Rubroboletus rhodoxanthus
Rubroboletus rhodoxanthus
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| Estado de conservação | |||||||||||||||||
![]() Quase ameaçada (IUCN 3.1) [1] | |||||||||||||||||
| Classificação científica | |||||||||||||||||
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| Nome binomial | |||||||||||||||||
| Rubroboletus rhodoxanthus (Krombh.) Kuan Zhao & Zhu L.Yang (2014) | |||||||||||||||||
| Sinónimos | |||||||||||||||||
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Rubroboletus rhodoxanthus é uma espécie de fungo boleto da família Boletaceae, nativa da Europa. Anteriormente conhecida como Boletus rhodoxanthus, foi transferida em 2014 para o novo gênero Rubroboletus, com base em dados de DNA.
Produz basidiomas grandes e coloridos, com manchas rosadas no píleo, poros vermelhos na superfície himenial e um estipe robusto decorado com um padrão de rede densa de coloração avermelhada. Quando cortado longitudinalmente, sua carne é distintamente amarelo viva no estipe e torna-se azul apenas no píleo, uma característica diagnóstica que o diferencia de espécies semelhantes.
O fungo é mais comum em florestas latifoliadas quentes do sul da Europa, onde cresce em simbiose micorrízica com árvores da família Fagaceae, especialmente carvalhos (Quercus) e faias (Fagus). No entanto, é raro no norte da Europa e considerado criticamente ameaçado ou extinto em alguns países.
O cogumelo Rubroboletus rhodoxanthus é geralmente considerado não comestível e pode causar sintomas gastrointestinais adversos se consumido.
Taxonomia e filogenia
O fungo foi descrito pela primeira vez em 1836 pelo micologista tcheco Julius Vincenz von Krombholz, que o considerou uma variedade de Boletus sanguineus.[2] Em 1925, foi recombinado como uma espécie distinta pelo micologista alemão Franz Joseph Kallenbach,[3] permanecendo no gênero Boletus até 2014. O epíteto específico deriva das palavras gregas antigas ρόδο (rhódo, "rosa") e ξανθός (xanthós, "loiro" ou "claro").
Os primeiros estudos filogenéticos extensivos sobre Boletaceae, realizados em 2006[4] e 2013,[5] indicaram que Boletus não era monofilético e, portanto, uma classificação artificial. Um estudo de 2014 por Wu e colaboradores identificou 22 clados genéricos dentro da Boletaceae, concluindo que Boletus dupainii e algumas espécies de poros vermelhos relacionadas pertenciam a um clado distinto, distante do clado principal de Boletus (que inclui Boletus edulis e táxons relacionados).[6] Assim, o gênero Rubroboletus foi descrito para acomodar as espécies desse clado e Boletus rhodoxanthus foi transferido para este gênero.[7] A colocação da espécie no gênero Suillellus, proposta por Blanco-Dios,[8] não foi suportada por dados moleculares e foi rejeitada por autores posteriores.[9][10][11][12]
Descrição
O píleo é inicialmente hemisférico, tornando-se convexo a quase plano à medida que o fungo se desenvolve, com um diâmetro de 10 a 20 cm, podendo, em alguns casos, alcançar até 30 cm. Inicialmente é ligeiramente aveludado e de cor predominantemente branco-acinzentada, depois torna-se liso, cinza-rosado, bege-rosado ou vermelho-rosado, especialmente nas margens ou quando manipulado.[13][14][15]
Os tubos são adnatos a emarginados, com 0,5 a 1,5 cm de comprimento, inicialmente amarelos, tornando-se amarelo-oliváceos em basidiomas muito maduros e ficando azuis quando cortados. Os poros (bocas dos tubos) são laranja a vermelho-escuro, adquirindo coloração azul imediatamente ao serem manipulados.[16][17]
O estipe mede 8 a 12 cm de comprimento por 3 a 6 cm de largura, sendo bulboso ou clavado quando jovem, tornando-se mais alongado e cilíndrico na maturidade. É laranja ou amarelo-alaranjado no ápice, passando gradualmente a vermelho-alaranjado ou vermelho-carmim na parte inferior, com uma reticulação densa de vermelho-alaranjado a vermelho-carmim.[18][19]
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A carne é distintamente amarelo viva e inalterada no estipe, mas mais pálida e torna-se azul quando cortada apenas no píleo. Possui um sabor suave.[20]
Os esporos são marrom-oliváceos na esporada. Sob o microscópio, são elipsoides a fusiformes, medindo 10 a 15,5 por 4 a 5,5 μm. A pileipellis é uma tricoderme de hifas cilíndricas septadas, por vezes finamente incrustadas.[14][21]
Espécies semelhantes
- Rubroboletus legaliae é muito semelhante, mas possui um odor característico de chicória ou feno e carne esbranquiçada que fica azul no píleo e no estipe quando cortada.
