Partido Republicano Popular (Portugal)

Partido Republicano Popular (Portugal)
LíderJúlio Martins
Fundação23 de maio de 1920[1]
Dissoluçãono final de 1921
IdeologiaRepublicanismo
Anticlericalismo
Espectro políticoCentro-esquerda
AntecessorPartido Republicano Evolucionista (cisão)
SucessorPartido Republicano Radical (alguns membros)[2]
Partido Republicano Nacionalista (alguns membros)

O Partido Republicano Popular foi um partido político português do tempo da I República, surgido, em 23 de maio de 1920, sob a liderança de Júlio Martins, como resultado de uma cisão no seio do Partido Republicano Evolucionista. Embora de curta existência integrou cinco governos republicanos (o 25.º, 27.º, 28.º, 29.º e 33.º)[1][3][4].

História

Aquando da criação do Partido Liberal Republicano, ocorrida a 8 de outubro de 1919 e liderado por António Granjo[5], que aglutinou o Partido Republicano Evolucionista, a União Republicana, o Partido Centrista Republicano e a Conjunção Republicana da Beira, vários deputados, mais à esquerda, do Partido Republicano Evolucionista, não aceitaram de bom grado o seu aparecimento e, sobretudo, a sua linha programática por a considerarem demasiado conservadora, o que, aliás, era assumido claramente pelos próprios liberais[1][3][4].

Assim, os referidos deputados do Partido Republicano Evolucionista, liderados por Júlio Martins, propondo-se regressar ao espírito republicano dos primeiros anos da I República, entraram de imediato em dissidência, formando, no Congresso da República, de modo autónomo e ainda em 1919, o Grupo Parlamentar Popular, ao qual se juntaram alguns elementos do Partido Democrático e independentes[1][3][4].

Em 23 de maio de 1920, durante um comício realizado no Teatro Águia de Ouro, no Porto, Júlio Martins anunciou oficialmente a criação do Partido Republicano Popular e a sua Plataforma política, base do que se propunham levar por diante se e quando alcançassem a governação do país[1].

Entre as medidas então propostas figuravam as reformas judiciária, agrária, do ensino, financeira e fiscal, com tributação mais alta para as grandes propriedades e companhias, bem como tinham os populares por objetivo o fomento económico, com base na industrialização e na nacionalização das minas e dos caminhos de ferro. Preconizavam também o saneamento do exército e o combate ao clericalismo, para que fossem respeitas as crenças íntimas de cada indivíduo[1].

O Partido Republicano Popular chegou ao poder logo no mês seguinte, tendo integrado, conjuntamente com outras forças políticas, os seguintes cinco governos de Portugal[1][3][4]:

O 25.º governo republicano presidido por António Maria da Silva, que integrou dois ministros do Partido Republicano Popular
O 29.º governo republicano presidido por Bernardino Machado, que integrou dois ministros do Partido Republicano Popular

No fim do ano de 1921 o partido entra em desagregação, vindo parte dos seus membros a contribuir para a criação, em 1923, do Partido Republicano Radical e do Partido Republicano Nacionalista.

Membros destacados

Foram membros destacados do Partido Republicano Popular[1][3][11][12]:

