Liga para o Avanço Aborígene
| Fundação | 1957 |
|---|---|
| Propósito | Campanha pelos direitos indígenas |
| Sede | Melbourne |
| Área de influência | Victoria, Austrália |
| Antigo nome | Liga para o Avanço dos Aborígenes de Victoria |
| Website | aal |
A Liga para o Avanço Aborígene (em inglês: Aboriginal Advancement League) é a mais antiga organização de direitos indígenas da Austrália ainda em funcionamento.[1] Foi fundada em 1957 como Liga para o Avanço dos Aborígenes de Victoria (sigla em inglês: VAAL). Suas organizações precursoras foram a Liga Australiana dos Aborígenes [en] e o Save the Aborigines Committee, e a organização também foi conhecida anteriormente em inglês como Aborigines Advancement League (Victoria) e simplesmente Aborigines Advancement League.
A organização dedica-se principalmente às questões de bem-estar aborígene e à preservação da cultura e do patrimônio aborígenes, estando sediada em Melbourne. Seu jornal chama-se Smoke Signals.[2]
História
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A Liga para o Avanço dos Aborígenes de Victoria[1] foi estabelecida em março de 1957,[3] em parte como resposta a uma investigação conduzida pelo magistrado aposentado Charles McLean, nomeado em 1955 para examinar as condições dos aborígenes da região. McLean criticou duramente as condições nas reservas aborígenes [en] de Lake Tyers e Framlingham [en]. Ele recomendou a remoção de pessoas de ascendência mista aborígene e europeia das reservas. Os moradores de Lake Tyers se opuseram à proposta e a Liga surgiu a partir dessa campanha.[4]
A nova Liga reuniu duas organizações já existentes: a Liga Australiana dos Aborígenes, fundada em 1934,[5] e o Save the Aborigines Committee, criado em resposta à controvérsia da cordilheira Warburton em 1956–57. O primeiro presidente foi Gordon Bryant [en], com Doris Blackburn [en] como vice-presidente, Stan Davey [en] como secretário e Douglas Nicholls [en] como oficial de campo.[3]
Uma organização nacional guarda-chuva, o Conselho Federal para o Avanço Aborígene, foi fundada em fevereiro de 1958 em Adelaide, Austrália Meridional, mas a Liga para o Avanço dos Aborígenes da Austrália Meridional (sigla em inglês: AALSA) acabou se desfiliando em 1966, por considerar que a organização federal estava excessivamente centrada em Victoria.[6] Davey também se tornou secretário do Conselho Federal para o Avanço Aborígene, antes de se mudar para a Austrália Ocidental.[7]
Entre as primeiras atividades estiveram o lobby pela realização de um referendo para alterar a Constituição da Austrália permitindo que o governo federal legislasse sobre assuntos aborígenes, e a criação de um fundo de defesa jurídica para Albert Namatjira, após ele ser acusado de fornecer bebidas alcoólicas a um aborígene sob tutela.[3] Em 1967, a organização passou a ser totalmente controlada por pessoas aborígenes, com Bill Onus [en] como o primeiro presidente aborígene.[8]
Em 1968, a Liga para o Avanço Aborígene, liderada por Bruce McGuinness e Bob Maza, convidou o ativista caribenho Roosevelt Brown para dar uma palestra sobre o movimento Black Power em Melbourne, o que gerou grande repercussão na mídia. A Liga para o Avanço Aborígene foi influenciada pelas ideias de Malcolm X e Kwame Ture. O movimento Black Power australiano havia surgido em Redfern [en] (Sydney), Fitzroy [en] (Melbourne) e South Brisbane [en], após o Passeio da Liberdade [en] liderado por Charles Perkins em 1965, mas a visita trouxe o termo a uma atenção mais ampla.[9][10]
A diretora remunerada Elizabeth Maud Hoffman [en], que atuou de 1975 a 1983, foi a diretora com mais tempo de serviço na organização.[11]
Sede
Em 1999, o governo de Victoria concluiu uma reforma de 2.790.000 dólares na sede da Liga, na Rua Watt, Thornbury [en]. Além de funcionar como espaço comunitário, o prédio abriga um museu e um "local de guarda" para objetos de importância histórica, cultural e espiritual para os povos aborígenes.[12]
Publicações
Smoke Signals foi a revista oficial da Liga para o Avanço Aborígene,[2] publicada desde 1957.[13][14] As edições não eram numeradas até abril de 1960,[15] quando passou a ser Volume 1, Número 1.[16] Foram publicados três números por ano até agosto de 1963, quando passou a ser trimestral.