- Rubroboletus satanas tem um píleo esbranquiçado sem tons rosados e carne esbranquiçada que geralmente fica azul pálida também no estipe quando cortada.
- Suilellus rubrosanguineus é micorrízica com espruces (Picea) ou abetos (Abies) e tem carne amarelo-pálida que fica azul em toda a extensão.
- Rubroboletus demonensis, até agora conhecida apenas do sul da Itália (Calábria e Sicília), apresenta cores geralmente mais vivas no píleo, variando de cinza claro a vermelho-sangue ou roxo, com carne amarela que fica levemente a moderadamente azul em toda a extensão e esporos menores, medindo 12,5 a 14 por 4,5 a 5 μm.
- Imperator rhodopurpureus diferencia-se pelo píleo vermelho-rosado a vermelho-carmesim com aparência rugosa ou "martelada" e que fica azul quando manipulada, além de sua carne que fica intensamente azul escura em toda a extensão.
Distribuição e habitat
Considerada uma espécie rara no norte da Europa, R. rhodoxanthus é mais frequentemente encontrada em regiões quentes do sul da Europa. Forma associações ectomicorrízicas com membros da família Fagaceae, particularmente carvalhos (Quercus) e faias (Fagus), mas às vezes também com castanheiras (Castanea).[21][16] Testes filogenéticos moleculares confirmaram sua presença na França,[12] Itália,[7] Portugal[22] e nas ilhas de Chipre[12] e Sardenha,[7] mas é provavelmente amplamente distribuída em grande parte da região mediterrânea.[18][21]
Foi relatada como localmente frequente na ilha de Chipre, onde aparece em estações com chuvas precoces, crescendo em solo serpentinoso sob o carvalho-dourado endêmico (Quercus alnifolia).[23] Em contrapartida, é considerada criticamente ameaçada na República Tcheca[24] e relatada como extinta na Inglaterra.[19] Nas Ilhas Britânicas, é conhecida apenas na Irlanda do Norte.[20]
Toxicidade
Rubroboletus rhodoxanthus é geralmente considerado não comestível[14] ou até venenoso,[25][19][11] podendo causar reações gastrointestinais adversas se consumido. Porém no livro Colour Atlas of Poisonous Fungi,[26] Bresinsky e Besl afirmam que o fungo pode ser comestível se bem cozido, mas advertem contra sua coleta devido à sua raridade e à possibilidade de confusão com Rubroboletus satanas.
Ver também
- Caloboletus calopus
- Harrya chromapes
- Hortiboletus rubellus
- Rubroboletus legaliae
- Rubroboletus pulcherrimus
Referências
- ↑ Krisai-Greilhuber, I. (2019). «Rubroboletus rhodoxanthus». Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas. 2019: e.T147144928A147709231. doi:10.2305/IUCN.UK.2019-2.RLTS.T147144928A147709231.en
. Consultado em 22 de setembro de 2025
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- ↑ Kallenbach FJ. (1925). Z. Pilzk. 5(1): 24
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