Batalha de Catole
| Batalha de Catole | |||
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| Guerras Angolanas | |||
| Data | 4 de Setembro de 1681 | ||
| Local | Matamba, Angola | ||
| Desfecho | Vitória Portuguesa[1] | ||
| Beligerantes | |||
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| Comandantes | |||
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A batalha de Catole foi um confronto armado entre o Império Português e o reino de Matamba, em território que hoje faz parte de Angola, passado a 4 de Setembro de 1681. Foi a última grande batalha das Guerras Angolanas.
Contexto
O reino de Matamba era um reino africano de etnia imbangala que até 1663 fora governado pela célebre Rainha Ginga. Quando faleceu, o trono passou para as mãos da sua irmã, D. Barbára mas o marido desta, António Carrasco Ginga Amona usurpou o poder e perseguiu violentamente os seus rivais políticos, contra quem cometeu diversas atrocidades.[2] A sua brutalidade horrorizou D. Barbára, que até fugiu da capital.[2] Ginga Amona foi, porém, deposto em 1674 e executado pelo seu rival Francisco Guterres, descendente da Rainha Ginga, que se coroou rei de Matamba com o apoio do governador português de Angola, João da Silva Sousa.[2]
O governador, porém, pretendia desenvolver as relações comerciais com o Império Lunda mais para o interior de África para leste e para isso favoreceu as relações com o reino de Cassange, por cujo território as caravanas de mercadores portugueses teriam de passar. Francisco Guterres repudiou portanto as relações com os portugueses e invadiu o Cassange. Com a ajuda do capitão-mor português do distrito, o rei de Cassange, Pascoal Machado, travou uma violenta batalha com as forças da Matamba mas faleceu em combate, ao passo que os portugueses tiveram de se retirar. Francisco Guterres pilhou depois as caravanas dos portugueses e impôs no trono de Cassange o rei Luís Dala.[3] Quando o rei de Matamba se retirou do território com as suas tropas, porém, Luís Dala foi deposto por Quingure Quiacassange numa contra-revolta.[4]

Quando chegaram a Luanda as notícias da invasão e das pilhagens em Cassange, um clamor levantou-se na cidade, exigindo ao governador uma reacção.[4] Em Agosto de 1681, o governador João da Silva e Sousa declarou guerra a Matamba e começou a reunir um grande exército, entre soldados portugueses de infantaria, cavalaria e auxiliares de sobas avassalados, comandado por Luís Lopes de Sequeira, o Mulato dos Prodígios, que antes se destinguira na Batalha de Ambuíla e na conquista de Pungo Andongo.[2] Ao saber dos preparativos portugueses, o rei Francisco Guterres enviou uma embaixada a solicitar perdão mas não se propunha a indemnizar os portugueses pelas caravanas pilhadas nem a compensar as despesas já feitas com a movimentação das tropas pelo que o governador despediu o intermediário.[4]
A batalha
Reunidos os efectivos em Ambaca, o exército luso-africano partiu para a Matamba a 2 de Agosto de 1681.[4] Era composto por 527 soldados de infantaria, 50 de cavalaria e mais de 40,000 guerreiros africanos de arco e flecha.[4] As tropas acamparam em Catole, a três léguas apenas da capital de Matamba. Convencido da invencibilidade do seu exército, Luís Lopes de Sequeira não tomou as devidas precauções.[4] Mediante espiões colocados entre os auxiliares africanos, o rei Francisco Guterres ficou a saber da situação entre os portugueses.[5]
Na madrugada 4 de Setembro, os portugueses foram atacados pelos lados e pela rectaguarda. Os guerreiros da Matamba deitaram fogo às palhotas construídas para aquartelamento e as labaredas alastraram-se rapidamente pelo acampamento, fazendo explodir a pólvora.[5] No meio desta situação, Luís Lopes de Sequeira montou a cavalo e tentou animar as suas tropas atacando o inimigo mas foi rapidamente vitimado por uma flecha.[5] Os portugueses combateram com desespero e contra-atacaram com tanto esforço que mataram Francisco Guterres em batalha e assim rechaçaram os atacantes.[5][1] Restabelecida a normalidade, o tenente-general da conquista António Machado de Brito tomou o comando do exército.[5]
Machado de Brito pretendeu prosseguir a campanha contra Matamba mas foi contrariado pelos seus oficiais, pelo que o exército regressou a Ambaca.[6] Os portugueses saíram vencedores mas sofreram tantas baixas que retiraram-se.[1] Foi portanto uma vitória de Pirro.
A Francisco Guterres sucedeu-lhe no trono a irmã Verónica Guterres, que assinou a paz com um pacto de vassalagem a Portugal dois anos mais tarde, para todos os efeitos pondo fim às guerras angolanas.[1][7][8][2]
Ver também
Referências
- ↑ a b c d Thornton, John K. (26 de março de 2020). A History of West Central Africa to 1850 (em inglês). Cambridge: Cambridge University Press. p. 209. Consultado em 2 de outubro de 2025
- ↑ a b c d e Alberto Oliveira Pinto: História de Angola: Da Pré-História ao Início do Séc. XXI, 2019, Mercado de Letras Editores, pp. 410-412.
- ↑ Ralph Delgado, História de Angola, Terceiro Período 1648 a 1836, volume IV, Banco de Angola, 1973-1978, p. 58.
- ↑ a b c d e f Delgado, IV, 1973-1978, p. 59.
- ↑ a b c d e Delgado, IV, 1973-1978, p. 60.
- ↑ Delgado, IV, 1973-1978, p. 61.
- ↑ A. R. Disney: A History of Portugal and The Portuguese Empire, volume 2, Cambridge, p. 74.
- ↑ Delgado, IV, 1973-1978, p. 65-66.