Prisão de Jair Bolsonaro

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38.º Presidente do Brasil ![]() |
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A prisão de Jair Bolsonaro refere-se à prisão, sob processo cautelar, do ex-presidente do Brasil Jair Bolsonaro,[2] no contexto das investigações que apuram uma tentativa de golpe de Estado. A medida começou a ser cumprida como prisão domiciliar em agosto de 2025 e foi posteriormente convertida em prisão preventiva em novembro do mesmo ano. Segundo decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a conversão ocorreu após o entendimento de que Bolsonaro descumpriu medidas cautelares impostas em julho de 2025, como a proibição de uso de redes sociais e o monitoramento por tornozeleira eletrônica, o que indicaria risco de obstrução da Justiça e de fuga.
Em 4 de agosto de 2025, Moraes decretou a prisão domiciliar após concluir que Bolsonaro violou a restrição de uso de redes sociais por meio de terceiros. Em 22 de novembro de 2025, a prisão domiciliar foi convertida em prisão preventiva diante de um risco concreto de fuga. Neste dia, o ex-presidente havia convocado uma "vigília" de seus seguidores nas proximidades de sua residência no condomínio Solar de Brasília (onde cumpria a prisão domiciliar), durante a qual, ele tentou violar a tornozeleira eletrônica que usava usando um ferro de solda.[3][4] Vizinhos do ex-político comemoraram a saída do mesmo do condomínio, soltando fogos de artifício e organizando churrascos e outras comemorações.[5]
Bolsonaro já havia sido preso em 1986, quando estava no exército, após escrever um artigo criticando os baixos salários dos militares.[6]
Contexto
Bolsonaro virou réu na Ação Penal (AP) 2 668 que apura a tentativa de golpe de Estado, incluindo o planejamento do assassinato do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva, do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
Complô com Donald Trump
No início de 2025, segundo levantamento da Polícia Federal (PF), o ex-presidente e seu filho, o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro, visitaram autoridades dos Estados Unidos com o objetivo de obter a imposição de avaliações contra agentes públicos do Brasil, em razão de suposta fiscalização no âmbito da AP 2 668. Segundo a PF, ambos atuaram "dolosa e a deliberação de forma ilícita" e "com a finalidade de tentar submeter o funcionamento do Supremo Tribunal Federal [STF] ao crivo de outro Estado estrangeiro, por meio de atos hostis de negociações espúrias e criminosas com patente de interferência à Justiça e clara especificamente de coagir essa Corte".
Em 2 de abril, os Estados Unidos anunciaram tarifas de 10% sobre importações brasileiras, com vigência a partir de 5 de abril, sob a justificativa de proteger a indústria doméstica. Em 9 de julho de 2025, o presidente Donald Trump anunciou tarifas de 50% sobre todos os produtos brasileiros, efetivas a partir de 1.º de agosto, citando o tratamento do Brasil a Bolsonaro como uma "caça às bruxas" e alegando déficits comerciais, embora os EUA tenham registrado um superávit comercial de 7,4 bilhões de dólares com o Brasil em 2024.
Medidas cautelares e penas

Tornozeleira eletrônica
Em 18 de julho de 2025, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), impôs a Bolsonaro medidas cautelares de uso de tornozeleira eletrônica; recolhimento domiciliar no período noturno e aos fins de semana; autoridade de acesso a embaixadas e consulados e de manter contato com embaixadores e autoridades estrangeiras; e autorização de utilização de redes sociais, direta ou indiretamente, inclusive por meio de terceiros, em decisão referendada pela Primeira Turma do STF, após solicitação da Polícia Federal (PF) e com o aval da Procuradoria-Geral da República (PGR). A defesa recorreu, mas Moraes manteve as medidas em 24 de julho porque o ex-presidente fez um discurso transmitido em plataformas digitais e postado em diversos perfis.[8]
Moraes esclareceu que Bolsonaro não está proibido de conceder entrevistas ou fazer discursos públicos ou privados, mas que não deve fazer a "instrumentalização dessas entrevistas ou discursos para posterior divulgação nas redes sociais, especialmente por meio da atuação de 'milícias digitais' e apoiadores políticos previamente coordenados para esse fim".[8]
Prisão domiciliar
