Quilombo Campinho da Independência

Quilombo Campinho da Independência
Quilombo Campinho da Independência
Tipo quilombo
Geografia
Coordenadas 23° 17' 45.808" S 44° 42' 2.739" O
Localização Paraty - Brasil

O Quilombo Campinho da Independência está localizado entre os povoados de Pedra Azul e Patrimônio, à 20 km do município brasileiro de Paraty, na região sul do estado do Rio de Janeiro.[1] Em 2022, era composta por 59 famílias, num total de 610 pessoas.[2] Em 2025, eram 170 famílias,[3] cerca de 700 pessoas.[4] É banhado pelo Rio Carapitanga e contém cachoeiras e matas pertencentes à Mata Atlântica.

A origem

A origem do Quilombo Campinho da Independência é muito particular. Todos os moradores são descendentes de três escravas: Antonica, Marcelina e Luiza.[3] Segundo as histórias contadas pelos mais velhos, as três não eram escravas comuns, pois possuíam cultura, posses e habitavam a casa-grande. Conta-se também que existiam muitas fazendas no local, inclusive a maior delas: a Fazenda Independência. Após a abolição da escravatura, os fazendeiros abandonaram suas propriedades e foram depois divididas entre aqueles que ali trabalharam.

Tombamento

O tombamento de quilombos é previsto pela Constituição Brasileira de 1988, bastando a certificação pela Fundação Cultural Palmares:[5]

Art. 216. Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira [...]
§ 5º Ficam tombados todos os documentos e os sítios detentores de reminiscências históricas dos antigos quilombos.

Portanto, a comunidade quilombola de Campinho da Independência é um patrimônio cultural brasileiro, tendo em vista que recebeu a certificação de ser uma "reminiscência histórica de antigo quilombo" da Fundação Cultural Palmares no ano de 2013.[6]

Atividades

Os quilombolas de Campinho cultivam uma grande safra de arroz, feijão e milho. Mas plantam também aipim e cana-de-açúcar, usadas para a produção de diversos produtos. Frutas como manga, graviola e laranja são as mais abundantes.[3]

A maioria dos moradores são artesãos, e seus balaios, cestos e peneiras entre outros artefatos caseiros são apreciados pelo turistas que visitam a região de Paraty.[3]

O acervo histórico

Além da história desse quilombo estar guardada na memória dos homens mais antigos, passadas para as novas gerações, a tradição do quilombo pode ser conhecida na Casa do Quilombo, que conta com utensílios e materiais de trabalho usado por seus moradores, além de um amplo acervo fotográfico.

Ver também

Referências

  1. «Paraty – Quilombo Campinho da Independência | ipatrimônio». Consultado em 3 de fevereiro de 2026 
  2. Bellinger, Carolina (21 de junho de 2017). «Terra Quilombola Campinho da Independência | Observatório Terras Quilombolas». Comissão Pró-Índio de São Paulo. Consultado em 3 de fevereiro de 2026 
  3. a b c d gov.br Quilombo do Campinho. 04/06/2025.
  4. Mesquita, Clívia (12 de março de 2025). «Gerações de mulheres remontam história do primeiro território quilombola reconhecido no estado do Rio de Janeiro - Brasil de Fato». Consultado em 3 de fevereiro de 2026 
  5. Câmara dos Deputados. «Constituição da República Federativa do Brasil (1988)». www2.camara.leg.br. Consultado em 18 de junho de 2023 
  6. «Wayback Machine». pesquisa.in.gov.br. Consultado em 3 de fevereiro de 2026. Cópia arquivada em 11 de abril de 2025 

Ligações externas