Odara (canção)

Odara é uma canção brasileira composta por Caetano Veloso e lançada em 1977 como faixa de destaque do álbum Bicho. A canção é considerada um clássico da MPB e um marco da fase "afro-baiana" do compositor, sendo uma resposta direta às críticas que ele recebia após seu retorno do exílio em Londres.[1]

Contexto e inspiração

A composição de "Odara" está diretamente ligada à viagem que Caetano Veloso e Gilberto Gil fizeram a Lagos, na Nigéria, em 1977, para participar do FESTAC 77 (Segundo Festival Mundial de Artes e Culturas Negras).

Fortemente influenciado pela música africana, especialmente pelo afrobeat de Fela Kuti, Caetano retornou ao Brasil com um novo conceito estético focado na positividade e na dança. O título "Odara" vem da língua iorubá. Em entrevista à revista Playboy (nº 49, Agosto de 1979), o próprio Caetano explicou o significado da expressão:

"É uma palavra que se usa na Bahia, principalmente entre os pretos, em áreas de candomblé, e em Itapoã, onde mora muita gente preta. É uma palavra de origem africana, mas como termo corrente ela quer dizer bonito, bom, bacana, legal..."

[2]

Controvérsia e legado

Na época de seu lançamento, "Odara" causou enorme controvérsia entre a crítica especializada e a intelectualidade de esquerda. O Brasil vivia o auge da Ditadura Militar, e esperava-se que Caetano, voltando do exílio, retomasse a canção de protesto "séria".

No entanto, Caetano apresentou uma canção solar, dançante e com letras repetitivas (como o famoso "i-le-lê / i-lê-lá"), que foi vista por muitos críticos como "alienada", "pueril" ou "despolitizada".[3]

Apesar da recepção crítica inicial negativa, "Odara" tornou-se um dos maiores sucessos de Caetano Veloso. A canção foi um hino do movimento "Black Rio" e da "Beleza Pura", e foi regravada por diversos artistas, notavelmente por Maria Bethânia, tornando-se um clássico atemporal da MPB.

Em seu álbum O Dia em que a Terra Parou, também de 1977, Raul Seixas faz referência a Odara na canção Tapacara,[4] um funk acompanhado pela Banda Black Rio,[5] que também serviu de banda de apoio para Caetano no show do álbum O Bicho e seria lançado em CD apenas em 2002, na caixa Todo Caetano.[6]

Referências

  1. «Bicho (Álbum)». Enciclopédia Itaú Cultural. Consultado em 4 de novembro de 2025 
  2. «Entrevista: Caetano Veloso». Playboy (Brasil) (49). Agosto de 1979 
  3. «O coração vagabundo de Caetano». Folha de S.Paulo. 26 de agosto de 2001. Consultado em 4 de novembro de 2025 
  4. Pedro Alexandre Sanches (2004). Como dois e dois são cinco: Roberto Carlos (& Erasmo & Wanderléa). [S.l.]: Boitempo Editorial. p. 190. ISBN 9788575590584 
  5. Seixas, Raul (2005). O baú do Raul revirado. [S.l.]: Ediouro. Consultado em 4 de novembro de 2025 
  6. «40 lições de como querer caetanear». O Estado de S. Paulo. 19 de dezembro de 2002. Consultado em 25 de maio de 2011. Cópia arquivada em 15 de abril de 2015