Bruce McGuinness

Bruce Brian McGuinness
Conhecido(a) porAtivismo pelos direitos indígenas
Nascimento
Morte
5 de setembro de 2003 (64 anos)

Melbourne, Victoria, Austrália
Filho(a)(s)Kelli McGuinness (filho), membro da banda Blackfire [en]
Período de atividade1960–1990
Principais trabalhosThe Koorier

Bruce Brian McGuinness (17 de junho de 1939 – 5 de setembro de 2003) foi um ativista aborígene australiano.[1] Atuou e liderou a Liga para o Avanço Aborígene e é conhecido por fundar e dirigir The Koorier, o primeiro jornal de âmbito nacional de grande formato iniciado por aborígenes (posteriormente conhecido como National Koorier e depois Jumbunna) entre 1968 e 1971.

Início de vida e educação

Homem do povo Wiradjuri, McGuinness nasceu em 17 de junho de 1939 em Cootamundra [en], Nova Gales do Sul.[1]

Estudou direito na Universidade Monash, mas não aceitou o diploma obtido.[1]

Ativismo

No final da década de 1960, viajou aos Estados Unidos para participar de uma Conferência Pan-Pacífica, onde foi inspirado pelo Partido dos Panteras Negras a advogar por direitos ampliados aos aborígenes australianos. Tornou-se membro da Liga para o Avanço Aborígene,[1] vindo a ser presidente,[2] sucedendo Douglas Nicholls [en] no cargo. Sua nomeação gerou alguma discordância na organização, pois membros mais moderados da Liga para o Avanço Aborígene, incluindo Nicholls, temiam que a abordagem mais radical de McGuinness afastasse pessoas da organização. McGuinness estabeleceu conexões com ativistas aborígenes mais radicais de todo o país, como Gary Foley [en] (a quem orientou) e Denis Walker [en], e também com o cenário internacional.[3] Foley escreveu em um obituário que McGuinness "foi, de muitas formas, um marxista-leninista sem reconstrução até o fim".[4]

Participou do Conselho Federal para o Avanço dos Aborígenes e Ilhéus do Estreito de Torres e tornou-se diretor estadual em Victoria, mas em 1970 rompeu com o grupo para fundar o Conselho Tribal Nacional junto com Foley, Walker e Naomi Mayers [en].[1][5][2]

McGuinness defendia que os aborígenes assumissem o controle de seus próprios assuntos.[2] Em 1969, convidou o ativista caribenho do Black Power Roosevelt Brown para falar na Liga para o Avanço Aborígene, e passou a enxergar a luta aborígene no contexto do colonialismo e do poder branco.[2] Na edição de novembro de 1972 da revista Identity, em um artigo sobre o Black Power, referindo-se ao protesto do Moratório Negro de julho de 1972 em Melbourne, escreveu: "O dia do acerto de contas chegou. Acabei de matar o mito branco da subserviência e docilidade negra... Pelas próprias mãos de vocês, homem branco, vocês foram nomeados seu próprio carrasco".[6] Apesar de sua postura geralmente radical, não descartava ativistas não aborígenes e elogiava o trabalho de militantes brancos como Stan Davey [en] e Gordon Bryant [en] no final dos anos 1950 e 1960.[3]

McGuinness ajudou a estabelecer o Serviço de Saúde Aborígene de Victoria,[1] junto com Alma Thorpe [en] e outros, em 1973,[7] e foi cofundador da Organização Nacional de Saúde Aborígene.

The Koorier

McGuinness fundou e dirigiu The Koorier, que foi o primeiro jornal de âmbito nacional de grande formato iniciado por aborígenes (posteriormente conhecido como National Koorier e depois Jumbunna).[8] The Koorier e Jumbunna foram publicados pela Liga para o Avanço dos Aborígenes de Victoria, enquanto o National Koorier foi o porta-voz do Conselho Tribal Nacional.[3] O jornal foi publicado em Fitzroy [en] entre 1968 e 1971,[2] e Lin Onus [en][9] e Bob Maza foram colaboradores significativos.[3]

Assim como Identity, publicado em Perth, o jornal servia para estimular a atividade política e disseminar mensagens dentro e além da esfera pública indígena, com o objetivo de educar o público australiano não indígena.[10][11]

O jovem ativista Robbie Thorpe [en], inspirado pela publicação de McGuinness, posteriormente produziu The Koorier 2[3] durante as décadas de 1970 e 1980,[12] e mais tarde The Koorier 3, publicado pelo Centro de Informações Koori.[13]

