Populismo macroeconômico

Populismo macroeconômico é um termo cunhado pelos economistas Rudi Dornbusch e Sebastian Edwards em um artigo de 1990.[1] O termo refere-se às políticas de administrações latino-americanas nas quais, conforme o artigo, as despesas do governo e os salários reais aumentam de forma não sustentável, levando à inflação, depois à estagflação e, por fim, a um colapso econômico que reduz os salários reais a níveis mais baixos do que eram antes do início do período populista. O artigo cita como exemplos Salvador Allende no Chile (1970-1973) e Alan García em primeiro mandato no Peru (1985-1990). Em 1991, Dornbusch e Edwards editaram um livro intitulado The Macroeconomics of Populism in Latin America, que analisou mais casos como a Argentina entre 1973 e 1976, o México entre 1970 e 1982 e o Brasil.[2]

Em 2014, Paul Krugman citou as políticas da Argentina sob Cristina Kirchner e da Venezuela como novos casos de populismo macroeconômico.[3][4] Durante uma palestra em 2014, ele disse que não endossava os ataques à Argentina nem o que lhe parecia uma "política fiscal e monetária um tanto fora de controle".[5]

Definição formal

A definição de populismo macroeconômico no artigo original afirma o seguinte: "O populismo macroeconômico é uma abordagem da economia que enfatiza o crescimento e a distribuição de renda e minimiza os riscos de inflação e financiamento do déficit, restrições externas e a reação de agentes econômicos a políticas agressivas não mercantis".[1]

Fases

Segundo ao artigo, início de um ciclo populista geralmente ocorre após um programa de estabilização. A economia tem capacidade ociosa e o orçamento, bem como o equilíbrio externo, têm espaço para uma política econômica expansionista.

  • A primeira fase inclui um alto aumento nas despesas públicas e um aumento nos salários reais e no emprego. O PIB aumenta e há baixo impacto na inflação. A escassez é aliviada pelas importações. Há uma redução nas reservas ou inadimplência da dívida;
  • A segunda fase inclui um aumento na inflação, embora os salários continuem altos. Os gargalos levam a controles de preços e câmbio. O déficit orçamentário aumenta muito como resultado de subsídios. A economia entra em estagflação;
  • A terceira fase é caracterizada por escassez, aceleração extrema da inflação (possivelmente hiperinflação) e fuga de capitais. Um declínio na receita tributária combinado com alta inflação resulta em um aumento no déficit orçamentário (efeito Tanzi). Uma tentativa de estabilização pela redução de subsídios e desvalorização leva a uma queda nos salários reais. Como afirma o artigo, "a política se torna instável. Fica claro que o governo perdeu";
  • Na quarta fase, um novo governo implementa políticas ortodoxas para estabilizar a economia. Uma vez que a economia esteja estabilizada, os salários reais terão caído mais do que antes do início da primeira fase.

Leitura adicional

Referências

  1. a b Dornbusch, Rudiger; Edwards, Sebastian (1990). «Macroeconomic Populism». Journal of Development Economics (em inglês). 32 (2): 247–277. doi:10.1016/0304-3878(90)90038-D 
  2. Dornbusch, Rudiger; Edwards, Sebastian (janeiro de 1991). The Macroeconomics of Populism in Latin America (em inglês). [S.l.]: University of Chicago Press 
  3. «Macroeconomic Populism Returns». Paul Krugman Blog (em inglês). Consultado em 12 de março de 2025 
  4. «The Macroeconomics of Reality-TV Populism». Paul Krugman Blog (em inglês). Consultado em 12 de março de 2025 
  5. «"Krugman contra el modelo K". Palabras más, palabras menos 18 de noviembre. Bloque 1». Todo Noticias (em espanhol). 20 de novembro de 2014. Consultado em 12 de março de 2025