Rocha Dilolwa

Rocha Dilolwa
Nascimento2 de dezembro de 1939
Sumbe
Morte16 de novembro de 1996
Luanda
CidadaniaAngola
Alma mater
  • Escola Superior do Partido Karl Marx
Ocupaçãopolítico, economista, professor universitário
Obras destacadasContribuição à história econômica de Angola

Carlos Alberto da Rocha Oliveira Dilolwa (Sumbe, 2 de dezembro de 1939 — Luanda, 16 de novembro de 1996) foi um economista, escritor, ativista anticolonial e professor universitário angolano.[1]

Foi um dos mais importantes nomes da intelectualidade do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), sendo um influente teórico do marxismo e pensador de Angola independente,[2] juntamente com Agostinho Neto, Lúcio Lara, Mário Pinto de Andrade, Viriato da Cruz, Saíde Mingas, Adolfo Maria, Andiki,[3] António Jacinto e Iko Carreira.[2]

Biografia

Nascido em 2 de dezembro de 1939, no Sumbe, província do Cuanza Sul, seu nome de registro era Carlos Alberto da Rocha Oliveira.[1][4] Fez os estudos liceais em Luanda, cidade que residiu durante sua juventude.[4] Foi na vivência no Bairro Operário na década de 1950 que teve contato com os ideais nacionalistas.[5]

Ingressou no MPLA em 1961 por influência de Viriato da Cruz,[6] adotando o nome de guerra Dilolwa em função da luta anticolonial, que tornou-se parte de seu nome em 1976.[1] Dilolwa foi o fundador, professor[7] e depois diretor do 1º Centro de Instrução Revolucionária (CIR), em Dolisie, Congo-Brazavile, que servia de centro treinamento militar e político aos militantes do Exército Popular de Libertação de Angola (EPLA; que depois se tornaria FAPLA).[1][8] Foi de Dilolwa a concepção de criação dos primeiros manuais de alfabetização em idiomas nativos, tarefa realizada pelas educadoras Ruth Lara e Guida Chipenda.[9] O MPLA o enviou em 1963 para realizar sua licenciatura em economia e finanças e o seu doutoramento em seguros e resseguros pela Escola Superior do Partido Karl Marx, em Berlim Oriental.[4]

Ao retornar da Alemanha Oriental, Dilolwa foi eleito membro do Bureau Político e do Comité Central do MPLA em 1974, sendo um dos responsáveis pelo setor ideológico do partido e pelos contatos políticos com o Leste Europeu.[10]

Em 8 de novembro de 1974 faz parte da "delegação dos 26" do partido chefiada por Lúcio Lara, histórica primeira visita de uma delegação do MPLA a ser recebida oficialmente em Luanda. A chegada da delegação de Lara, que contava também com Rocha Dilolwa, foi esperada por uma multidão de militantes em grande êxtase, que rompeu as barreiras e invadiu a pista do Aeroporto de Luanda quando o avião da delegação pousou. A vinda da referida delegação deveria servir para preparar terreno para que Agostinho Neto fizesse sua primeira visita a Luanda após a Revolução dos Cravos. Esta visita contribuiu para que o MPLA rapidamente assumisse posições dominantes em Luanda.[11]

A partir da visita da "delegação dos 26", o partido o fixou em Luanda e deu-lhe a atribuição de coordenar as instituições do poder popular para implantação da República Popular de Angola, com Dilowa, Nito Alves, José Van-Dúnem e Sita Valles basicamente tornando-se os arquitetos políticos da base de sustentação do governo socialista na capital angolana e sua região imediata.[12][13] Para garantir sua permanência em Luanda para coordenar o projeto do poder popular e colaborar na luta armada, em janeiro de 1975 foi indicado pelo partido para trabalhar na Comissão de Coordenação da Indústria Seguradora em Angola, estabelecida pelo Ministério do Planejamento e Finanças do Governo de Transição do Alvor,[14] colaborando no Gabinete de Estudos Técnicos, que reestruturou tal sector em Angola culminando na Empresa Nacional de Seguros e Resseguros de Angola (ENSA), fundada em 1978.[4]

Em novembro de 1975, após a independência angolana, foi nomeado ministro do Planejamento e da Coordenação Econômica e, a partir de 1976, segundo vice-primeiro-ministro e ministro do Plano.[15] Juntamente com Saíde Mingas, foi o pensador e o concebedor da planificação econômica em Angola, a espinha dorsal da economia socialista.[1][3][2]

