Sheela-Na-Gig (canção)
| "Sheela-Na-Gig" | ||||
|---|---|---|---|---|
| Single de PJ Harvey do álbum Dry | ||||
| Lançamento | 17 de fevereiro de 1992 | |||
| Gênero(s) | ||||
| Duração | 3:13 | |||
| Gravadora(s) | Too Pure | |||
| Composição | PJ Harvey | |||
| Produção | Rob Ellis, PJ Harvey, Head | |||
| Cronologia de singles de PJ Harvey | ||||
| ||||
"Sheela-Na-Gig" é uma canção da cantora e compositora inglesa de rock alternativo PJ Harvey, escrita pela própria artista. A canção foi lançada como o segundo single de seu álbum de estreia, Dry, em fevereiro de 1992.[2] O single foi o segundo e último de Dry e o único do álbum a entrar nas paradas musicais, tanto no Reino Unido quanto nos Estados Unidos. Alcançou o 9º lugar na parada Billboard Modern Rock Tracks, tornando-se uma das canções de maior sucesso de Harvey nos EUA. Um videoclipe, dirigido por Maria Mochnacz, foi lançado juntamente com o single.
Origem e gravação
"Sheela-Na-Gig" foi escrita em abril de 1990.[3] O título da música faz referência às estátuas denominadas sheela na gig, esculturas figurativas de mulheres nuas exibindo uma vulva exagerada, encontradas por toda a Grã-Bretanha e Irlanda. A versão da música presente no álbum Dry foi gravada no The Icehouse — um estúdio em Yeovil, Inglaterra, também usado por Jay Diggins and Automatic Dlamini, banda da qual ela fez parte anteriormente com John Parish — como parte das sessões de gravação do álbum. A versão foi mixada por Head, produzida por Head, Rob Ellis e PJ Harvey. Uma versão, gravada para John Peel e produzida e mixada por Mike Robinson e James Birwistle,[4] foi incluída na coletânea The Peel Sessions 1991-2004, lançada em 2006.
Composição
A letra de "Sheela-Na-Gig" faz diversas alusões às estátuas sheela na gig em versos como "olha aqui, meus quadris de dar à luz", "sua exibicionista" e "coloque dinheiro no seu buraco ocioso".[nota 1] A letra narra "exigências masculinas imperiosas e autoaversão feminina"[5] e "uma roqueira de jaqueta de couro, fazendo piadas de mau gosto com os rapazes com seu gemido estridente".[6] O personagem masculino retratado na letra não se interessa pela mulher devido ao seu exibicionismo e ao fato de ele não querer ser "impuro". A expressão "travesseiros sujos" é uma referência ao romance Carrie, de Stephen King,[7] no qual a antagonista Margaret White usa o termo para descrever seios. O verso "vou lavar esse homem para longe do meu cabelo"[nota 2] é o título de uma canção do musical South Pacific, de 1949.[8]
Sobre a inspiração e a mensagem da música, Harvey disse à Melody Maker em 1992: "Gostei da imagem [de uma sheela na gig] – a combinação de se desconstruir e rir ao mesmo tempo – eu queria esse senso de humor na música. A canção é uma coleção de diferentes momentos entre amantes. Suponho que seja sobre ser capaz de rir de si mesmo em relacionamentos. Há alguma raiva ali, mas, para mim, é uma música engraçada. Eu não pretendia que fosse uma música feminista nem nada do tipo. Eu queria que tivesse vários lados."[3] Ela acrescentou à NME: "A música não é realmente sobre uma sheela na gig, eu apenas a usei como ponto de partida. A música em si é autobiográfica, baseada em várias experiências."[9]
Musicalmente, a canção foi composta em afinação padrão. Um capo está presente na primeira casa da guitarra de Harvey em todas as versões da música. A abertura consiste em quatro notas tocadas alternadamente. O verso e o refrão apresentam os mesmos dois acordes (Mi maior - Sol maior) do início ao fim, simplificando a estrutura. A mudança na estrutura ocorre durante a ponte ("put money in your idle hole"), quando os acordes mudam (Lá5 - Fá#5 - Lá5 - Si5). O uso de power chords é consistente com a cena do rock alternativo dos anos 1990, quando outras bandas, como o Nirvana, eram conhecidas por usá-los.[10]
Lançamento
Três versões do single "Sheela-Na-Gig" foram lançadas. O single foi lançado em fevereiro de 1992, quatro meses antes do lançamento do álbum Dry, pela gravadora Too Pure Records. O single foi prensado em CD, vinil de 7 e vinil de 12 polegadas, com as versões em CD e vinil de 12 polegadas apresentando duas músicas do álbum Dry, "Hair" e "Joe", como lados B. A versão em vinil de 7 polegadas omitiu "Hair" e apenas 400 cópias foram prensadas.[2] Nos Estados Unidos, entrou e alcançou o 9º lugar na parada Alternative Songs da Billboard[11] e no Reino Unido entrou na UK Singles Chart na posição 69,[12] saindo das paradas na semana seguinte.
