Judá bar Ezequiel
Judá bar Ezequiel (em hebraico: יהודה בן יחזקאל; romaniz.: Yehuda ben Yechizkel; 220 - Pumbedita, 299) foi um amora babilônico da 2.ª geração.
Vida
Judá bar Ezequiel nasceu em 220. Foi o mais destacado discípulo de Abá Aricá, em cuja casa frequentemente se hospedava, e cujo filho Hia foi seu aluno. Após a morte de Abá Aricá, Judá dirigiu-se a Samuel de Neardeia, que o estimou e o chamou de Xinena ("perspicaz", "arguto"). Permaneceu com Samuel até fundar sua própria escola em Pumbedita. Judá possuía tamanho zelo pelo estudo e energia incansável que chegava a omitir a oração diária para dispor de mais tempo para aprender, rezando apenas uma vez a cada trinta dias. Essa diligência, aliada a uma memória extraordinariamente fiel, permitiu-lhe recolher e transmitir a maior parte dos ensinamentos de Abá Aricá, bem como muitos de Samuel: o Talmude contém cerca de quatrocentos ditos hagádicos e haláquicos do primeiro, e muitos do segundo, todos registrados por Judá; além disso, diversos outros ensinamentos de Abá Aricá que aparecem no Talmude sem o nome do transmissor também foram transmitidos por Judá.[1]
Ao registrar as palavras de seus mestres, Judá procedia com cuidado e frequentemente declarava explicitamente que a autoridade de determinado dito era incerta, e que seu informante não sabia com segurança se ele provinha de Abá Aricá ou de Samuel. Alega-se que memória era infalível e sua tradição é confiável. Quando seu irmão Rami afirma, em certa passagem, que uma frase de Abá Aricá citada por Judá deveria ser desconsiderada, ele não põe em dúvida a exatidão da citação de Judá, mas dá a entender que Abá Aricá posteriormente abandonara a opinião citada e, em uma declaração que Judá não ouvira, adotara o ponto de vista oposto.[1]
Judá introduziu um método novo e original de ensino na escola que organizou em Pumbedita; ao enfatizar a necessidade de uma diferenciação precisa e de um exame crítico dos temas tratados, tornou-se o fundador da dialética talmúdica. Esse método de ensino, contudo, não agradou a alguns de seus alunos mais antigos, que o abandonaram; entre eles estava Zeira, que foi para a Palestina apesar da declaração de Judá de que ninguém deveria deixar a Babilônia para ir àquele país. O novo método, porém, foi bem aceito pela maioria de seus discípulos e mostrou-se especialmente atraente para os jovens, de modo que a escola de Pumbedita cresceu continuamente em importância e popularidade. Após a morte de Huna, chefe da Academia de Sura, a maior parte de seus alunos transferiu-se para Pumbedita, que, até a morte de Judá, permaneceu como o único centro do estudo talmúdico. Embora Judá se dedicasse principalmente à dialética, não deixou de interpretar as mixnás, explicar termos peculiares nelas contidos ou determinar a leitura correta quando havia variantes.[2]
Judá deu pouca atenção à Hagadá, e o trabalho que realizou nesse campo foi quase inteiramente de natureza lexicográfica. Em sua conversação cotidiana, esforçava-se por adquirir o hábito de uma expressão exata e apropriada, pelo que foi elogiado por seu contemporâneo Nacmã bar Jacó. Amante da natureza, Judá era um atento observador da vida animal e vegetal ao seu redor: "Quando, na primavera, vires a natureza em sua beleza, agradecerás a Deus por ter criado criaturas e plantas tão belas para o bem da humanidade". Várias de suas explicações de fenômenos naturais foram preservadas, assim como etimologias de nomes de animais e descrições de suas características. Judá era célebre por sua piedade, e conta-se que, sempre que decretava um jejum em tempos de seca, a chuva caía. Segundo ele, a piedade consiste principalmente em cumprir as obrigações para com o próximo e em observar as leis do meum et tuum. Provavelmente por essa razão aplicou-se sobretudo ao tratado mixnaico Neziquim.[3] Faleceu em Pumbedita em 299.[1]
Referências
- ↑ a b c Jacobs & Lauterbach 1906, p. 342.
- ↑ Jacobs & Lauterbach 1906, p. 342-343.
- ↑ Jacobs & Lauterbach 1906, p. 343.
Bibliografia
- Jacobs, Joseph; Lauterbach, Jacob Zallel (1906). «Judah b. Ezekiel». Jewish Encyclopedia. Nova Iorque: Funk & Wagnalls