Paulo Figueiredo (blogueiro)

 Nota: Para outros significados, veja Paulo Figueiredo.
Paulo Figueiredo Filho
Nascimento
Paulo Renato De Oliveira Figueiredo Filho

29 de dezembro de 1983 (42 anos)

Nacionalidadebrasileira
Alma materUniversidade do Rio de Janeiro
Ocupaçãoblogueiro
economista

Paulo Renato de Oliveira Figueiredo Filho (29 de dezembro de 1983)[1] é um blogueiro e economista[2] brasileiro de extrema-direita,[3] neto do ex-presidente João Figueiredo e atualmente foragido da Justiça.

Biografia

Paulo Figueiredo é neto do ex-presidente João Figueiredo (imagem).

Paulo Renato de Oliveira Figueiredo Filho nasceu em 29 de dezembro de 1983. É neto do ex-presidente João Figueiredo, último presidente da ditadura militar brasileira, e filho de seu primogênito, Paulo Figueiredo, com Elaine Maria Ferro Rebello.[2][4][1] Figueiredo Filho é formado em economia, e começou sua carreira no segmento de hotelaria de luxo no Rio de Janeiro, onde conheceu Donald Trump. Com efeito, foi sócio de Trump na construção do Trump Hotel na capital fluminense. Em 2019, após chegar a ser considerado foragido pela Interpol, Figueiredo foi preso por alguns dias em Miami em meio à operação Circus Maximus, sendo suspeito de integrar esquema de pagamento de propinas a dirigentes do Banco de Brasília em troca de recursos para a construção do então Trump Hotel.[2][4]

Figueiredo tornou-se comentarista da Jovem Pan em 2020; no canal, incitou extremistas bolsonaristas a iniciarem uma guerra civil no Brasil. Foi afastado no ano seguinte e depois demitido, quando já era alvo de investigação por disseminar fake news.[2][4]

Atividades golpistas e de lesa-pátria

Tentativa de golpe

Em janeiro de 2023, Paulo Figueiredo teve as contas em redes sociais suspensas, junto de Rodrigo Constantino e Guilherme Fiuza, por estar sob investigação pela divulgação de discursos de ódio e antidemocráticos.[4]

Em 18 de fevereiro de 2025, Figueiredo foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República por tentativa de golpe. De acordo com a Polícia Federal, ele atuou em operação de "propagação de desinformação golpista e antidemocrática". Figueiredo era parte de um grupo que tinha uma "missão" no golpe de Estado, sendo responsável – ao lado de Braga Netto, Mauro Cid, entre outros – por incitar militares a aderirem aos atos golpistas, de acordo com relatório do Supremo Tribunal Federal.[2]

Conversas com Mauro Cid revelaram Figueiredo preocupado com o 8 de Janeiro, classificando-o como "estupidez sem tamanho", ao mesmo tempo em que Cid afirmava que Jair Bolsonaro se havia recusado a se manifestar a respeito dos atos. Segundo o procurador-geral da República, Paulo Gonet, Figueiredo recebeu antecipadamente uma carta dos militares da ditadura de 64, pelos "golpistas" com a finalidade de pressionar o comando do Exército a aderir ao golpe em curso; com efeito, ele expôs, em transmissões ao vivo e com conhecimento do coronel Correa Neto, militares contrários "a uma ação mais direta, contundente das Forças Armadas" e que não se haviam alinhado ao golpismo.[2]

Subsequentemente o ministro Alexandre de Moraes decretou a prisão preventiva de Figueiredo e o cancelamento de seu passaporte; segudo Moraes, ele "atenta contra a democracia do Brasil sem ter coragem de viver no Brasil e só tem influência sobre os militares por ser neto do último presidente durante o tempo de golpe militar". Como mora nos Estados Unidos, Figueiredo não foi encontrado e é considerado foragido da Justiça.[4] Moraes solicitou depois que a Defensoria Pública da União assumisse o caso.[5]

Articulação para sanções americanas

Junto de Eduardo Bolsonaro (imagem), Paulo Figueiredo ativamente articula sanções contra o Brasil nos Estados Unidos.

