Bagaras
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Bagaras ou baqqarahs (em árabe: البقارة; Al-Baqārah; "pastor de novilhas" ou "pastor de bezerras"[1]) constituem uma vasta comunidade étnica nômade de povos com ancestralidade mista árabe e africana arabizada,[2]habitando uma parte do Sahel principalmente entre o Lago Chade e o rio Nilo, próximo ao sul de Cordofão, com uma população superior a seis milhões.[3] Eles são conhecidos como bagaras e abalas no Sudão e como árabes shuwas em Camarões, Nigéria e Chade Ocidental. O termo shuwa, de origem canúri,[4] é menos utilizado em pesquisas acadêmicas, que preferem árabe chadiano.
Tradicionalmente nômades, criam gado bovino e ovino, migrando em busca de pastagens. Muitos, porém, já adotaram um estilo de vida sedentário. Embora nem todos se considerem um único grupo étnico, o termo "cultura bagara" é usado para descrever suas tradições e modo de vida.[5] A comunidade se distribui principalmente no Sudão e no Chade, com pequenas minorias em países como Nigéria, Camarões, Níger, República Centro-Africana e Sudão do Sul.
Os bagaras falam principalmente seu próprio dialeto, conhecido como árabe chadiano. Entretanto, os bagaras do sul de Cordofão, devido ao contato com a população sedentária e com os criadores de camelos árabes sudaneses dessa antiga província, apresentam alguma influência do árabe sudanês em seu dialeto.[6] A maioria dos bagaras é muçulmana e se autoidentifica como descendente de Jenide ibn Ahmad al-Jehini, cujos filhos teriam se deslocado da Península Arábica para a África via Egito, Tunísia e Norte da África, misturando-se com as populações locais. Eles se misturaram com outros povos da região, como furs, nubas e fulanis,[7] e desempenharam um papel importante na história do Sudão e do Chade, especialmente durante a Revolta do Sudão Madista.
Referências
- ↑ Lisa 2024.
- ↑ Al-Raḥīm 1970, pp. 233–249.
- ↑ Adam & Adebisi 2012, p. 17.
- ↑ Owens 1993, p. 12.
- ↑ Owens 1993, p. 11.
- ↑ Manfredi 2012, p. 6.
- ↑ Macmichael 1922, p. 271.
Bibliografia consultada
- Lisa (23 de julho de 2024). «Justice Africa Sudan: Baggara attack on Nuba village leaves 14 dead». Dabanga Radio TV Online (em inglês). Consultado em 26 de julho de 2024
- Al-Raḥīm, Muddathir 'Abd (1970). «Arabism, Africanism, and Self-Identification in the Sudan». The Journal of Modern African Studies (2): 233–249. ISSN 0022-278X. Consultado em 26 de julho de 2024
- Owens, Jonathan (1993). A grammar of Nigerian Arabic. Col: Semitica viva. Wiesbaden: Harrassowitz
- Adam, Sirajudeen; Adebisi, AbdulWahid (2012). «Teaching Arabic as a second language in Nigeria». Procedia - Social and Behavioral Sciences. 66 (66). 127 páginas. doi:10.1016/j.sbspro.2012.11.254

- Manfredi, Stefano (2012). «Dialect mixing and dialect levelling in Kordofanian Baggara Arabic (Western Sudan)». In: Alexandrine Barontini; Christophe Pereira; Ángeles Vincente; Karima Ziamari. Dynamiques langagières en Arabophonies : variations, contacts, migrations et créations artistiques : hommage offert à Dominique Caubet par ses élèves et collègues Primeraición ed. Zaragoza: Universidad de Zaragoza. pp. 141–162. ISBN 9788461614370
- Macmichael, Harold Alfred (1922). A History of the Arabs in the Sudan - Scholar's Choice Edition. [S.l.]: Cambridge: University Press