Moraes decretou a prisão domiciliar de Bolsonaro em 04 de agosto de 2025 porque o ex-presidente continuou a usar as redes sociais para fazer postagens, não suas, mas de aliados, inclusive de seus três filhos.[9] "O flagrante desrespeito às medidas cautelares foi tão óbvio que, repita-se, o próprio filho do réu, o senador Flávio Nantes Bolsonaro, decidiu remover a postagem realizada em seu perfil, na rede social Instagram, com a finalidade de omitir a transgressão legal", explicou Moraes na decisão.[8]
Além de proibir Bolsonaro de sair de casa,[10] Moraes proibiu visitas e mandou apreender celulares pertencentes a Bolsonaro.[11]
A prisão domiciliar segue processo cautelar,[2] devido ao inquérito referente aos tarifaços, envolvendo Eduardo Bolsonaro.[12] Com a sentença prisional geolocal,[13] bolsonaristas e compadres aliados se mobilizam contra a prisão em Complexo Penitenciário da Papuda.[14]
Condenação
Com o resultado determinado pelo colegiado da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão, mais 376 mil reais de multa.[a][15][16] A prisão em regime fechado não deve começar imediatamente, posto que ainda cabe recurso por parte de sua defesa.[17]
Como consequência da condenação, Bolsonaro fica proibido de tomar posse em qualquer cargo público por 8 anos após o término das sentanças, de acordo com a Lei da Ficha Limpa.[18] Por fim, o Superior Tribunal Militar (STM) deve julgar a perda de patente de capitão da reserva, pois de acordo com a Constituição, o oficial das Forças Armadas pode ser expulso no caso de condenação criminal superior a dois anos de prisão.[19] Se julgada procedente, Bolsonaro perderá o direito à prisão em unidade militar e poderá ser preso em presídio comum; posto que é um ex-presidente, poderá ser detido na unidade da Polícia Federal, como aconteceu com Lula, Temer e Collor.[20] Por outro lado, a lei que tipifica as organizações criminosas prevê que condenados por este crime cumpram pena em presídios de segurança máxima.[21]
Prisão preventiva
Em 22 de novembro, Bolsonaro foi preso preventivamente, sem prazo determinado. A prisão foi solicitada pela Polícia Federal (PF) ao Supremo Tribunal Federal (STF) em Brasília pois o réu tentou romper a tornozeleira eletrônica que lhe houvera sido colocada como medida cautelar (ato confessado pelo mesmo). Aliados do ex-presidente, incluindo seu filho e os deputados federais Nikolas Ferreira e Bia Kicis divulgaram diferentes "explicações" para a violação do equipamento, dentre elas se incluí um ato de "desespero" durante um "surto" e a suspeita de que haveria uma "escuta" dentro do mesmo.[22][23]
Trânsito em julgado
Três dias depois, em 25 de novembro, o STF declarou trânsito em julgado (conclusão do processo), o que abre caminho para a execução da pena de Bolsonaro e mais dois condenados: Alexandre Ramagem e Anderson Torres.[24] Pouco tempo depois, no mesmo dia, os dois ex-ministros do Exército de Bolsonaro e generais, Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira, além do almirante e seu ex-comandante da Marinha do Brasil, Almir Garnier Santos, também foram presos em Brasília pela Polícia Federal.[25]
Dois dias depois, em 27 de novembro, o Partido Liberal anunciou a suspensão das funções partidárias de Bolsonaro em cumprimento à Lei 9 096/1995, com isso Bolsonaro deixa de ser Presidente de Honra do partido, deixando de receber um salário de cerca de R$ 46 mil reais mensais para tal. Sua aposentadoria parlamentar enquanto ex-deputado federal não é afetada pela medida.[26]
Em 03 de janeiro de 2026, o Ministério Público Militar (MPM) pediu ao Superior Tribunal Militar (STM) que declare a perda do posto e da patente do ex-presidente Jair Bolsonaro. Caso o STM acolha a representação, deixará de ser capitão reformado do Exército. O processo leva em média seis meses para ser julgado. O caso de Bolsonaro terá como redator o ministro brigadeiro-do-ar Carlos Vuyk de Aquino, militar da Aeronáutica indicado para o tribunal pelo ex-presidente Michel Temer.[27]
Ver também
- Tentativa de golpe de Estado no Brasil em 2022–2023
- Ataques de 8 de janeiro em Brasília
- Crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos em 2025
- "O salário está baixo"
- Prisão de Luiz Inácio Lula da Silva
- Prisão de Michel Temer
- Prisão de Fernando Collor de Mello
Notas e referências
Notas
- ↑ 124 dias-multa de dois salários mínimos cada.
