Mudança social

Na sociologia, mudança social refere-se a uma alteração na ordem social de uma sociedade. A mudança social pode incluir mudanças na natureza, instituições sociais, comportamentos sociais e nas relações sociais. O ser humano precisa adaptar o meio às suas necessidades, partindo desse pressuposto, foi necessário se adaptar as suas próprias conquistas. Uma das características mais marcantes da sociedade moderna tem sido sua capacidade de produzir e se adequar as mudanças sociais. Cada uma delas, imposta pelo próprio homem, representa um rompimento com a tradição. Muitas tradições permanecem embutidas em nossa sociedade, algumas sob novos aspectos. Por exemplo, a família constituída nos dias atuais é muito diferente da família do século XIX, os trabalhadores de hoje têm uma rotina diferente da rotina de trabalho do início da década de 1920.[1]

Esses rompimentos ou mudanças são acompanhados de formas de permanência, ou seja o ambiente de trabalho ou configuração familiar pode tomar outros aspectos, mas seus traços característicos não deixam de ser identificados.

Está relacionado com os nacionalismos, a revolução industrial, os impérios, as guerras mundiais e a construção da democracia.

Mudança social na sociologia contemporânea

Dentre as perspectivas contemporâneas em sociologia, a teoria da sociedade mundial de John Meyer, vinculada ao novo institucionalismo, é ilustrativa de dinâmicas vigentes que condicionam a mudança social. O autor concebe de maneira peculiar o cenário internacional posterior à Segunda Guerra Mundial, marcado pelo processo da globalização. Nesse novo período, organizações e indivíduos passam a estruturar-se como atores, capazes de racionalização e realização de escolhas propositais. O caráter de ator das organizações é moldado por uma racionalização cultural mais ampla baseada no cientificismo, na ênfase nos direitos e capacidades humanas individuais e na expansão educacional, subsidiária dos dois anteriores. É nesse contexto que inconsistências, que o autor chamará de desacoplamento, entre a identidade constituída do ator e do que deve fazer, e o que realiza na prática, fornecem a tensão e o formato pelo qual a mudança social ocorre na atual sociedade mundializada.

A racionalização cultural mencionada produz autoridade através de princípios universalistas, associados à autoridade de Outrem (sobretudo entre cientistas, advogados, teóricos) neutra, objetiva e desinteressada. O caráter de ator construído sob tais padrões é difundido globalmente e adotado em domínios que não são necessariamente capazes de corresponder a eles.  Essa situação de inconsistência, encontrada em indivíduos, organizações e Estados se trata do desacoplamento.

A dissociação entre pressupostos e práticas fornece, nesse sistema, uma tensão produtiva de mobilizações posteriores, onde novos padrões são configurados. Esse contexto confere circunstâncias peculiares para a mudança social na sociedade mundial que se configurou após a Segunda Guerra. Desse modo, transformações são produzidas e condicionadas por padrões difundidos globalmente que por sua vez, estão também sujeitos a redimensionamentos em face a insconsistências.[2] [3]

Referências

  1. Gene Shackman, Ya-Lin Liu and George (Xun) Wang. "Why does a society develop the way it does?." 2002.
  2. Meyer, JW. Reflections: institutional theory and world society. In: World Society: The Writings of John W. Meyer, 2009.
  3. Meyer, John W. (11 de agosto de 2010). «World Society, Institutional Theories, and the Actor». Annual Review of Sociology (em inglês) (Volume 36, 2010): 1–20. ISSN 0360-0572. doi:10.1146/annurev.soc.012809.102506. Consultado em 15 de novembro de 2025 

Ligações externas

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