Muça Paxá (beilerbei de Erzurum)

 Nota: Para outros significados, veja Muça Paxá.
Muça Paxá
NacionalidadeImpério Otomano
OcupaçãoGeneral e governador
ReligiãoIslamismo

Muça Paxá (em turco: Musa Paşa) foi um alto oficial do Império Otomano do século XVI, que serviu como beilerbei de Erzurum entre 1542 e 1544. A sua carreira é sobremaneira desconhecida, salvo sua função em Erzurum. Foi martirizado pelos georgianos durante um ataque aos territórios otomanos.

Vida

A data de nascimento de Muça Paxá é desconhecida. Sabe-se que descendia da dinastia isfendiárida do Beilhique de Jandar através do bei Amade, o Vermelho. Em data incerta, assumiu a posição de beilerbei de Erzurum. As fontes não indicam as circunstâncias da posse.[1] As fontes também não explicitam quanto tempo durou o mandato de Muça Paxá. Todas concordam que foi martirizado durante uma incursão dos georgianos, mas a data desse ataque é controverso, pois os cronistas associaram-no a diferentes campanhas do sultão Solimão, o Magnífico (r. 1520–1566): Celalzade menciona que ocorreu durante a "Guerra contra os Francos" (quiçá a campanha austríaca iniciada em 25 de abril de 1543, durante a qual Belgrado foi conquistada); Guelibolulu Mustafá Ali, Ibraim Pechevi (com base em Guelibolulu) e Carachelebizade Abdulazize Efendi (em Crônica de Solimão) afirmam que foi durante a campanha de Corfu, que ocorreu em 1538; Solaczade diz que foi na campanha de Baguedade (um possível erro à Campanha da Moldávia, de 1539); Munejimbaxe afirma que aconteceu antes de 1548; Carachelebizade, em seu O Jardim dos Virtuosos, menciona que foi durante a reconstrução do castelo de Carse; Huceine Huçamedim Iassar, autor da História de Amásia, indica o ano 1549; e Maomé Sureia Bei indica o ano 1544.[2]

A informação a respeito da sucessão dos beilerbeis de Erzurum ao longo dos anos 1540 é marcada por lacunas nas fontes. Ali Paxá foi registrado na posição em 19 de julho de 1541. Mesmo que se admita que possa ter sido removido no mesmo ano, não se sabe quem ocupou o governo da província desta data até 1 de fevereiro de 1545, quando outro Ali Paxá foi registrado. Esse Ali manter-se-ia na posição até ao menos 11 de março de 1547. Ulemá Paxá assumiu depois disso e manteve-se no cargo até 9 de setembro de 1548, quando foi substituído por Tequeli Maomé Paxá. Tequeli reaparece nos registros como beilerbei até 30 de abril de 1549. A partir dessa data, e apesar de haver uma lacuna até 25 de setembro de 1549, período em que Mustafá Paxá foi nomeado no lugar de Tequeli, o terceiro vizir Cara Amade Paxá iniciou sua campanha contra os georgianos — campanha que, conforme afirmam as fontes, fora organizada para vingar a morte de Muça Paxá — e que Tortum fora conquistada em 13 de setembro de 1549. Nesse contexto, Muça Paxá ocupou a posição em um dos três intervalos existentes nas fontes, ou seja: de 19 de julho de 1541 a 1 de fevereiro de 1545; de 11 de março de 1547 a 20 de março de 1548; ou de 30 de abril de 1549 a agosto de 1549.[3]

O cronista safávida coetâneo Haçane Begue Rumlu afirmou que, em 1543, Muça conduziu uma campanha contra os georgianos, na qual foi martirizado.[3] O historiador francês Marie-Félicité Brosset, inspirado nos relatos presentes nas Crônicas georgianas, identificou Muça com Mustafá Paxá. Ele afirmou que a região atacada pelos turcos ficava ao sul de Acalcalaqui e dividia-se em duas porções, ou seja, Tao de Passine e Tao de Carse. Entende-se que esta área corresponde ao que Haçane Begue Rumlu chama de Davili, que abrange Mamervã, Oltu e Ardacane e coincide com a Mesquécia, a região que cobria o território de Tortum e Iussufeli até Aquesca. Matacche Nassu, tratando do ano 1549, confirma que o senhor de Tortum e do Castelo Branco (Akça Kale), situada mais ao norte, era o rei Pancrácio III (r. 1510–1565).[4]


Referências

  1. Aydın 1998, p. 93-94.
  2. Aydın 1998, p. 94.
  3. a b Aydın 1998, p. 95.
  4. Aydın 1998, p. 96.

Bibliografia

  • Aydın, Dündar (1998). Erzurum beylerbeyiliği ve teşkilatı: kuruluş ve genişleme devri (1535-1566). Ancara: Türk Tarih Kurumu Basımevi