Melanossomo
Os melanossomos (português brasileiro) ou melanossomas (português europeu) são corpúsculos intra-celulares que armazenam a melanina da pele de alguns seres vivos. Substâncias despigmentantes, como a hidroquinona, por exemplo, bloqueiam a produção de melanina e aumentam a degradação dos melanossomos. Os melanossomas são organelos celulares que contêm o pigmento melanina, o pigmento que absorve luz mais comum no reino animal.
A melanina é sintetizada em células chamadas melanócitos e nas células do epitélio pigmentar da retina. Se a célula simplesmente fagocita e incorpora a melanina (mas não a sintetiza) não é propriamente um melanócito e recebe o nome de melanófago.
Forma
Os melanossomas são organelos envoltos por membrana com forma, em geral, redonda, de salsicha ou de cigarro. A forma é constante numa determinada espécie e tipo celular. Examinados com microscópio eletrónico possuem uma ultraestrutura característica, que varia de acordo com a maturidade do melanossoma.
Síntese da melanina
Uma série de enzimas celulares, a principal das quais é a tirosinase, encarrega-se da síntese dos longos polímeros que são genericamente conhecidos como melanina. A polimerização da melanina ocorre pela amiloidogénese da proteína Pmel17, abundante nos melanossomas.[1] Antes que o melanossoma contenha uma quantidade de pigmento suficiente para poder ser visto com microscópio óptico, recebe o nome de pré-melanossoma. Os defeitos ou a ausência das enzimas que sintetizam a melanina originam diversos tipos de albinismo.
Formação de pseudópodes e cedência de melanossomas
Em alguns melanócitos os melanossomas permanecem estáticos dentro da célula. Noutros tipos de melanócitos, pelo contrário, a célula pode expandir-se formando pseudópodes, que transportam melanossomas, e que os afastam assim do centro da célula, aumentando deste modo a efetividade na absorção de luz.
Esta formação de pseudópodes ocorre lentamente nos melanócitos dérmicos em resposta à luz ultravioleta, ao mesmo tempo que se aumenta a produção de novos melanossomas e a transferência ou "doação" de melanossomas aos queratinócitos adjacentes (as células comuns da epiderme da pele). Esta cedência de melanossomas acontece porque alguns queratinócitos podem fagocitar a extremidade dos pseudópodes dos melanócitos, os quais contêm muitos melanossomas. A dineína citoplasmática é a encarregada de levar as vesículas carregadas de melanina para o centro do queratinócito, dispondo-os em redor do seu núcleo.
Todo este conjunto de alterações na concentração de melanossomas nos queratinócitos é o responsável por ficarmos morenos depois de expormos a pele aos raios ultravioleta ou à luz do sol.
Melanossomas nos animais
Em muitas espécies de peixes, anfíbios, crustáceos, e réptils, os melanossomas podem ter muita mobilidade dentro da célula em resposta ao controlo hormonal (ou às vezes nervoso), e isto produz mudanças de cor, por vezes muito rápidas, que são utilizadas como um sinal para outros indivíduos da sua espécie ou de outras espécies ou a camuflagem.
Os melanossomas que se encontram em várias espécies de peixes contêm pigmentos que controlam a cor das escamas do animal. Em determinados momentos, respondendo a um sinal, proteínas motoras levam os melanossomas pigmentados para a periferia da célula ou concentram-nos no seu centro. As proteínas responsáveis por levar os melanossomas ao centro da célula são as dineínas, as quais transportam os melanossomas ao longo de microtúbulos em direção ao extremo menos (-), situado para o centro da célula. As proteínas responsáveis por espalhar os melanossomas na periferia celular são as cinesinas, as quais se movem em direção ao extremo mais (+) do microtúbulo, que está orientado para a periferia celular. A dispersão dos melanossomas pela periferia resulta em que a célula parece mais escura. Quando se concentram no centro a célula parece mais clara.
As belas e rápidas mudanças de cor que se observam em muitos cefalópodes, como polvos ou lulas, baseiam-se num modo de funcionamento distinto, e são devidas à ação do chamado órgão cromatóforo.
Melanossomas em fósseis
Em 2008 o paleontólogo chinês Xu Xing encontrou penas fóssils em formações rochosas que abrangem o período Jurássico (de há 200 a 150 milhões de anos) até ao final da Era Terciária (de há 65 a 2 milhões de anos). As penas continham resíduos de carbono preservados, que se pensou ao princípio que eram vestígios das bactérias que decompunham as penas, mas que na realidade não eram outra coisa mais do que impressões orgânicas microscópicas de melanossomas fossilizados. Algumas destas estruturas ainda mantinham a iridescência típica dos tecidos das penas e peles. Pensa-se que este tipo de estudos ultraestruturais poderão servir para conhecer as cores e texturas originais de tecidos moles fósseis.[2][3] Os melanossomas foram usados já pelo Museu de História Natural de Pequim para descobrir as verdadeiras cores do fóssil Anchiornis huxleyi.[4][5]
Referências
- ↑ Fowler DM, Koulov AV, Alory-Jost C, Marks MS, Balch WE, et al. 2005 Functional Amyloid Formation within Mammalian Tissue. PLoS Biol 4(1): e6. doi:10.1371/journal.pbio.0040006
- ↑ Andrea Thompson (8 de julho de 2008). «Feather Fossils Could Yield Dinosaur Colors». LiveScience. Consultado em 29 de agosto de 2009
- ↑ «Ancient Bird Feathers Had Iridescent Glow». Fox News. 26 de agosto de 2009. Consultado em 28 de agosto de 2009. Arquivado do original em 1 de junho de 2011
- ↑ Li, Q., Gao, K.-Q., Vinther, J., Shawkey, M.D., Clarke, J.A., D'Alba, L., Meng, Q., Briggs, D.E.G. and Prum, R.O. "Plumage color patterns of an extinct dinosaur." Science, 327(5971): 1369 - 1372. doi:10.1126/science.1186290 PMID 20133521
- ↑ The Real Colors of a Dinosaur Revealed for the First Time Arquivado em 2016-03-03 no Wayback Machine.
