Línguas do Sudão do Sul

Línguas de Sudão do Sul
Placa em inglês em Juba
Oficialinglês
Nacionais e outras 6 línguas
Línguas principais estrangeirasárabe, português, francês e suaíli
Línguas de sinaisLíngua de sinais do Sudão do Sul
Layouts de teclados
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Um sinal em inglês no Sudão do Sul.

O Sudão do Sul é um país multilíngue, com mais de 60 línguas indígenas faladas. A língua oficial do país é o inglês, que foi introduzido na região durante a era colonial.

Algumas das línguas indígenas com mais falantes incluem o dinca, nuer, shilluk, bari, e zande.

Tanto o inglês quanto o árabe de Juba, um pidgin árabe usado por mais de um milhão de pessoas, especialmente na capital Juba, servem como línguas francas.

Língua oficial

Antes da independência, a constituição provisória de 2005 da Região Autónoma do Sudão do Sul declarou na Parte 1, Capítulo 1, n.º 6 (2) que “o inglês e o árabe serão as línguas oficiais de trabalho a nível dos governos do Sudão do Sul e dos Estados, bem como as línguas de instrução do ensino superior”. [1]

Mais tarde, o governo do novo estado independente removeu o árabe como língua oficial e escolheu o inglês como única língua oficial. A Parte Um, 6(2) da constituição transitória da República do Sudão do Sul de 2011 estabelece que “o inglês será a língua oficial de trabalho na República do Sudão do Sul”. [2] [3]

Laura Kasinof, da Foreign Policy, escreveu que o inglês foi escolhido para distanciar o Sudão do Sul do Sudão. [4] O Sudão do Sul expressou interesse em adotar o suaíli como segunda língua oficial para aprofundar os laços com a Comunidade da África Oriental.

Línguas indígenas

Mapa africano das línguas nilo-saarianas . Os ramos sudanês oriental e central dominam o Sudão do Sul.

Existem mais de 60 línguas indígenas faladas no Sudão do Sul. A maioria das línguas indígenas é classificada na família de línguas nilo-saarianas, coletivamente, elas representam duas das divisões de primeira ordem do nilo-saariano. O restante pertence às línguas ubangi da família linguística nigero-congolesas e são faladas no sudoeste.

As estatísticas populacionais mais recentes disponíveis para muitas línguas indígenas do Sudão do Sul remontam à década de 1980. Desde então, a guerra de independência levou a muitas mortes de civis e ao deslocamento em massa de refugiados para o Sudão e além. Devido à definição de fronteiras coloniais na África pelas potências europeias durante os séculos XIX e XX, algumas línguas indígenas do Sudão do Sul são faladas em países vizinhos, em alguns casos mais do que no Sudão do Sul. Estima-se que o azande, por exemplo, tenha o dobro de falantes na vizinha República Democrática do Congo, enquanto o grupo de línguas banda pode ter mais falantes na República Centro-Africana do que no Sudão do Sul.

No Sudão do Sul, as línguas com mais falantes são o nuer com 1,8 milhões de falantes em 2017, o dinca com talvez 4,5 milhões em 2017; esses dois grupos de línguas também estão intimamente relacionados entre si, e o shilluk, com 920.000 falantes, em bari tinha 420.000 em 2000, e o zande tinha 350.000 em 1982. Das línguas ubangi, os números disponíveis indicam que o azande é a única com um número substancial de falantes no Sudão do Sul.

A constituição provisória de 2005 declarou na Parte 1, Capítulo 1, n.º 6 (1) que: “Todas as línguas indígenas do Sudão do Sul são línguas nacionais e devem ser respeitadas, desenvolvidas e promovidas. [5]

A nova constituição transitória da República do Sudão do Sul de 2011 declara na Parte 1, Capítulo 1, n.º 6 (1) que: "Todas as línguas indígenas do Sudão do Sul são línguas nacionais e devem ser respeitadas, desenvolvidas e promovidas." Na Parte 1, Capítulo 1, n.º 6 (2) define-se que: "O inglês será a língua oficial de trabalho na República do Sudão do Sul, bem como a língua de instrução em todos os níveis de ensino." [6]

Perda da língua indígena

Desde 1950, três línguas indígenas sul-sudanesas foram extintas, não tendo mais uso sequer cerimonial: togoyo, mittu e homa.[7] Das 68 línguas vivas reconhecidas pelo Ethnologue, 17 são categorizadas como "em perigo". O boguru é usado apenas cerimonialmente. Aja e mangayat têm apenas falantes idosos que raramente têm a oportunidade de usar as línguas.[8]

Banda Centro-Oeste, indri e njalgulgule são usados comumente entre os idosos, mas nenhum membro da geração fértil os fala ativamente. Outras 9 línguas não estão a ser transmitidas às crianças e, embora o bonga e o lakoya sejam falados por todas as gerações da sua população, estão a perder rapidamente utilizadores.[9]

