My Name Is Gretchen
| My Name Is Gretchen | ||||
|---|---|---|---|---|
![]() | ||||
| Álbum de estúdio de Gretchen | ||||
| Lançamento | 1 de abril de 1979 | |||
| Gravação | 1979 | |||
| Gênero(s) | ||||
| Duração | 28:03 | |||
| Idioma(s) |
| |||
| Formato(s) | Download digital · cassete · streaming · vinil | |||
| Gravadora(s) | Building Records · Som Indústria e Comércio S.A. | |||
| Produção | Santiago Manalti | |||
| Cronologia de Gretchen | ||||
| ||||
| Singles de My Name is Gretchen | ||||
| ||||
My Name Is Gretchen é o álbum de estreia da cantora brasileira Gretchen, lançado em 1979, pelo selo Building Records.[2] Produzido por Mister Sam, o disco marcou o início de sua trajetória fonográfica em formato LP e consolidou a parceria entre a artista e o produtor, estabelecida após suas primeiras aparições em programas de televisão na segunda metade da década de 1970.
Gravado no estúdio Do Ré Ma, em São Paulo, o álbum contou com arranjos de Eduardo Assad e reuniu oito faixas compostas em curto espaço de tempo por Mister Sam. O repertório foi estruturado a partir de uma combinação de gêneros populares da época, como disco, country, rock e boogie, com canções predominantemente voltadas para a dança. As letras utilizam expressões em inglês, espanhol e francês, construídas de forma colaborativa, em função da proposta estética do disco e das limitações linguísticas da intérprete.
Comercialmente, My Name Is Gretchen obteve repercussão moderada em formato de LP, enquanto os compactos extraídos do álbum alcançaram maior circulação no mercado brasileiro e internacional, figurando em listas de vendas e recebendo certificações. A recepção crítica destacou a priorização dos apelos visuais e sensuais do projeto, enquanto os aspectos musicais e, sobretudo, os vocais foram diretamente criticados.
Antecedentes
Em 1976, Gretchen participou do programa Show de Calouros de Silvio Santos interpretando "Dance a Little Bit Closer", da cantora espanhola Charo, a apresentação chamou a atenção do DJ e produtor Mister Sam, que passou a acompanhar sua carreira.[1] Após conhecê-la, firmou-se um contrato com o selo Copacabana para o lançamento de um compacto, para o qual foi gravada a canção "Dance with Me", inspirada em "Love in C Minor", de Cerrone, concebida sem letra tradicional, dentro de um projeto que apresentava a artista como uma cantora estrangeira.[1]
Nesse período, Maria Odette adotou o nome artístico Gretchen, influenciada pelo filme brasileiro Aleluia, Gretchen, de 1976. Posteriormente, após uma participação no programa de Carlos Imperial, Mister Sam soube que a cantora havia gravado outro compacto em português com um produtor diferente, "Outra Vez Mulher" (1979), para o qual apenas 6 mil cópias foram produzidas, 4.5 mil para comercialização e 1.5 mil para divulgação.[3] O desempenho limitado levou o Mister Sam a centralizar a condução artística das gravações de Gretchen.[1]
Produção e gravação
Mister Sam é creditado como produtor, ao passo que os arranjos foram feitos por Eduardo Assad.[4] Em poucos dias, Sam compôs as oito músicas do repertório no seu tom, e Gretchen teve que se adaptar.[1] O álbum foi gravado em 24 canais no estúdio Do Ré Ma, no bairro da Mooca, em São Paulo, com engenharia de som de Eduardo Araújo.[1] Para garantir qualidade de som, Sam limitou a quatro faixas por lado do vinil.[1] Após gravar as bases, foram adicionados coros e efeitos, incluindo a voz do próprio Sam.[1] Gretchen gravou suas partes sob pressão, entre shows, pois não queria perder datas lucrativas.[1]
