Pataxós-hã-hã-hães

Pataxós-hã-hã-hães[1]
Índios pataxó-hã-hã-hães realizam, na Câmara dos Deputados do Brasil, ato público em defesa da anulação de títulos de propriedade concedidos a fazendeiros que ocupam parte da Terra Indígena Caramuru-Paraguaçu, na Bahia
População total
2 219 pessoas[2]
Regiões com população significativa
Línguas
Pataxó-hãhãhãe e português
Religiões
xamanismo pataxó e cristianismo
Grupos étnicos relacionados
Pataxós

Os pataxós-hã-hã-hães[1] são um grupo indígena brasileiro que habita as áreas indígenas Fazenda Baiana e Terra indígena Caramuru-Paraguaçu, no sudeste do estado da Bahia, no Brasil. Resultam da união dos antigos pataxós-hã-hã-hães com os baenãs, os camacãs, os mongoiós, os sapuiás-quiriris e parte dos geréns e dos tupiniquins. A sua população atual, segundo dados do Instituto Socioambiental,[3] é de cerca de 2.200 pessoas.

Vivem em duas reservas no sul do estado da Bahia. A mais populosa é a reserva indígena Caramuru-Paraguaçu, que possui 54.099 hectares e que abrange áreas dos municípios de Itaju do Colônia, Camacã e Pau Brasil. A outra reserva é a Reserva Fazenda Baiana, com 304 hectares, localizada no município de Camamu, no baixo-sul da Bahia, onde vivem cerca de 72 pessoas.

História

Por volta de 1920, na Bahia, os indígenas Pataxós-hã-hã-hães e os Baenãs viviam, tradicionalmente, nas grandes florestas entre os rios Cachoeira, rio Pardo, Gongogi e outros. Esses nativos eram nômades, coletavam frutos e se sustentavam das florestas em que viviam, nessa região, entre: Pau Brasil (antiga Santa Rosa), Camacã, Itaju do Colônia, Palmares, Vitória da Conquista e outras regiões. Porém, haviam outros de aldeias próximas praticamente extintos, como os de São Pedro de Alcântara, conhecidos também como Ferradas, onde viviam os Kamakãs; São Fidélis, onde viviam os Gueréns; Pedra Branca, próximo a Jequié, na Bahia, onde habitavam os Kariri-Sapuyá; e Olivença, onde vivem até hoje os Tupinambás. Várias dessas etnias tiveram que se deslocar de suas aldeias, indo para a área do Caramuru, local reservado para os indígenas que estavam sendo desabitados de suas aldeias.[carece de fontes?]

Resumo da História dos Povos Indígenas em Vitória da Conquista e Regiões Circunvizinhas

O território atual de Vitória da Conquista, na Bahia, foi historicamente habitado por várias etnias indígenas, como os Ymborés, Pataxó, Camacan Mongoió e Kariri-Sapuyá. Esses grupos viviam em uma vasta área chamada Sertão da Ressaca, entre o Rio Pardo e o Rio das Contas.

Migração e Refúgio

A pressão dos colonizadores portugueses forçou muitos povos indígenas, incluindo os Kariri-Sapuyá e outros citados acima, a migrarem em busca de refúgio. Para escapar da opressão de colonizadores, coronéis e posseiros, eles se moveram por diversas regiões, encontrando e formando alianças com outras etnias para sobreviver. Esses movimentos resultaram no estabelecimento de tribos em áreas como Verruga, em Itabuna, Areia Branca (antigo Arraial de Pina, hoje Jussari), e a reserva indígena Caramuru Catarina Paraguaçu. Isso levou a uma fusão cultural, surgindo o nome Pataxós-Hã-Hã-Hães.

Em 1926, foi reservado aos indígenas pataxós-hã-hã-hães, uma área nomeada de Reserva Indígena Caramuru, criada pelo SPI (Serviço de Proteção ao Índio), no estado da Bahia. Nativos das demais aldeias também foram alocados a essa reserva, e, desde então, habitam diversas etnias nesta área. O SPI passou a procurar e realocar mais nativos que ainda viviam tradicionalmente. Homens que trabalhavam a serviço da proteção indígena "amansavam-nos", ensinavam o português do Brasil e a como trabalhar para autossustento.[carece de fontes?]

