Guerras Angolanas

Guerras Angolanas
A região de Angola
De cima para baixo, da esquerda para a direita:
  • Mapa seiscentista do noroeste de Angola
  • A audiência entre a Rainha Ginga e o governador João Correia de Sousa
  • A conquista holandesa de São Tomé e Luanda
  • A História Geral das Guerras Angolanas
Data1579 - 1683
LocalAngola
DesfechoVitória Portuguesa
Beligerantes
Portugal
Reino do Congo (até 1622)
Reino de Cassange (a partir de 1639)
Imbangalas
Ambundos
Reino do Dongo
Reino do Congo (a partir de 1622)
Reino de Matamba
Reino de Cassange (até 1639)
Reino de Libolo
Companhia Holandesa das Índias Orientais
Comandantes
Paulo Dias de Novais
Bento Banha Cardoso
Luís Mendes de Vasconcelos
João Correia de Sousa
Salvador Correia de Sá
Luís Lopes de Sequeira 
D. Filipe do Dongo
Quiacassenda do Dongo
Ambandi Angola do Dongo
Angola Ambandi do Dongo
Rainha Ginga
D. Francisco Guterres de Matamba
D. Verónica de Matamba
D. Pedro II do Congo
D. António I do Congo
D. João Hari do Dongo
Cassange
Cornelis Jol
Cornélio Nieulant
Thymen Pietersen

As Guerras Angolanas foram uma longa série de conflitos travados no noroeste de Angola entre Portugal e o Reino do Dongo, o Reino do Congo, o Reino de Matamba, o Reino de Cassange, o Reino de Libolo e a Companhia Holandesa das Índias Ocidentais, de 1579 a 1683.

Paulo Dias de Novais fundou a cidade de Luanda em 1576 e três anos depois estalaram as hostilidades com o Reino do Dongo, após ter o rei Quiacassenda massacrado a comunidade de mercadores portugueses na sua capital. Os portugueses eram pouco numerosos mas dispunham de equipamento mais pesado e associaram à sua causa grande número de guerreiros africanos, cujo apoio foi vital para o sucesso das armas lusas.[1] A Rainha Ginga notabilizou-se ao forjar "a maior coligação de estados angolanos no séc. XVII" contra os portugueses que, não obstante, superaram todas as adversidades e emergiram como a principal potência na região.[2]

Estes conflitos, que alteraram radicalmente o equilíbrio de poder na região e marcaram-na profundamente, ficaram registadas principalmente na obra de António de Oliveira Cadornega, História Geral das Guerras Angolanas, uma narrativa épica em três volumes que segue o mesmo estilo das crónicas portuguesas da conquista da Índia e do Brasil.[3]

Contexto

Os portugueses alcançaram Angola em 1482, no reinado de D. João II, quando Diogo Cão subiu o Rio Congo e entrou em contacto com o Reino de Congo. A partir de então foram estabelecidas relações amigáveis entre os dois reinos e em 1491 o rei do Congo converteu-se ao Catolicismo, passando então o reino a ser frequentado por numerosos embaixadores, missionários e mercadores portugueses que se estabeleceram no país.

As relações entre os dois países permaneceram estáveis e em 1568 os portugueses ajudaram o rei D. Álvaro I a rechaçar uma revolta ou invasão dos jagas, o que lhes valeu elevada consideração por parte do rei congo. Em 1576 Paulo Dias de Novais fundou a cidade de Luanda e o seu objectivo era obter acesso às minas de prata que se dizia existir em Cambambe mas tinha ordens do rei D. Sebastião para seguir uma política de contactos bilaterais.[4] Firmou, por isso, tratados de comércio e de aliança militar com o Dongo e, em troca de ajuda a reprimir rebeldes, o rei vendia aos portugueses os rebeldes, prisioneiros de guerra e súbditos condenados à morte por adultério e furto como escravos, auferindo-lhe assim grandes lucros.[5][6][7]

Tão amistosas eram as relações com o Dongo que o angola pediu um embaixador para a sua capital de Cabassa e o donatário enviou-lhe Pero da Fonseca com uma comitiva ou guarda de 20 homens.[8][9]

As guerras do Dongo, 1579-1622

Não obstante as boas relações de Paulo Dias de Novais com Quiacassenda, a fundação de Luanda foi mal vista pelos negociantes portugueses e são-tomenses que já viviam na região há muito.[10]

O despoletar da guerra entre Portugal e o Dongo deveu-se a um incidente que ficou conhecido como "a traição" do rei do Dongo.[11][12] Um experiente mercador português em Cabassa desavindo com Pero da Fonseca, Francisco Barbudo, convenceu o rei Quiacassenda de que Paulo Dias de Novais pretendia conquistar-lhe o reino, que o embaixador era um espião e a sua comitiva uma quinta coluna, pelo que, após consultar com os seus conselheiros, o angola mandou massacrar todos os portugueses na sua capital, incluindo Francisco Barbudo.[12][11]

A primeira guerra do Dongo

Após o massacre em Cabassa, Quiacassenda partiu à cabeça de um exército de 12,000 homens para expulsar os portugueses do Dongo e Paulo Dias de Novais, que se encontrava então perto do Cuanza com as suas tropas, recebeu um ultimato do angola.[12] O donatário deslocou-se, porém, para Anzele e ali levantou um forte.[12][11] Só vinte dias mais tarde chegaram a Anzele notícias do massacre.[11][12] O forte foi cercado durante vários meses pelo exército do Dongo mas uma bem executada surtida obrigou os ambundos a retirarem-se.[11][12]

A Fortaleza de Massangano.

