Mário Donato

Mário Donato
Nascimento
Morte
26 de abril de 1992 (76 anos)

Nacionalidadebrasileiro
ParentescoMarcos Rey (irmão)
Ocupaçãoescritor, jornalista
Magnum opusPresença de Anita

Mário Donato (Campinas, 29 de abril de 1915São Paulo, 26 de abril de 1992) foi um jornalista e escritor brasileiro.

Após lançar-se como poeta, com os livros Terra (1938) e As cigarras emigram (1944), Mário Donato alcançou grande sucesso com seu primeiro romance, Presença de Anita (1948). Na época do lançamento, o livro causou escândalo pela erotização presente na narrativa, a tal ponto de provocar a ira da Igreja que reprovou o livro do jornalista.

Mesmo sendo uma obra chocante para os padrões vigentes, obteve um sucesso tão grande que, em 1951, fez-se um filme (do diretor Ruggero Jacobbi). Em 2001, o mesmo rebuliço gerado pela obra e pelo filme ocorreu novamente quando a história foi adaptada por Manoel Carlos para uma minissérie da Rede Globo, contendo cenas de sexo e nudez interpretadas pela jovem protagonista Mel Lisboa.

Com seu segundo romance, Madrugada sem Deus (1954), Donato conquistou o Prêmio Câmara Municipal de São Paulo. Publicou em seguida Galatéia e o fantasma (1957), A parábola das quatro cruzes (1959) e Domingo com Cristina (1963). No campo da literatura infantil é vasta sua produção, com títulos como Cinco irmãos bichanos (1942), Sargentinho (1943) e Espertezas de Jabuti (1947). Com Partidas dobradas (1978), foi vencedor do Prêmio Jabuti da Câmara Brasileira do Livro. Este último, foi adaptado para para a TV Cultura em 1981 em formato de telenovela.

Ocupava a cadeira 39[1] da Academia Paulista de Letras quando morreu ao 77 anos, em São Paulo, de câncer de pulmão. Deixou pronto o livro, ainda inédito, O País dos Paulistas, que conta a história do estado de São Paulo de 1555 a 1964.

Antes de se dedicar ao jornalismo trabalhou como operário gráfico e funcionário do Departamento dos Correios e Telégrafos de São Paulo. Foi repórter, redator e secretário de redação do O Estado de S. Paulo e também secretário de redação da Folha da Manhã (atual Folha de S.Paulo). Colaborou ainda em A Cigarra, A Gazeta, Diário de São Paulo e com a União Jornalística Brasileira, durante a gerência de Menotti del Picchia. Abandonou o jornalismo (1949) para assumir a direção de programação e, mais tarde, a direção artística de uma emissora de rádio. Três anos depois foi nomeado vice-presidente da Rádio Nacional de São Paulo.[2]

Mario Donato é irmão do escritor Marcos Rey (de nome civil Edmundo Donato), o mais adorado e admirado por ele e que foi o responsável por lançá-lo como escritor. Mário, embora trabalhasse no Estadão, havia levado o conto "Ninguém entende Wiu-Li" escrito por Rey para a Folha, onde tinha amigos, sugerindo a publicação que ocorreu em 18 de janeiro de 1942 tomando a capa inteira do Suplemento, o caderno literário do jornal. Além disso, contava com uma ilustração de Belmonte, o mais conhecido ilustrador da imprensa paulista desde 1925, quando criara o personagem Juca Pato.[3]

Referências

  1. «Academia Paulista de Letras - Acadêmicos Anteriores». Academia Paulista de Letras - APL 
  2. «Mario Donato». www.dec.ufcg.edu.br. Consultado em 17 de novembro de 2016. Arquivado do original em 5 de novembro de 2007 
  3. Maranhão, Carlos (2004). Maldição e Glória - A vida e o mundo do escritor Marcos Rey. são Paulo: Companhia das Letras. pp. 37 a 40