Houveram épocas difíceis: não havia caça e, quando os rios estavam secos, esses indígenas eram deslocados para os locais do Mundo Novo e Rancho Queimado, e, em épocas chuvosas, eles retornavam para o SPI do Caramuru. Dentro dessa mesma aldeia também havia uma localidade chamada de Rio Pardo, pois o Rio Pardo passava por dentro da aldeia.[4]

Após a adaptação dos indígenas no Posto Caramuru, houveram conflitos com o Serviço de Proteção Indígena. O SPI levou pequenos agricultores para ensiná-los técnicas de plantio e colheita em uma área específica, e também a falar português. Existem relatos no livro Mapeando Parentes (identidade, memória, território e parentesco na Terra Indígena Caramuru-Paraguaçu), escrito pelos organizadores M. Rosário de Carvalho e Ana Claudia G. de Souza de que muitos desses homens trazidos para ensiná-los a falar os obrigavam a não pronunciar a língua da sua comunidade, e, como punição, alguns eram amarrados em árvores e castigados sem direito a beber água durante o dia todo. Nos anos setenta, houve uma tentativa de roubo das terras nativas, onde diversos fazendeiros conseguiram “títulos falsos” de donos de áreas da reserva Caramuru, iniciando assim os conflitos e guerras entre fazendeiros e indígenas pelo direito à terra. Nesses conflitos uma quantidade grande de mortes, principalmente entre os pataxós-hã-hã-hãe. A história, por fim, é marcada por lutas e conquistas.[5]

Cultura

A cultura indígena dos pataxós hã hã hãe é conhecida por trazer uma linguagem nativa: suas crenças, danças, culinária, produção artesanal e suas lutas pela sobrevivência, bem como representadas em suas pinturas. A língua dos pataxós, persistiu até 1938. Após a chegada do SPI, houve um choque cultural, os indígenas eram obrigados a aprender a língua portuguesa, por esse motivo a língua da comunidade foi “perdida”. Ainda existem anciões que recordam da sua antiga língua. Atualmente, na aldeia indígena é comentado a linguagem dos Bahetás, por coexistir várias etnias em uma mesma aldeia.[carece de fontes?]

O tohé (pronunciado como Toré), conforme chamado na aldeia, é a dança típica indígena, um ritual onde cantam música e dançam com seus adereços e seus chocalhos feitos artesanalmente.[6]

No século XXI, os indígenas pataxós hã hã hãe têm acesso às cidades. Entretanto, anteriormente, épocas de retomadas e quando não tinham livre acesso aos mercados das cidades, os indígenas sobreviviam de caça, pesca, frutos e produziam farinha de mandioca, cultivavam feijões até conseguirem se deslocarem da aldeia para as cidades sem o perigo de serem mortos. Depois disso, a caça e a pesca ficaram ligados à cultura indígena não somente dos hã hã hãe, mas também de nativos de outras etnias.[carece de fontes?]

Apesar da situação dos povos indígenas serem ruim para alguns devido o problema que possui em relação à terra. No entanto nós pataxó vêm lutando para manter nossa cultura e costumes, muitos ainda vivem de caças, colheitas. Nós pataxó Hãhãhãe temos varias cultura e uma delas são as pinturas corporais; pinturas que são feitas com calda de jenipapo, que tem uma duração de 15 dias e também com a semente de urucum para da uma cor avermelhada. Essas pinturas têm um significado próprio: tem pintura de guerra e tem aquelas especiais no dia de rituais alegres. Dias de rituais são dias em que se reúnem todos os índios para dançar o tohé. Unem homens e mulheres, crianças e idosos formando um circulo em forma coletiva. A dança é uma das formas básica que mantêm viva a cultura. O tohé é cantado em momentos triste, mas também em momentos alegres de celebração, porque é um ritual de integração entre os sentimentos indígenas, é uma forma de oração coletiva. Temos também o artesanato, artes feitas com sementes extraídas aqui em nossa aldeia. O artesanato faz parte do nosso dia-a-dia, algumas pessoas vivem desta arte, saem para vender seus artesanatos em outras cidades que é uma força para sustentar nossa cultura.[7]

Galdino Jesus Santos

A etnia pataxó hã hã hãe ganhou uma trágica notoriedade após o assassinato dos indígenas Galdino Jesus dos Santos, um dos líderes deste povo, em 1997. Ele dormia em uma parada de ônibus em Brasília quando assassinos de classe média alta atearam fogo ao seu corpo, alegando que o confundiram com um mendigo.[carece de fontes?]

