Ocupação israelense das Colinas de Golã

A ocupação israelense das Colinas de Golã (um planalto rochoso na região do Levante, na Ásia Ocidental) iniciou-se após este território ser capturado por Israel da Síria na Guerra dos Seis Dias em 1967. A comunidade internacional, com exceção dos Estados Unidos, considera as Colinas de Golã como território sírio ocupado militarmente por Israel.[1] Após a guerra, a Síria rejeitou quaisquer negociações com Israel como parte da Resolução de Cartum.[2]

As Colinas de Golã permaneceram sob administração militar até que o Knesset aprovou a Lei das Colinas de Golã em 1981, que aplicou a lei israelense ao território; uma medida que foi descrita como uma anexação. Em resposta, o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou por unanimidade a Resolução 497, que condenou as ações israelenses por alterar o status do território, declarando-as "nulas e sem efeito jurídico internacional", e que as Colinas de Golã permaneceram um território ocupado. Em 2019, os Estados Unidos tornaram-se o único Estado a reconhecer as Colinas de Golã como território soberano de Israel, enquanto o restante da comunidade internacional continua a considerar o território sírio sob ocupação militar israelense.[3][4] As autoridades israelenses pressionaram os Estados Unidos para que reconhecessem a "soberania israelense" sobre o território.[5] Em 8 de dezembro de 2024, após a queda do regime Assad na Síria, as forças israelenses tomaram posições sírias na zona tampão da Força das Nações Unidas de Observação da Separação.

Fronteiras e limites históricos das Colinas de Golã.

Guerra dos Seis Dias e consequências

Na Guerra dos Seis Dias de 1967, Israel capturou e ocupou a maior parte das Colinas de Golã da Síria. Após a guerra, o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou a Resolução 242, que pedia a Israel que se retirasse dos territórios ocupados na guerra em troca do fim de toda a situação de beligerância e do reconhecimento de Israel como um Estado soberano pelos países árabes.[6] A Guerra Árabe-Israelense de 1973 resultou em novos ganhos territoriais para Israel, embora o país tenha concordado em retornar à linha de cessar-fogo de 1967 no acordo de desengajamento entre Israel e a Síria de 1974.[7] A Síria continuou a insistir na devolução das Colinas de Golã em qualquer acordo de paz negociado entre os dois países.[8]

Zona tampão

A zona da Força das Nações Unidas de Observação da Separação (UNDOF) tem cerca de 80 km de comprimento e entre 0,5 e 10 km de largura, formando uma área de 235 km2. A zona abrange a Linha Roxa, que separa a porção das Colinas de Golã ocupada por Israel do restante da Síria, onde a linha oeste é conhecida como "Alfa" e a linha leste como "Bravo". A zona também faz fronteira com a Linha Azul do Líbano ao norte e forma uma fronteira de menos de 1 km com a Jordânia ao sul.[9]

Operacionalmente, a Linha Alfa foi traçada a oeste, não podendo ser cruzada pelas Forças Israelenses, e a Linha Bravo a leste, não podendo ser cruzada pelas Forças Sírias. Entre essas linhas encontra-se a Área de Separação, que é uma zona tampão. Estendendo-se por 25 km para cada lado, encontra-se a Área de Limitação, onde a UNDOF e os observadores do Grupo de Observadores Golan, sob seu comando, supervisionam o número de tropas e armamentos sírios e israelenses. Dentro da Área de Separação, a UNDOF opera com postos de controle e patrulhas. Anteriormente, dois batalhões de linha operavam nessa área; um, na parte norte, do maciço do Monte Hermon até a região de Quneitra, e outro, no sul, até a fronteira com a Jordânia.[10]

Em 8 de dezembro de 2024, após a queda do governo de Bashar al-Assad, as forças israelenses tomaram posições sírias na Área de Separação como uma "posição defensiva temporária até que um acordo adequado seja encontrado", segundo o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu.[11]

Lei das Colinas de Golã

Em 14 de dezembro de 1981, o Knesset israelense aprovou a Lei das Colinas de Golã. Embora a lei não tenha usado o termo "anexação", foi considerada uma anexação pela oposição israelense e pela comunidade internacional.[12][13]

A ação foi condenada internacionalmente e, em resposta, o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou a Resolução 497, declarando a lei "nula e sem efeito jurídico internacional" e que a Quarta Convenção de Genebra continuava a se aplicar às Colinas de Golã como território ocupado.[14][15][16]

Assentamentos

Construção do assentamento israelense de Keshet, em 1975.

Em 2019, a população dos assentamentos israelenses nas Colinas de Golã era superior a 25.000 pessoas.

