Simão bar Sabae

Simão bar Sabae
Simão bar Sabae
Ícone de São Simão bar Sabae
Morte 14 de setembro de 344
Veneração por Igreja Assíria do Oriente
Antiga Igreja do Oriente
Igreja Católica
Igreja Ortodoxa
Portal dos Santos

Simão bar Sabae (em siríaco: ܫܡܥܘܢ ܒܪܨܒܥܐ; romaniz.: Šemʿon bar Ṣabbaʿe; m. 14 de setembro de 344[1]) foi o bispo de Selêucia-Ctesifonte, originário do Império Sassânida, e o chefe de facto da Igreja do Oriente até sua morte. Foi bispo durante as perseguições do xainxá Sapor II (r. 309–379) e foi executado juntamente com muitos de seus seguidores. Salvo seu martírio, quase nada se sabe sobre sua vida. Seu martírio foi sobremaneira registrado em alguns Martírios de séculos depois. É venerado como santo em diversas denominações cristãs.

Fontes

As principais fontes sobre a vida de Simão são dois textos siríacos inter-relacionados: o Martírio de Simão (publicado pela primeira vez por Stefano Evodio Assemani, Acta sanctorum martyrum I [1748]); e a História de Simão (publicada pela primeira vez por Paul Bedjan, Acta martyrum et sanctorum II [1891]). Ambos os textos foram publicados por Michael Kmosko em 1907, que os denominou respectivamente MS1 Recensio antiquior e MS2 Recensio recentior. Um dos manuscritos principais do Martírio, Vat. Syr. 160, tem datação disputada (algumas partes do manuscrito são do século VI, mas para esta parte específica Assemani propôs uma data do século X, o que parece tardio demais); os demais manuscritos são do século IX em diante, pertencentes às tradições siríaca oriental ou ocidental.[2]

O Mosteiro dos Sírios desempenhou papel importante na transmissão dos textos, pois os manuscritos Vat. Syr. 160 e 161 (este último contendo partes de ambos os textos) ali se conservaram, e o manuscrito Brit. Libr. Add. 14.645 (que contém o Martírio) foi ali copiado em 932. O manuscrito Brit. Libr. Add. 12.174, testemunho importante da História, foi escrito no tempo de Miguel, o Sírio, às expensas de um diácono do Mosteiro de Barsauma. O Martírio, ou um texto estreitamente relacionado a ele, era conhecido por Sozomeno, que incorporou algumas informações sobre Simão em sua História Eclesiástica (II.9–10), escrita por volta de 445. Entre as fontes posteriores, Simão recebe atenção na Crônica de Sirte e no Livro da Torre, bem como na Crônica de Bar Hebreu. O Breviário siríaco oriental atribui a Simão alguns hinos (ed. com tradução latina por Kmosko, 1048–55).[2]

Vida

As origens de Simão são incertas. Aparentemente foi sucessor imediato do bispo Papa bar Agai (m. 327/35), mas sua carreira é obscura. A partir do seu nome, que significa "filho dos tintureiros", é possível assumir que trabalhasse com tinturaria têxtil. Segundo ambos os textos siríacos, foi preso por se recusar a cumprir uma ordem real para cobrar um tributo duplo da comunidade cristã. Isso ocorreu provavelmente em 340, quando o xainxá Sapor II (r. 309–379) estava em guerra com o Império Romano e os cristãos persas passaram a ser suspeitos de simpatizar com os romanos. Na introdução do Martírio, a situação dos cristãos é comparada à opressão dos judeus no tempo dos macabeus, e os "dois sacerdotes", Judas (Macabeu) e Simão, são apresentados como lutando pela mesma causa.[2]

A Crônica de Sirte registra uma tradição segundo a qual Simão converteu do judaísmo ao cristianismo a rainha Ifra Hormisda (cujo nome não é mencionado) e que esse teria sido um dos motivos da perseguição contra Simão e contra os cristãos do Império Sassânida.[3] Seja como for, foi preso em Selêucia do Tigre, Simão foi levado para Carca de-Ledã, no Cuzistão (Bete Cuzaie em aramaico), onde teve vários encontros com o xainxá. Um longo episódio secundário (em ambos os textos siríacos e também em Sozomeno) trata do encontro de Simão com o apóstata Gustazade, que, ao vê-lo, decidiu retornar à fé cristã e tornou-se mártir antes de Simão. Após ter recebido ampla oportunidade para retratar-se, prestar homenagem ao xainxá e aos seus deuses, Simão foi executado.[2]

Embora a História, em certa medida, desenvolva o Martírio, G.  Wiessner argumentou que o autor da História teve acesso a fontes adicionais e, em alguns casos, atualizou deliberadamente o Martírio do ponto de vista teológico e ideológico. Tanto para o Martírio quanto para a História coloca-se a questão de até que ponto podem ser utilizados como fontes históricas, questão que se torna ainda mais pertinente quando se considera que se passaram várias décadas entre os acontecimentos narrados e a redação dos textos. A redação final provavelmente ocorreu no início do século V, ou — no caso da História — já bem avançado o século V. Vários outros textos martirológicos tratam da perseguição sob Sapor II. Entre os mais estreitamente relacionados aos textos de Simão estão o Martírio de Tarbo, irmã de Simão, e o Martírio de Pussai e Marta.[2]

Referências

  1. Higgins 1955, p. 35.
  2. a b c d e van Rompay 2011.
  3. Neusner 1969, p. 36.

Bibliografia

  • Higgins, Martin J. (1955). «Date of Martyrdom of Simeon bar Sabbae». Tradition. 11: 1-35 
  • Neusner, Jacob (1969). A History of the Jews in Babylonia, Part 4. The Age of Shapur II. Leida: Brill. ISBN 9789004021471