Em 1997 o grupo indígena pataxó hã hã hãe, foi ao Distrito Federal para uma reunião em busca da retomada de suas terras, que havia sido ocupada por fazendeiros. E tiveram esse triste acontecimento onde ocorreu a morte de um dos líderes, Galdino Jesus dos Santos.[carece de fontes?]

Aldeia Caramuru-Paraguaçu e o rio Pardo

O Rio pardo vem sofrendo problemas de seca ha muito tempo. Esta Imagens é divisa da aldeia Indígena do sul da Bahia com uma fazenda próximo a Potiraguá, as pedras a vista onde antes o rio cobria essas pedras.
Margens do Rio Pardo na aldeia indígena no Sul da Bahia.

Após a história dos indígena pataxós hã hã hãe, alguns deles conviveram na localidade chamada rio Pardo por ter a passagem do Rio em uma parte da aldeia, podemos destacar a passagem desse rio nessa área do sul da Bahia.[carece de fontes?]

“O Pardo é um rio federal que percorre uma extensão de 565 km, sendo 220 km no território mineiro, da nascente, no município de Rio Pardo de Minas, a cerca de 750 m de altitude, até a foz em Canavieiras, no estado da Bahia, quando deságua no Oceano Atlântico, a 18 km acima da foz do Rio Jequitinhonha”.[8]

O Rio Pardo nasce em Minas Gerais e percorre vários territórios, incluindo várias áreas da Bahia, muitos habitantes do sul da Bahia sobrevivem por intermédio do Rio Pardo e demais rios. Porém, o maior que percorre pela aldeia do Caramuru-Paraguaçu é o Rio Pardo, e a seca, o desmatamento ao longo do tempo em área onde passa este rio acabou secando algumas partes decorrentes na área indígena. Em épocas de chuvas o rio ainda consegue encher e chegar a um nível alto dependendo do regime de dias de chuvas, mas não consegue segurar esse volume de água por muito tempo. A criação de gados também ajudou para isso ocorrer (nesse caso o desmatamento para criação de Pastos).[carece de fontes?]

Rio Pardo
Proximidades da cachoeira do Rio pardo e as margens na aldeia indígena sul da Bahia. Próximo a Pau Brasil.

As figuras ao lado mostram o Rio pardo nas áreas indígenas com baixo nível de água, foto tirada no final de 2015, período da seca que ocorreu essa época. Atualmente, grupos e colaboradores se reúnem procurando soluções e formas para não deixar a nascente deste rio secar. Pois a quantidade de água da nascente não é mais como antes. A recuperação da nascente deste rio é demorada, mas resultados virão, para que ele não pereça.[9] Sabendo que uma terça parte dos indígenas Pataxós hã hã hãe sobrevivem exatamente do rio pardo, com suas pescas e necessidades do dia-a-dia.[carece de fontes?]

Referências

  1. a b Academia Brasileira de Letras. Acesso em 10 de agosto de 2013.
  2. Enciclopédia dos Povos Indígenas. Instituto Socioambiental
  3. Pataxó Hã Hã Hãe. Enciclopédia dos Povos Indígenas. Instituto Socioambiental
  4. «História > Pataxó Hã-Hã-Hãe». pib.socioambiental.org. Consultado em 13 de agosto de 2017 
  5. Souza, Jurema Machado de A. (2014). "A “conquista” teve dois lados”: uma análise sobre a atuação do SPI no sul da Bahia (PDF). Natal: 29ª Reunião da Sociedade Brasileira de Antropologia. 18 páginas. Consultado em 16 de agosto de 2017. Cópia arquivada em 17 de agosto de 2017 
  6. «Práticas rituais e festas > Pataxó». pib.socioambiental.org. Consultado em 13 de agosto de 2017 
  7. «A cultura do povo pataxo hahahãe». Índios Online. 14 de abril de 2006 
  8. «Cemig». www.cemig.com.br. Consultado em 13 de agosto de 2017 
  9. rio pardo

Bibliografia

Ligações externas