Nos dez anos seguintes, Paulo Dias de Novais prosseguiu com a guerra contra o Dongo, travou várias batalhas, vassalizou ou cristianizou numerosos sobas e fundou a fortaleza de Massangano.[11][12] Faleceu a 9 de Maio de 1589 e foi enterrado num túmulo simples diante da igreja de Massangano.[11][12] Os sucessores de Paulo Dias de Novais seguiram a sua política nos quinze anos seguintes e, entre outras coisas, fundaram os presídios de Muxima e Cambambe, não obstante grandes perdas por doenças devido ao clima.[11][12] As minas de prata que se dizia existir em Cambambe, porém, revelaram só conter chumbo.[11][12]

Pouco após a fundação de Cambambe, a 70 quilómetros apenas da capital do Dongo, o sucessor do rei Quiacassenda, Ambandi Angola, enviou um pedido de paz e também solicitava missionários Jesuítas para evangelizar o seu povo.[12] O então governador, Manuel Cerveira Pereira, pretendia restabelecer relações comerciais com o angola e procedeu a uma votação entre os seus oficiais, na qual foi deliberado não se prosseguir mais com as hostilidades, encerrando-as em 1604.[11][12] Os sobas que haviam entretanto reconhecido a autoridade portuguesa ficaram sob a tutela de Luanda.

A segunda guerra do Dongo

O governador Luís Mendes de Vasconcelos.

Em 1611, o rei do Dongo Ambandi Angola começou a atacar as feiras no sertão e os mercadores portugueses que tomavam parte nelas. Ao saber disto, o governador Bento Banha Cardoso preparou-se para levar a cabo uma nova guerra contra o Dongo e firmou uma aliança com os jagas imbangalas, que passariam a servir os portugueses como mercenários.[13][14] As campanhas de Bento Banha Cardoso naquele ano pacificaram temporariamente a região, elevaram de 14 para 78 os sobas vassalos a Portugal e ainda fundou o presídio de Ambaca.[13]

A guerra contra o Dongo assumiu maiores proporções em 1617. Em inícios deste ano subiu ao trono do Dongo Angola Ambandi, que lançou uma violenta perseguição contra rivais políticos: matou um meio irmão, a mãe deste e os irmãos e irmãs desta, o tendala da Corte, muitos funcionários e as suas famílias; esterilizou violentamente as suas três irmãs, Quifunge, Mucambo e Jinga, a quem, na verdade, pertencia o trono de direito e matou o filho desta última.[15][16][17] Também repudiou a diplomacia com os portugueses e reuniu tropas para atacá-los.[17] Em Luanda, entretanto, desembarcou o novo governador Luís Mendes de Vasconcelos, que se propusera ligar, pela primeira vez, Angola à contra-costa e conquistar o Dongo, para o qual tinha o apoio de numerosos sobas insatisfeitos com Angola Ambandi, incluíndo um pretendente rival, e que se colocaram voluntariamente sob as suas ordens.[17][16]

O presídio de Ambaca foi cercado pelas tropas do Dongo comandadas por Caita Calabalanga, o último soba poderoso ainda leal a Angola Ambandi mas com a ajuda das tropas imbangalas, o governador desbaratou o exército ambundo em batalha e depois alcançou a capital do Dongo, Cabassa, praticamente sem oposição.[16][15][18] As campanhas no Dongo continuaram nos quatro anos seguintes e causaram grande devastação, tendo os portugueses logrado capturar importantes pessoas associadas a Angola Ambandi, que se refugiou com a sua Corte nas ilhas de Quindonga, no Cuanza.[16][15][17]

O baptismo da Rainha Ginga.

Luís Mendes de Vasconcelos reuniu abrangentes críticas devido a irregularidades, a excessos cometidos no Dongo e também porque as tropas imbangalas assaltaram terras portuguesas.[16][15] O seu sucessor, João Correia de Sousa prendeu-o e entabulou negociações de paz com o Dongo.[16] Para representá-lo em Luanda, Angola Ambandi escolheu a sua irmã, Ginga Ambandi que, em Luanda, converteu-se ao catolicismo, adoptando o nome de D. Ana de Sousa.[15] A segunda guerra do Dongo resultou entre outras coisas na vassalização de 190 sobas a Portugal.[18][16]

Campanha contra o Cassange

Entre os termos de paz negociados por Ginga contava-se uma expedição militar contra os imbangalas do reino de Cassange, que haviam sido autorizados a estabelecer-se em território do Dongo mas entretanto tinham cortado os laços com o angola e declarado a independência.[15] Agora davam guarida a guerreiros que atacavam as caravanas e os sobas vassalos tanto do Dongo como de Portugal. Já em Dezembo de 1620, alguns guerreiros assaltaram o caminho que ligava Luanda a Tombo e, antes de sofrerem represálias dos portugueses, refugiaram-se na "ensaca" de Cassange.[19] Ali, reuniram em seu torno numerosos sobas para continuarem a pilhar fazendas, gado e escravos.[19] O governador João Correia de Sousa entregou esta missão ao capitão-mor Pedro de Sousa Coelho que partiu à cabeça de um "quilombo" ou exército misto de portugueses e guerra preta, divididos em sete "lucanzos" ou destacamentos.[19] Contou com a participação dos capitães espanhóis Roque de São Miguel, João da Vilória e o genro deste último, o sargento-mor António Bruto, que coordenaram as acções no terreno.[19]

Imbangalas.

