Rodrigo Constantino

Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino em 2020
Nascimento
4 de julho de 1976 (49 anos)

Alma materPUC-RJ
Ibemec
OcupaçãoColunista
Escritor
PrêmiosPrêmio Libertas (2009)[1]
Escola/tradiçãoLiberalismo conservador[2][3]

Rodrigo Constantino Alexandre dos Santos (Rio de Janeiro, 4 de julho de 1976) é um economista, comentarista, colunista e escritor brasileiro ideólogo de extrema-direita.[4][5][6][7] Desde 2015 reside nos Estados Unidos, na cidade de Weston, na Flórida.[8]

Trajetória

Carreira

Formado em economia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, em 1998. Ex-presidente do Conselho Deliberativo do Instituto Liberal[9] e um dos fundadores do Instituto Millenium,[10] foi considerado em 2012 pela revista "Época" um dos "novos trombones da direita" brasileira.[11][5] Foi diretor da Graphus Capital entre 2005 e 2013.[12]

Mídia

Foi um articulista da revista "Voto"[13] e escreveu regularmente para os jornais "Valor Econômico" e "O Globo" e da revista "IstoÉ".[14][15] Apesar da ligação com os ideais liberais, adota posturas conservadoras como a oposição à regulamentação das drogas.[16]

Em agosto de 2013, passou a escrever para a revista "Veja".[17] Em 2015 foi demitido pela Editora Abril e posteriormente teve todos os artigos de seu blog, produzidos durante dois anos, removidos do site da revista.[18]

Defensor do impeachment contra a ex-presidente Dilma Rousseff, passou de posturas mais moderadas[19] a adotar posturas mais radicais[20] com a aproximação das eleições de 2018, eventualmente apoiando o então candidato Jair Bolsonaro.[21]

Em novembro de 2020, o comentarista foi demitido da Jovem Pan após declarações polêmicas sobre as acusações de agressões sexuais, incluindo estupro, atribuídas ao empresário André de Camargo Aranha e que teriam sido praticadas contra a modelo e blogueira Mariana Ferrer, que ganhou repercussão nacional,[22] virando alvo de protestos, entre eles, do movimento Sleeping Giants.[23] As falas davam a entender um incentivo ao estupro, além de rebaixar a vítima.[24] No dia seguinte, também foi demitido do Grupo Record, onde possuía uma coluna no portal R7, além de ser comentarista da Record News.[25] A Rádio Guaíba e o jornal Correio do Povo também confirmaram a demissão.[26] Em janeiro de 2021, Constantino foi novamente convidado pela rádio Jovem Pan, desta vez para compor o quadro de comentaristas do programa Os Pingos nos Is, durante as férias de Augusto Nunes e de José Maria Trindade,[27] e logo depois foi recontratado.

Em janeiro de 2023, Constantino enfrentou, mais uma vez, demissão pela Jovem Pan, depois de ter sido afastado durante uma investigação conduzida pelo Ministério Público Federal (MPF).[28] Essa investigação visava verificar o incentivo da emissora aos atos golpistas ocorridos em Brasília em 8 de janeiro.[29][30]

Rodrigo Constantino e Olavo de Carvalho

Em 2003, Rodrigo Constantino começou a publicar artigos (como Rodrigo C. dos Santos) no site conservador "Mídia sem Máscara", dirigido por Olavo de Carvalho.[31] Ao longo do tempo, as divergências entre ambos foram se acentuando (particularmente em questões envolvendo e religião cristã, defendidas por Olavo de Carvalho).[32] Romperam publicamente em 2007, após uma acalorada discussão levada a cabo no Orkut, com trocas de acusações, insultos e intervenções de partidários de ambos os lados.[33]

Nos anos seguintes, Constantino tentou sem grande sucesso uma reaproximação com seu antigo mentor, chegando mesmo a incentivar a leitura de seus livros.[34] Olavo de Carvalho, contudo, não parecia mais tê-lo em grande conta,[35] como demonstra este trecho de um artigo publicado em fevereiro de 2013 no "Diário do Comércio":