A direção artística também ficou a cargo de Mister Sam.[1] A concepção visual buscou associar a imagem da cantora a tendências populares da época, como a cultura dos patins, amplamente difundida em discotecas.[1] Para a capa, ele idealizou a foto, pedindo a Gretchen que arrebatasse as costas para parecer maior.[1] Em entrevista ao programa The Noite com Danilo Gentili, Sam afirmou que a capa é uma montagem, pois como Gretchen tinha medo de andar de patins, ela tirou a foto sem eles, que foram adicionados em uma montagem depois.[5] No encarte, Sam incluiu uma foto provocante da artista tapando os seios com as mãos.[1] Ele também criou o nome da gravadora fictícia, Building Records, para soar "estrangeira" e combinar com a imagem que estava construindo para Gretchen.[1]
Estilo musical e letras
O álbum apresenta um estilo musical intencionalmente eclético e comercial, moldado pelo produtor para ser dançante e ter apelo popular.[1] Musicalmente, o repertório é uma colagem de gêneros que vai da música country ao blues, passando pelo rock, boogie e a música disco, tudo sustentado por uma batida latina marcante que, segundo Sam, é responsável por trazer "toda a alegria para o disco".[1] Algumas das faixas incorporam elementos regionais brasileiros, como o som de banjo.[1]
Quanto às letras, os temas centrais giram em torno de dança e relações amorosas ("fazer amor").[1] A composição foi um processo colaborativo e pragmático: como Gretchen não falava inglês, Mister Sam, com ajuda do parceiro Valentino Guzzo (creditado como V. Guzade) e da própria cantora, criou as letras utilizando trechos emprestados de artistas como Led Zeppelin e se baseando na apostila do curso de inglês de Gretchen.[1] O resultado são versos em inglês, espanhol e francês que, embora não fossem sua língua nativa, soavam naturais no contexto da música dançante da época, seguindo uma tendência de cantores não nativos gravarem em outros idiomas.[1]
Singles e EPs
A canção "Freak le Boom Boom" foi lançada como o primeiro single.[6] De acordo com o jornal mineiro Observador (Edição 60, de 1 a 15 de abril de 1980), o compacto atingiu a primeira posição na lista de compacto simples mais vendidos naquele período.[7] Em 21 de setembro de 1981, o jornal O Fluminense, publicou que o single se encontrava na nona posição de sua parada musical, completando cinquenta semanas entre os mais vendidos da lista.[8] Eventualmente, o compacto ganhou um disco de ouro,[9] por 300 mil cópias vendidas, que foi entregue a cantora em 29 de maio de 1980, na Discoteca Aquarius, data em que ela completava 21 anos.[10][11]
No Brasil, a Bulding Records lançou um compacto duplo, intitulado Gretchen (também conhecido como 1, 2, 3 (One-Two-Three)), com quatro canções originais do álbum: "1, 2, 3 (One-Two-Three)", "Rock n' Roller", "Me Gusta el Cha-Cha-Cha" e Freek le Boom Boom", marcando o último fonograma nacional de promoção de My Name Is Gretchen.[12] Na lista de fonogramas mais vendidos, auditados pela Associação Brasileira de Produtores de Discos (ABPD), e divulgada pelo Jornal do Brasil em 21 de março de 1981, o disco apareceu na posição de número cinco referentes as vendas no Rio de Janeiro, e número seis em São Paulo.[13] De acordo com o Jornal do Commercio, o trabalho figurou entre os vinte compacto duplos mais vendidos em 1980 da gravadora Copacabana (da qual a Building Records fazia parte).[14] A lista ainda incluiu, respectivamente, "Freak le Boom Boom" e My Name Is Gretchen entre os compactos simples e o LPs de música popular mais vendidos da gravadora no mesmo ano.[14]