Línguas não indígenas

O embaixador do Sudão do Sul no Quénia disse em 2 de agosto de 2011 que o suaíli seria introduzido no Sudão do Sul com o objetivo de suplantar o árabe como língua franca, de acordo com a intenção do país de se orientar para a Comunidade da África Oriental em vez do Sudão e da Liga Árabe. [10] No entanto, o Sudão do Sul apresentou um pedido para aderir à Liga Árabe como Estado-membro em 25 de Março de 2014, que ainda se encontra pendente. Numa entrevista ao jornal Asharq Al-Awsat, o Ministro dos Negócios Estrangeiros do Sudão do Sul, Deng Alor Kuol, afirmou: "O Sudão do Sul é o país africano mais próximo do mundo árabe, e falamos um tipo especial de árabe conhecido como árabe de Juba".[11] O Sudão apoia o pedido do Sudão do Sul para aderir à Liga Árabe. [12]

No estado de Bar-El-Gazal Ocidental, em sua região de fronteira com o país vizinho, o Sudão, há um número indeterminado de bagaras (povo tradicionalmente nômade) que residem sazonalmente ou permanentemente. Sua língua é o árabe sudanês e seus territórios tradicionais ficam nas porções meridionais das regiões sudanesas de Cordofão e Darfur. Na capital de Juba, há vários milhares de pessoas que usam um pidgin árabe, o árabe de Juba. [13] [nota 1] Como o Sudão do Sul fez parte do Sudão por um século, alguns sul-sudaneses são fluentes em árabe sudanês. [carece de fontes?] O árabe de juba é uma língua franca no Sudão do Sul. [ligação inativa]

Durante a Conferência de Rejaf realizada em abril de 1928 durante o condomínio anglo-egípcio, foi decidido que a educação no Sul seria na língua inglesa. Embora após a independência o governo sudanês tenha tentado substituir o inglês pelo árabe, parte do acordo de paz em 1972 garantiu que o inglês continuasse como meio de educação na maioria das escolas no sul do Sudão. O inglês é amplamente falado por aqueles que tiveram a oportunidade de ir à escola, tanto no Sudão do Sul como na diáspora. [14]

Um grupo de refugiados sul-sudaneses que foram criados em Cuba durante as guerras sudanesas, totalizando cerca de 600, também fala espanhol fluentemente. Eles foram chamados de Cubanos e a maioria já havia se estabelecido em Juba na época da independência do país.[15]

Notas

  1. O especialista em dialetologia árabe Alan S. Kaye considera-o parcialmente descrioulado.

Referências

  1. The Interim Constitution of Southern Sudan, 2005 Arquivado em 2016-03-03 no Wayback Machine (PDF; 484 kB), Part One, Page.
  2. «The Transitional Constitution of the Republic of South Sudan, 2011». Government of South Sudan. Arquivado do original em 21 de julho de 2011 
  3. «At a Glance». Official portal. Government of Southern Sudan. 12 de julho de 2011. Arquivado do original em 28 de junho de 2011 
  4. Kasinof, Laura (14 de novembro de 2018). «For South Sudan, It's Not So Easy to Declare Independence From Arabic». Foreign Policy. Consultado em 22 de maio de 2020 
  5. «Wayback Machine» (PDF). www.chr.up.ac.za. Consultado em 26 de maio de 2025. Cópia arquivada (PDF) em 3 de março de 2016 
  6. «The Transitional Constitution of the Republic of South Sudan, 2011» (PDF). Government of South Sudan 
  7. ethnologue
  8. ethnologue
  9. ethnologue
  10. «South Sudanese still in Kenya despite new state». Coastweek. 5 de agosto de 2011. Arquivado do original em 29 de setembro de 2011 
  11. «South Sudan and Chad apply to join the Arab League». Middle East Monitor. 12 de abril de 2014. Consultado em 26 de maio de 2025 
  12. SudanTribune (24 de janeiro de 2017). «Businesses close as South Sudan's economic crisis worsens». Sudan Tribune (em inglês). Consultado em 26 de maio de 2025 
  13. Tosco, Mauro (1995). «A Pidgin Verbal System: The Case of Juba Arabic» (PDF). Anthropological Linguistics. 37 (4): 423–459. JSTOR 30028330 
  14. «English as Marker of Southern Sudanese». cpercy.artsci.utoronto.ca. Consultado em 22 de dezembro de 2022 
  15. «Grandes Reportajes de RFI - Los 'cubanos', la élite de Sudán del Sur». RFI. 6 de julho de 2011. Consultado em 26 de maio de 2025 

Ligações externas