Posições políticas e sociais defendidas

  • O Estatuto do Idoso: em artigo de 2003 para o site "Mídia Sem Máscara", Rodrigo Constantino denunciou a "face vermelha de Lula", a qual seria evidenciada pela aprovação do Estatuto do Idoso. De acordo com o Estatuto, os planos de saúde não poderiam mais reajustar seus preços por mudança de faixa etária.[37] Segundo Rodrigo Constantino, o discurso de "tudo pelo social" (na verdade, um slogan do governo de José Sarney)[38] e a redução das desigualdades sociais seriam uma "utopia romântica e ignorante dos socialistas" e terminaria em "caos total", do qual se salvaria apenas a "cúpula de poder".[39]
  • Patrimônio da Humanidade: neste artigo publicado em 2006, Rodrigo Constantino defende a privatização da Floresta Amazônica, que seria entregue à administração de empresas de reflorestamento (dentre as quais ele cita nominalmente Aracruz, Klabin, Suzano e Votorantim). Para embasar seu raciocínio, ele faz uma comparação entre tubarões e vacas: "os tubarões, no meio do oceano, não possuem donos, diferente das vacas, com proprietários bem definidos". Os tubarões, conforme lembra ele, "podem estar ameaçados de extinção, mas as vacas dificilmente correm tal risco". O que diferencia tubarões de vacas é o "direito de propriedade privada".[40] O artigo, contudo, não aborda como seria feita essa hipotética privatização de tubarões.[41]
  • Livre Mercado de Órgãos Humanos: em artigo publicado em 2006, Rodrigo Constantino levanta uma das bandeiras do Instituto Mises Brasil, o "livre mercado de órgãos humanos".[42][43] Ele discorre sobre um estudo efetuado pelo economista e Prêmio Nobel Gary Becker, em favor de um livre mercado de compra e venda de órgãos humanos para transplante. Rodrigo Constantino afirma que a questão moral deve ser deixada de lado em nome da liberdade individual. "Podemos até considerar a ideia da venda de um rim repulsiva, mas não temos o direito de vetá-la, usando a força estatal, a quem pensa diferente", ele conclui.[44]
  • Pedofilia: uma orientação sexual?: ao comentar, em outubro de 2013, uma suposta categorização da pedofilia como "orientação sexual" ou "preferência" pela American Psychiatric Association (APA), algo que foi desmentido pela citada entidade,[52] e um artigo intitulado "Paedophilia: bringing dark desires to light" publicado no "jornal britânico de esquerda The Guardian",[53] Rodrigo Constantino comenta que a "propaganda esquerdista" e os "intelectuais de esquerda" haviam chegado "ao limite de tolerar ou mesmo até respeitar os pedófilos".[54] E alerta aos seus leitores:
  • O “rolezinho” da inveja. Ou: A barbárie se protege sob o manto do preconceito: discorrendo sobre o fenômeno social das periferias urbanas conhecido como "rolezinho", em janeiro de 2014, Rodrigo Constantino classificou os que dele participam como "bárbaros incapazes de reconhecer a própria inferioridade" e que "morrem de inveja da civilização".[55] Diante da repercussão negativa aos seus comentários,[56][57] justificou-se em seguida afirmando:
  • O logo vermelho da Copa: neste texto,[59] Constantino diz que o número 2014 que aparece no logotipo da Copa do Mundo (indicando o ano) é, na verdade, uma mensagem sublimar socialista do PT. Por essa afirmação, Constantino foi ridicularizado pelo jornalista estadunidense Vincent Bevins, correspondente no Brasil do jornal Los Angeles Times, que escreveu em sua conta do Twitter: "Oh Deus. Colunista brasileiro defendendo que o 2014 vermelho no logo da Copa do Mundo é uma óbvia propaganda socialista".[60][61]
  • Divisão do Brasil em dois países: após a reeleição de Dilma Rousseff, Constantino propôs, em sua página do Facebook, a divisão do Brasil em dois países, o Brasil do Norte e o Brasil do Sul: "Acho que o nordeste tem uma solução muito boa para se proteger de todo o 'preconceito dos coxinhas': pedido de secessão! Brasil do Norte e Brasil do Sul. A coisa mais pacífica do mundo. Se há uma clara divisão no país, fomentada pelo próprio governo Dilma e o PT, nada mais legítimo do que respeitar a vontade popular e cada parte ser administrada por um partido, não? E quem do sul quiser continuar bancando os coronéis nordestinos aliados do PT e o voto de cabresto, pode fazer isso voluntariamente, mandando dinheiro para o norte. Por que não?"[63]

