Circuladô é o décimo sexto álbum de estúdio do músico e compositor brasileiro Caetano Veloso, lançado em novembro de 1991.[2][1] As composições do álbum foram influenciadas pelo movimento concretista, especialmente na obra de Haroldo de Campos e seu poema Circuladô de fulô, que é recitado na faixa homônima.[3][4]
Faixas
Todas as letras escritas e compostas por Caetano Veloso, exceto onde indicado.[5]
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| 1. |
"Fora da Ordem" | Caetano Veloso | |
5:54 |
| 2. |
"Circuladô de Fulô" | | |
3:29 |
| 3. |
"Itapuã" | Caetano Veloso | Moreno Veloso |
3:36 |
| 4. |
"Boas Vindas" | Caetano Veloso | Gilberto Gil |
3:42 |
| 5. |
"Ela Ela" | | |
2:03 |
| 6. |
"Santa Clara, Padroeira da Televisão" | Caetano Veloso | |
2:12 |
| 7. |
"Baião Da Penha" | | |
3:25 |
| 8. |
"Neide Candolina" | Caetano Veloso | |
3:25 |
| 9. |
"A Terceira Margem do Rio" | | |
4:10 |
| 10. |
"O Cu Do Mundo" | Caetano Veloso | |
2:07 |
| 11. |
"Lindeza" | Caetano Veloso | |
4:00 |
Duração total: |
39:53 |
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Recepção crítica
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Circuladô afirma a esplendorosa e jovem maturidade de Caetano, que, aliás, chega a um alto nível de fluência e liberdade no modo de relacionar palavras com música, demonstrando, mais uma vez, o domínio das mínimas nuances musicais e poéticas. A faixa Fora da Ordem mostra como ele ultrapassa o limite que obriga uma canção a trazer uma porta fechada. Ele deixa a letra fluir, seguir seu curso. Musicalmente, o disco tem uma limpeza de arranjos bem resolvida. Sua chave, eu acho, está no cruzamento entre as faixas Circuladô de Fulô e Ela Ela. Na primeira, ele trabalha com o texto do poeta de vanguarda Haroldo de Campos, partindo dessa base erudita para chegar numa forma extremamente popular de música nordestina; em Ela Ela os sons da guitarra de Arto (referência ao universo pop) servem de sustentação para a criação de uma música de vanguarda. A citação de Machado de Assis na contracapa ("Mas as polcas não quiseram ir tão fundo") são palavras de um personagem condenado ao sucesso: quer fazer música erudita, mas só consegue ser popular. No caso de Caetano Veloso, essas barreiras, é certo afirmar, já não existem mais. José Miguel Wisnik[7].
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Considero Circuladô um dos momentos mais altos da produção de Caetano. É um CD no qual ele retoma a interessante linha de experimentalismo do disco Araçá Azul, de 1973, harmonizando-o com o cantabile de suas canções mais pulsivas e singelas. Devo destacar que o trabalho que ele fez, ao musicar o fragmento 'Circuladô de Fulô', de minhas 'Galáxias' (poemas), é particularmente admirável por retratar com fidelidade seu conteúdo. Caetano ouviu-me ler esse texto apenas uma vez – recordo-me que foi em 1969 –, quando tive oportunidade de visitá-lo no seu exílio londrino. Para mim, foi gratificante. Ele soube restituir-me com extrema sensibilidade – uma característica dele – o clima do meu poema, que é, todo ele, voltado à celebração da inventividade dos cantadores nordestinos no plano da linguagem e do som, na grande tradição oral dos trovadores medievais. Haroldo de Campos[7].
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”
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Em 2022, foi eleito um dos melhores discos da música brasileira dos últimos 40 anos em uma enquete do jornal O Globo que reuniu 25 especialistas, incluindo Charles Gavin, Vera Magalhães, Leonardo Bruno, Nelson Motta, Rodrigo Faour, Tárik de Souza, Ricardo Alexandre, Arthur Dapieve, Paulo Cesar de Araújo e Roberta Martinelli, entre outros nomes.[9]
Referências
Ligações externas
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