Filmografia

McGuinness dirigiu o filme Black Fire,[14] também intitulado Blackfire, considerado o primeiro filme dirigido por uma pessoa indígena australiana.[15][16] Douglas Nicholls, Harry Williams e seu filho Bertie Williams atuaram no filme, enquanto Lin Onus foi responsável pela produção de som. A data de lançamento é geralmente citada como 1972,[14] com duração registrada de 20 minutos, mas algumas fontes datam o filme de 1969, com duração de 60 minutos. McGuinness criou o filme como trabalho de antropologia, em colaboração com seu amigo não aborígene Martin Bartfeld, com orçamento de 500 dólares australianos.[15][a]

Seu filho Kelli McGuinness integrou a banda dos anos 1990 chamada Blackfire [en], com Kutcha Edwards [en] como vocalista principal. O primeiro álbum da banda chamou-se A Time to Dream, e McGuinness deu o mesmo nome ao seu segundo filme,[15] lançado em 1974.[18]

Vida posterior e morte

Recebeu um doutorado honorário do Tranby College [en] pouco antes de sua morte por enfisema em Melbourne, em 5 de setembro de 2003.[1]

Notas

  1. Contudo, um curta-metragem de 1946 feito por Bill Onus [en] foi recentemente descoberto e aparece no filme de seu neto Tiriki, Ablaze (2021).[17]

Referências

  1. a b c d e f g «Activist for Aboriginal rights: Black elder's quest for dignity and justice». The Age. The Koori History Website Project. 2 de outubro de 2003 
  2. a b c d e «Bruce McGuinness». National Museum of Australia. Cópia arquivada em 29 de setembro de 2022 
  3. a b c d e Burrows, Elizabeth Anne (2010). Writing to be heard: the Indigenous print media's role in establishing and developing an Indigenous public sphere (PhD). Griffith University. pp. 126–128. doi:10.25904/1912/3292. Consultado em 30 de setembro de 2022  PDF
  4. «Memoriam to my friend and mentor Bruce McGuinness». Redflag. 4 de maio de 2015. Consultado em 7 de novembro de 2022 
  5. «McGuinness, Bruce Brian». Weekly Times. Herald Sun 
  6. «Identity Magazine - Institution». Reason in Revolt. 1 de novembro de 1972. Consultado em 7 de novembro de 2022 
  7. «Alma Thorpe». First Peoples - State Relations. Victorian Government. 29 de setembro de 2019. Consultado em 1 de agosto de 2022 
  8. «National Koorier [catalogue entry]», Trove, 1969–1970, consultado em 30 de setembro de 2022 
  9. McGuinness, Bruce; Onus, Lin (1968), «The koorier[catalogue entry]», The Koorier, Trove, consultado em 30 de setembro de 2022 
  10. Burrows, Elizabeth Anne [catalogue entry] (2010), «Tools of resistance: the roles of two Indigenous newspapers in building an Indigenous public sphere», Journalism Education Association, Trove, ISSN 0810-2686 
  11. «National Koorier Vol. 1 No. 7». World Food Books. 30 de setembro de 2022. Consultado em 30 de setembro de 2022. Cópia arquivada em 30 de setembro de 2022 
  12. Rolls, Mitchell; Johnson, Murray (2011). «Historical Dictionary Of Australian Aborigines». Scarecrow Press. Consultado em 30 de setembro de 2022 – via E-book library 
  13. Rose, M. (2020). For the Record: 160 years of Aboriginal print journalism. [S.l.]: Taylor & Francis. p. 63. ISBN 978-1-000-31940-8. Consultado em 30 de setembro de 2022 
  14. a b Black Fire no IMDb
  15. a b c Korff, Jens (21 de dezembro de 2018). «Black Fire (Blackfire) (Film)». Creative Spirits. Consultado em 3 de novembro de 2022 
  16. Warren Bebbington, ed. (1997). The Oxford Companion to Australian Music. [S.l.]: Oxford University Press. ISBN 0-19-553432-8 
  17. Reich, Hannah (13 de agosto de 2021). «Documentary Ablaze reveals civil rights leader Bill Onus might have been the first Aboriginal filmmaker». ABC News. The Screen Show. Australian Broadcasting Corporation. Consultado em 3 de novembro de 2022 
  18. Bruce McGuinness no IMDb