Programa Saúde na Escola

Agente comunitário de saúde durante uma atividade do Programa Saúde na Escola, em Porto Alegre (RS).

O Programa Saúde na Escola (PSE) é uma estratégia intersetorial criada, em 2007, no âmbito dos Ministérios da Saúde e da Educação,[1] que visa a integração entre ambos os setores, contribuindo para a formação integral do estudante. Em geral, suas ações de promoção, prevenção e atenção à saúde são desenvolvidas no ambiente escolar, alcançando crianças e adolescentes da Educação Básica, a fim de melhorar a qualidade de vida da população.[2]

A escola como espaço estratégico para cuidados auditivos

Cerca de 60% dos casos de perda auditiva em crianças têm causas evitáveis, passíveis de prevenção por meio de políticas públicas de saúde. [3] A identificação precoce da perda auditiva e das doenças do ouvido é fundamental para a implementação de intervenções adequadas e eficazes, reduzindo impactos no desenvolvimento da linguagem e da aprendizagem. [3] No âmbito do Programa Saúde na Escola (PSE), a escola, enquanto agente social presente de forma contínua ao longo da infância, configura-se como um ambiente estratégico para a promoção, a prevenção e o cuidado integral da saúde auditiva infantil.

A observação de dificuldades de linguagem e de aprendizagem no ambiente escolar pode indicar alterações auditivas não previamente identificadas, como a perda auditiva mínima. [4] Crianças com perdas auditivas podem apresentar atraso no desenvolvimento da fala, dificuldades de compreensão de instruções orais e prejuízos no desempenho acadêmico, aspectos que podem ser percebidos por professores e equipes escolares. [5] Estudos indicam que a ausência de triagens auditivas sistemáticas contribui para o diagnóstico tardio dessas alterações, reforçando a importância da observação integrada entre educação e saúde no contexto do PSE. [5]

A identificação precoce de sinais de perda auditiva é um componente relevante das ações de atenção à saúde da criança. [6] No ambiente escolar, a observação de comportamentos como dificuldade em acompanhar atividades orais em ambientes ruidosos, não se engajar nos trabalhos em grupo, necessidade frequente de repetição ou respostas inadequadas a estímulos sonoros pode subsidiar o encaminhamento para avaliação na Atenção Primária à Saúde de maneira precoce. [7] A integração dessas ações favorece o cuidado oportuno e a redução de impactos no desenvolvimento da linguagem e no processo de escolarização.

As ações de promoção da saúde no âmbito do PSE também incluem orientações sobre hábitos saudáveis relacionados à audição. [6] Atividades educativas podem abordar a prevenção da exposição a ruídos excessivos, o uso adequado de dispositivos sonoros individuais e a valorização de ambientes escolares acusticamente adequados. [6] Materiais educativos voltados ao contexto escolar destacam o papel de profissionais da educação e da saúde na disseminação de informações sobre proteção auditiva e autocuidado desde a infância. [8]

A atuação do PSE contribui para a redução das desigualdades no acesso ao diagnóstico precoce de alterações auditivas, especialmente em populações em situação de vulnerabilidade social. [9] A presença de ações de saúde no ambiente escolar amplia a possibilidade de identificação de sinais auditivos em crianças que não acessam regularmente os serviços de saúde, fortalecendo a articulação com a Atenção Primária e promovendo maior equidade no cuidado à saúde auditiva infantil.

Referências

  1. Brasil. «Decreto Nº 6.286, de 5 de dezembro de 2007. Institui o Programa Saúde na Escola - PSE, e dá outras providências». Presidência da República. Consultado em 7 de janeiro de 2024 
  2. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica (2011). Passo a passo PSE : Programa Saúde na Escola : tecendo caminhos da intersetorialidade (PDF). Brasília: Ministério da Saúde. 46 páginas. ISBN 978-85-334-1844-8 
  3. a b «World Hearing Day 2026». www.who.int (em inglês). Consultado em 19 de janeiro de 2026 
  4. Finkler, Andréa Dulor; Barba, Marion Cristine De; Matos, Taís da Silva (abril de 2022). «Habilidades auditivas e dificuldade de aprendizagem: Uma revisão integrativa da literatura». Revista Psicopedagogia (118): 54–60. ISSN 0103-8486. doi:10.51207/2179-4057.20220005. Consultado em 20 de janeiro de 2026 
  5. a b Lopes, Aline Aparecida; Friche, Amélia Augusta de Lima; Lemos, Stela Maris Aguiar; Bicalho, Lorena; Silva, Artur Martins Moreto; Santos, Thamara Suzi dos; Oliveira, Renata Cristina Cordeiro Diniz; Avan, Paul; Carvalho, Sirley Alves da Silva (2023). «Prevalência de perda auditiva e vulnerabilidade a saúde em crianças de 25 a 36 meses: uma análise da distribuição espacial». CoDAS: e20210189. ISSN 2317-1782. doi:10.1590/2317-1782/20232021189pt. Consultado em 20 de janeiro de 2026 
  6. a b c Ministério da Saúde e Ministério da Educação (2025). «Caderno Temático do Programa Saúde na Escola - Saúde Auditiva» (PDF). Consultado em 20 de janeiro de 2026 
  7. «10 SINAIS Da SURDEZ Em CRIANÇAS: Perda Auditiva Infantil». 13 de janeiro de 2026. Consultado em 20 de janeiro de 2026 
  8. Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais, Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais, Universidade Federal de Minas Gerais, Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, Université Clermont Auvergne e Conselho Regional de Fonoaudiologia 6ª Região. (2018). «SAÚDE AUDITIVA NO AMBIENTE ESCOLAR» (PDF). Consultado em 20 de janeiro de 2026 
  9. Gameiro, Nathállia (13 de janeiro de 2026). «Programa Saúde na Escola amplia acesso ao SUS e reduz desigualdades». Fiocruz. Consultado em 20 de janeiro de 2026