José bar Hia (século IV)
José bar Hia (em hebraico: יוסף בר חייא; romaniz.: Yosef bar Ḥiyya; m. 333) foi um rabino babilônio pertencente à terceira geração dos amoraítas.
Vida
José nasceu em data incerta ao longo do século III. Foi discípulo de Judá bar Ezequiel e assumiu a Academia de Pumbedita após a morte Rabá bar Nacmani, onde exerceu função por dois anos e meio, até sua morte em 333. Centenas de seus ensinamentos, tanto em halacá quanto em hagadá, encontram-se dispersos pelos Talmudes Babilônico e de Jerusalém, e um grande número de seus alunos transmitiu ditos em seu nome. Dedicou-se particularmente ao texto da Mixná, que costumava esclarecer por meio das baraitas. Seu conhecimento era excepcionalmente amplo, seu ensino bem ordenado e suas decisões haláquicas claras, de modo que foi chamado Sinai, isto é, um erudito de vasto saber. Também se aprofundou no misticismo e foi um dos "mestres da mercavá". Destacou-se ainda na exegese bíblica e deixou uma tradução aramaica de partes da Bíblia, frequentemente citada. Especificamente a ele se atribuiu a tradução aramaica do Livro das Crônicas (I Crônicas e II Crônicas), designada como "o Targum do Rabino José".[1]
Apesar de ter sido recomendado para o cargo de chefe da academia, José adiou essa honra durante os 22 anos em que Rabá dirigiu a instituição e, nesse período, aceitou a autoridade de Rabá. Segundo o Talmude, possuía um amor profundo pela Torá e por seus estudantes e, sendo consideravelmente rico (era proprietário de campos e vinhedos, e seu vinho era elogiado), assumiu o sustento de 400 de seus discípulos. Em sua hagadá, enfatizou a importância da Torá e de seus estudantes e submeteu-se a muitos jejuns, até receber a garantia celeste de que o estudo da Torá não se afastaria de seus descendentes ao longo de três gerações. Um dos acontecimentos centrais de sua vida foi uma grave enfermidade que o levou a "esquecer seu aprendizado"; Abaié — seu discípulo — voltou a ensinar-lhe o que havia esquecido, e essa enfermidade pode ter sido a causa de sua cegueira.[1]
Muitas histórias sobre sua conduta são relatadas e os detalhes de sua morte e sepultamento estão envoltos por lendas. Seus ensinamentos e decisões enfatizam a preocupação com a situação dos pobres e a melhoria da vida social. Sua aspiração de elevar a importância da academia acima da do exilarca — o que levaria à dependência deste em relação às academias — é perceptível em seus ditos hagádicos e pode também ser observada na tendência, em seus ensinamentos, de conferir maior autoridade aos tribunais e às suas decisões. A primeira disputa no conflito entre as academias e o exilarca teve origem com José. Outro detalhe em sua hagadá é que ele é o único a mencionar conversas com Asmodeus, rei dos demônios.[1]
Referências
- ↑ a b c Ta-Shma 1906.
Bibliografia
- Ta-Shma, Israel Moses (1906). «Yosef bar Ḥiyya». Jewish Encyclopedia. Nova Iorque: Funk & Wagnalls