Campanha do Congo (1622-1623)

Campanha do Congo (1622-1623)
Guerras Angolanas

O reino do Congo em 1648
Data1622 – 1623
LocalAngola
DesfechoVitória do Reino do Congo
Beligerantes
Império Português Reino do Congo
Comandantes
Pedro de Sousa Coelho
D. Álvaro III
D. Pedro II
Paulo Afonso
Cosme de Pemba
Forças
30,000 homens[1] 23,000 homens[1]

A campanha do Congo de 1622 a 1623 foi um episódio bélico das Guerras Angolanas, passado entre Portugal e o Reino do Congo. Um exército luso-africano invadiu o Congo mas foi rechaçado na Batalha de Ambanda-Cassi.

Contexto

Após a Guerra de Cassange, em Abril de 1622, o governador João Correia de Sousa exigiu ao rei do Congo D. Álvaro III que substituísse o duque de Ambamba Pedro Afonso, por roubar gado aos portugueses e de albergar escravos e prisioneiros de guerra fugidos.[1]

Como o rei do Congo recusava-se a dar resposta às queixas de Luanda, o governador português declarou guerra ao Congo e mandou o capitão-mor Pedro Sousa Coelho invadir o reino com um exército de 30,000 homens, entre os quais 130 soldados europeus, auxiliares ambundos e os temidos mercenários Imbangalas.[1][2] Era provavelmente a maior força reunida pelos portugueses em Angola até então.[1]

A campanha

Invadido o Congo, o exército português dirigiu-se a Nambu-Andongo, nos Dembos ocidentais, cujo soba foi derrotado e a região ocupada.[2][1]

O rei D. Álvaro III morreu pouco depois a 4 de Maio e deixou um jovem filho incapaz de governar mas, quando se esperava uma guerra civil entre facções rivais de aristocratas que defendiam candidatos diferentes ao trono, mediante os esforços do padre espanhol Brás Correia a aristocracia do Congo concordou em eleger o mais afastado duque D. Pedro Afonso como novo rei.[1] É provável que o momento de crise aliado às capacidades militares e de formar compromissos de D. Pedro tenham ajudado à sua eleição.[1]

Entretanto, as tropas portuguesas já tinham marchado sobre Ambamba e quando o novo duque de Ambamba Paulo Afonso acorreu com um exército de 3,000 homens, não fazia ideia que defrontava uma hoste dez vezes maior.[1]

Batalha de Bumbi

Na Batalha de Bumbi a 18 de Dezembro de 1622, o duque de Ambamba D. Paulo Afonso atacou com ânimo e dispersou os arqueiros ambundos aliados dos portugueses mas os guerreiros congos revelaram-se incapazes de fazer frente à infantaria portuguesa, cujas armas de fogo penetravam os seus escudos.[1] O exército do duque foi então desbaratado por um grande contra-ataque dos imbangalas, morrendo no combate tanto D. Paulo Afonso como o marquês D. Cosme de Pemba.[1] No rescaldo da batalha, muitos foram devorados pelos imbangalas.[3]

Batalha de Ambanda Cassi

Os portugueses avançaram então por Ambamba mas em Janeiro de 1623 foram desbaratados em Ambanda Cassi pelo exército real do Congo, que provavelmente contabilizava 20,000 homens.[1] O rei D. Pedro depois avançou com o exército real para uma campanha nos Dembos e recuperou para a sua autoridade os sobas que se haviam aliado aos portugueses.[1] Em Bumbi e por toda a região os negociantes portugueses foram atacados, espoliados e alguns deles assassinados, não obstante os esforços do rei D. Pedro II para protegê-los.[1][3]

Luanda no séc. XVII.

Ao chegarem a Luanda as notícias da derrota, o governador foi deposto pelos portugueses e substituído pelo bispo de Luanda, Simão Mascarenhas, que favorecia a conciliação com o Congo.[1] D. Pedro, porém, escreveu cartas à República dos Países Baixos, propondo-lhes uma aliança para expulsar os portugueses de Angola, a troco de marfim e prata.[1] No entanto, morreu pouco depois e foi sucedido no trono por pelo rei D. Garcia I.[1]

Esta campanha pôs fim a mais de um século de intercâmbio amigável entre Portugal e o Congo e deixou uma marca profunda na memória popular dos congos devido às depredações dos Imbangalas canibais.[4] A paz seria mais tarde assinada a 13 de Abril de 1649 mas a perturbação causada nas relações comerciais entre os dois países levou ao declínio da comunidade mercantil portuguesa no Congo e foi o começo das hostilidades que culminariam na Batalha de Ambuíla em 1665.[4][5]

Ver também

Referências

  1. a b c d e f g h i j k l m n o p q John K. Thornton: A History of West Central Africa to 1850, Cambridge University Press, 2020, pp. 129-136.
  2. a b Ralph Delgado: História de Angola, 1º Volume, Edição do Banco de Angola pp. 74.
  3. a b Delgado, p. 75
  4. a b David Birmingham: Central Africa to 1870, Zambezia, Zaire and the South Atlantic, Cambridge University Press, 1981, p. 59.
  5. Alberto Oliveira Pinto: História de Angola: Da Pré-História ao Início do Século XXI, Mercado de Letras Editores, 2019, p. 378.