A infantaria portuguesa desbaratou os imbangalas e incendiou as suas povoações à medida que avançava em direcção à capital ao passo que a cavalaria ficou em alerta em Luanda, pronta para perseguir quaisquer fugitivos.[19] O cerco à ensaca de Cassange foi duro mas, depois do capitão-mor Pedro de Sousa Coelho ter colocado o sargento-mor António Bruto a barrar o acesso a uma lagoa próxima, muitos sitiados renderam-se, tendo o cassange vindo a ser capturado no decorrer das operações.[19]

O cassange foi levado para Luanda e degolado publicamente a 22 de Maio de 1622.[19] Os sobreviventes do ataque elegeram um novo líder, fugiram para sul e fundaram o reino de Culaxingo num território entre os rios Cuango e Liu, que ficaria conhecido como Baixa de Cassange.[20] O angola tentou convencer o governador a expurgar esta ensaca também mas sem sucesso.[20]

Primeira campanha contra o Congo

Após a campanha do Cassange, o governador João Correia de Sousa exigiu ao rei do Congo D. Álvaro III que substituísse o duque de Ambamba Pedro Afonso, por roubar gado aos portugueses e de albergar escravos e prisioneiros de guerra fugidos.[21] Como o rei se recusava a dar resposta às queixas de Luanda, o governador português declarou guerra ao Congo e mandou o capitão-mor Pedro Sousa Coelho invadir o reino com um exército de 30,000 homens, entre os quais se contavam 130 soldados europeus, auxiliares ambundos e os temidos mercenários Imbangalas.[21][22] Era provavelmente a maior força reunida pelos portugueses em Angola até então.[21]

O exército português dirigiu-se a Nambu-Andongo, nos Dembos ocidentais, cujo soba foi derrotado e a região ocupada.[22][21]

O rei D. Álvaro III morreu pouco depois a 4 de Maio e deixou um jovem filho incapaz de governar mas, quando se esperava uma guerra civil entre facções rivais de aristocratas que defendiam candidatos diferentes ao trono, a aristocracia do Congo concordou em eleger o mais afastado duque D. Pedro Afonso.[21] É provável que o momento de crise aliado às capacidades militares e de formar compromissos de D. Pedro tenham ajudado à sua eleição.[21]

O Congo em 1648.

Entretanto, as tropas portuguesas já tinham marchado sobre Ambamba e quando o novo duque de Ambamba Paulo Afonso acorreu com um exército de 3,000 homens, não fazia ideia que defrontava uma hoste dez vezes maior.[21] Na Batalha de Bumbi a 18 de Dezembro de 1622, o duque de Ambamba D. Paulo Afonso atacou com ânimo e dispersou os arqueiros ambundos aliados dos portugueses mas os guerreiros congos revelaram-se incapazes de fazer frente à infantaria portuguesa, cujas armas de fogo penetravam os seus escudos.[21] O exército do duque foi então desbaratado por um grande contra-ataque dos imbangalas, morrendo no combate tanto D. Paulo Afonso como o marquês D. Cosme de Pemba.[21] No rescaldo da batalha, muitos foram devorados pelos imbangalas.[23]

Os portugueses avançaram então por Ambamba mas em Janeiro de 1623 foram desbaratados em Ambanda Cassi pelo exército real do Congo, que provavelmente contabilizava 20,000 homens.[21] O rei D. Pedro depois avançou com o exército real para uma campanha nos Dembos e recuperou para a sua autoridade os sobas que se haviam aliado aos portugueses.[21] Em Bumbi e por toda a região os negociantes portugueses foram atacados, espoliados e alguns deles assassinados, não obstante os esforços do rei D. Pedro II para protegê-los.[21][23]

Ao chegarem a Luanda as notícias do desaire de Ambanda-Cassi, o governador foi deposto pelos portugueses e substituído pelo bispo de Luanda, Simão Mascarenhas, que favorecia a conciliação com o Congo.[21] D. Pedro, porém, escreveu cartas à República dos Países Baixos, propondo-lhes uma aliança para expulsar os portugueses de Angola, a troco de marfim e prata.[21] No entanto, morreu pouco depois e foi sucedido no trono por pelo rei D. Garcia I.[21]

A era da Rainha Ginga, 1624-1656

Bandeira da Companhia Holandesa das Índias Orientais.

