Calá

Calá (em hebraico: כלה; romaniz.: Kallah) era uma convenção de mestres que se realizava nas academias babilônicas, após o início do período amoraico, nos meses de Adar e Elul.

Etimologia

O significado do termo calá é incerto. Sempre escrito com ה (), como a palavra hebraica para “noiva”; porém, a maneira pela qual esse significado foi associado a uma convenção de mestres não foi explicada de forma satisfatória. Talvez a palavra seja apenas outra forma do aramaico כלא = “totalidade”, embora esse termo nunca ocorra na literatura tradicional como designação de uma coletividade ou assembleia de pessoas. Pode também estar relacionada ao aramaico כלא = “grinalda”, sendo a assembleia de mestres concebida como uma grinalda que adorna a academia. Em latim, igualmente, corona significa “círculo”, “assembleia”.[1]

Descrição

A importância da Calá (referida sob outro nome) é enaltecida no Midraxe Tanuma: “Deus instituiu as duas academias (iexivote) para o bem de Israel. Nelas, dia e noite são dedicados ao estudo da Torá; e para lá vêm os eruditos de todos os lugares duas vezes por ano, em Adar e Elul, associando-se entre si em discussões sobre a Torá". Quanto maior a participação na convenção, maior era o renome da academia. Por isso Abaié diz: "A parte mais importante da Calá é a multidão”. O lado desagradável dessa multidão é caracterizado pelo colega de Abaié, Rabá: “A multidão da Calá é causada pelos maziquim” (espíritos invisíveis que atormentam as pessoas). Havia na Babilônia um dito segundo o qual quem sonhasse que entrava numa floresta se tornaria presidente da Calá (sendo a Calá comparada a uma floresta).[1]

O tratado da Mixná que constituía o objeto de explicação e discussão em cada Calá específica era chamado "o tratado da Calá". A frase em questão é uma máxima tanaítica, cuja parte final diz: "… entre os eruditos deve ser contado aquele que é capaz de responder a qualquer questão referente a qualquer halacá que tenha estudado"; a isso se acrescentam as palavras ("mesmo a que se refere ao tratado da Calá") em razão das condições babilônicas. Na Palestina não havia Calá. De fato, ela resultou da circunstância de que os judeus da Babilônia estavam dispersos por um território excepcionalmente vasto e sentiam a necessidade de reunir-se em épocas determinadas para estudar em comum.[1]

Referências

  1. a b c Gottheil & Bacher 1906, p. 423.

Bibliografia

  • Gottheil, Richard; Bacher, Wilhelm (1906). «Kallah». Jewish Encyclopedia. Nova Iorque: Funk & Wagnalls