Maurice Byé

Maurice Byé
Nome completoMaurice Félix Byé
Nascimento
Morte
6 de maio de 1968 (62 anos)
NacionalidadeFrancês
EducaçãoUniversidade de Lyon

Maurice Félix Byé (Marselha, 30 de novembro de 19056 de maio de 1968) foi um economista e professor universitário francês. Sua obra, afinada com a de François Perroux e inscrita nos campos da economia e das relações internacionais, tem como principais temas a globalização, o comércio internacional e o subdesenvolvimento. Foi o orientador da tese de doutoramento do economista paraibano Celso Furtado.[1][2][3][4]

Biografia

Doutorou-se em 1928 pela Universidade de Lyon com uma tese sobre a lei dos rendimentos decrescentes, a qual incluía uma detalhada análise da evolução daquela teoria, desde os romanos até os pensadores modernos. Iniciou o magistério em 1931, ocupando a cátedra de economia da Faculdade de Direito de Toulouse. Em meados da década, encontrava-se associado ao Partido Democrático Popular, que congregava democratas-cristãos contrários tanto ao fascismo quanto ao comunismo.[5]

Em 1937, foi enviado ao Brasil pelo governo francês como parte de uma ''missão acadêmica'' - da qual também participaram Claude Lévi-Strauss e Fernand Braudel[6] - que visava aprofundar os laços culturais e intelectuais entre os dois países. No Rio de Janeiro, lecionou na Faculdade Nacional de Filosofia e travou contato com o engenheiro Eugênio Gudin, com quem manteve ao longo da vida um rico e profundo intercâmbio de ideias. Após a conquista alemã da França, Byé retornou à sua terra natal para combater o nazismo ao lado das forças de libertação francesas.[5]

No pós-guerra, foi contratado como discente do programa de pós-graduação da Universidade de Paris, onde dirigiu a tese do jovem economista Celso Furtado, intitulada L'économie coloniale brésilienne, que mais tarde serviria de base ao clássico Formação Econômica do Brasil. Autor prolífico, deixou vasta obra acadêmica, ensaística e didática, em que se sobressaem seus manuais de referência sobre economia internacional.

Pensamento

A economia internacional

Em sua análise da economia mundial, Byé realça as desigualdades de poder e riqueza existentes entre países, regiões e povos, chegando mesmo a afirmar que crescimento e desenvolvimento necessariamente causam desequilíbrios e assimetrias político-econômicas. Questionando a possibilidade de um mercado internacional autorregulado, o economista propõe a centralidade das organizações nacionais e internacionais na equilibração do desenvolvimento econômico mundial, de maneira que pudesse a ''sociedade humana'', e não somente a ''sociedade internacional'', ter seus interesses representados.[7]

As empresas plurinacionais

O conceito de ''grandes unidades interterritoriais'' é caro a Byé, pois serviu-lhe na explicação da natureza e da expansão das empresas multinacionais.

Obra

  • La Loi des rendements non proportionnels (Universidade de Lyon). 1928.
  • Traité d'Économie Politique, Les cadres économiques, coescrito com Gaëtan Pirou. 1943
  • Cours d'économie politique (Universidade de Paris). 1948.
  • Le pouvoir économique. 1949.
  • Demain l'Europe sans frontières (Paris, éditions Plon). 1958.
  • Manuel de relations économiques internationales (Dalloz Paris). 1965.
  • Le Concept de sous-développement (escrito em colaboração com Jacques Freyssinet). 1966.
  • Développement et sous-développement (escrito em colaboração com Celso Furtado). 1966.
  • Les Firmes plurinationales. 1968
  • Les Problèmes économiques européens (Paris, éditions Cujas). 1970.

Referências

  1. «Infância no NE influenciou vida acadêmica e política». www2.senado.leg.br. Consultado em 29 de outubro de 2025 
  2. Bohn, Liana (2020). «CELSO FURTADO: DA HISTÓRIA, ATRAVÉS DA ECONOMIA, PARA A HISTÓRIA» 
  3. «Maurice Byé (1905-1968)». data.bnf.fr (em francês). Consultado em 29 de outubro de 2025 
  4. «Maurice Félix Byé - Les Français Libres». francaislibres.net. Consultado em 29 de outubro de 2025 
  5. a b «Maurice Byé and François Perroux : convergences and divergences of two catholic economists | Universitas» (em francês). 8 de julho de 2022. Consultado em 29 de outubro de 2025 
  6. «USP e UFRJ: a influência das concepções alemã e francesa em suas fundações». www.scielo.br. Consultado em 29 de outubro de 2025 
  7. Byé, Maurice (1965). Relations économiques internationales. Paris: Collection Dallos 

Ligações externas