Rabá bar Nacmani
Rabá bar Nacmani (em bretão: רבה בר נחמני; romaniz.: Rabbah bar Naḥmani; ca. 270 - ca. 330) Foi um judeu talmudista conhecido em todo o Talmude simplesmente como Rabá. Foi um amora de terceira geração das academias talmúdicas na Babilônia.
Vida
Rabá nasceu por volta de 270. Sabe-se que descendia de uma família sacerdotal da Judeia que traçava sua linhagem até o profeta Eli. Foi discípulo de Huna em Sura e de Judá bar Ezequiel em Pumbedita, e distinguiu-se de tal modo como estudante que Huna raramente decidia uma questão importante sem consultá-lo. Seus correligionários na Palestina não se mostraram satisfeitos com sua permanência na Babilônia e lhe escreveram pedindo que fosse para a Palestina, onde encontraria em Joanã bar Napaca um mestre, pois seria muito melhor para ele, embora sábio, ter um guia do que confiar apenas em si mesmo em seus estudos. Rabá, contudo, parece não ter respondido a esse apelo insistente e, ao que tudo indica, jamais deixou a Babilônia. Não há fundamento para a teoria que atribui a Rabá a autoria da compilação hagádica Berexite Rabá e das demais obras midráxicas que levam a designação "Rabá".[1]
Rabá não foi um hagadista prolífico. Embora a maior parte de seus aforismos haláquicos tenha sido preservada, apenas cerca de dez de seus ditos hagádicos são conhecidos. Sua atenção principal era dedicada à Halacá, que procurava elucidar interpretando as decisões mixnaicas e as baraitas, determinando as razões fundamentais das diversas leis pentateucais e rabínicas e explicando as aparentes contradições nelas contidas. Perguntava com frequência: "Por que a Torá ordenou isto?" "Por que os sábios proibiram aquilo?". Sua dialética aguda valeu-lhe o apelido de ‘Oḳer Harim ("arrancador de montanhas"), pois extraía novas conclusões ao separar passagens individuais de seu contexto habitual. Não restringiu, porém, seu interesse às ordenanças práticas da Mixná, como seu mestre Judá bar Ezequiel, mas estudou todas as seis ordens mixnaicas e foi a principal autoridade.[1]
Com a morte de Judá, Rabá foi eleito resh metibta (chefe da academia) de Pumbedita, cargo que ocupou até sua morte, vinte e dois anos depois. Aumentou consideravelmente o prestígio da academia e atraiu numerosos ouvintes, de modo que, durante os meses da calá, diz-se que seu auditório chegava a doze mil pessoas. Costumava iniciar suas lições com aforismos espirituosos e anedotas interessantes, que colocavam o público de bom humor e o tornavam receptivo a reflexões mais sérias. Rabá frequentemente punha à prova o discernimento de seus ouvintes e aguçava sua atenção com perguntas capciosas e halacás paradoxais. Apesar de toda a sua capacidade crítica, contudo, não conseguiu libertar-se de certas concepções demonológicas que partilhava com seus colegas. Rabá era altamente estimado pelos eruditos, mas era odiado pelo povo de Pumbedita em razão de suas severas e frequentes denúncias das tendências fraudulentas da população.[1]
Rabá e sua família viveram em grande pobreza e parecem ter sofrido diversas calamidades. Foi-lhe imputada a acusação de que, durante os meses da calá, seus doze mil ouvintes se aproveitavam de suas aulas para escapar ao imposto per capita. Oficiais foram enviados para prendê-lo; mas, advertido a tempo, ele fugiu e passou a vagar nas imediações de Pumbedita. Seu corpo, que teria sido ocultado pelas aves, foi encontrado em um matagal onde se escondera de seus perseguidores. Muitas lendas existem a respeito de sua morte. Sua morte ocorreu por volta de 330.[2]
Referências
- ↑ a b c Bacher & Lauterbach 1906, p. 292.
- ↑ Bacher & Lauterbach 1906, p. 292-293.
Bibliografia
- Bacher, Wilhelm; Lauterbach, Jacob Zallel (1906). «Raba (B. Joseph B. Hama)». Jewish Encyclopedia. Nova Iorque: Funk & Wagnalls