Após a assinatura da paz com os portugueses em 1622, o rei do Dongo Angola Ambandi caiu numa depressão profunda e foi assassinado em 1624 pela popular Rainha Ginga, que lhe sucedeu no trono. Isto causou uma divisão e guerra-civil no Dongo entre os apoiantes da Rainha Ginga e os apoiantes de um parente afastado de Angola Ambandi, o senhor das Pedras Negras de Pungo Andongo, Aire Quiluange, soba vassalo de Portugal.[24]

Em Junho daquele ano desembarcou em Luanda o novo governador, Fernão de Sousa, que passou os primeiros seis meses do seu mandato a defender a cidade de ataques da Companhia Holandesa das Índias Ocidentais.[20] Vários nobres congos poderosos simpatizavam com os holandeses, nomeadamente o conde do Sonho, que os acolhia no seu porto de Pinda.[20]

Entretanto, as relações entre Luanda e Quindonga eram tensas: o governador Fernão de Sousa exigia que a rainha parasse de incitar as populações de quimbares a mudarem-se para o seu reino, ameaçando mesmo de guerra e a rainha exigia que os portugueses abandonassem a fortaleza de Ambaca e que devolvessem os seus súbditos aprisionados pelo governador Luís Mendes de Vasconcelos.[20] O governador, portanto, deu o seu apoio a Aire Quiluange e encontrou-se com ele em Ambaca mas a Rainha Ginga usou isto como pretexto para enviar um exército a sitiar Pungo Andongo em inícios de 1626.[20]

Guerra entre a rainha Ginga e Portugal 1626-1641

A Rainha Ginga

O Pungo Andongo foi socorrido por um exército comandado pelo ex-governador Bento Banha Cardoso, que marchou depois sobre o Reino do Dongo e entregou-o a Aire Quiluange, para além de que avassalou vários sobados a sul do Cuanza.[20] As ilhas de Quindonga foram então sitiadas em Abril mas rebentou a peste e a rainha Ginga logrou fugir para o reino do Jaga Caza ao fim de dois meses.[20] Aire Quiluange faleceu vítima da epidemia mas a 12 de Outubro de 1626, o governador Fernão de Sousa coroou em pessoa em Pungo Andongo, como novo rei do Dongo, um irmão de Aire Quiluange, que adoptou o nome de D. Filipe de Sousa.[20]

Entre 1626 e 1629, a Rainha Ginga viveu praticamente a monte e perseguida pelos portugueses, mudando frequentemente a sua Corte de sítio para não ser capturada.[25] O capitão-mor Bento Banha Cardoso faleceu em Agosto de 1628 e foi substituído por Paio de Araújo de Azevedo que, a 29 de Maio de 1629, renunciou à perseguição quando soube que a Rainha havia fugido pelo penhasco da Quina Grande das Ganguelas com a ajuda do povo songo e refugiara-se no reino imbangala de Matamba, cujo rei desposou.[25] A rainha passou doravante a comparticipar nos mesmos rituais canibais e sacrifícios humanos e infantis que caracterizavam a sociedade imbangala.[25]

Após tomar posse em Matamba, a rainha forjou a maior aliança de estados angolanos do séc. XVII, formada inicialmente pela Matamba, pelo Dongo e pelo reino de Cassange, vindo depois a incluir os sobados de Quiassama, alguns nos Dembos e também o Congo.[2] A rainha também negociou uma aliança com a Companhia Holandesa das Índias Ocidentais em troca de armas de fogo.[26] Os portugueses agora enfrentavam ataques da rainha Ginga a partir do leste, do Congo a norte, os holandeses a ocidente vindos do mar e das tribos dos quissamas a sul, que começaram a atacar os presídios portugueses no corredor entre o Cuanza e o Bengo com crescente persistência a partir de 1635.[25] Em 1639, porém, os portugueses alcançaram um acordo de paz e aliança com o reino de Cassange.[27]

Ocupação Holandesa de Luanda 1641-1648

Gravura holandesa de Luanda.

A 2 de Fevereiro de 1641, a Companhia Holandesa das Índias Ocidentais ocupou Benguela mas os seus moradores procuraram refúgio em Caconda mais para o interior.[25] Dois meses mais tarde, Luanda rejubilou com a chegada da notícia da Restauração da Independência e D. João IV foi aclamado mas, não obstante Portugal já não fazer parte de Espanha, entre 22 e 23 de Agosto a cidade foi atacada por uma armada comandada por Cornelis Jol e ocupada.[25] Liderados pelo governador Pedro César de Menezes, a maioria dos moradores portugueses abandonou Luanda e partiu para Massangano, onde só chegaram em Dezembro.[25]

Ocupada Luanda pelos holandeses, o Congo assinou uma aliança com a Companhia a 28 de Março de 1642.[28] O rei D. Garcia avançou então com o seu exército para sul e com a ajuda dos holandeses derrotou os portugueses em batalha a 24 de Setembro do mesmo ano.[28] A rainha Ginga, entretanto, avançou com as suas tropas para Cavanga e pouco depois encontrava-se em contacto com o Congo.[29]

Não obstante o estado de guerra com os holandeses, muitos portugueses deslocavam-se a Luanda para negociar, ao passo que os holandeses viam-se incapazes de avançar para o interior, em grande medida devido à pertinácia dos capitães dos rios Fernão Rodrigues e Gaspar Gonçalves Ensadeira.[30] O rei do Congo e a rainha Ginga, por sua vez, tinham dificuldade em aceder às rotas comerciais do interior e fornecer aos holandeses escravos em números suficientes, o que lhes causava enormes prejuízos mas os portugueses continuavam em contacto com os sobas seus aliados e com o Brasil através dos rios Bengo e Cuanza, em cujas barras os navios ancoravam.[30] A 30 de Janeiro de 1643, portanto, o director Cornélio Nieulant assinou uma trégua com o governador Pedro César de Meneses, mediante a qual permitia que várias famílias de negociantes portugueses se instalassem num bairro construído nos arredores de Luanda, chamado "Arraial do Gango".[30] Esta trégua, porém, não durou quatro meses e, a 17 de Maio de 1643, o Arraial do Gango foi pilhado por soldados holandeses devido a suspeitas de conspiração de revolta, matando mais de 30 pessoas e capturando outras 300.[30] Entre os prisioneiros, contava-se o próprio governador, que logrou fugir em Dezembro.[30]

Vista de Luanda.