O primeiro editor foi Stan Davey, sucedido por Gordon Bryant quando Davey deixou o cargo para trabalhar no Conselho Federal para o Avanço Aborígene. O jornal tinha como foco principal educar os australianos não indígenas sobre as atividades da Liga, bem como sobre as condições sociais e econômicas em que viviam os aborígenes da região. Embora algumas fontes indiquem que Smoke Signals deixou de ser publicado em 1972,[17][14] catálogos de bibliotecas e museus mostram que continuou sendo publicado ocasionalmente até pelo menos 2011,[16] e possivelmente por mais tempo.[13] Desde 2022 não há menção ao jornal no site oficial.[18]
Atividades atuais
A Liga oferece diversos serviços à população Koori, incluindo apoio familiar, assistência alimentar, visitas domiciliares, defesa de direitos, aconselhamento, programas educacionais, conscientização sobre drogas e álcool, e serviços funerários. Possui também uma Unidade Cultural que fornece informações e palestrantes para escolas.[19]
Referências
- ↑ a b «Victorian Aborigines Advancement League». Melbourne: The city, past and present. Consultado em 3 de julho de 2019
- ↑ a b «Smoke Signals». Smoke Signals. ISSN 0049-0776. OCLC 220165347
- ↑ a b c «Victorian Aborigines Advancement League». Arquivado do original em 18 de março de 2012
- ↑ «Agreements, Treaties and Negotiated Settlements». Agreements, Treaties and Negotiated Settlements. Consultado em 30 de novembro de 2020
- ↑ Australian Aborigines League – Institution – Reason in Revolt:Australian Aborigines League (1934– )
- ↑ Kerin, Rani (2017). «6. Adelaide-based activism in the mid-twentieth century: Radical respectability». In: Brock, Peggy; Gara, Tom. Colonialism and its Aftermath: A history of Aboriginal South Australia. [S.l.]: Wakefield Press. p. 115. ISBN 9781743054994. Consultado em 3 de julho de 2019. Arquivado do original em 21 de outubro de 2022
- ↑ Moriarty, John (25 de novembro de 1996). «John Moriarty (1938)». National Museum of Australia (entrevista). Sue Taffe. Consultado em 22 de março de 2010. Arquivado do original em 30 de setembro de 2009
- ↑ Howie-Willis, Ian (2000). «William Townsend (Bill) Onus (1906–1968)». Australian Dictionary of Biography. 15. Melbourne University Press. ISSN 1833-7538. Consultado em 20 de agosto de 2025 – via National Centre of Biography, Australian National University
- ↑ Foley, Gary (16 de julho de 2021). «White Police and Black Power - Part 2». Aboriginal Legal Service (NSW/ACT). Consultado em 2 de outubro de 2022
- ↑ Foley, Gary (5 de outubro de 2001). «Black Power in Redern (1968–1972)» (PDF)
- ↑ «Who is Elizabeth Morgan». EMHAWS.ORG.AU (em inglês). Consultado em 5 de agosto de 2020
- ↑ Minister opens refurbished Aborigines Advancement League (2/7/99) Arquivado em 2007-09-28 no Wayback Machine
- ↑ a b Smoke signals, Published for the Aborigines' Advancement League by Associated Publicity Services, ISSN 0049-0776, 1957 – via Trove
- ↑ a b Langton, Marcia; Kirkpatrick, Brownlee (1979). «A listing of Aboriginal periodicals». ANU Press. Aboriginal History. 3 (1/2): 120–127. ISSN 0314-8769. JSTOR 24045737. Consultado em 2 de outubro de 2022 PDF
- ↑ «Smoke Signals». State Library Victoria. Consultado em 2 de outubro de 2022
- ↑ a b «Magazine 'Smoke Signals' Vol 1, No 1.». Museums Victoria. Consultado em 24 de agosto de 2021. Cópia arquivada em 11 de dezembro de 2020
- ↑ Burrows, Elizabeth Anne (2010). Writing to be heard: the Indigenous print media's role in establishing and developing an Indigenous public sphere (PhD). Griffith University. doi:10.25904/1912/3292. Consultado em 2 de outubro de 2022 PDF
- ↑ «Home». Aboriginal Advancement League – Aboriginal Advancement League. Consultado em 2 de outubro de 2022
- ↑ ourcommunity.com.au – Directory of Organisations Arquivado em 2007-09-03 no Wayback Machine
Leitura adicional
- Broome, Richard (2015). Fighting Hard: The Victorian Aborigines Advancement League. [S.l.: s.n.] Consultado em 3 de julho de 2019. Arquivado do original em 3 de julho de 2019
- Ann McCarthy; Gavan McCarthy (5 de outubro de 2007). «Provenance: 4 – Aborigines Advancement League (Victoria)». The University of Melbourne – Australian Science and Technology Heritage Centre. Diane Elizabeth Barwick (1938–1986) Guide to Records