Secundiano de Singiduno

Secundiano de Singiduno
Nascimentoséculo IV
Ocupaçãosacerdote

Secundiano (c. 330381) foi bispo de Singiduno (atualmente Belgrado, na Sérvia), sucedendo ao bispo ariano Ursácio.

Nascido por volta de 330, cresceu e foi educado na igreja desde cedo. Tendo passado por todos os graus sacerdotais, tornou-se bispo de Singiduno em 371, imediatamente após a morte de seu predecessor, Ursácio. Assim como ele, Secundiano era ariano, e foi condenado no concílio dos bispos ocidentais em Aquileia, juntamente com o bispo Paládio de Raciária (atualmente Archar, na Bulgária).[1]

Não existem registros escritos conhecidos de bispos posteriores a Secundiano em Singiduno.[1]

Concílio de Aquileia

Durante o Concílio de Aquileia, realizado em setembro de 381, o imperador romano Graciano pretendia promover um debate aberto entre diferentes correntes cristãs. Tal intenção, no entanto, foi modificada graças à influência de Ambrósio de Milão que, ao restringir os convites apenas aos bispos fiéis à fé nicena, transformou o concílio em uma espécie de inquisição contra os homoianos, considerados heréticos. Como resultado, apenas dois bispos desta corrente compareceram, Secundiano e Paládio de Raciária, sendo todos os demais participantes — trinta e quatro ao todo — aliados de Ambrósio. O concílio terminou com a condenação dos dois homoianos, com a assinatura unânime de todos os demais participantes nos registros da reunião.[2]

Ambrósio, que vinha lutando por influência junto ao imperador Graciano, obteve uma vitória significativa com o resultado do concílio. Desde 379, ele buscava afirmar sua ortodoxia diante da corte, especialmente após a transferência do governo para Milão, e aproveitou a ocasião para atacar os homoianos, que ainda tinham força na cidade. A troca de correspondências entre Ambrósio e Graciano se intensificou, culminando na confiscação de uma igreja disputada, o que demonstrava a crescente confiança imperial na liderança religiosa do bispo de Milão.[2]

Em sua carta oficial relatando os resultados do Concílio de Aquileia, percebido que sua manobra de moldar o evento segundo seus interesses pessoais poderia desagradar à corte, Ambrósio enfatizou os benefícios da restrição de participantes:[2]

"Não foram encontrados bispos heréticos, exceto Paládio e Secundiano, homens que há muito eram notórios por sua perfídia, pelos quais pessoas dos confins do mundo romano exigiram a convocação de um concílio. […] Embora tenham sido condenados por falsa representação e forçados a confessá-la, recusaram-se a ouvir a razão. […] Estamos horrorizados, gracioso príncipe, com o sacrilégio tão terrível e o mestre tão pervertido; e para evitar que seu povo seja ainda mais enganado, chegamos à conclusão de que eles devem ser depostos de seu episcopado[.] […] Imploramos-lhe, por respeito à sua fé e honra, que mostre respeito pelos bispos de seu império e, por uma carta de sua graça às autoridades competentes, ordene que esses campeões da impiedade sejam repelidos do limiar da Igreja e que bispos santos sejam colocados no lugar daqueles condenados pelos representantes de nosso humilde concílio."[3]

Contudo, apesar de sua solicitação ao poder imperial para expulsar os bispos condenados de seus cargos, não existem evidências de que isso tenha ocorrido. Uma tentativa posterior de influenciar Teodósio para convocar um concílio em Alexandria também fracassou, revelando os limites da influência de Ambrósio fora de Milão, mesmo após conquistar o apoio de Graciano.[2]

Referências

  1. a b Mitić, Sr. Milunka, ed. (22 de fevereiro de 2020). Nebojsa Ozimic Recnik Gornje Mezije - Vocabulaire de Moesia Superiore [Dicionário Nebojsa Ozimic da Alta Moésia] (em sérvio). [S.l.: s.n.] p. 43. ISBN 86-7178-030-9. Consultado em 22 de setembro de 2025 
  2. a b c d Errington, R. Malcolm (2006). Roman Imperial Policy from Julian to Theodosius. [S.l.]: University of North Carolina Press. pp. 197–198. ISBN 978-0807830383 
  3. Greenslade, Stanley Lawrence (1 de janeiro de 1956). Early Latin Theology: Selections from Tertullian, Cyprian, Ambrose, and Jerome (em inglês). [S.l.]: Presbyterian Publishing Corporation. pp. 184–185. ISBN 9780664241544. Consultado em 22 de setembro de 2025 

Ligações externas