Auxiliados pelo rei D. Filipe do Dongo e pelos mercenários imbangalas, os portugueses continuaram a combater e resistir contra os holandeses e reis africanos hostis, rodeados por todos os lados.[25] Em inícios de 1644 a rainha Ginga mobilizou os seus aliados no Libolo que, apoiados pelo seu lugar-tenente Jinga Amona e comandados pelo quissama Angolomem-a-Caita, intensificaram os ataques contra os presídios portugueses.[31] Jinga Amona logrou matar o capitão-mor do presídio de Ambaca Francisco da Fonseca Saraiva.[25] Um reforço de 300 homens vindos do Brasil, entre os quais se contavam 100 soldados africanos, desembarcou em Quicombo a 12 de Abril mas foi massacrado pelos imbangalas de Quissama.[25] Em Março de 1646, os portugueses derrotaram a rainha Ginga na Batalha de Xila, com a ajuda do rei D. Filipe do Dongo e dos imbangalas.[32] A rainha Ginga logrou fugir uma vez mais, mas os portugueses recapturaram a sua irmã, D. Bárbara Mucambo e também grande quantidade de correspondência, que revelava a espionagem que a sua irmã D. Engrácia Quifunge fazia em Luanda.[32] Nos dois anos seguintes, porém, os portugueses, isolados no interior, sofreram grandes penúrias e em 1647 foram derrotados na Batalha de Combi pelos holandeses coligados com o Congo e a rainha Ginga[32]

Restauração de Angola 1648-1656

Salvador Correia de Sá.

Luanda foi recuperada por uma frota de 11 navios e 1100 homens comandada por Salvador Correia de Sá, ao fim de operações militares que duraram de 14 a 18 de Agosto, tendo os holandeses capitulado oficialmente a 21, após fraca resitência.[33][34] A rápida reconquista de Luanda por Salvador Correia de Sá deveu-se à "sua táctica desassombrada e perturbadora, pela falta de comando do inimigo e pelo carácter vincadamente mercenário das suas tropas, indignadas com maus pagamentos".[35]

Ainda em 1648 Salvador Correia de Sá reconquistou para a Coroa Portuguesa todos os sobas que se afirmavam leais à Holanda, iniciou a pacificação de outros que ainda se mantinham hostis aos portugueses e assinou uma paz com o Reino de Cassange.[36] Não aceitou, porém, selar a paz com a Rainha Ginga pois esta exigia a devolução da sua irmã, D. Bárbara.[36]

Regressados os exércitos de duras campanhas em Sumbe e nas Ilhas dos Mabus, que duraram de 1648 a 1649, Salvador Correia de Sá enviou em 1651 uma nova expedição de 400 homens e milhares de auxiliares africanos, comandados pelo capitão-mor Jorge da Silva, ao dembo Ambuíla, cujos sobas atacavam europeus, caravanas de mercadores e davam guarida a escravos fugidos.[37] Disto resultou a construção de uma fortaleza de pau-a-pique, rodeada por grandes trincheiras, na margem esquerda do rio Dande.[37] Em Janeiro de 1649 foi também enviada uma expedição em cinco barcos longos a pacificar os sobas nas margens do Cuanza que espoliavam a navegação fluvial, estabelecendo-se a normalidade.[38]

Incapaz de avançar contra Luanda devido às tropas portuguesas que guarneciam as margens do rio Dande, a 13 de Abril de 1649 o rei D. Garcia II assinou capitulações com Salvador Correia de Sá, nas quais se incluíam a vassalagem e o pagamento de tributo a Portugal, a entrega da Ilha de Luanda e dos sobados de Nambuangongo e Ambuíla, nos Dembos e direitos de exploração das minas em Pemba.[36] Em 1655, a rainha Ginga enviou uma embaixada e, a 12 de Outubro de 1656 foram seladas as pazes entre Portugal e Matamba.[39]

A derrota do Congo, Dongo e Matamba 1656-1683

O rei Garcia II do Congo.