Visão internacional

A comunidade internacional, com exceção de Israel e dos Estados Unidos, considera as Colinas de Golã como território sírio sob ocupação israelense.[17][16][18] Vários Estados reconhecem a ocupação israelense como legítima, nos termos da Carta das Nações Unidas, com base na autodefesa, mas não consideram que essas preocupações justifiquem a anexação de território conquistado pela força.[16]

Em março de 2019, os Estados Unidos, que anteriormente consideravam as Colinas de Golã como território ocupado, tornaram-se o primeiro país a reconhecer a soberania israelense sobre o território que ocupa desde 1967. O reconhecimento estadunidense foi pressionado por autoridades israelenses.[5] O restante da comunidade internacional continua a considerar o território como sírio, mantido sob ocupação israelense.[3][4] Os membros europeus do Conselho de Segurança das Nações Unidas emitiram uma declaração conjunta condenando o anúncio estadunidense, e o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, emitiu uma declaração afirmando que o status das Colinas de Golã não havia mudado.[19][20][21] A Liga Árabe denunciou a medida dos Estados Unidos, declarando que o reconhecimento do Presidente Donald Trump não altera o estatuto da área.[22]

Ver também

Referências

  1. «United Nations General Assembly Resolution A/RES/78/77» (PDF). UN. 11 de dezembro de 2023. Consultado em 24 de janeiro de 2024 
  2. «This Week in History: The Arab League Three No's». Jerusalem Post. 26 de agosto de 2012 
  3. a b Aji, Albert (26 de março de 2019). «Trump acceptance of Israeli control of Golan sparks protests». Associated Press 
  4. a b «Trump's Golan move unites Gulf States and Iran in condemnation». France 24. 26 de março de 2019 
  5. a b Wilner, Michael (28 de fevereiro de 2019). «GOP lawmakers introduce bill recognizing Israeli sovereignty over Golan». The Jerusalem Post. Consultado em 1 de agosto de 2024 
  6. Zacher, Mark (1 de Junho de 2001). «The Territorial Integrity Norm: International Boundaries and the Use of Force». Cambridge University Press (CUP). International Organization. 55 (2): 231–232. ISSN 1531-5088. JSTOR 3078631. doi:10.1162/00208180151140568 
  7. Rabinovich, Itamar (2009). The Brink of Peace: The Israeli-Syrian Negotiations. [S.l.]: Princeton University Press. p. 28. ISBN 978-1-4008-2265-2 
  8. Ehteshami, Anoushiravan; Hinnebusch, Raymond (2002). Syria and Iran: Middle Powers in a Penetrated Regional System. [S.l.]: Taylor & Francis. pp. 160–161. ISBN 978-1-134-73021-6 
  9. «UNDOF deployment map as at January 2021» (PDF). United Nations 
  10. «UNDOF deployment map as for December 2008» (PDF). United Nations. Cópia arquivada (PDF) em 11 de março de 2009 
  11. «Israel seizes Golan buffer zone after Syrian troops leave posts». 8 de dezembro de 2024 
  12. Israeli Ministry of Foreign Affairs. Golan Heights Law.
  13. Rabinowitz, Dan (28 de março de 2012). «17: Identity, the State and Borderline Disorder». In: Thomas M. Wilson and Hastings Donnan. A Companion to Border Studies. [S.l.]: John Wiley & Sons. pp. 307–308. ISBN 978-1-118-25525-4 
  14. Council on Foreign Relations. UN Security Council Resolution 497.
  15. Benvenisti, E. (2012). The International Law of Occupation. [S.l.]: OUP Oxford. ISBN 978-0-19-163957-9 
  16. a b c Korman, Sharon (31 de outubro de 1996), The Right of Conquest: The Acquisition of Territory by Force in International Law and Practice, ISBN 9780191583803, Oxford University Press, pp. 262–264 
  17. Roberts, Adam (Janeiro de 1990). «Prolonged Military Occupation: The Israeli-Occupied Territories Since 1967». American Journal of International Law. 84 (1): 60. JSTOR 2203016. doi:10.2307/2203016 
  18. Pileggi, Tamar; Winer, Stuart; Newman, Marissa; Bachner, Michael (28 de março de 2019). «US redrawing official maps to include Golan as part of Israel». The Times of Israel 
  19. «Trump recognizes Golan Heights as Israeli, boosting Netanyahu and angering Syria». Reuters. 25 de março de 2019 
  20. «U.N. chief clear that Golan status has not changed: spokesman». Reuters. 25 de março de 2019 
  21. Fassihi, Farnaz (28 de março de 2019). «Security Council Denounces Trump's Golan Decision». WSJ 
  22. «Trump formally recognises Israeli sovereignty over Golan Heights». www.aljazeera.com