Referências
- ↑ Vittorazzi, Davi; Boechat, Gabriela (11 de setembro de 2025). «Condenado a 27 anos, Bolsonaro ficará inelegível por 8 anos após pena». CNN Brasil. Consultado em 12 de setembro de 2025
- ↑ a b «STF rejeita recurso e mantém condenação de Bolsonaro na trama golpista». Agência Brasil. 16 de novembro de 2025. Consultado em 16 de novembro de 2025
- ↑ «Em decisão, Moraes cita "eventual tentativa de fuga" de Bolsonaro». Agência Brasil. 22 de novembro de 2025. Consultado em 22 de novembro de 2025
- ↑ Patriolino, Luana (22 de novembro de 2025). «Ao justificar prisão de Bolsonaro, Moraes citou fuga de Ramagem e Zambelli». Correio Brasiliense. Consultado em 22 de novembro de 2025
- ↑ Oliveira, Fábia (23 de novembro de 2025). «Vizinhos celebram prisão de Jair Bolsonaro com festa e churrasco». www.metropoles.com. Consultado em 24 de novembro de 2025
- ↑ Carlucci, Manoela; Martins, Leticia (9 de agosto de 2025). «Artigo em revista já levou Bolsonaro à prisão em 1986; entenda». CNN Brasil. Consultado em 9 de agosto de 2025
- ↑ «Bolsonaro chora e pede orações durante sessão do Senado em homenagem a líder evangélico». O Globo. 17 de julho de 2025. Consultado em 12 de setembro de 2025
- ↑ a b c Márcio Falcão (4 de agosto de 2025). «Bolsonaro: Moraes Decreta Prisão Domiciliar e PF Apreende Celular». g1. Consultado em 24 de novembro de 2025
- ↑ «Bolsonaro tem direito a um último recurso antes de prisão; entenda». CNN Brasil. 15 de novembro de 2025. Consultado em 16 de novembro de 2025
- ↑ João Paulo Dell Santo (15 de novembro de 2025). «Quais canais de TV Bolsonaro terá direito na Papuda». NaTelinha. Consultado em 24 de novembro de 2025
- ↑ Carmo, Wendal (20 de agosto de 2025). «PF apreende carta no celular de Bolsonaro com pedido de asilo a Milei». CartaCapital. Consultado em 16 de novembro de 2025
- ↑ «STF forma maioria para tornar Eduardo Bolsonaro réu no tarifaço». Agência Brasil. 14 de novembro de 2025. Consultado em 16 de novembro de 2025
- ↑ «Jair Bolsonaro sentenced to 27 years in prison for plotting Brazil coup». BBC (em inglês). 12 de setembro de 2025. Consultado em 16 de novembro de 2025
- ↑ Marcela Mattos (15 de novembro de 2025). «Aliados de Bolsonaro se mobilizam contra prisão na Papuda e torcem por comoção popular». VEJA. Consultado em 24 de novembro de 2025
- ↑ Falcão, Márcio; Vivas, Fernanda; Barbiéri, Luiz Felipe; Turollo Jr, Reynaldo; Ferreira, Afonso (11 de setembro de 2025). «Trama golpista: veja as penas de prisão e as multas para cada um dos condenados». g1. Consultado em 12 de setembro de 2025
- ↑ «O que é 'dias-multa' e qual o valor que Bolsonaro terá que pagar após condenação do STF». Terra. 11 de setembro de 2025. Consultado em 12 de setembro de 2025
- ↑ Richter, Andre (13 de setembro de 2025). «Bolsonaro pode ser preso até dezembro se recursos forem rejeitados». Agência Brasil. Consultado em 16 de setembro de 2025
- ↑ Vivas, Fernanda; Soares, Gabriella (11 de setembro de 2025). «Condenado na trama golpista, Bolsonaro só poderá disputar eleição 8 anos após cumprir pena». g1. Consultado em 12 de setembro de 2025
- ↑ Richter, André (11 de setembro de 2025). «STM vai julgar perda de patente de Bolsonaro e militares condenados». Agência Brasil. Consultado em 12 de setembro de 2025
- ↑ Andréia Sadi (11 de setembro de 2025). «Polícia Federal tem sala separada para Bolsonaro; decisão sobre prisão será do STF». g1. Consultado em 24 de novembro de 2025
- ↑ Rechmann, Aline (12 de setembro de 2025). «Onde Bolsonaro poderá cumprir pena? Cinco locais são cotados». Gazeta do Povo. Consultado em 16 de setembro de 2025
- ↑ «Bolsonaro é preso de forma preventiva e levado à PF em Brasília». g1. 22 de novembro de 2025. Consultado em 22 de novembro de 2025
- ↑ Gadelha, Igor (23 de novembro de 2025). «A nova versão de aliados para a violação da tornozeleira por Bolsonaro». www.metropoles.com. Consultado em 24 de novembro de 2025
- ↑ Falcão, Márcio (25 de novembro de 2025). «STF declara conclusão do processo sobre golpe de Estado e abre caminho para execução das penas de Bolsonaro». G1. Consultado em 25 de novembro de 2025
- ↑ Marques, José; Pompeu, Ana (25 de novembro de 2025). «Heleno e Paulo Sérgio, ex-ministros de Bolsonaro, e Garnier, ex-chefe da Marina, são presos em Brasília». Folha de S.Paulo. Consultado em 25 de novembro de 2025. Cópia arquivada em 25 de novembro de 2025. (pede subscrição (ajuda))
- ↑ Falcão, Márcio; Rodrigues, Paloma (27 de novembro de 2025). «PL anuncia suspensão das funções partidárias e do salário de Bolsonaro após a prisão». G1. Consultado em 1 de dezembro de 2025
- ↑ Falcão, Márcio (3 de fevereiro de 2026). «MP Militar pede ao STM perda dos postos e patentes de Bolsonaro, Heleno, Braga Netto e outros condenados por trama golpista». Consultado em 3 de fevereiro de 2026
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