  • Afonso de Macedo;
  • Albano Miguel Alves: diretor do jornal “O Corgo”, órgão oficial do partido em Vila Real e membro da Comissão de propaganda de Vila Real;
  • António Bravo: membro da Junta distrital do Porto;
  • António Rovisco Pais;
  • Artur de Barros Basto: capitão, membro da direção do Centro Republicano Popular do Porto;
  • Augusto Gomes: membro da Junta distrital de Lisboa;
  • César Procópio de Freitas: capitão-tenente, membro da Junta distrital de Lisboa;
  • Estevão Pimentel;
  • Fernando Teixeira Homem de Brederode: ministro e presidente da Junta distrital de Lisboa;
  • Francisco da Cunha Leal: ministro, responsável pela rede sócio política de apoio nas freguesias, concelhos e distritos, estruturada através de Centros Republicanos Populares, e diretor do jornal “O Popular”, órgão oficial do partido em Lisboa;
  • Francisco Farinhote (padre, Vila Nova de Foz Côa);
  • Francisco Levita: membro da Comissão de propaganda de Lisboa;
  • Francisco Xavier Pereira: coronel, membro da Junta distrital de Lisboa;
  • Generoso Rocha: membro da Junta distrital do Porto e diretor do jornal “A Revolta”, órgão oficial do partido no Porto;
  • José Carvalho dos Santos: presidente da Junta distrital de Viseu, diretor do jornal “A Acção” (1919-1925), órgão oficial do partido em Viseu em 1920-1921, e, de 2 de fevereiro a 30 de maio de 1921, Governador Civil do distrito de Viseu;
  • José Paulo Lobo;
  • José Prazeres da Costa;
  • Júlio Martins: ministro e líder do partido e do Grupo Parlamentar Popular;
  • Luís Nóbrega Quintal: membro da Junta distrital de Lisboa;
  • Lúcio de Campos Martins: capitão, membro da Junta distrital de Lisboa;
  • Manuel José da Silva: membro da Comissão de propaganda de Lisboa;
  • Mário de Matos Cordeiro: alferes, membro da Comissão de propaganda de Lisboa;
  • Olívio Malheiros: membro da Comissão de propaganda de Lisboa;
  • Orlando Marçal: membro da Junta distrital do Porto;
  • Pedro Morais Rosa;
  • Vasco Guedes de Vasconcelos: ministro e sub-líder do Grupo Parlamentar Popular;
  • Virgílio Correia: membro da Comissão de propaganda de Lisboa;
  • Vítor Macedo Pinto: presidente da Junta distrital do Porto.

Organização interna

As principais estruturas políticas do Partido Republicano Popular foram as seguintes[1]:

Referências

  1. a b c d e f g h i LEAL, Ernesto Castro] (2008). Partidos e programas O campo partidário republicano português, 1910-1926. [S.l.]: Imprensa da Universidade de Coimbra. p. 87-88. ISBN 9789898074485. Consultado em 25 de setembro de 2025 
  2. «ISCSP». p. ver 9 de junho. Consultado em 25 de setembro de 2025. Cópia arquivada em 12 de março de 2011 
  3. a b c d e BAIÔA, Manuel Pimenta Morgado (2012). Elites e Organizações Políticas na I República Portuguesa: O caso do Partido Republicano Nacionalista (1923-1935) (tese de doutoramento em História Contemporânea) (PDF). Évora: Universidade de Évora Instituto de Investigação e Formação Avançada. p. 55-57, 64, 71, 72, 106, 136, 142, 175, 205, 243, 245, 292, 337 e 341. Consultado em 25 de setembro de 2025 
  4. a b c d BAIÔA, Manuel (2004). Elites e poder. A crise do sistema liberal em Portugal e Espanha (1918-1931). Lisboa: Colibri. p. 34 e 37 e pé-de-página 60. ISBN 972-772-453-1. Consultado em 25 de setembro de 2025 
  5. LEAL, Ernesto Castro; NUNES, Teresa (2012). António Granjo: república e liberdade. [S.l.]: Assembleia da República. Consultado em 25 de setembro de 2025 
  6. REVEZ, Ricardo (2015). António Maria da Silva: o engenheiro da República. Lisboa: Assembleia da República. ISBN 978-972-556-630-5. Consultado em 25 de setembro de 2025 
  7. LEAL, Ernesto Castro; NUNES, Teresa (2012). António Granjo: república e liberdade. [S.l.]: Assembleia da República. Consultado em 23 de setembro de 2025 
  8. FERNANDES, Jorge Almeida (10 de setembro de 2010). «Depois veio a noite infame». Público. Consultado em 23 de setembro de 2025 
  9. CASTRO, Rodrigo de (1922). Cinzas imortais na morte de Antonio Granjo. [S.l.]: Tipografia Lusitania 
  10. CAEIRO, Joaquim Manuel Croca (1997). Os militares no poder: uma análise histórico-política do liberalismo à revisão constitucional de 1959. [S.l.]: Hugin Editores. Consultado em 23 de setembro de 2025 
  11. BAIÔA, Manuel (2015). O Partido Republicano Nacionalista (1923-1935): «uma república para todos os portugueses» (PDF). Lisboa: Imprensa de Ciências Sociais. pp. 109, 205 e 226. ISBN 978-972-671-347-0. Consultado em 25 de setembro de 2025 
  12. BORGES, Augusto Moutinho [et.al.] (2023). Joaquim Carvalho dos Santos, sua vida e sua obra, 1867-1934: descendência. Carviçais: Lema d' Origem. pp. 90–91. ISBN 978989-9114-48-7. Consultado em 25 de setembro de 2025