O rei D. Garcia II albergava no seu exército numerosos escravos fugidos de Luanda, cobrava elevados impostos aos comerciantes portugueses nas travessias dos rios, hostilizava os padres Capuchinhos associados à Propaganda Fide no seu reino e não cumpria o estipulado no acordo de paz, recusavando-se a pagar o tributo de 900 motetes ou cestos de fazendas e encontrava-se em guerra civil com os seus súbditos, nomeadamente o príncipe do Sonho e o marquês de Pemba.[20][40] O governador Luís Martins de Sousa Chichorro pediu a D. João IV autorização para declarar guerra ao Congo mas o rei não consentia, pelo que o governador instou o rei a cumprir as estipulações de paz a 19 de Abril mas não obteve resposta.[40][41]

Chegado a Luanda um apelo de socorro enviando pelo marquês de Pemba, a 9 de Junho de 1657 o governador Sousa Chichorro reuniu com as autoridades camarárias e eclesiásticas de Luanda e propôs declarar, pela segunda vez, a guerra ao Congo.[20][40] D. João IV tinha entretanto falecido e D. Luísa de Gusmão, que assumira a regência, aprovou.[20]

Por então o Congo encontrava-se já em declínio e a capital, São Salvador, reduzida a 500 fogos.[40] Comandado por Diogo Gomes de Morales, o exército português partiu de Massangano para o Congo, tendo sido reforçado em Camulemba; atravessou o rio Bengo e o Dande e inflingiram uma derrota ao marquês de Manilumbo.[40] Até ali haviam chegado os portugueses na campanha de 1622-1623.[40] Dali os portugueses entraram em Bamba e acamparam na banza do seu duque mas agora os soldados recusaram-se a atravessar o rio Loge, que acreditavam ser o mítico "rio do esquecimento" e que quem o atravessasse não seria mais visto, para além de que o marquês de Pemba já havia sido decapitado.[20] Quando chegou a Luanda uma mensagem de D. Garcia prometendo pagar o tributo, o governador mandou o exército regressar.[40][42]

Em 1557, durante o mandato do governador João Fernandes Vieira, deu-se a conversão do rei de Cassange, Kasanje ka Kinguri, que adoptou o nome Pascoal Machado mas, fora os portugueses que residiam no reino, mais nenhum dos seus súbditos aceitou seguir os ritos cristãos.[43] No ano seguinte, destacou-se a pacificação do soba Angolomem-a-Caita, em 1658, com um exército de cerca de 400 homens e milhares de auxiliares do rei D. Filipe do Dongo e do jaga Cabuco, sob o comando geral de Bartolomeu Vasconcelos da Cunha.[44] Na região de Axila, no distrito de Massangano, o soba ordenou a retirada para refúgios fortificados e a campanha transformou-se numa demorada operação de cercos.[44] Ao fim de seis meses, os sitiados renderam-se.[44]

Uma nova missão religiosa ao Cassange em 1660 não logrou frutos.[43] O missionário Giovanni Cavazzi da Montecuccolo instou as autoridades do Cassange a proibir o infanticídio, o canibalismo, os sacrifícios humanos e a expulsar os curandeiros tradicionais mas, fora banir o canibalismo em tempo de paz apenas, a elite imbangala recusou-se.[43] O rei Pascoal Machado disse a Cavazzi que "conquistámos estas províncias da Ganguela e outras sem este vosso Zambi chamado Deus e sem ele faremos o mesmo de futuro tal como antes fizemos no passado."[43]

A Batalha de Ambuíla

Bandeira com a Cruz da Ordem de Cristo, usada pelos portugueses.

O rei D. Garcia não deu seguimento às suas promessas e faleceu em 1660. O seu sucessor D. António I soube através de Jesuítas que D. João IV não ratificara a cláusula do Tratado de 1649 reduzindo-o a seu vassalo pois considerava-o um "irmão-de-armas", portanto repudiou o pagamento de tributo e exigiu a devolução da Ilha de Luanda.[45] Também entrou em contacto com Espanha para tentar firmar uma aliança militar e obter o apoio de uma armada para atacar os portugueses.[46]

Em inícios de 1664, o duque de Oando refugiou-se em Ambuíla, cujo soba era vassalo de Portugal e pediu auxílio militar a Luanda. Em fins deste ano, deu-se uma crise sucessória nos Dembos e o rei D. António expulsou de Bamba-Ambuíla a regente D. Isabel, bem como o soba de Ambuíla, que pediram ajuda aos portugueses.[47] Eles forneceram às autoridades de Luanda cartas que revelavam estar o rei do Congo a preparar-se para bloquear as estradas e fomentar uma rebelião em território português.[47] De seguida o governador André Vidal de Negreiros declarou guerra ao Congo.[48]

Na batalha de Ambuíla, travada no vale de Ulanga, tanto os portugueses como o Congo demonstraram total capacidade militar.[48] A vantagem do equipamento mais pesado e da maior experiência estava, porém, do lado das tropas portuguesas pois encontravam-se em campanha desde 1648 praticamente sem interrupção juntamente com os imbangalas seus aliados, pelo que sobre o exército do Congo recaiu uma pesada derrota, não obstante a sua superioridade numérica, tendo o rei D. António tombado em combate ao liderar em pessoa um ataque frontal contra o quadrado português.[48][49] O exército português regressou a Luanda em triunfo com a cabeça do rei D. António, que foi enterrada na Igreja de Nossa Senhora da Nazaré, ao passo que a sua coroa e ceptro foram enviados para Portugal como troféus de guerra.[50][49]

A batalha de Ambuíla é das mais famosas batalhas da história de África ocidental e central.[49] Teve repercussões profundas, pois agravou a guerra-civil no Congo, que duraria mais cinco décadas.

Intervenção no Congo, 1670

Em 1670, o conde do Sonho D. Estevão da Silva depôs o rei Rafael do Congo e este apelou a Luanda por ajuda militar. O governador, Francisco de Távora, enviou para o Sonho o exército luso-africano, composto por mosqueteiros, cavaleiros, mercenários imbangalas e auxiliares ambundos, e na Batalha do Ambriz, em Junho, lograram uma vitória.