Foi justamente sua proximidade aos setores populares e de massa,[12] bastante heterogêneos em sua composição, que lhe fez optar por entregar seus cargos políticos no governo e no partido[1] após a forte repressão à intentona nitista de 27 de maio de 1977,[4] muito embora não apoiasse e nem tivesse esboçado qualquer opinião favorável ao Fraccionismo.[12] Estava também em rota de colisão com Agostinho Neto desde 1977 em função das denúncias de corrupção e nepotismo no denominado "Caso Monty".[16]

Em novembro de 1978 passou a dedicar-se à docência, tornando-se professor da Faculdade de Economia da Universidade Agostinho Neto,[4] bem como técnico analista da ENSA.[4]

Morte

Dilolwa morreu em Luanda em 16 de novembro de 1996[4] após cometer suicídio.[1][16]

Obras

De 1978 a 1996 Dilolwa dedicou-se, particularmente, a pesquisa cientifica, tendo desenvolvido e produzido estudos, publicado diversas brochuras, livros e artigos[4][2] sobre política, filosofia e economia nacional, escritos de grande valor ao país, destacadamente:

  • Contribuição à história econômica de Angola, publicado pela editora Imprensa Nacional de Angola, 1978;[1]
  • Subdesenvolvimento, dependência e nova ordem econômica internacional;[1]
  • Para uma política democrática em Angola;[1]
  • História econômica no século XIX;[1]
  • Sobre a democracia;[1]
  • Corrida para a morte ou corrida contra o tempo?.[1]

Referências

  1. a b c d e f g h i j k l m Paulo Freire; Sérgio Guimarães (2011). A África ensinando a gente: Angola, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe (PDF) 2 ed. São Paulo: Paz e Terra 
  2. a b c d Carolina Bezerra Machado (2020). «Representações de poder em Mayombe: "Os homens serão prisioneiros das estruturas que terão criado"». Porto Alegre. Revista Brasileira de Estudos Africanos. 5 (9): 219-237 
  3. a b Daniel de Oliveira Cunha (2018). Segurança, Desenvolvimento, Dependência e o Sistema Africano de Direitos Humano (PDF). São Paulo: FD-USP 
  4. a b c d e f g h i Samora Machel J. Silva (15 de julho de 2019). «Carlos Rocha Dilolwa: O patrono dos economistas». Club-k 
  5. «Um retrato do "BêÓ" considerado viveiro do nacionalismo angolano». Jornal de Angola. 20 de julho de 2025 
  6. João Paulo Henrique Pinto (dezembro de 2016). «A questão identitária na crise do MPLA de (1962-1964)». Irati: Universidade Estadual de Ponta Grossa. Revista TEL. 7 (2): 140-169. ISSN 2177-6644 
  7. Gilson Lubalo Pembele (2022). As políticas de alfabetização para a educação de adultos no contexto da pós-independência em Angola (PDF). Florianópolis-SC: Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Santa Catarina 
  8. Martinho Junior (28 de junho de 2021). «Angola, ruptura, liberación y vida – III». Frente Antiimperialista Internacionalista 
  9. Paulo Roberto Vilarim; Décio Ruivo Martins; Sérgio Paulo Jorge Rodrigues (2021). «A diferença da educação escolar indígena na colonização portuguesa de Angola e Brasil». ODEERE: Revista Internacional de Relações Étnicas. 2 (6): 237-54 
  10. «Feste Solidarität mit antikolonialem Kampf der Patrioten der MPLA». Neues Deustschland. 11 de maio de 1974 
  11. «Primeira delegação chegou há 43 anos». Jornal de Angola. 9 de novembro de 2017 
  12. a b c Carlos Bento (3 de janeiro de 2024). «27 de maio de 1977. A derrota do povo angolano (parte 1)». Kesongo 
  13. Artur Queiroz (7 de agosto de 2025). «Milicianos no seu Labirinto». Club-k 
  14. «História dos Seguros». ARSEG. 2021 
  15. «Chiefs of State and Cabinet members of foreign governments / National Foreign Assessment Center 1976:July-Sept.» (em inglês). HathiTrust. Consultado em 27 de novembro de 2024 
  16. a b Gustavo Costa (21 de agosto de 2016). «Kennedy e as vozes da diferença no MPLA que se opuseram a que-a política tratasse os cidadaos como uma manada de idiotas». Novo Jornal