Passinho

O Passinho ou Passinho do Romano é um estilo de dança que nasceu no Jardim Romano, na região de São Miguel Paulista na cidade de São Paulo, a partir de uma ideia criada por Magrão, que morava na Zona Leste de São Paulo.

A dança, consiste basicamente em passos leves, com suaves utilizações de saltos, braços livres com uso de break, dubstep, passos de robô e o próprio funk. Ganhou força na comunidade e rapidamente se popularizou, conquistando a zona leste e outras regiões da capital e do interior do estado. Tendo como base o funk, popular em todo o país e trazendo um jeito próprio de dançar, o Passinho, hoje, já tem mais de duzentos mil vídeos lançados.

Magrão não se contentou como os demais jovens da região nos bailes funk locais. Usava ritmos como o black e o forró, além de “passos de robô” para criar sua própria dança.

Numa homenagem, feita por seus amigos, foi lançada uma música falando sobre o Passinho, e mais tarde um videoclipe. O ritmo se popularizou na comunidade e passou a se chamar “Passinho do Romano”. Em pouco tempo, outros MC's perceberam o sucesso da dança e sua grande aceitação na comunidade, além dos passos de fácil execução.

Funk

A dança tem como base o funk,[1] surgido no Rio de Janeiro, atualmente é um ritmo ouvido em todo Brasil. O ritmo caracteriza-se pela batida marcante e pela letra, que em muitos casos, retrata a realidade vivida em comunidades de baixa renda. Esse estilo de expressão artística vem sendo incorporado como cultura regional, não só no Rio de Janeiro e em São Paulo, como em várias regiões do Brasil. Tal como outras danças e ritmos construídos nas periferias, o funk é o reflexo do cotidiano vivenciado nos subúrbios das cidades. Ainda assim o funk é por muitos considerado uma forma de arte não construtiva e pouco valorizada.

Da zona leste de São Paulo para o Brasil

Como manifestação cultural periférica, o Passinho do Romano teve seu reconhecimento, caindo facilmente no gosto popular de outros jovens que frequentam bailes pela cidade. E o número crescente no YouTube de jovens dançando (sendo o mais conhecido deles, Pedro Filipe De Jesus Dias) e tentando se aprimorar na dança, só fez crescer o interesse pelo ritmo. Nascendo, assim, as “Batalhas do Passinho do Romano” que são campeonatos de dança, onde jurados e o próprio público definem os campeões. Um exemplo são as duas edições que ocorreram no CEU Três Pontes, no próprio bairro de Jardim Romano, onde nasceu a dança. Além de uma edição promovida pela Fábrica de Cultura, unidade Itaim Paulista, onde setenta jovens disputavam, entre si, batalhas a solo de 45 segundos. O campeão ganharia um vídeo produzido pelos produtores das Fábricas de Cultura. Fortalecendo, assim, o Movimento do funk e confirmando a força do Passinho do Romano na zona leste, e a curto prazo, em toda a cidade.

Uma manifestação de cultura

Rodrigo inventou uma homenagem, que surgiu de um luto entre amigos, uma brincadeira que foi disseminada. O passinho do romano em pouco tempo ganhou forma e destaque. Inicialmente entre os próprios jovens, nas redes sociais, E mais tarde entre várias regiões da cidade, TV,[2] jornais,[3]. Hoje, é já pode ser considerado uma manifestação cultural vinda da zona leste de São Paulo, onde através da dança, se divulgou, por toda a cidade, parte da identidade daquela zona. Com características próprias de uma região onde o funk é fortemente difundido, e uma dança que tem um grande foco na liberdade de criação, sem a cristalização que outras danças exigem em seus passos. Além da expressão, de um jeito muito próprio e alegre, marca toda a identidade cultural da periferia, que virou uma mania não só na cidade de São Paulo como também em outras regiões.

Ou seja, o Passinho do Romano é uma manifestação de cultura, vinda da Zona Leste da cidade de São Paulo, e se espalhou para a toda a cidade, podendo chegar facilmente no restante do país. Em 2018, Câmara Municipal do Rio de Janeiro aprovou o projeto da vereadora Verônica Costa que definiu o passinho como "Patrimônio Cultural Imaterial do povo carioca"[4] e em 2024, foi declarado Patrimônio Cultural Imaterial do Estado do Rio de Janeiro.[5]

Passinho de BH

Tipo de passinho surgido em Belo Horizonte, Minas Gerais, é derivado do passinho de Miami, inspirado em Miami bass e electro, dois estilos de música eletrônica que deram origem ao funk carioca.[6]

Referências