Pantophthalmus

Pantophthalmus
Mosca da família Pantophthalmidaeː espécie Pantophthalmus tabaninus, fotografada em Madre de Dios, Peru. A asa esquerda está danificada e permite ver seu abdômen.
Mosca da família Pantophthalmidaeː espécie Pantophthalmus tabaninus, fotografada em Madre de Dios, Peru. A asa esquerda está danificada e permite ver seu abdômen.
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Arthropoda
Classe: Insecta
Ordem: Diptera
Subordem: Brachycera
Família: Pantophthalmidae
Bigot, 1886
Género: Pantophthalmus
Thunberg, 1819[1]
Espécie-tipo
Pantophthalmus tabaninus
Thunberg, 1819[1][2]
Distribuição geográfica
As moscas da família Pantophthalmidae são exclusivas da região neotropical (em verde).[3][4]
As moscas da família Pantophthalmidae são exclusivas da região neotropical (em verde).[3][4]
Espécies
ver texto
Sinónimos
Rhaphiorhynchus Wiedemann, 1821
Acanthomera Wiedemann, 1821
Megalomyia Bigot, 1880
Lycops Enderlein, 1931
(Neotropical Diptera)[2]

Pantophthalmus (outrora Rhaphiorhynchus[5][6][7] ou Acanthomera)[5] é um gênero de insetos da ordem Diptera e da família Pantophthalmidae (moscas-da-madeira),[6][8][9] classificado por Carl Peter Thunberg, em 1819, ao descrever sua espécie-tipoː Pantophthalmus tabaninus;[2][10] contendo cerca de 20 espécies de moscas (Brachycera) grandes e robustas, não-hematófagas, cujos adultos raramente são vistos ou coletados na região neotropical, seu habitat,[3][4] distribuídas desde o México, na América do Norte,[11] até o norte da Argentina, na América do Sul.[12] Seus indivíduos podem atingir envergaduras de 10 centímetros[3] e comprimentos iguais ou superiores a 5 centímetros.[8]

Etimologia

A etimologia de Pantophthalmus provém do grego, significando πᾶς, totus (pan-ː todo); ὀφθαλμός, oculus (ophthalmusː olhos),[13] pelo fato dos machos apresentarem seus olhos compostos ocupando quase a totalidade de suas cabeças.[14][15]

Descrição

Seu padrão geral de coloração é fortemente acastanhado ou avermelhado, na maioria das vezes com fortes listras longitudinais no protórax; alguns machos prateados e pubescentes. As asas são hialinas, com manchas amarelas ou castanhas em padrões variados. Os olhos são muito grandes, ocupando a maior parte da cabeça. As fêmeas são dicópticas (com olhos separados) e os machos, holópticos (com olhos juntos).[16]

Hábitos

As larvas de pantoftalmídeos são xilófagas e vivem em troncos de mais de 15 famílias de plantas, com destaque para as espécies da família Fabaceae,[3] atacando a madeira de árvores vivas e mortas, onde cavam galerias. São cilíndricas e possuem a cabeça bem esclerosada,[4] penetrando no tronco a partir de ovos depositados em sua casca e escavando canais cilíndricos mais ou menos horizontais; podendo causar prejuízos às essências florestais da indústria madeireira.[7][9] Adultos emergem das pupas e não se alimentam,[15] com uma vida curta e voltada para a reprodução.[17] Espécimes de Pantophthalmus podem ser atraídos por lâmpadas de mercúrio[11] e ter relações de forésia com pequenos aracnídeos (pseudoescorpiões e ácaros).[8][18]

Espécies distribuídas no Brasil

  • Pantophthalmus batesi Austen, 1923
  • Pantophthalmus bellardii (Bigot in Bellardi, 1862)
  • Pantophthalmus chuni (Enderlein, 1912)
  • Pantophthalmus comptus Enderlein, 1912
  • Pantophthalmus kerteszianus (Enderlein, 1914)
  • Pantophthalmus pictus (Wiedemann, 1821)
  • Pantophthalmus planiventris (Wiedemann, 1821)
  • Pantophthalmus punctiger (Enderlein, 1921)
  • Pantophthalmus rothschildi (Austen, 1909)
  • Pantophthalmus tabaninus Thunberg, 1819
  • Pantophthalmus vittatus (Wiedemann, 1828)[10]

Obsː de todas as espécies ocorrentes no Brasil apenas Pantophthalmus punctiger (Enderlein, 1921) é endêmica do país.[3][10]