Na Batalha de Quitombo em Outubro, porém, os portugueses foram rechaçados pelas tropas do conde do Sonho, agora equipadas com armas de fogo fornecidas por holandeses que frequentavam o seu porto.

A Conquista do Dongo e do Libolo

As Pedras Negras de Pungo Andongo.

No Dongo, D. Filipe de Sousa falecera em 1664 e sucedera-lhe o filho D. João Hari.[51] O rei do Dongo disputava terras que eram reclamadas por portugueses e após o desaire sofrido pelo exército português no Sonho, o rei de Matamba D. António Carrasco e o rei de Libolo persuadiram D. João Hari a revoltar-se contra os portugueses, cortar as comunicações entre Luanda e o reino de Cassanje e atacar caravanas de mercadores.[52][53] D. João enviou também emissários para vários reinos vizinhos com vista a uni-los sob o seu estandarte.[52]

O governador de Angola, Francisco de Távora, reagiu com celeridade, solicitando reforços ao Brasil português. Rapidamente despachou para a fortaleza de Ambaca um pequeno contingente avançado sob o comando de Luís Lopes de Sequeira, que antes tinha-se distinguido na Batalha de Ambuíla.

Os portugueses saíram de Ambaca em direcção a Pungo Andongo a 2 de Agosto, constantemente assediados por guerreiros africanos, que escaramuçavam com os europeus, procurando impedi-los de se aproximarem da capital.[54] Sequeira conseguiu, no entanto, alcançar o povoado e acampar nas imediações.[55] Após um cerco de três meses, o comandante português decidiu conquistar Pungo Andongo por assalto quando chegaram notícias que o Reino de Matamba preparava-se para vir em socorro dos sitiados e, a 18 de Novembro de 1671, a povoação foi conquistada.[56][57] O rei D. João Hari fugiu para Hako mas foi entregue às autoridades portuguesas pelo soba Gunza Ambambe, que se tornara um vassalo de Portugal para se proteger de ataques do Cassange.[24] Toda a família real do Dongo foi, assim, capturada e enviada para o Brasil, dissolvendo-se o reino.[56][57] A conquista do Dongo pôs fim à guerra-civil que durara desde a morte de Angola Ambandi em 1624 e a fortaleza que os portugueses construíram em Pungo Andongo passou a marcar a fronteira leste do território português.[24]

Ao longo de todo o ano de 1679, Luís Lopes de Sequeira distinguiu-se na conduta da campanha contra o reino do Libolo, a sul do Cuanza e submeteu ao domínio de Luanda todos os sobas da região.[58]

A Submissão da Matamba

A região de Angola.

A rainha Ginga faleceu em 1663 e sucedeu-lhe no trono a irmã, D. Bárbara, defensora do cristianismo mas o seu marido, D. António Carrasco Jinga Amona defendia a tradição imbangala.[59] António Carrasco Jinga Amona usurpou o trono e cometeu várias atrocidades contra diversos rivais políticos.[60] A sua brutalidade horrorizou D. Barbára, que fugiu da capital e faleceu em 1666, recaíndo as suspeitas da sua morte sobre Jinga Amona.[59][60] D. António Carrasco foi, porém, deposto em 1674 e executado pelo seu rival Francisco Guterres Angola Canini, que se coroou rei de Matamba com o apoio do governador português de Angola, João da Silva Sousa.[60]

O governador, porém, pretendia desenvolver as relações comerciais com o Império Lunda mais para o interior de África para leste e para isso favoreceu as relações com o reino de Cassange, por cujo território as caravanas de mercadores portugueses teriam de passar.[60] Francisco Guterres invadiu portanto o Cassange, tentou colocar no trono um fantoche e pilhou as caravanas dos portugueses.[61]

Quando chegaram a Luanda notícias de Cassange, um clamor levantou-se na cidade, exigindo uma reacção.[37] Em Agosto de 1681, o governador João da Silva e Sousa declarou guerra a Matamba e começou a reunir um grande exército, entre soldados portugueses de infantaria, cavalaria e auxiliares de sobas avassalados, comandado por Luís Lopes de Sequeira, o Mulato dos Prodígios, que antes se destinguira na Batalha de Ambuíla e na conquista de Pungo Andongo. Ao saber dos preparativos portugueses, o rei Francisco Guterres enviou uma embaixada a solicitar perdão mas como não se propunha a indemnizar os portugueses pelos bens espoliados nem a compensar as despesas já feitas com a movimentação das tropas, o governador despediu o intermediário.[62]

Na Batalha de Catole, os portugueses foram emboscados e Luís Lopes de Sequeira vitimado na acção por uma seta mas lograram contra-atacar a tempo e rechaçar os seus inimigos.[63][60] D. Francisco Guterres também morreu em combate e sucedeu-lhe a irmã D. Verónica Guterres, que assinou um pacto de vassalagem a Portugal dois anos mais tarde, para todos os efeitos pondo fim às guerras angolanas.[60][64]

Consequências

A expansão portuguesa em Angola.

