Museu Forte do Presépio

1° 27' 42.7932" S 48° 30' 22.3776" O

Museu Forte do Presépio
Museu Forte do Presépio
Pórtico do Forte do Castelo
Tipo museu
Inauguração 2002
Página oficial (Website)
Geografia
Coordenadas 1° 27' 15.902" S 48° 30' 19.026" O
Localidade Praça Dom Frei Caetano Brandão, s/nº
Localização Belém - Brasil

O Museu do Encontro,[1][2] ou Museu Forte do Presépio,[1] é um museu histórico arqueológico brasileiro inaugurado em 2002 sobre o processo de ocupação da Amazônia.[2][3] Situado na cidade brasileira de Belém (estado do Pará) no Forte do Presépio,[2][4] a primeira construção colonial da cidade, datada de 1616 e tombada pelo IPHAN desde 1962.[5] Um espaço museológico sobre o pensamento decolonial e debate sobre visão do "colonizador" e o do "colonizado".[4]

O Forte do Presépio (oficialmente Forte Castelo do Senhor Santo Cristo)[6] é uma fortificação militar portuguesa criada em 1616[7] por Francisco Caldeira Castelo Branco na ponta de Mairi (margem direita da foz do rio Guamá com baía do Guajará).[8] A construção do forte marcou a fundação do então povoado colonial português "Feliz Lusitânia" (atual Belém do Pará) e[9][10] a ocupação da então Conquista do Pará (atual estado do Pará) localizada na então Capitania do Maranhão, dominando assim o canal de navegação da região, a Amazônia Oriental e, as drogas do sertão.[11][12][13]

Histórico

O processo de transformação da antiga fortaleza em espaço museológico do tipo arqueológico foi iniciada em 1999, dentro do Projeto Turístico Feliz Lusitânia,, e se estenderam até 2002. Entre outras considerações, levantou-se um debate entre os arqueólogos e a equipe responsável pelo aspecto estético e arquitetônico do espaço, sobre a conservação de uma muralha que separava a rua da fortificação. Embora os arqueólogos tivessem sido contrários a derrubada do muro, construído em 1859, a equipe de arquitetura teve a palavra final com o argumento de que a construção impedia a visão plena do forte. Finalmente, após vários adiamentos obtidos por via judicial, a muralha foi posta abaixo entre novembro e dezembro de 2002, restando apenas o pórtico de entrada ladeado por alguns centímetros de muro.[14]

Durante o período de preparação do espaço museológico, foram realizadas escavações na área e no entorno da fortaleza, as quais permitiram identificar diversas estruturas acrescentadas à construção por reformas efetuadas ao longo de quatro séculos, como os alicerces da Capela de Santo Cristo, datada de 1640 e que se manteve de pé até fins do século XVII; resquícios das fundações da Casa da Pólvora; pisos em tijolo e pedra, e os restos de quatro rampas de acesso que conduziam ao pavimento onde estavam instalados os canhões.[15]

Características

O museu consiste em dois circuitos: o externo, o "Sítio Histórico da Fundação de Belém", composto pela própria fortificação e seu equipamento militar, e o interno na sala Guaimiaba (homenagem ao tupinambá Cabelo de Velha[16]) o "Museu do Encontro", cujo acervo inclui artefatos dos povos indígenas do Brasil e outros encontrados em escavações efetuadas no próprio local e no seu entorno.[15]

Acervo

O acervo do museu é composto por mais de 100 mil artefatos, que incluem peças de faiança portuguesa e inglesa (cerâmica branca), garrafas, fragmentos de armas, botões de uniformes e moedas (uma de ouro). Os arqueólogos também encontraram peças de cerâmica tapajônica, que podem ter cerca de 6 mil anos, e outras mais recentes, produzidas pelos marajoaras, entre 1600 e 600 anos atrás.[15]

No museu destacam-se as temáticas: antropofagia, desvelando narrativas colonizadoras, e; icamiabas, lendas da região amazônida.[4]

Visitação

O museu pode ser visitado de terça a domingo, das 9h às 17:00h.[17]

Referências

  1. a b «Museu do Encontro». Secretaria de Cultura do Estado do Pará. Consultado em 24 de outubro de 2025 
  2. a b c «Guia Belém: 10 personalidades culturais dão dicas do que fazer na cidade». CNN Brasil V&G. 11 de outubro de 2025. Consultado em 24 de outubro de 2025 
  3. «Museus e Memoriais». Portal da Secretaria de Cultura do Pará. Consultado em 24 de outubro de 2025 
  4. a b c Fernandes, Michelly da Silva; Siqueira, Ivone dos Santos; Freitas, Nádia Magalhães da Silva (3 de fevereiro de 2023). «Narrativas indígenas e europeias presentes no Museu do Encontro – Forte do Presépio: perspectivas para uma prática decolonial na/da Amazônia:». Universidade do Estado do Pará. Revista Cocar (36). ISSN 2237-0315. Consultado em 24 de outubro de 2025. Resumo divulgativo 
  5. «Museu do Forte do Presépio». Guia das Artes. Consultado em 7 de julho de 2023 
  6. «Revolução e resistência marcam fundação de Belém». O Liberal. Consultado em 18 de janeiro de 2022 
  7. CARVALHO, Luciana; CAMPOS, Marcelo; OLIVEIRA, Thiago da Costa (Cur.). Patrimônios do Norte: Homenagem aos 81 anos do IPHAN. Rio de Janeiro: Paço Imperial, 2018.
  8. «Baía de Guajará : Cais do Mercado Ver-o-Peso : Forte do Castelo : Belém (PA)». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Consultado em 19 de janeiro de 2022 
  9. Brönstrup,, Silvestrin, Celsi; Gisele,, Noll,; Nilda,, Jacks, (2016). Capitais brasileiras : dados históricos, demográficos, culturais e midiáticos. Col: Ciências da comunicação. Curitiba, PR: Appris. ISBN 9788547302917. OCLC 1003295058. Consultado em 30 de abril de 2017. Resumo divulgativo 
  10. Bol Listas (8 de janeiro de 2018). «Açaí, jambu e a Amazônia: 10 curiosidades sobre o Pará». Portal UOL. Consultado em 7 de março de 2018 
  11. «Brasil, Pará, Belém, História». Enciclopédia dos Municípios Brasileiros. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. 2012. Consultado em 8 de março de 2018 
  12. Pereira, Carlos Simões (28 de outubro de 2020). «Das origens da Belém seiscentista e sua herança Tupinambá». Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento (10): 146–160. ISSN 2448-0959. Consultado em 13 de janeiro de 2022 
  13. «Capitania do Grão-Pará». Atlas Digital da América Lusa (BiblioAtlas). Laboratório de História Social da Unversidade de Brasília (LHS/UNB). Consultado em 27 de dezembro de 2017. Cópia arquivada (HTML) em 23 de setembro de 2022 
  14. Rhuan Carlos dos Santos Lopes. «"Indigitado estrupício": Arqueologia e significados acerca do muro do Forte do Presépio (Belém, PA)». Amazônica - Revista de Antropologia. Consultado em 7 de julho de 2023 
  15. a b c Sylvia Leite. «Forte do Presépio: o museu que guarda a memória de Belém». Lugares de memória. Consultado em 7 de julho de 2023 
  16. «Museu do Encontro». Minube. Consultado em 24 de outubro de 2025 
  17. «Museu Forte do Presépio». Sistema Integrado de Museus e Memórias. Consultado em 7 de julho de 2023 

Ligações externas