Referências

  1. a b «Pantophthalmidae Bigot, 1886». SiBBrː Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira. 1 páginas. Consultado em 7 de setembro de 2025 
  2. a b c Papavero, Nelson (15 de abril de 2009). «Catalogue of Neotropical Diptera. Pantophthalmidae» (PDF) (em inglês). Neotropical Diptera 19. p. 2. 11 páginas. Consultado em 7 de setembro de 2025 
  3. a b c d e RAFAEL, José Albertino; MELO, Gabriel Augusto Rodrigues de; CARVALHO, Claudio José Barros de; CASARI, Sônia Aparecida; CONSTANTINO, Reginaldo (2024). Insetos do Brasil: Diversidade e Taxonomia (PDF). 2ª Edição Revisada e Ampliada. Manaus: INPA (Wayback Machine). p. 815. 880 páginas. ISBN 978-65-5633-046-4. Consultado em 7 de setembro de 2025 
  4. a b c BORROR, Donald J.; DELONG, Dwight M. (1969). Introdução ao Estudo dos Insetos. São Paulo: Editora Edgard Blücher/Editora da Universidade de São Paulo. p. 388. 654 páginas 
  5. a b Lunz, Alexandre Mehl; Batista, Telma Fátima Coelho; Rosário, Valéria do Socorro Vale do; Monteiro, Odineila Martins; Mahon, André Cortez (2010). «Ocorrência de Pantophthalmus kerteszianus e P. chuni (Diptera: Pantophthalmidae) em paricá, no Estado do Pará» (PDF). Embrapa. 1 páginas. Consultado em 7 de setembro de 2025. Das espécies de mosca-da-madeira, Pantophthalmus pictus Wied. ( = Acanthomera picta, Rhaphiorhynchus pictus) (Dipteraː Pantophthalmidae) é tida como de grande importância. 
  6. a b HOUAISS, Antônio; VILLAR, Mauro de Salles; FRANCO, Francisco Manoel de Mello (2001). Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa 1ª ed. Rio de Janeiro: Objetiva. p. 1965. 2922 páginas. ISBN 85-7302-383-X 
  7. a b CARRERA, Messias (1980). Entomologia Para Você 5ª ed. São Paulo, Brasil: Nobel. p. 123. 186 páginas. ISBN 85-213-0028-X 
  8. a b c Maronezi, Ana Laura Marassi; Barbosa, Maria Luiza de Sousa; Gonçalves, Gustavo dos Reis; Lima, Tatiane Gonçalves de; Lopes, Edris Queiroz (outubro–dezembro de 2020). «Primeiro registro de mosca-da-madeira Pantophthalmus Tabaninus (Thunberg, 1819) em Peruíbe, litoral Sul de São Paulo, Brasil» (PDF). Brazilian Journal of Animal and Environmental Research, v. 3, n. 4. pp. 4208–4217. Consultado em 7 de setembro de 2025 
  9. a b SANTOS, Eurico (1985). Zoologia Brasílica, vol. 10. Os Insetos 2ª ed. Belo Horizonte: Itatiaia. p. 60. 246 páginas 
  10. a b c «Pantophthalmus Thunberg, 1819». SiBBrː Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira. 1 páginas. Consultado em 7 de setembro de 2025 
  11. a b Burgos-Solorio, Armando; Burgos-Dueñas, Oscar (janeiro de 2022). «Primer registro de la "mosca de la madera" 𝑃𝑎𝑛𝑡𝑜𝑝ℎ𝑡ℎ𝑎𝑙𝑚𝑢𝑠 𝑧𝑜𝑜𝑠 (Enderlein, 1931) (Diptera: Pantophthalmidae), para el estado de Morelos, México» (em espanhol). Dugesiana 29(1) (ResearchGate). 1 páginas. Consultado em 7 de setembro de 2025 
  12. Pujol-Luz, José Roberto; Pujol-Luz, Cristiane (janeiro de 2014). «Pantophthalmidae». Biodiversidad de Artrópodos Argentinos Volume 4 (ResearchGate). p. 391-397. Consultado em 7 de setembro de 2025 
  13. Agassiz, Louis (1842–1846). «Nomenclator Zoologicus – Nomenclatore Zoologico (Diptera)» (em italiano). Summa Gallicana. 1 páginas. Consultado em 10 de setembro de 2025 
  14. Durán, Gustavo Fernando (15 de dezembro de 2019). «Pantophthalmus pictus» (em espanhol). EcoRegistros - Registros Ecológicos de la Comunidad. 1 páginas. Consultado em 10 de setembro de 2025 
  15. a b Crash, Cesar (26 de maio de 2020). «Mosca-da-Madeira Pantophthalmus em São Paulo». Insetologia. 1 páginas. Consultado em 7 de setembro de 2025. Adultos destas moscas não se alimentam. 
  16. Pujol-Luz, José Roberto; Morgado, Giovanna Souto (2018). «New record of Pantophthalmus pictus (Wiedemann, 1821) (Diptera, Pantophthalmidae) in the Cerrado vegetation of central Brazil». Papéis Avulsos de Zoologia, v.58 (Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo). 1 páginas. Consultado em 7 de setembro de 2025 
  17. Porter, Mike. «Pantophthalmidae» (em inglês). Bugs With Mike. 1 páginas. Consultado em 7 de setembro de 2025 
  18. Santos, Jean C.; Tizo-Pedroso, Everton; Fernandes, Geraldo Wilson (2005). «Caso de forese de Semeiochernes armiger Balzan, 1892 (Pseudoscorpiones: Chernetidae) na mosca gigante tropical Pantophthalmus tabaninus Thunberg, 1819 (Diptera: Pantophthalmidae) na floresta amazônica no Pará» (em inglês). Lundiana: International Journal of Biodiversity v. 6 n. sup. (Periódicos UFMG). 1 páginas. Consultado em 7 de setembro de 2025. We report on a phoretic interaction of Semeiochernes armiger with a giant tropical fly Pantophthalmus tabaninus in an Amazonian rain forest. Two males and two females of S. armiger were found attached to the right posterior leg of the fly. In addition, more than two hundred mites were found on the thorax of the host fly.