Papa (filho de Hesíquio I)

Papa
EtniaArmênio
ReligiãoCatolicismo

Papa (em armênio: Պապ ou Բաբ; romaniz.: Pap ou Bab; em latim: Papa) foi um nobre armênio do século IV, ativo durante o reinado de Tigranes VII (r. 339–350). Era filho do católico Hesíquio I (r. 341/2–337/9) e irmão de Atenógenes. Ao contrário de seu pai, seguiu vida laica e serviu no exército até sua eventual morte.

Nome

Papa é a forma latina do nome armênio Pape (Պապ) ou Babe (Բաբ),[1] que deriva do persa médio Babe / Pape (Bāb / Pāp, "pai"), que por sua vez originou-se no iraniano antigo Babaina (*Bāb(a)-aina-; de *bāba-, "pai").[2][3]

Vida

Papa era irmão gêmeo de Atenógenes e filho de Hesíquio com sua esposa, cujo nome não foi registrado. Fausto, o Bizantino afirmou que tratava-se de uma princesa, filha do príncipe Tigranes e neta do rei Cosroes III (r. 330–339). Alega-se que foram concebidos na primeira noite que o casal permaneceu junto e que seu pai teria recebido uma visão, segundo a qual eram ineptos para seguirem a vida ministerial.[4] Entretanto, um anjo supostamente apareceu diante de Hesíquio e o alertou de que da descendência deles surgiriam pessoas aptas ao ofício sacerdotal:

Hesíquio, filho de Gregório, não temas! Pois o Senhor ouviu tua prece, e destes teus filhos nascerão outros filhos. E eles serão iluminadores do conhecimento e fontes de sabedoria espiritual para este reino da Armênia, e a graça dos Mandamentos de Deus jorrará deles. E grande paz e prosperidade, e o fundamento de muitas igrejas, lhes serão concedidos pelo Senhor, junto com muitas vitórias e grande poder. Por meio deles, muitos dos que haviam se desviado retornarão ao caminho da verdade e glorificarão Cristo em muitas línguas. Eles serão as colunas da Igreja, os dispensadores da Palavra da vida e os fundamentos da fé, os ministros de Cristo e os servos do Espírito Santo; pois onde quer que uma construção receba seu fundamento, ali também se completará. E muitas plantas frutíferas, úteis e benéficas serão plantadas por sua diligente mão no jardim espiritual, e receberão a bênção de Deus. Mas aqueles que não quiserem ser plantados com eles, nem beber o mesmo orvalho espiritual do conhecimento, serão castigados e lançados fora, e seu fim será o fogo ardente. Serão odiados e invejados muitas vezes pelos indignos por causa do Senhor, mas permanecerão firmes na fé como uma rocha, e os vencerão pela grande perseverança. E após eles, a falsidade reinará, por meio de homens desenfreados, amantes de si mesmos e da prata, enganadores, depravados, inúteis, mentirosos e caluniadores; e depois disso, mal se encontrará alguém que se mantenha fiel à aliança da fé.[5]

Em data incerta, Papa e Atenógenes casar-se-iam, respectivamente, com Varazducte e Bambišn, irmãs de Tigranes. Essa informação, associada à identidade alegada por Fausto da mãe deles, suscita problemas genealógicos, pois ambas seriam tias-avós de Papa e Atenógenes. Cyril Toumanoff corrigiu o problema ao assumir que a esposa de Hesíquio, na verdade, era filha de Tiridates IV (r. 298–330).[6] Nina Garsoïan considerou que o relato pode ser genealogicamente confuso por alguma imprecisão de Fausto, mas também pode ser evidência da preservação da influência dos casamentos consanguíneos zoroastristas na Armênia cristã.[7] Seja como for, Fausto afirmou que Papa e Varazducte não conceberam descendência. Papa também manteve relações com uma concubina da vila de Hasecase (atual Surugudene, na Turquia), no distrito de Taraunitis, que lhe deu um filho chamado Verive.[8]

Em 347/8, depois de seu pai ser morto espancado numa igreja sob ordens do rei Tigranes VII (r. 339–350), um conselho foi reunido para decidir quem deveria sucedê-lo e ambos foram desconsiderados por serem insubordinados e insubmissos;[9] Fausto afirma que agiam com grande libertinagem e impureza e desprezavam e zombavam dos mandamentos de Deus. Papa e Atenógenes foram presos e forçados a receber a ordenação como diáconos, contra a própria vontade, mas por supostamente desprezarem a vida religiosa, seguiram carreira militar e serviram como soldados.[10] Nina Garsoïan sugeriu que sua recusa decorreu do receio que tinham da ortodoxia teológica inflexível de sua família perante a postura arianizante do rei e da corte, que culminou no assassinato de seu pai.[11]

Em data incerta, dirigiram-se a Astisata, em Taraunitis, onde realizaram um grande festim, regado em bebidas. Bêbados, entraram na residência episcopal da igreja com cantores e palhaços e profanaram o local com sua presença. Supostamente, quando reclinaram-se em sofás, um anjo surgiu e os incinerou com um raio. Todos os presentes abandonaram o recinto e os corpos deles foram deixados lá por meses até que foram eventualmente recolhidos e sepultados num vinhedo pertencente a uma igreja chamada Agaraque.[12] Jean-Pierre Mahé propôs que eles foram assassinados, provavelmente por sua recusa a assumir a posição sacerdotal.[13]

Referências

Bibliografia

  • Ačaṙyan, Hračʻya (1942–1962). «Պապ». Hayocʻ anjnanunneri baṙaran [Dictionary of Personal Names of Armenians]. Erevã: Imprensa da Universidade de Erevã 
  • Fausto, o Bizantino (1989). Garsoïan, Nina, ed. The Epic Histories Attributed to Pʻawstos Buzand: (Buzandaran Patmutʻiwnkʻ). Cambrígia, Massachussetes: Departamento de Línguas e Civilizações Próximo Orientais, Universidade de Harvard 
  • Mahé, Jean-Pierre (2007). «Affirmation de l'Arménie chrétienne (vers 301-590)». In: Gérard Dédéyan. Histoire du peuple arménien. Tolosa: Éd. Privat. ISBN 978-2-7089-6874-5 
  • Martirosyan, Hrach (2021). «Faszikel 3: Iranian Personal Names in Armenian Collateral Tradition». In: Schmitt, Rudiger; Eichner, Heiner; Fragner, Bert G.; Sadovski, Velizar. Iranisches Personennamenbuch. Iranische namen in nebenüberlieferungen indogermanischer sprachen. Viena: Academia Austríaca de Ciências 
  • Toumanoff, Cyril (1990). Les dynasties de la Caucasie chrétienne de l'Antiquité jusqu'au xixe siècle : Tables généalogiques et chronologiques. Roma: Edizioni Aquila