Internacionalmente, diferentes selos lançaram singles locais. A Orion, do Equador, lançou um compacto com a canção "I Love You, Je T'Aime (Te Quiero, Te Amo)" como lado A e "Rock'n Roller" como lado B, em 1980.[15] No ano seguinte, a Discos Mag, do Peru, lançou "Boggie Boggie" e "1, 2, 3" em um mesmo compacto no país.[16] Na Colômbia, a Discos Fuentes, substituiu a última faixa mencionada por "Shake Shake Aia!".[17]
Recepção crítica
Tárik de Souza de O Pasquim, escreveu que, após uma pesquisa "não muito a fundo", Gretchen logo identificou a preferência erótica nacional, lançando um álbum repleto de apelos sensuais, incluindo uma capa provocante e um poster em que segura os próprios seios.[18] Ele criticou, porém, o conteúdo musical, afirmando que mesmo os "bundólogos mais fanáticos" não terão paciência para ouvir as faixas até o fim, reduzindo a obra a uma "discolheque" ultrapassada.[18] Além disso, Souza ironizou a performance vocal da cantora, dizendo que ela "não canta: suspira, geme, sussurra, funga", e brincou que, com esse fôlego, poderia ensinar preparação física à Seleção Brasileira.[18]
Desempenho comercial
De acordo com publicação do Jornal do Commercio, o disco de vinil foi um dos mais vendidos da gravadora Copacabana em 1980.[19] Embora alguns veículos de imprensa tenham informado que as vendas do álbum atingiram 5 milhões de cópias no Brasil, e mais dois milhões em outros países latinos,[20][21][22][23] o produtor e criador do álbum, Mister Sam, disse que essas informações são notadamente equivocadas.[3] Ele afirmou em entrevista ao jornalista e escritor Rodrigo Faour, que as vendas do álbum foram de 40 mil cópias, o maior número de cópias vendidas com um LP (álbum) de Gretchen em sua discografia.[3] Segundo o produtor, as vendas de milhões referem-se aos compactos simples vendidos pela artista durante sua carreira.[3]
Lista de faixas
- Créditos adaptados do site Apple Music.[24]
| N.º | Título | Compositor(es) | Duração | |
|---|---|---|---|---|
| 1. | "1, 2, 3 (One-Two-Three)" | 3:12 | ||
| 2. | "Rock'n Roller" |
|
3:15 | |
| 3. | "Boogie Boogie" |
|
3:35 | |
| 4. | "Me Gusta El Cha-Cha-Cha" |
|
3:10 | |
| 5. | "I Love You, Je t'aime" |
|
3:48 | |
| 6. | "Freak le Boom Boom" |
|
3:49 | |
| 7. | "Shake Shake" |
|
3:59 | |
| 8. | "My Name Is Gretchen" |
|
3:10 |
Ficha técnica
Créditos adaptados do álbum My Name Is Gretchen, de 1979 (Building Records, nº de catálogo: BGLP 12498).[25]
- Gravadora: Building Records
- Produção: Mister Sam
- Estúdio: Do Ré Ma (Mooca, São Paulo)
- Engenharia de Som: Eduardo Araújo
- Créditos Adicionais: Participação de V. Guzade (Valentino Graz)
Certificação e vendas
| País | Certificação | Vendas estimadas |
|---|---|---|
| — | 40,000[3] |
Referências
- ↑ a b c d e f g h i j k l m n o p q r s t u v w Calabria, Lorena (8 de agosto de 2023). «My Name is Gretchen». 1979: O ano que ressignificou a MPB. [S.l.]: Garota FM Books. ISBN 978-65-994524-8-2
- ↑ «My Name Is Gretchen». Instituto Memória Musical Brasileira (IMMuB). Consultado em 22 de dezembro de 2025. Cópia arquivada em 22 de dezembro de 2025
- ↑ a b c d e Faour, Rodrigo (30 de outubro de 2019). MISTER SAM, o inventor de GRETCHEN e da BUNDA MUSIC (Parte 1). Rodrigo Faour Ofical. YouTube. No minuto 18:00. Consultado em 12 de outubro de 2024
- ↑ «Copacabana». A Tribuna (96): 18. 29 de junho de 1980. Consultado em 22 de dezembro de 2025
- ↑ Gentili, Danilo; Sam, Mister (14 de julho de 2022). O Mister Sam produziu os grandes sucessos da cantora Gretchen. São Paulo: SBT
- ↑ (1979) Créditos do álbum Freak le Boom Boom por Gretchen [LP]. Brasil: Building Records (BGCD 3966).
