That Too?». Slate (em inglês). ISSN 1091-2339. Consultado em 5 de julho de 2025 
  10. Parkins, Wendy (maio de 2002). Fashioning the Body Politic: Dress, Gender, Citizenship (em inglês). [S.l.]: Berg Publishers. p. 178. Consultado em 5 de julho de 2025 
  11. Marvin Rintala, Three Generations: The Extreme Right Wing in Finnish Politics (1962) . Bloomington: Página 198
  12. Nordling, Iiro & Koskela, Olavi: Suomen Führer: Valtakunnanjohtaja Pekka Siitoin (1944–2003). Helsínquia: Iiro Nordling, 2006. ISBN 952-92-0509-0 p, 187
  13. «Postmodernin natsiokkultismin hämärä historia». Voima (em finlandês). 23 de dezembro de 2024. Consultado em 5 de julho de 2025 
  14. «Krzyż Celtycki i Zakaz Pedałowania zarejestrowane jako symbole NOP». Narodowe Odrodzenie Polski (NOP) – Nacjonalistyczna Opozycja. Consultado em 5 de julho de 2025 
  15. «Symbole NOP – symbole radykalnego nacjonalizmu w Polsce». Narodowe Odrodzenie Polski (NOP) – Nacjonalistyczna Opozycja. Consultado em 5 de julho de 2025 
  16. «Symbole nacjonalistyczne: Toporzeł i Topokrzyż». Nacjonalista.pl - Dziennik Narodowo-Radykalny (em polaco). 13 de outubro de 2022. Consultado em 5 de julho de 2025 
  17. Luhn, Alec (7 de julho de 2025). «Preparing for War With Ukraine's Fascist Defenders of Freedom». Foreign Policy (em inglês). Consultado em 5 de julho de 2025 
  18. «Ukraine conflict: 'White power' warrior from Sweden». BBC News (em inglês). 16 de julho de 2014. Consultado em 5 de julho de 2025