As campanhas de 1579 a 1683 tiveram um impacto profundo. O Reino do Congo sofreu uma grave depressão demográfica devido à guerra e guerra-civil, bem como o Reino do Dongo, que foi anexado por Portugal, juntamente com o Libolo, tendo muitos sobas passado para a tutela portuguesa. O Reino do Dongo foi o primeiro reino africano a ser conquistado pelos europeus.[65] As depredações dos imbangalas canibais em particular deixaram uma marca profunda na memória popular do povo congo.[66]

A Batalha de Ambuíla em 1665, a conquista do Dongo em 1671, do Libolo em 1679 e a Batalha de Catole em 1681, protagonizadas pelo capitão-mor Luís Lopes de Sequeira, deixaram em aberto o caminho para a gradual expansão portuguesa a norte do Planalto Central.[67] A Coroa Portuguesa impôs uma política de paz e de comércio tal como fora o plano no tempo de Paulo Dias de Novais pelo que, após a vassalização da Matamba, os conflitos na região decresceram muito.[65]

A prioridade de Portugal em Angola passou a ser a concorrência comercial das potências rivais de Inglaterra, França e Holanda, cujos mercadores se instalaram no Sonho e em Cabinda.

Ver também

Referências

  1. "O controle dos sobas garantia a penetração no interior e o avanço da “conquista” e, ao mesmo tempo, fortalecia os exércitos lusitanos, pois os sobas aliados tinham obrigação de dar passagem, alojamento e alimentação às tropas portuguesas, serem “amigos dos amigos e inmigos dos inimigos”, de ceder pessoas de sua jurisdição para compor as tropas da “conquista”, a chamada “GUERRA PRETA”. Ao  lado dos generais portugueses, lutavam africanos designados por  seus sobas em sinal de obediência. As guerras em Angola  não  existiriam  sem  a  maciça participação dos africanos, que atuavam como soldados, carregadores, guias na densa mata, coletores de alimentos, já que a fome era um grande problema dos exércitos em Angola. Além do braço para a guerra, os africanos combatentes utilizavam seus conhecimentos tribais na preparação para a luta, as estratégias próprias para aquela geografia e suas próprias  armas (machadinhas, arcabuzes, lanças)." in Mariana Bracks Fonseca: "Rainha nzinga mbandi, imbangalas e portugueses: as guerras nos kilombos de Angola no século XVII" in Cad. Pesq. Cdhis, Uberlândia, v.23, n.2, jul./dez. 2010, pp. 392-393.
  2. a b "Entre 1630 e 1635, ao longo dos 5 anos de mandato do governador português que se seguiu, Manuel Pereira Coutinho, Njinga Mbandi efectuou diligências notáveis junto das principais chefias africanas incompatibilizadas com os portugueses, conseguindo, passado esse lustre, liderar a maior coligação de Estados angolanos do século XVII. Essa coligação  suscitaria a simpatiza dos Holandeses e manter-se-ia intacta até à expulsão destes de Angola em 1648. Formada inicialmente pelo Ndongo, pela Matamba e pelo Kasanje, veio depois a congregar os sobados da Kissama, a sul do Kuanza, e também alguns a norte do Kuanza, os chamados Dembos. Mas atraiu também a simpatia dos Ntotila que reinaram no Kongo durante esse período: D. Garcia Afonso I (1624-1626), D. Ambrósio I (1526-1631), D. Álvaro IV (1631-1636), D. Álvaro Vi (1636-1641) e D. Garcia Afonso II (1641-1663)." in Pinto, 2019, p. 341.
  3. "This was na epic narrative of the wars of conquest undertaken by the Portuguese against King N'Gola. Cadornega followed the model of Portuguese chronicles of Asian and Brazilian conquest." in Antonella Romano, Borbála Zsuzsanna Török, L. Kontler, Silvia Sebastiani: Negotiating Knowledge in Early Modern Empires: A Decentered View, 2014, Palgrave Macmillan.
  4. "Tinha por regimento que procedesse por via de paz e amizade" in Delgado, I 1973, p. 288.
  5. Pinto 2015, p. 263.
  6. "In 1575 Paulo Dias de Novais returned to Ndongo with a royal grant from Portugal to create a colony on the coast, south of the Kwanza. He offered his services to Ndongo and fought for Ndongo in several campaigns against rebels." in John K. Thornton: "Ndongo, Kingdom of" in Encyclopedia of African History, volume 1, 2005, Routledge, p. 1079.
  7. Pinto, 205, p. 260.
  8. Pinto, 2015, p. 267.
  9. "Os Portugueses andavam seguros pelo Reino como se andassem em Portugal, não havendo quem levantasse os olhos para um europeu, por saberem a amizade dispensada, pelo rei, ao governador, que este retribuía com socorros e atenções; e a tal apogeu chegaram essas boas relações que Ngola Kiluangi, pedindo, a Paulo Dias, um capitão para a sua capital, de portugueses e crioulos de São Tomé, com o qual corressem no negócio da justiça, viu realizado o seu desejo, com o envio de Pedro da Fonseca, parente do governador, acompanhado por vinte homens." Delgado, I, 1973, p. 288.
  10. Anthony Disney: "Portuguese Expansion, 1400-1800: Encounters, Negotiations and Interactions" in Diogo Ramada Curto, Francisco Bethencourt: Portuguese Oceanic Expansion, Cambridge University Press, 2007, p. 299.
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