Recepção crítica
Assim como o álbum Dry, a canção gerou uma resposta crítica extremamente positiva. Keith Cameron, da NME, a escolheu como o "single da semana" da revista. Ele comentou como Harvey "tece uma história de fraqueza e medo masculinos diante da força e beleza femininas" e destacou o "riff frágil e primitivo da música, que lembra tanto 'Gloria', de Patti Smith, quanto os Pixies em sua dinâmica implacavelmente eficiente", além da voz "curiosamente indefinível" de Harvey e seu "toque lírico habilidoso".[13] Andrew Smith, da Melody Maker, afirmou: "Harvey seria uma galinha raivosa e devoradora de homens, trancada em seu galinheiro e cutucada com varas pelos porcos sádicos (nós). Suas músicas ousadas parecem sugar o ar de um cômodo, deixando para trás apenas uma névoa claustrofóbica, às vezes beirando a neurose. Minha música favorita aqui é a do lado B, "Hair", que transborda frustração e raiva por PJ ter algo (alguém) que ela deseja negado. É uma parada intensa."[14]
A revista Z Magazine classificou a música como "eletrizante" e disse que "constrói uma investida sexual sarcástica e agressiva".[15] Na Entertainment Weekly, uma crítica afirmou que a música "redime o tema perturbador [de Harvey] com vocais catárticos e sua própria guitarra cáustica".[16] O AllMusic elogiou a música, descrevendo a dinâmica da composição como "excepcional, oscilando entre um verso sussurrado e tenso e um refrão explosivo, culminando em uma ponte que explode (duas vezes) em fúria justa". O conteúdo lírico da canção também foi elogiado, sendo descrito como "ainda surpreendente; sob a forma de um símbolo celta de fertilidade, Harvey relata ter se apresentado nua a um potencial amante apenas para ser rejeitada de maneira brutalmente cruel" e referiu-se ao verso final "como se um corte de navalha descuidado tivesse encerrado a canção prematuramente", resumindo "Sheela-Na-Gig" como "três minutos impressionantes, provavelmente sua melhor performance".[17] Na edição de setembro de 1999 da revista Spin, a canção ficou em segundo lugar na lista dos 20 melhores singles da década de 1990.[6]
Videoclipe
O vídeo começa com imagens de uma bolsa e sapatos femininos girando em uma moldura que brilha com uma luz laranja. Essas imagens se repetem duas vezes ao longo do vídeo; uma vez no meio e novamente perto do final. A cena seguinte utiliza imagens religiosas com uma estátua de Jesus Cristo ao lado de fotos Polaroid. Imagens abstratas de Harvey e sua banda tocando a música ao vivo também incorporam grandes segmentos do clipe; um vídeo é filmado em cores, o outro em preto e branco. As imagens ao vivo, às vezes, são sobrepostas com imagens vívidas de luzes e mais fotos Polaroid. Várias outras imagens de rostos em close-up e vulvas de sheela na gigs também são mostradas.
Lista de faixas
| CD e vinil de 12 polegadas[2] | ||||||||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| N.º | Título | Duração | ||||||||
| 1. | "Sheela-Na-Gig" | 3:13 | ||||||||
| 2. | "Hair" | 3:38 | ||||||||
| 3. | "Joe" (Harvey, Rob Ellis) | 3:19 | ||||||||
Duração total: |
10:10 | |||||||||
| Vinil de 7 polegadas | ||||||||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| N.º | Título | Duração | ||||||||
| 1. | "Sheela-Na-Gig" | 3:13 | ||||||||
| 2. | "Joe" (Harvey, Rob Ellis) | 3:19 | ||||||||
Duração total: |
6:32 | |||||||||
Paradas
| Parada (1992) | Posição |
|---|---|
| Estados Unidos (Alternative Airplay - Billboard)[11] | 9 |
| Reino Unido (OCC)[12] | 69 |
Notas
Referências
- ↑ Boukouvalas, Mary (2016). «P.J. Harvey - Dry». In: Dimery, Robert. 1001 Albums You Must Hear Before You Die. Londres: Cassell Illustrated. p. 702
- ↑ a b c «PJ Harvey». www.pjharvey.net. Consultado em 19 de dezembro de 2025. Cópia arquivada em 19 de julho de 2011
- ↑ a b Arundel, Jim (8 de fevereiro de 1992). "P.J. Harvey: Sex & Bile & Rock & Roll". Melody Maker. p. 36.
- ↑ «BBC - Radio 1 - Keeping It Peel - 29/10/1991 PJ Harvey». www.bbc.co.uk. Consultado em 19 de dezembro de 2025
- ↑ Creswell, Tony (2006). 1001 Songs: The Great Songs of All Time and the Artists, Stories and Secrets Behind Them. Da Capo Press. p. 849. ISBN 978-1-56025-915-2.
- ↑ a b Aaron, Charles (1999). "The Top 20 Singles of the 1990s". Spin (September 1999): 137.
- ↑ Adams, Sam. «PJ Harvey | Music | Gateways To Geekery | The A.V. Club». www.avclub.com. Consultado em 19 de dezembro de 2025. Cópia arquivada em 19 de fevereiro de 2011
- ↑ «South Pacific – Broadway Show – Musical | IBDB». www.ibdb.com. Consultado em 19 de dezembro de 2025
- ↑ Fadele, Dele (15 de fevereiro de 1992). "Scrumpy's Trusty Nut". New Musical Express. p. 15.
- ↑ Chappell, Jon (1993). "Nirvana's Music". Guitar (junho de 1993): 19.
- ↑ a b «PJ Harvey | Biography, Music & News». Billboard (em inglês). Consultado em 19 de dezembro de 2025
- ↑ a b «PJ HARVEY». Official Charts (em inglês). 29 de fevereiro de 1992. Consultado em 19 de dezembro de 2025
- ↑ Cameron, Keith (15 de fevereiro de 1992). "Singles". New Musical Express. p. 16.
- ↑ Smith, Andrew (22 de fevereiro de 1992). "Singles". Melody Maker. p. 31.
- ↑ Lippard, Lucy L. (1993). "Folding the Tents". Z Magazine: 52–53.
- ↑ «Music Review: Dry, by P.J. Harvey | EW.com». EW.com (em inglês). Consultado em 19 de dezembro de 2025
- ↑ Sheela-Na-Gig - PJ Harvey | AllMusic (em inglês), consultado em 19 de dezembro de 2025
Ligações externas
- Sheela-Na-Gig (em inglês) no Discogs

