Hansonismo

Hansonismo é um termo usado para se referir a uma ideologia presente na política da Austrália, sendo tal ideologia centrada na figura de Pauline Hanson e seguida por seu partido, o Uma Nação, e seus apoiadores. O termo é usado desde 1998,[1] inclusive sendo adicionado no dicionário australiano The Australian National Dictionary em 2018.[2]

O hansonismo é descrito como uma forma de populismo de direita. Um tema comum no hansonismo é a ideia que a "elite multiculturalista" manipula a classe trabalhadora australiana a apoiar certas políticas, como direitos territoriais e cerimônias aborígenes.[3][4] Hansonistas acreditam que políticas para minorias, como os aborígenes, são uma forma de "racismo reverso" e contrárias a igualdade.[3]

Outra característica do hansonismo é o nacionalismo econômico e a oposição a medidas neoliberais conhecidas na Austrália como "racionalismo econômico".[5] Hanson já apoiou a reintrodução de tarifas, o estabelecimento de bancos estatais, a renovação da manufatura local, além de criticar corporações multinacionais.[5]

Em 1998, os professores universitários Chandran Kukathas e William Maley identificaram duas correntes no hansonismo: o hansonismo suave e o hansonismo forte.[1] O hansonismo forte se refere a políticas defendidas diretamente por Hanson, como o sentimento anti-asiáticos, uma conexão com a Austrália Branca, críticas ao multiculturalismo, e a visão populista de que essas políticas têm apreço popular.[1] Hansonismo suave é associado com políticas mais brandas ou que são promovidas por políticos não filiados ao Uma Nação, como a oposição ao asilo de refugiados.[1]

Críticas

Segundo o acadêmico australiano Tod Moore, o hansonismo se trata de uma reação ao neoliberalismo e ao globalismo, inspirado tanto por ódio quanto por medo, e adotado pelo operariado e pela classe média australiana devido a inclinação neoliberal do Partido Trabalhista (referindo-se à terceira via). No entanto, Moore criticou o hansonismo como contraditório, pois suas medidas acabariam levando a políticas que ele acredita serem prejudiciais a esses grupos, como governo menor, menos serviços públicos, mais desregulamentação financeira, enfraquecimento de sindicatos e maior desigualdade de renda.[5]

O historiador australiano Milton Osborne, em 1999, observou que pesquisas constataram que os apoiadores iniciais de Hanson não consideravam a imigração asiática um dos principais motivos para seu apoio, mas sim a desregulamentação econômica e o desemprego. Osborne também argumenta que seu apoio a cortes substanciais de impostos minou o apoio ao hansonismo, levando-a inicialmente a deixar o parlamento.[6]

Ver também

Referências

  1. a b c d Kukathas, Chandran; Maley, William (1998). «The Last Refuge Hard and Soft Hansonism in Contemporary Australian Politics» (PDF). CIS Issue Analysis (em inglês) (4). Consultado em 29 de maio de 2025. Cópia arquivada (PDF) em 31 de dezembro de 2020 
  2. Astle, David (29 de agosto de 2016). «The Australian National Dictionary updated after 28 years». The Sydney Morning Herald (em inglês). Consultado em 29 de maio de 2025. Cópia arquivada em 19 de agosto de 2022 
  3. a b Fleming, Andy; Mondon, Aurelien (5 de fevereiro de 2018). Rydgren, Jens, ed. The Radical Right in Australia (em inglês). 1. [S.l.]: Oxford University Press. ISBN 978-0-19-027455-9. doi:10.1093/oxfordhb/9780190274559.013.32. Consultado em 29 de maio de 2025. Cópia arquivada em 24 de maio de 2020 
  4. «Politicians react to Pauline Hanson's walkout during Acknowledgement of Country» (em inglês). ABC Australia. 27 de julho de 2022. Consultado em 29 de maio de 2025. Cópia arquivada em 10 de agosto de 2022 
  5. a b c Mooreq, Tod (2019). «Once as Tragedy and Again as Farce: Hansonism, Backlashers, and Economic Nationalism After 20 Years». In: Grant, Bligh; Moore, Tod; Lynch, Tony. The rise of right-populism: Pauline Hanson's One nation and Australian politics (em inglês). [S.l.]: Springer. ISBN 978-981-13-2669-1 
  6. Osborne, Milton (1999). «AUSTRALIA'S ELECTION YEAR: Hansonism and the Asian Financial Crisis». Southeast Asian Affairs (em inglês): 52–64. doi:10.1355/SEAA99D (inativo 26 de novembro de 2024)