Possível associação ao bolsonarismo

A figura de Rodrigo Constantino tem sido associada ao bolsonarismo. Essa proximidade pode ser vista na interação cômica ocorrida em 26 de agosto de 2022, durante o programa "Pânico" da Jovem Pan, o então presidente Jair Bolsonaro foi entrevistado e, em tom de brincadeira, questionou se os lanches servidos eram "pão com mortadela", uma referência comum a militantes de esquerda no Brasil. O comentarista Rodrigo Constantino se ofereceu para experimentar o lanche antes do presidente, dizendo: "Presidente, deixa que eu experimento para garantir que não está envenenado".[64]

Investigação do Supremo Tribunal Federal

Entre 2022 e 2023, por ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, os perfis de Constantino nas redes sociais YouTube, Twitter, Facebook, Telegram e Instagram foram todos suspensos. A decisão também atingiu os comentaristas Guilherme Fiuza e Paulo Figueiredo Filho.[65]

Segundo a CNN Brasil, a decisão – ainda sob sigilo – foi tomada devido a uma investigação dos três citados por divulgação de discursos de ódio e antidemocráticos. Na Corte tramitam inquéritos relacionados a fake news, financiamento de milícias digitais e atos antidemocráticos.[66]

Segundo a Revista Oeste, página da internet associada ao bolsonarismo, Constantino e Figueiredo, além das contas bloqueadas nas redes sociais, sofreram outro revés: o cancelamento dos passaportes da dupla e ainda bloqueio de contas bancárias. O magistrado estaria tentando, no âmbito dessas investigações, descobrir se existe alguém financiando os comentaristas.[67]

Em 10 de janeiro de 2023 a Jovem Pan decidiu afastar Constantino e os comentaristas Paulo Figueiredo (também sócio de Trump)[68] e Zoe Martinez. A decisão aconteceu após o Ministério Público Federal de São Paulo abrir investigação contra o canal por apoio aos atos golpistas, ocorridos nos ataques de 8 de janeiro de 2023 às sedes dos Três Poderes, em Brasília.[69][70]

Doença

Em 14 de dezembro de 2024,[71] o jornalista Rodrigo Constantino revelou ter sido diagnosticado com um tipo raro e agressivo de câncer localizado no pescoço.[72][73][74]

O ex-presidente Jair Bolsonaro pediu orações para Constantino em suas redes sociais, e o definiu como um "defensor da liberdade".[75]

Premiações

Venceu o Prêmio Libertas em 2009, no XXII Fórum da Liberdade.[76]

Obras

É autor, dentre outras obras, de:

  • Esquerda caviar: a hipocrisia dos artistas e intelectuais progressistas no Brasil e no mundo;[77]
  • Contra a maré vermelha: Um liberal sem medo de patrulha;[77]
  • O brasileiro é otário? O alto custo da nossa malandragem;[77]
  • O poder das ideias (com Helio Beltrão e Wagner Lenhart);[78]
  • Pensadores da liberdade;[78]
  • O mínimo sobre economia;[78]
  • Autobiografia de um guerreiro da liberdade;[78]
  • Confissões de um ex-libertário.[78]

Ver também

Referências

  1. «Constantino ganha Prêmio Libertas». Exame. 8 de abril de 2009. Consultado em 9 de junho de 2023 
  2. Constantino, Rodrigo. «O conservadorismo pela lente de um liberal». Gazeta do Povo. Consultado em 9 de junho de 2023 
  3. Constantino, Rodrigo. «O que é o liberal-conservador? Uma viagem histórica para compreender o termo». Gazeta do Povo. Consultado em 9 de junho de 2023 
  4. Messenberg, Débora (2017). «A direita que saiu do armário: a cosmovisão dos formadores de opinião dos manifestantes de direita brasileiros». Sociedade e Estado. 32 (3): 621–648. ISSN 0102-6992. doi:10.1590/s0102-69922017.3203004 
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Ligações externas