Junto do deputado federal Eduardo Bolsonaro, Paulo Figueiredo é tido como líder do lobby anti-Brasil nos Estados Unidos em 2025, articulando ativamente punições a autoridades brasileiras.[6][5][7] Ambos admitiram participação em reuniões em Washington onde se discutiram sanções e tarifas comercias contra o Brasil; com efeito, em uma sabatina no podcast Inteligência Ltda., confessaram não apenas saber da possibilidade de taxação por Donald Trump, como terem opinado favoravelmente a ela.[6][8]

Em julho de 2025, quando uma comitiva de senadores brasileiros se dirigia aos Estados Unidos a fim de discutir o tarifaço de Trump, Figueiredo afirmou que estavam "perdendo tempo" e que iriam "quebrar a cara", pois era necessário "um compromisso de que o Brasil atenderá as demandas do presidente Trump". Eduardo Bolsonaro também disse que quaisquer negociações brasileiras precisariam passar por ele e Figueiredo, argumentando que "os canais corretos a serem buscados não são com os políticos tradicionais, mas sim comigo e com Paulo Figueiredo".[5] Figueiredo já sustentou nas redes sociais que, graças a ele, os ministros Luís Roberto Barroso e Gilmar Mendes foram "poupados" das sanções contra Moraes; em outra ocasião, afirmou ao lado de Eduardo Bolsonaro que estavam organizando reuniões em Washington a fim de "tramar" contra Moraes.[7]

É atualmente investigado no mesmo inquérito de Eduardo Bolsonaro, no qual se apuram os crimes de coação no curso do processo, obstrução de investigação e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Segundo o Metrópoles, fontes da Polícia Federal afirmam haver "evidências claras" de que Figueiredo e Eduardo atuam em parceria para interferir no funcionamento do Poder Judiciário, instigando sanções contra ministros do Supremo Tribunal Federal e integrantes do Ministério Público.[7]


Referências

  1. a b «Diário Eletrônico da Justiça Federal da 1ª Região - eDJF1» (PDF). 10 de abril de 2019. Cópia arquivada (PDF) em 10 de agosto de 2025 
  2. a b c d e f g «'Estupidez sem tamanho:' quem é o ex-Jovem Pan que falou com Cid sobre 8/1». UOL. 15 de maio de 2025. Cópia arquivada em 23 de junho de 2025 
  3. Gonçalves, Rafaela; Oliveira, Vanilson (2 de agosto de 2025). «Sociedade reage às agressões de Trump ao Brasil». Correio Braziliense. Cópia arquivada em 10 de agosto de 2025 
  4. a b c d e Bartolo, Ana Beatriz (30 de julho de 2025). «Quem é Paulo Figueiredo, apontado por Trump como um dos perseguidos por Moraes». Valor Econômico. Cópia arquivada em 10 de agosto de 2025 
  5. a b c Brígido, Carolina; Galzo, Weslley (30 de julho de 2025). «Braço direito de Eduardo Bolsonaro nos EUA, Paulo Figueiredo deve virar réu por golpe no STF». Estadão. Cópia arquivada em 10 de agosto de 2025 
  6. a b Motoryn, Paulo (29 de julho de 2025). «Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo posam de defensores da imprensa que sempre atacaram». Intercept Brasil. Cópia arquivada em 10 de agosto de 2025 
  7. a b c Giovanni, Pablo (7 de agosto de 2025). «"Lobby nos EUA": PF inclui Figueiredo em inquérito contra Eduardo». Metrópoles. Cópia arquivada em 10 de agosto de 2025 
  8. «10 vezes em que Jair e Eduardo Bolsonaro atentaram contra a Justiça brasileira e a soberania nacional, segundo o STF». Brasil de Fato. 18 de julho de 2025. Cópia arquivada em 23 de julho de 2025