José Arthur Rios
| José Arthur Rios | |
|---|---|
![]() Fotografia do Fundo Correio da Manhã, 1961 | |
| Data de nascimento | 24 de maio de 1921 |
| Local | Rio de Janeiro, Brasil |
| Morte | 16 de setembro de 2017 |
| Local | Rio de Janeiro, Brasil |
| Principais interesses | Sociologia urbana, ciência política, história do Brasil |
| Religião | catolicismo romano |
| Trabalhos notáveis | Aspectos humanos das favelas cariocas |
| Influências | Max Weber, Louis-Joseph Lebret, Pitirim Sorokin, Franz Boas, Gilberto Freyre, Oliveira Vianna. |
| Alma mater | Faculdade de Direito da Universidade Federal Fluminense |
José Arthur Alves da Cruz Rios (Rio de Janeiro, 24 de maio de 1921 – Rio de Janeiro, 16 de novembro de 2017) foi um sociólogo, poeta e professor universitário brasileiro. Discípulo de Eric Voegelin na Universidade do Estado da Luisiana, tratou em sua obra da urbanização, da violência, da reforma agrária e da educação, aproximando-se, segundo Ricardo Vélez Rodríguez, do culturalismo sociológico, corrente de pensamento trabalhada no Brasil por Oliveira Vianna e Sílvio Romero.[1][2]
Intelectual de formação católica e tradicionalista, figurou, ao lado de Paulo Mercadante, Olavo de Carvalho e Vicente Ferreira da Silva, entre os principais estudiosos brasileiros do pensamento conservador, distinguindo-se daqueles pela sua abordagem mais histórico-social que hermenêutica.[3]
Biografia
Neto do deputado Artur César Rios, cresceu José Arthur no seio de uma família de classe média, que desde cedo incutiu-lhe o hábito da leitura e o gosto pelo estudo. Completou sua educação secundária no Ginásio Bittencourt Silva e realizou os preparatórios no Instituto de Educação do Estado do Rio de Janeiro, onde foi aluno do historiador pernambucano Silvio Julio, sendo logo admitido à Faculdade de Direito de Niterói, pela qual diplomou-se bacharel em ciências jurídicas. Nos anos que se seguiram à sua formatura, atuou como professor e advogado enquanto cursava ciências sociais na Faculdade Nacional de Filosofia, que à época contava em seu corpo docente com um rol de eminentes professores franceses, como Maurice Byé e Jacques Lambert. Datam destes tempos seus primeiros trabalhos, que versam sobre literatura e história.[1]
Em meados da década de 40, converteu-se ao catolicismo e passou a frequentar os círculos do Centro Dom Vital, que reuniam intelectuais como Hilgard Sternberg e Guerreiro Ramos, por intermédio dos quais se acercou do estudo da sociologia americana. No pós-guerra, obteve seu Master of Arts em sociologia rural na Universidade do Estado da Luisiana sob a orientação do brasilianista Thomas Lynn Smith, com quem manteve longa e fecunda interlocução em torno da questão agrária, que se tornaria um dos temas centrais de sua obra.
De volta ao Brasil, foi convidado pela Fundação Getulio Vargas a integrar o corpo de pesquisadores do núcleo de Estudos da População. Participou, no início da década de 50, da Comissão Nacional de Política Agrária coordenada pelo então ministro da agricultura João Cleofas, idealizando a Campanha Nacional de Educação Rural do Ministério da Educação e da Saúde, projeto que visava promover o desenvolvimento humano e econômico de regiões rurais. Em 1957, tornou-se assessor técnico do Senado Federal, trabalhando sobretudo com temas ligados à reforma agrária.
Por volta do fim dos anos 50, Rios assumiu a direção da Sociedade para Análises Gráficas e Mecanográficas Aplicadas aos Complexos Sociais, instituição de estudos e planejamento urbano fundada pelo padre Louis-Joseph Lebret, pela qual passaram importantes estudiosos da realidade social das favelas, como o antropólogo Anthony Leeds. No início da década de 60, trabalhou no governo estadual da Guanabara encabeçado por Carlos Lacerda como secretário de Assuntos Sociais, o que lhe permitiu tentar implementar seus projetos de recuperação urbana das favelas.
Em 1969, ingressou no corpo docente do Departamento de Sociologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, onde teve como aluno o ex-Ministro da Educação Ricardo Vélez Rodríguez.[3] Lecionou também na Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro.[4]
Vida pessoal
Foi casado com Regina Alves de Figueiredo, filha do intelectual e advogado Jackson de Figueiredo.[1][5]
Obra
- A educação dos grupos. Rio de Janeiro: 1954.
- Problemas humanos das favelas cariocas. Rio de Janeiro: 1960.
- O artesanato cearense. Rio de Janeiro: 1963.
- Estudos de problemas brasileiros; Rio de Janeiro: 1964.
- A Reforma Agrária: problemas, bases, soluções. Rio de Janeiro: 1964.
- The University Student and Brazilian Society. Universidade Estadual de Michigan: Centro de Estudos Latino-Americanos. 1971.
- Social Transformation and Urbanization - The case of Rio de Janeiro. Universidade de Winsconsin-Milwaukee: Centro de Estudos Latino-Americanos. 1971.
- Câmara escura. Rio de Janeiro: 1972.
- Sociologia da Corrupção. Rio de Janeiro: 1987.
- Caminhos e descaminhos de uma ideologia: o Marxismo na Universidade (artigo). Rio de Janeiro: 1999.
- Poemas do cuco. Rio de Janeiro: 2004.
- Ensaios de olhar e ver. Rio de Janeiro: 2011.
Referências
- ↑ a b c «José Arthur Rios». Sociedade Brasileira de Sociologia. Consultado em 26 de outubro de 2025
- ↑ «Fontes para pensar o Brasil e a sociologia brasileira: os arquivos José Arthur Rios e Carlos Alberto de Medina». Casa de Oswaldo Cruz. 4 de junho de 2020. Consultado em 26 de outubro de 2025
- ↑ a b Rodríguez, Ricardo Vélez (2017). «José Arthur Rios - 1921-2017 (in memoriam)». Ricardo Vélez. Consultado em 26 de outubro de 2025
- ↑ adm_beemote, Publicado em (20 de setembro de 2017). «NOTA DE PESAR, de um Sociólogo presente!». Consultado em 1 de novembro de 2025
- ↑ «Fontes para pensar o Brasil e a sociologia brasileira: os arquivos José Arthur Rios e Carlos Alberto de Medina | História, Ciências, Saúde – Manguinhos». Consultado em 27 de outubro de 2025