- ↑ Molin, Paulo (15 de abril de 1980). «Parada de Sucessos». Minas Gerais. Observador (60): 2. Consultado em 22 de dezembro de 2025
- ↑ Rabello, Victor (21 de setembro de 1981). «Listão Brasil-EUA». Rio de Janeiro. O Fluminense (3.336): 3. Consultado em 22 de dezembro de 2025
- ↑ Israelis, Julius (10 de outubro de 1981). «Música: Vitrine nacional». O Pioneiro (192): 23. Consultado em 22 de dezembro de 2025
- ↑ «Disco de ouro para Gretchen na festa de seu aniversário». A Tribuna (96): 18. 29 de junho de 1980. Consultado em 22 de dezembro de 2025
- ↑ «Gretchen recebe seu disco de ouro». São Paulo. Diário da Noite (16.715): 15. 29 de maio de 1980
- ↑ (1980) Créditos do álbum Gretchen por Gretchen [EP]. Brasil: Building Records (BGCD-4002).
- ↑ «Bolsa de discos». Rio de Janeiro. Jornal do Brasil (343B): 6 (Caderno B). 21 de março de 1981. Consultado em 23 de dezembro de 2025
- ↑ a b «Discos da Copacabana mais vendidos em 80». Manaus. Jornal do Commercio (23.282): 2. 14 de janeiro de 1981. Consultado em 22 de dezembro de 2025
- ↑ (1980) Créditos do álbum I Love You, Je T'Aime (Te Quiero, Te Amo) por Gretchen [LP]. Equador: Orion (135-0146).
- ↑ (1981) Créditos do álbum Boggie Boggie por Gretchen [LP]. Peru: Discos Mag (4239).
- ↑ (1981) Créditos do álbum Boggie Boggie por Gretchen [LP]. Colômbia: Discos Fuentes (529053).
- ↑ a b c Souza, Tárik de (3 de julho de 1980). «Desafinadas». O Pasquim (574): 42. Consultado em 22 de dezembro de 2025
- ↑ «Discos da Copacabana mais vendidos em 80». Amazonas. Jornal do Commercio (23282): 2. 14 de janeiro de 1981. Consultado em 30 de dezembro de 2025
- ↑ «Gretchen filia-se ao PPS e quer ser candidata a prefeita». O Estado de S. Paulo (Estadão). 4 de março de 2012. Consultado em 22 de dezembro de 2025. Cópia arquivada em 22 de dezembro de 2025
- ↑ «10 vezes em que Gretchen surpreendeu em sua trajetória profissional». Bol. 4 de julho de 2017. Consultado em 19 de dezembro de 2025. Cópia arquivada em 26 de janeiro de 2020
- ↑ «Gretchen muda e surpreende com antes e depois da cirurgia». NSC Total. NSC Comunicação. 6 de junho de 2022. Consultado em 22 de dezembro de 2025. Cópia arquivada em 31 de agosto de 2022
- ↑ Paixão, Sara (1 de junho de 2009). «"Nunca fui só uma bunda rebolativa", diz Gretchen». Terra. Terra Networks. Consultado em 22 de dezembro de 2025. Cópia arquivada em 22 de dezembro de 2025
- ↑ «My Name Is Gretchen de Gretchen na Apple Music». Apple Music. Apple. 1 de abril de 1979. Consultado em 22 de dezembro de 2025. Cópia arquivada em 22 de dezembro de 2025
- ↑ (1979) Créditos do álbum My Name Is Gretchen por Gretchen [LP]. Brasil: Building Records (BGLP 12498).
Ligações externas
- My Name Is Gretchen (em inglês) no Discogs


